REVISTA VEJA APÓIA INDÚSTRIA DA MORTE
Em 14 anos, 90% das capas sobre guerras apóiam a política belicista
dos EUA
por Breno Costa

Guerra do Golfo, Guerra do Afeganistão, Guerra do Iraque. Três combates. Três horrores. O adversário variava, mas o dono do cinturão é sempre o mesmo: Estados Unidos da América. Mais para o sul, num país chamado Brasil, uma revista semanal se destaca como a mais lida e a mais influente. Durante 14 anos, enquanto as batalhas acima mencionadas vitimavam milhares de civis e militares, Veja narrava, de seu ponto de vista, o “horror”. De 1990 até hoje, em capas chamativas, com belas fotos, mensagens vêm sendo passadas para seu gigantesco público, essencialmente integrante da chamada classe média. O Fazendo Media, em seu acompanhamento da revista, analisou as capas desse período e o resultado é revelador.

De 19 capas que tratavam especificamente das guerras, 90% davam suporte, direta ou indiretamente, à política belicista promovida pelos EUA. E, das duas capas contrárias à sede de guerra estadunidense, uma versava sobre os conflitos na Palestina, onde os EUA têm participação militar apenas indireta. Portanto, no relativo às guerras em que, efetivamente, há soldados americanos, a estatística sobe para quase 95%, dado comprometedor para uma revista que tece loas à imparcialidade e independência.

Personagens como Saddam Hussein e Osama Bin Laden são tratados como verdadeiros vilões à la Hollywood. Saddam ainda teve o privilégio de figurar nas capas da revista em duas épocas distintas. Primeiramente, no início da década de 90, quando o Iraque era bombardeado e, agora, no ínicio do novo milênio, quando o Iraque era bombardeado mais uma vez. Sempre visto como ditador sanguinário, o ex-comandante iraquiano era o monstro. Na capa de 6 de março de 1991, a Veja se propunha a explicar “como Saddam foi moído”. Enquanto isso, os governantes dos Estados Unidos, apesar de matarem milhares de civis inocentes na invasão, permaneciam sob à insígnia politicamente correta de “presidentes dos EUA”.

A posição de Veja fica ainda mais explícita quando duas das 17 capas pró-EUA, num intervalo de 10 anos, são analisadas. A primeria, datada de 30 de janeiro de 1991, trazia em letras garrafais: “A guerra sangrenta de Saddam”. Anos depois, em 26 de setembro de 2001, logo depois dos atentados de 11 de setembro, novas letras garrafais - tendo como pano de fundo um belo nascer do Sol e um imponente helicóptero do Exército estadunidense - anunciavam a “Guerra ao Terror”. Uma guerra justa, segundo Veja e, ao que parece, sem sangue.

Matéria publicada na edição # 16 do FM impresso

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