
A INVASÃO DA MÍDIA
Índios brasileiros são discriminados e criminalizados
por Carolina Rangel
Terra. Sinônimo de luta na América Latina desde a sua colonização. A Reforma Agrária já foi motivo de Revoluções como a Mexicana no início do século XX e hoje continua sendo a aspiração de movimentos sociais como o Exército Zapatista de Libertação Nacional no México e o MST no Brasil. Neste painel de lutas surge, para a grande mídia, no Brasil, mais um grupo excluído exigindo os seus direitos: os indígenas.
Neste mês de janeiro, dois fatos marcaram o protesto dos índios. O primeiro ocorreu no município de Japorã, sul de Campo Grande. A reivindicação era pela desocupação de fazendeiros em terras da comunidade de índios guaranis e cauás. Tudo explicado pela Folha de São Paulo, quatro de janeiro, sob o título contraditório “Pintados e armados, índios invadem fazendas”. As armas eram lanças, arco-e-flexa e bordunas (pedaços de madeira pontiagudos). E um mapa elaborado em 2001 pelo antropólogo Fábio Mura revela que esta reserva compreendia 9.461 sendo que atual área demarcada é de 1.600.
A segunda questão envolve a homologação de terras, reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Boa Vista. Através desta medida os fazendeiros são expulsos da região - mesmo os que possuem plantações. Novamente aparecem nossos índios “armados” com suas lanças na capa da Folha, oito de janeiro.
Contudo, em novembro de 2003 aconteceu em Brasília o Fórum Nacional dos Povos Indígenas do Brasil, onde foram discutidas alterações na estrutura da Fundação Nacional do Índio incluindo homologações, as atividades mineradoras e a criação de uma lei de cotas para o ensino superior. O encontro não foi considerado assunto relevante para a grande mídia, apenas as suas conseqüências classificadas como atos de vandalismo e baderna.
Infelizmente a questão indígena segue a trilha do MST perante a imprensa. Este, completa 20 anos e apesar das intensas aparições e ocupações, as pessoas pouco sabem do movimento. Em entrevistas pela orla de Icaraí, Niterói, verificou-se que a maioria dos entrevistados demonstrava posição contrária ao MST por considerarem o seu caráter violento e não saber dos objetivos e propostas. Mas como diz San Martí: “O que importa não é a quantidade de armas nas mãos, mas o número de estrelas na testa”.
Especial para o Fazendomedia.com

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