RICARDO BOECHAT - Diretor de jornalismo da Band-Rio

A porta da sala na Band-Rio já indica onde pisamos: Ricardo Boechat - Diretor de Jornalismo. Mais de 30 anos de carreira recebendo ou fazendo telefonemas, na expectativa do furo. Gentil à sua maneira, Boechat não tem papas na língua e gosta de ilustrar suas falas com palavras grandes que, não raro, sobravam até para sua secretária - e filha.

Breno - Você faz coluna de notas e a gente vê que há uma variedade muito grande de temas abordados ali. Então, como é a sua relação com as fontes?
Olha, do ponto de vista operacional, a relação com as fontes é basicamente pelo telefone, é o instrumento mais ágil para esse tipo de garimpo.

O computador é marcadamente impessoal, não é confiável, não assegura a proximidade física, de intimidade, que você obtém quando está ouvindo e falando com a pessoa.

O telefone ajuda muito nessa abordagem mais intimista que você precisa ter quando faz uma coluna, onde você tem que conseguir notícias em primeira mão. A transferência de um sentimento de segurança para a fonte, no sentido de que ela pode confiar no jornalista com quem ela está cometendo uma inconfidência, não raro uma traição. Ela detém um segredo sobre alguma coisa...

Breno - E eles só falam porque é garantido o anonimato, né?
Claro. Você tem que dar esta garantia ou ele tem que perceber que ela existe independentemente de você dar. A relação com a fonte tem que se dar de forma a permitir-lhe perceber que ela não corre risco se contar, a uma pessoa que muitas vezes ela não conhece, um segredo que, em tese, a coloca no papel de traidora ou até de potencial vítima de uma reação das coisas que ela está denunciando.

Breno - Eu pergunto isso porque, agora mais especificamente em relação à política, se a fonte não acaba usando você...
O que é usar? Passou a mão na minha bunda, beijou a minha nuca e eu não autorizei?

Breno - Usar você como intermediário para ele publicar uma nota que vai prejudicar um adversário dele...
E qual o problema?

Breno - A parte da checagem das informações...
Ué, você tem que checar independentemente de... Olha, se o cara ligar aqui e disser: “Tá vazando esgoto aqui na esquina”... Isso não atinge ninguém, tá certo? Não um adversário. Mas você checa, não é? A checagem não tem nada a ver com seu potencial alvo. Tem a ver com a natureza do que se faz, com a natureza do nosso ofício. É preciso checar para garantir que a natureza do que você está revelando reflita a realidade.

Breno - Mas vai que uma fonte chega pra você e diz que o Lula está pensando em trocar o ministro da Saúde e pôr no lugar alguém do PMDB?
Mas aí você não pode dar pura e simplesmente...

Breno - E você tem relações com outras fontes também ligadas ao governo que não gostariam de ver essa notícia publicada. Como é isso?

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