
Continuação
BOB FERNANDES
(silêncio). Faz de conta que busca talento. Às vezes busca talento, mas na verdade as conformações de poder nas redações são de medianos e medianidades. O jogo é da medianidade. Nego não contrata um cara que é muito bom porque tem medo da sombra. Eu, se puder, contrato os mais... aliás, já tentei contratar os melhores que não vão porque preferem ficar no mainstream. Aliás, ajudei muita gente a ganhar ótimos salários. Porque cada vez que eu vou lá a Folha vai e cobre a proposta. Estou pensando em combinar com uns amigos meus... Uma meia dúzia aí deve a mim ótimos salários, cara.
Breno - Quantos repórteres tem a CartaCapital?
Dez ou onze.
Breno - Como é fazer uma revista com tão poucos repórteres?
Marcelo - Mas tem os articulistas...
Isso que eu ia falar, tem 16 ou 17 articulistas... Tem o Gianni, às vezes uma pessoa que escreve da Itália...
Breno - A questão da apuração.
Ah, como é que faz? Escolhe o rumo, escolhe o caminho. Não perde tempo...
Breno - Porque toda edição tem textos de boa qualidade...
Isso é trabalho. Por isso só conseguimos parar ontem às três horas da tarde. Porque eu saí da redação às 5 da manhã. Porque a gente tem o prazer de fazer a coisa do jeito que a gente acha que deve fazer.
Breno - Fica difícil entender outras revistas com redações muito maiores...
Mas aí é outro jogo... Nós trabalhamos com tesão monumental. Regra número 1: aqui não vai ter war games. Não tem joguinho de guerra na redação. O jogo ali é o seguinte: a capa. É a melhor matéria, tá na capa. Faça o melhor que você puder fazer. Não tem negócio de rasteirinha, grupinhos aliados. Não tem nada disso. Eu não deixo ter. O Mino não deixa. Tem um grande ex-editor de revista que diz que no jornalismo não se administra caráter, se administra talento. Eu não acho. Acho que se administram os dois. Uma redação onde fica um querendo morder o pescoço do outro, e tem alguns jornais que até incentivam essa tática, eu conheço vários, isso não ajuda, atrapalha, e é um dos motivos de paralisia das redações medianas.
Marcelo - Pois é, no jornal em que trabalhei lá em Niterói tinha uma editora que mudava os textos dos outros colocando erros de concordância...
Pois é, cara. A coisa é por aí, um delírio... Mas vocês não poderiam querer que as redações tivessem uma desvinculação da sociedade, que elas não fossem o que a sociedade sob um certo ponto de vista é, ainda mais a sociedade de classe média, e que elas fossem seres distintos do panorama que é o país. Não é uma meritocracia, em muitos lugares não é. Existem bons jornalistas. Na minha opinião, o melhor jornal do país, em meio aos jornalões, é O Globo.
Breno - Por quê?
Porque apesar dos compromissos tem um monte de profissional bom lá...
Marcelo - Rodolfo Fernandes?
Rodolfo Fernandes, conheço...
Marcelo - É seu parente?
Não. Trabalhamos juntos. Ele é filho do Helio e sobrinho do Millôr. Rodolfo é um puta cara sério, trabalhamos juntos. Desde quando eu cobria a campanha do Tancredo no JB. Tem aquelas coisas do Globo? Tem lá. O jornal tem coisa aqui, ali, mas não tem uma sanha pra pegar governo, aquela coisa de “vamos morder os caras por qualquer coisa”. Não tem essa voracidade muito...
Marcelo - Você tá falando da Folha?
Também... Claro... óbvio, seguramente... Tem coisa que não tem pé e não tem cabeça e tem coisas que tinham que estar lá e não estão. Coisas importantésimas. A qualidade não é correspondente à sanha, entendeu? Em vários episódios seria um jornal muito melhor do que é se não escondesse determinados fatos porque é a “revista do Mino” ou porque já deu porrada na gente... Isso é uma panaquice. Isso mostra pequeneza. Quando eu digo que o globo é melhor, com todas as dificuldades que devem ter, eu leio e vejo que tem tamanho, tem matéria, tem espaço, tem texto, às vezes mal escrito, mas tem lá! Porque eu acho que a gente tem que se cuidar.
Veja o caso de Fernando Henrique Cardoso. Eu disse: “Mino, ainda que a gente tenha razão, vamos dar um refresco”. Não é auto-censura, é autocontrole. Porque bater o tempo todo se torna contraproducente, as pessoas perdem a vontade de ler.
Eu sou jornalista, cara. Acho que jornalista é pra dar cacete mesmo. Só que tem hora que começa a ser gratuito e você vê. Eu sei porque no governo dos tucanos era tanta gandaia que às vezes você se anima. Mas fala “pô, peraí”. Vamos ver se teve alguma coisa boa. Por exemplo, na educação, houve um acesso muito maior à escola. Eu viajava muito pelo Brasil e via, no interior, à noite, ônibus e ônibus e ônibus, lotados, levando as crianças para a escola. Os prefeitos eram obrigados a colocar ônibus pras crianças estudarem. Teve um avanço grande. Então, a política macro tava equivocada? Tava. O rumo do cara é uma coisa estranhíssima? Era. Entregou a rapadura? Entregou. Mas o problema é você perder o senso crítico do outro lado. Aí fica chato até pra ler.
Marcelo - Seria um maniqueísmo às avessas?
É isso... É isso...
Marcelo - Então... Como é sua relação com as fontes?
Primeiro que eu tenho a tese do “fontismo”. Acho que é uma herança da ditadura, aquela coisa que você ficava ali, devendo pra fonte... Eu, nesse meu jeito da contramão, óbvio que eu tenho em algumas áreas sempre uma ou outra pessoa que sabe das coisas. Evidentemente que essas pessoas não são a fonte, é a pessoa que diz assim: “olha, quem sabe dessa história é o almirante tal que entende de urânio...”. Por exemplo, esses caras (pega a CartaCapital e mostra a capa com os dois delegados), sabem quando eu conheci? O José Roberto, eu falei com ele anteontem (dois dias antes de fechar a edição) pela primeira vez na vida e esse cara falei com ele ontem (um dia antes de fechar) pela primeira vez na vida. Você tem que ter o faro de saber onde está a notícia. Quem é que sabe da história. Tem dois ou três. Um topa falar. Você vai lá, pergunta e o cara responde. Então, tem essa mistificação da fonte... não pode é ficar prisioneiro do cara. Tem que ter pessoas bem informadas que te dêem a dica. Por exemplo, no caso dos franceses... Um mané lá me ligou dizendo que tinha alguma coisa estranha no aeroporto. Voei pra lá e cheguei 2 minutos antes do avião decolar. E aquela matéria sem foto era outra coisa, porque iriam dizer que não tinha avião e tal. A foto era indesmentível.
Breno - Apesar de tudo...
É... Apesar... A maneira que nego tem de desmentir é o silêncio. Como é a mecânica do ciúme, da burrice e da mediocridade? Essas matérias, Polícia Federal e Itamaraty. Tem lá os setoristas. O setorista, como não fez, ou foi cobrado ou disseram que o Carlos Costa é maluco. O que a embaixada americana vazou? Que o cara foi demitido por justa causa? Sim. Isso não altera o que ele falou. É maluco. Tudo bem, é maluco mas ficou lá 22 anos, foi chefe durante 4 anos no Brasil, conhecia o país inteiro, andava com todo mundo, andava com o presidente da república e de repente foi mandado embora. Era possível partir de vários pontos dessa matéria e fazer uma puta história. Mas o chefe também é mediano e estabelece-se assim o consenso da mediocridade com a burrice. Como a IstoÉ fez. Pegou o doleiro e pá, jogou lá! Acho que errou porque não citou a CartaCapital, que já tinha falado sobre o assunto em sete capas. Então, a ciumeira, a burrice. Mas chega a ficar ridículo, tipo o rei nu. Porque a revista esgotou nas bancas, com 24 horas nas bancas. E repercutiu. O Gilberto Barros, ou seja, o Leão, leu a matéria no ar durante 30 minutos.
Breno - Ele leu a matéria toda?
Leu 30 minutos, linha por linha. E o Paulo Henrique Amorim, teve entrevista no programa dele durante 5 minutos. No jornal da Band, 3 minutos com o Carlos Nascimento e 6 minutos com o Mitre. Terra deu dias e dias seguidos. Uol deu dias e dias seguidos. Rádio Bandeirantes, CBN, todos os sites. Então, quem não deu foi a imprensa de papel. Teve um repórter do JB que pegou uma informação vazada em off da PF e fez uma matéria dizendo que era complexo de superioridade do Carlos Costa. O problema não é o complexo de superioridade do Carlos Costa, mas o complexo de inferioridade dos brasileiros que topam receber dinheiro e fazer aquele jogo dos americanos. No caso da operação França, o Le Monde furou toda a imprensa brasileira na selva amazônica.
Marcelo - Sem ajuda do Araribóia...
(risos) Sem ajuda do Araribóia...
3ª parte:
Qual é o grande documentário sobre Ulisses Guimarães, um dos grandes caras da redemocratização? Não tem. Quem entrevistou pra TV, longamente, como tinha que ser, Paulo César Cavalcanti Farias? Ninguém. Quem fez um grande documentário sobre Leonel Brizola? Ninguém. O Eduardo Coutinho está fazendo com o Lula na campanha, que tem que fazer, pô! Então, é isso, o jornalismo brasileiro, o documentarismo brasileiro é sempre uma coisa do pós. As coisas estão acontecendo e ele está só fazendo depois, pô! Está aí, é fazer!
Marcelo - Como os 50 anos do Getúlio Vargas, a campanha sobre as Diretas...
É isso, mas veja bem, tem coisas do pessoal antigo. Eu falava com a minha irmã cineasta... Quando a gente já fazia o PC Farias na "Istoé" - a primeira capa minha foi em 24 de outubro de 1990, seis meses de governo. Como roubava, onde roubava, endereço, telefone, tudo... O que o Pedro Collor veio a falar depois, 18 meses, a gente disse ao longo de 10 capas, tem até um livro aí chamado "O Preço do Poder - Relações Perigosas". Está tudo lá. O cara pegou tudo lá, botou até as capas da Istoé, está tudo lá. Tudo aquilo já tinha sido dito, só que ninguém está aí, cara. Em julho de 1991, eu estava em Paris com a Ana [sua esposa], de férias, e encontrei um cineasta amigo meu, documentarista, o Fábio, disse: "Cara, você tem que ouvir um cara chamado Paulo César Cavalcanti Farias, você tem que gravar esse cara". Ninguém sabia quem era; a gente sempre vai fazer depois. E quando você tem um assunto novidadeiro, novidadoso, você pega uma coisa, enquanto o mainstream não decide que aquele é o assunto, ele faz de conta que não existe. É o que eu digo: provincianismo, mediocridade, mesquinharia, burrice. E cada dia é mais engraçado. Por que é que vocês estão aqui? Vocês moram em Niterói, ou seja, perto da casa do chapéu pra quem está em São Paulo, não é? Do outro lado da ponte e tal... No entanto, vocês viram no mesmo dia ou no dia seguinte. Cara, não tem mais como esconder as coisas hoje. Então, fica até ridículo essa tentativa de reproduzir porque todo mundo está vendo o que está havendo e todo mundo está vendo quem não está fazendo. Então, vai ficando cada vez mais feio para quem não faz. É isso.
Breno - Só pra concluir... A questão da Venezuela na reportagem com o Chávez...
Tem um documentário monumental aí, cara. Se vocês verem meia-hora vão cair duros. "La Revolución no será televisada". É fantástico! É o golpe visto por dois cineastas - que é o que eu estou falando - irlandeses, jovens, que eu conheci no primeira ida - que filmaram dentro do palácio golpe e contragolpe. Fantástico! Esse documentário é fantástico, é como se estivesse alguém na queda do Allende dentro do palácio.
Breno - Pois é, a reportagem foi baseada como?
Aquela do contra-golpe? Ah... Eu estava sentindo o cheiro de que ia ter encrenca lá. Até um amigo que o Mino tinha deu um toque, abriu uma porta.... Eu tinha ido vinte dias antes fazer uma entrevista com o Chávez, que saiu quinze dias antes do golpe. "Não cederemos; sou um soldado e não recuarei". E nessa entrevista, tem uma pergunta que é assim: "O senhor que conhece a história sabe que se aproxima o momento do confronto. Como é que vai ser?" Aí tem aquela resposta da capa. Isso foi vinte dias antes da queda dele. Quando houve o golpe, eu estava na casa do [Ricardo] Noblat escrevendo a matéria "Como os EUA pagam as contas da Polícia Federal". Naquela capa, que depois a Istoé faria em novembro do mesmo ano, lembram? Eu estava na casa dele na quinta-feira à noite, aí o Noblat: "Você tá maluco? O cara caiu, não tá vendo aí, o cara renunciou, como é que você não tá vendo?" E eu falei: "Eu vi o olho desse cara e esse cara não entrega a rapadura. Ou ele vai matar ou vai morrer, mas ele não renunciou. Eu duvido!" E me piquei pra Venezuela.
Marcelo - Cara, isso é que é feeling, né?
Cheguei lá no dia em o contra-golpe estava começando e eles tinham feito agradavelmente surpresos porque eu tinha feito uma entrevista rara com ele porque eu não tinha sacaneado na edição, que é uma coisa absolutamente rara. E tem uma coisa gravada, que vocês vão dar risada se virem, que, quando eu fui na primeira vez, ele estava no forte de Guaicapullo e eu fui entrevistá-lo. Só tinha milico, todo o comando que ia dar o golpe estava lá. E aí o maluco me chama pra entrevista no meio do programa dele, cara, só milico, quinhentas pessoas e eu de terno e gravata azul-marinho num calor da porra, no programa ao vivo "Alô, Presidente". "E agora o jornalista brasileiro..." E o que eu ia falar? Não podia perguntar nada porque não ia discutir com ele em público, ao vivo; teria que primeiro conhecer o cara, conversar... Mas ele chamou, ao vivo, todo mundo sentado ali, num espaço público, num quartel... E ele tinha falado durante vinte minutos sobre Conpupa, que é uma tática camaleonesca, vamos dizer assim, de se infiltrar, militar... É você estar camuflado. Aí, na hora em que ele me chamou eu arrisquei, cara, uma coisa realmente muito arriscada, que eu podia ou me dar bem ou me dar muito mal. Porque eu estava de gravata vermelha, cor da boina vermelha deles, que é o símbolo da revolução. E conversa vai, conversa vem, "está aí com essa roupa, por que não tira?". Então eu balancei a gravata e disse: "és conpupa". Cara, ele olhou pra mim, deu uma gargalhada e a milicada: quá, quá, quá... Foi uma gargalhada geral. Mas por que isso foi interessante? Porque quando eu voltei no dia do contragolpe e todo o staff ali lembrava da entrevista. Aí, o que aconteceu? No dia do contragolpe, na segunda-feira (o golpe foi durante vinte minutos), havia 110 correspondentes de revistas, jornais e televisão do mundo todo lá. Porque o golpe é impressionante, o cara voltar 48 horas depois, né? Tinham 178 pedidos de entrevista individual com ele.
Breno - 178?
178. Eu sei, porque eu chegava pro cara da comunicação e ele falava: "Bob, aqui, são 178. Como é que vai ser?" Aí, eu falei: "Olha, eu não tenho nada que fazer, vou ficar aqui esperando a hora que der. Aí, eu fiquei 4 dias dentro do palácio. Conversei com o chefe do serviço secreto, com general, com todo mundo menos o presidente, até porque não me interessava, pois ele deu 5 horas de entrevista coletiva e disse tudo que tinha a dizer e não ia dizer mais nada. Todos os 109 iam sair dali e pegar as notícias do dia, viam um cara da VIA ou da OEA e faziam as matérias. Eu optei por uma tática diferente, eu era revista, tinha 3, 4 dias ainda. Eu fiquei todos os dias dentro do palácio, falei com um outro líder da oposição em geral pra ver como é que era estar do outro lado, quem viveu do outro lado, e comecei a contar, a pensar exatamente como eu vou contar a história do golpe e do contragolpe. Eu estou dentro do lugar onde os caras deram e tiraram, pô! Falei com todo mundo, conheci todo mundo, conheci o o chefe da segurança, aquele cara que chega no telhado e faz assim (imita um "L" com a mão), só que você não vê quem é, está com o rosto coberto - dos seguranças, "os anjos do Charlie", porque eles acreditavam em anjos. E esse cara é um deles, eu o chamei de Tenente K. Então esse cara foi contando tudo, tudo, tudo...
Marcelo - Isso foi em que dia da semana?
Ah, eu cheguei foi entre o sábado e a quinta-feira. Eu fechei na quinta-feira...
Marcelo - fechou, mandou...
É, eu mandei de lá...
Marcelo - Cara, que viagem!
Aquele documento que ninguém tinha, que jogou no lixo, aquela história na mão dos caras lá. Era só chegar e pegar. Aquela foto que agora todo mundo sabe que é, que vocês vão ver agora, que é impressionante. Lembram daquele tiroteio dos chavistas atirando na multidão? Vocês vão ver o vídeo. Só que eu falei: "Vem cá, o serviço secreto tem essa foto, eu tenho, mas ninguém quer publicar a foto.. Quer publicar o quê? Foto da Polícia Metropolitana, que era contra ele, com arma, que não é arma usual, atirando também? Ou seja, era um tiroteio entre duas forças. Está na foto aqui, aquela foto dos caras de azul atirando, pô! Se vocês virem o vídeo vão ficar chocados como se constrói uma versão, porque está lá no vídeo. Tudo, cara. Tem que ter os irlandeses que ficaram lá durante um ano filmando tudo, que apostaram também que ia dar encrenca e estavam lá dentro. esses, sim, tiveram faro e ficaram lá. Estão na hora do contragolpe e quando eu volto estão lá também. O Chávez disse uma frase fantástica para o cara. Ele chega no vídeo pro cara e fala assim: "Não falei com você na hora que eu saí porque eu sabia que ia voltar".
Marcelo - Cara, teve um repórter da "Veja" lá na faculdade, aliás, eu me desentendi com esse professor porque ele só leva um lado e a turma acha que não existe outro jornalismo, entendeu? Tem gente que não sabe, não conhece...
Eu sei, eu sei...
Marcelo - Aí, o cara começou a falar: "O mercado jornalístico é como o mercado de peixes..."
Quem foi esse gênio?
Marcelo - Ronaldo França, sabe quem é?
Não, não conheço...
Marcelo - "Cada jornal, revista vai ao mercado, compra seu peixe e vende conforme suas especificidades". Como assim? Mercado de peixes? Deve ser porque é velho, tal...
Não, não. Mercado de peixes, na ótica deles, é o que se impõe no mercado, cara. Exatamente um tipo de coisa assim e isso que é triste.
Marcelo - E daí o monopólio também, que não tem frango nem mais nada, vende só o peixe.
É...
Marcelo - Mas aí tocou no ponto da Venezuela. Então, como é que faz quando você manda um peixe podre pra gente, por exemplo, no caso da Venezuela, que a Veja comprou a versão, fechou errado. Aí o cara ficou no meio, fez que não era com ele, e tal, o professor ficou sem graça também, tentou mediar com outra coisa... "Mas não tinha ninguém da mídia brasileira lá com ele". Não tinha ninguém não, que a CartaCapital deu. Ele: "Ah, é. Só a CartaCapital mesmo". Então, está vendo?
Falou só a Carta Capital por quê? Por que não vale?
Marcelo - Não sei...
Aí, como é que foi? Você falou o quê?
Marcelo - Aí eu falei: "Bom, a CartaCapital deu. Vocês chegaram a comprar a matéria da agência, sem mandar repórter ao vivo lá? A Veja tem dinheiro pra mandar, não conheço as finanças, mas imagino que tenha. E fecharam, venderam peixe podre. E como é que fica? A gente fica comendo isso?" Aí o cara levanta a cabeça, faz que não é com ele. O professor brigou comigo na aula seguinte, disse que não gostou da minha participação na frente da turma. Foi muito grosso.
Por que você não falou assim: "Sou jornalista, não tenho que te dar..."
Marcelo - O que é que eu vou ganhar com isso? Aí eu falei: "Também não gostei de você como professor chamar só um lado".
Não, eles tomaram um tapinha, eles se equivocaram, que eles não estavam lá, mas tenham certeza, o mundo estava lá, os grande jornais e televisões do mundo, Europa, estavam lá, cara, todos eles.

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