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MÍDIA COLOMBINA
Quando criei o termo quis acentuar o caráter sedutor da mídia grande
por Marcelo Salles
Setembro de 2004

Tenho recebido algumas mensagens de leitores curiosos sobre o significado do termo "mídia colombina". Por isso, dedicarei este editorial a explicá-lo.

"Colombina", segundo a versão eletrônica do dicionário Houaiss, na rubrica teatro, quer dizer "personagem da commedia dell'arte, mulher sedutora, esperta e volúvel".

Quando criei o termo, no início do ano, quis acentuar o caráter sedutor da mídia grande, principal arma de que dispõe para capturar corações e mentes e manter a opinião pública dócil e conivente com seus interesses.

Essa sedução pode ser observada, de modo exemplar, na construção do belo: a imagem é perfeita, o som é perfeito, o figurino é perfeito, a fala é perfeita. A forma é sublime. A isso chamaram de padrão de qualidade. Uma vez conquistada a admiração através da forma, o conteúdo é transmitido, qualquer que seja ele. A mensagem veiculada será assimilada, desde que possua um mínimo de verossimilhança.

Fazendo uso desta tática, conseguiram convencer a maioria dos brasileiros de que as privatizações seriam a solução nacional, que o golpe foi revolução, que o Real é moeda estável, que o patriotismo está apenas em torcer pela seleção, que o neoliberalismo nos fará crescer, entre tantas outras falácias que não suportam qualquer análise minimamente responsável.

A mídia colombina, portanto, é toda mídia que, antes de se preocupar com sua função social de informar, preocupa-se em reproduzir um senso comum causador de miséria - física e intelectual. E que devido ao modelo concentrador vigente continua usando palavras e imagens para justificar todo tipo de atrocidade. Sempre de maneira sutil, insidiosa e mesmo subliminar.

Como disse o então deputado federal João Calmon, depondo na CPI que investigou as relações da Globo com o grupo Time-Life, em abril de 1966: "É muito mais fácil, muito mais cômodo e mais barato controlar a opinião pública através dos seus órgãos de divulgação do que construir bases militares ou financiar tropas de ocupação".

Publicado no Fazendo Media impresso, edição número 21.

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