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TV DIGITAL: UMA SEMENTE AO SABOR DO VENTO
Gilka Resende
Junho de 2005

Há 55 anos surgia a TV no Brasil. Em 2005, o país estuda a possibilidade de implementar um novo sistema de TV em substituição ao analógico: o sistema digital. Atualmente, existem tipos de padrões que podem ser adotados: o norte-americano, o europeu e o japonês. Sendo que outra possibilidade é o desenvolvimento de um modelo próprio, em conjunto com países como a China.

A mudança, basicamente, seria o fim da transmissão de imagens. Seriam transmitidos dados e não imagens analógicas. A programação desses dados formaria as "imagens" não analógicas, isto é, não semelhantes, no caso, à realidade. Assim sendo, fotos, filmes e textos poderiam ser trabalhados ao mesmo tempo, como no computador, só que na tela da TV, explicou Gustavo Gindre, coordenador executivo do Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura (INDECS).

Na TV convencional, tanto a captação, como a edição, já são feitos digitalmente. Com a TV digital, tudo poderá ser alterado, pois as "imagens" tornam-se muito mais "manuseáveis", o que pode ser positivo ou negativo, dependendo da intenção empregada. A compactação de arquivos é facilitada, a transmissão e a recepção também ganham qualidade.

Gindre explicou também, que a escolha do modelo, bastante falada pela mídia, é só uma parte do assunto. "Existem coisas antes e depois disso e o governo, corretamente, decidiu discutir o sistema todo". No momento, 79 instituições, dentre universidades e empresas, estudam a criação do modelo brasileiro e a data de conclusão das pesquisas está marcada para o dia 10 de dezembro deste ano. A implementação de padrão nacional traria vantagens como a diminuição do custeio do projeto e uma certa autonomia, já que o país não estaria atrelado às tecnologias importadas, além de permitir o acesso à internet através da TV digital.

Mesmo assim o representante do Ministério das Comunicações, Paulo Lustosa, disse :"Eu avisei na última reunião [do grupo gestor] que se a TV Digital não for entregue até 10 de dezembro, acabou o modelo brasileiro. A sociedade não pode esperar, a indústria não pode esperar, os parceiros latino-americanos não podem esperar" (Folha On-line).

Com relação à TV digital, a mídia grande traz reportagens com linhas distantes da democratização da comunicação, temas diretamente relacionados. As explanações são sempre ligadas às novidades tecnológicas, à alta definição que a proposta pode trazer. O que a mídia grande não explica é que além do modelo de alta definição que é mais dispendioso, existe o modelo multi-canais, que possibilitaria a interatividade. Seriam quatro canais dentro de cada canal. A TV digital funcionaria do canal 7 ao 69, além de possuir canal de retorno, que possibilitaria a comunicação do telespectador com a emissora.

Porém, Gustavo Gindre explicou que as TVs digitais, por exemplo, são caras e para uma real democratização o governo deveria subsidiar equipamentos de adaptação em TVs comuns, para que estas conseguissem captar os canais digitais. "Possível é, dinheiro tem. Agora, é interesse?".

Um dos problemas para a escolha do modelo de multi-canais é a Rede Globo, que defende a proposta de alta definição. Ela enfrenta dois medos: a multiplicação de concorrentes e a possibilidades da interatividade. Gindre disse que a tecnologia para a interatividade viria das empresas de telecomunicações e fez uma análise bastante interessante: "A Globo com seu caráter omissivo, sabe que a TV digital é um caminho inevitável. Ela tem medo de parar de concorrer com Record e SBT e começar a concorrer com as empresas de Telecomunicações. A menor empresa deste tipo no Brasil tem mais dinheiro do que todas as TVs juntas. Porém, a Globo tem mais influência no Congresso e ela avisa através das propostas que envia para lá, todas ruins para as empresas de telecomunicações. Ela fala: eu não tenho o caixa que vocês têm, mas tenho vários deputados".

Para finalizar, Gustavo Gindre lembra Aristóteles: "A semente é potencialmente uma árvore. Não está dado que este projeto se tornará um adulto, vai depender de questões técnicas, políticas e culturais. Vai depender de como ele vai ser implementado. Se for bem feito, trará novidades que poderão torná-lo mais democrático".

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