João Roberto Ripper
Repórter fotográfico do grupo Imagens Humanas. Leia mais



A vocação governista do Jornal Nacional
por Breno Costa
Entre os dias 12 e 21 de julho, 39 matérias relativas ao governo federal foram exibidas. Destas, 76,9% eram favoráveis às decisões e iniciativas do governo.
Leia mais


O LEVANTE POPULAR QUE A MÍDIA NÃO VIU
Marcelo Salles
Maio de 2005

Eleito há dois anos com amplo apoio popular e a promessa de realizar um governo nacionalista de esquerda, o ex-presidente do Equador não sofreu um golpe como anunciaram, no dia 21/4, Jornal Nacional e demais veículos da mídia grande. Lúcio Gutiérrez sofreu, sim, um processo de impedimento no Congresso, medida prevista na Constituição daquele país.

Após tomar posse, Gutiérrez deu pouca importância às causas sociais e não correspondeu aos anseios do povo. Seu governo foi marcado pelo alinhamento à política externa estadunidense, o que ficou evidenciado ao renovar o contrato que garante aos EUA o controle da base militar de Manta. Durante a campanha, Gutiérrez havia prometido cancelar essa concessão.

Para o jornalista Mário Augusto Jakobskind, que ministra um curso sobre América Latina na Associação Brasileira de Imprensa, estamos diante de um fenômeno de resistência dos povos. "A tomada de consciência dos povos indígenas tem sido fundamental para resistir ao neoliberalismo". Como exemplo, temos o Exército Zapatista de Libertação Nacional, que surgiu no México e ganhou notoriedade internacional ao se opor à criação da NAFTA (1994) e o Sendero Luminoso, no Peru, entre outros.

No Equador, onde 80% da população é constituída por índios e mestiços, figura a importante Confederação das Nacionalidades Indígenas (Conaie), responsável, em grande parte, pela organização dos protestos que levaram à destituição de Lúcio Gutiérrez. E o movimento está disposto a não aceitar ninguém que faça parte do grupo de Gutiérrez. As palavras de ordem são: "Que se vão todos!".

Nós, brasileiros, temos sido realmente mal informados sobre a crise equatoriana. Por aqui, algumas informações são distorcidas, outras são deliberadamente omitidas. A visita do diretor-geral do FMI, Rodrigo Rato, ao país, em março, até o fechamento desta edição não havia aparecido no contexto da crise equatoriana. A isso chama-se descontextualização. Essa visita foi decisiva para que o movimento social organizasse os protestos, pois Rato foi ao Equador negociar a privatização de empresas estatais e a renovação do contrato de concessão de outras - justamente o oposto do que Lúcio Gutiérrez havia prometido durante a campanha eleitoral, há dois anos.

Rádio La Luna comprova o poder de transformação dos veículos alternativos
A rádio La Luna teve um papel central na organização das manifestações que levaram à destituição do presidente Lúcio Gutiérrez, evidenciando o poder de transformação que os veículos alternativos possuem. A rádio La Luna é um veículo não-comercial ligado ao Centro de Educación Popular (Cedep), uma ONG.

Seu diretor se chama Paco Velasco. É ele quem conta que as pessoas começaram a ligar para a rádio e expressar seu descontentamento com o governo. A partir de então, começaram a organizar protestos em seus próprios bairros, a partir do dia 13/4. A rádio garantiu aos cidadãos que eles não estavam sozinhos, e ajudou na transmissão de informações entre os bairros.

- Agradezco a [la mayoría de] medios de comunicación televisivos y algunos radiales, porque nos mostraron su verdadero rostro al esconder la información y limitar las imágenes que poseían con el único afán de minimizar la protesta - Desabafo de um cidadão equatoriano na página da rádio La Luna. Donde se conclui que a mídia grande de lá é como a de cá.

Outros artigos:

O massacre no Iraque não será publicado
por Mariana Antoun
Abril de 2005

Todos os artigos


Veja a capa ampliada

Clique aqui para assinar gratuitamente o nosso jornal impresso



Este site é melhor visualizado na resolução de 800 x 600 pixels.
© 2004 Fazendo Media - por Kzal Design