
O MASSACRE NO IRAQUE NÃO SERÁ PUBLICADO
Mariana Antoun
Abril de 2005
A historinha contada pela mídia colombina, tanto a nacional quanto estrangeira, sobre a invasão dos EUA ao Iraque, mais parece novela das 19h, cheia de abobrinhas que eles querem nos convencer que são reais. Enquanto isso, os cadáveres se acumulam de forma incalculável.
Apesar da omissão, o governo norte-americano tem sofrido pressões internacionais de todo tipo, especialmente pela seqüência de histórias mal contadas.
Por mais que raras vezes o real interesse dos EUA pelo território iraquiano seja exposto - a exploração de poços de Petróleo - as imagens de militares torturando iraquianos, civis sendo mortos por "erros estratégicos", cidadãos de diversas partes do mundo sendo seqüestrados e, segundo vídeos de origem duvidosa, sendo decapitados, não têm agradado nem mesmo os aliados do governo Bush.
A última, e talvez mais desastrosa ação do exército estadunidense, foi o caso da jornalista italiana Giuliana Sgrena, de 57 anos. Seqüestrada por um grupo de resistência à invasão, ela foi libertada no dia 4 de março por agentes do serviço secreto italiano. A 700 metros do aeroporto de Bagdá, o carro que a transportava foi baleado por militares da coalizão liderada pelos EUA, matando um agente italiano, Nicola Calipari.
Giuliana chegou a Bagdá em 23 de janeiro deste ano, como correspondente do jornal italiano Il Manifesto (http://ilmanifesto.it). Abertamente contra a guerra e de oposição ao governo do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, o jornal fez o que poucos veículos brasileiros tiveram coragem de fazer: estar no Iraque.
Em seu artigo, escrito ainda no hospital, Giuliana usa palavras duras. Mostra simpatia pelos seqüestradores, que ao contrário de militares da coalizão, não a torturaram nem a trataram mal; o desespero da hora dos tiros e da morte de Nicola; o alerta dos seqüestradores sobre os americanos.
Por aqui, nossa imprensa se contenta com o que vem das agências de notícias estrangeiras e deixou o assunto esfriar.
A ONG Jornalistas Sem Fronteiras denuncia a morte de 48 jornalistas e profissionais de mídia e o desaparecimento de quatro, desde o início do conflito no Iraque e pede que a ONU investigue o ataque ao comboio de Giuliana. Eles lembram que no episódio do Hotel Palestina as tropas norte-americanas foram inocentadas.
A jornalista tem sido repreendida na Itália por falar contra os EUA e o governo italiano. O jornal italiano "Il Giornale", da família de Berlusconi, afirmou em editorial que "além do dramático episódio, está o triste espetáculo de um jornalismo que repudia sua missão, a de informar, a de contar o que acontece com objetividade''. Já seu companheiro Pier Scolari abriu a boca: "Ela tinha muitas informações e os militares americanos não queriam que ela saísse viva do Iraque".
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