João Roberto Ripper
Repórter fotográfico do grupo Imagens Humanas. Leia mais

A maior responsa
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Apenas vote! Por quê? Por que o voto é um instrumento de cidadania? Não se explica. Nem o fato de que o voto é muito mais uma conseqüência do processo político do que o início dele.
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REDE MUNDIAL CONTRA O NEOLIBERALISMO
Bruno Zornitta
Março de 2005

Entre os dias 1 e 5 de dezembro de 2004, foi realizado na cidade de Caracas, Venezuela, o Encontro de Intelectuais e Artistas em defesa da Humanidade. Dentre os cerca de 300 intelectuais de 52 países e diversas culturas, estiveram presentes o jornalista francês Bernard Cassen, o sociólogo argentino Atílio Boron, o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquível e o economista brasileiro Theotônio dos Santos. Participaram também, líderes revolucionários como Ahmed Ben Bella (principal líder da independência da Argélia em 1962), Abel Prieto (revolucionário cubano e atual ministro da Cultura) e os sandinistas Daniel Ortega, Ernesto Cardenal e Tomas Borges, além do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Ao final do encontro, foi redigido o documento "Chamado de Caracas", que estabelece como uma das principais metas a ser perseguida a criação de uma "rede de redes de informação, ação artística cultural, solidariedade, coordenação e mobilização". A idéia é criar uma articulação contra o neoliberalismo, que combata a dominação no mundo. Dominação que se expressa, por exemplo, na cobrança ilegítima da dívida externa dos países subdesenvolvidos, na tentativa de anexação de mercados imposta pelos tratados de livre comércio e nas agressões praticadas pelos países desenvolvidos em sua busca por recursos naturais, como água e petróleo.

"Condenamos o terrorismo, mas nos opomos à utilização política que se faz da chamada 'guerra contra o terrorismo', e a apropriação fraudulenta de valores e conceitos como democracia, liberdade e direitos humanos. Rechaçamos que se chame de terrorismo as lutas da resistência dos povos e de guerra contra o terrorismo as agressões dos opressores", diz o documento. Os intelectuais denunciaram também o "extermínio silencioso e devastador que acontece cotidianamente", fruto das políticas promovidas pelas instituições financeiras internacionais e da ganância das elites globais.

O papel desempenhado pelos meios de comunicação nesse quadro também foi lembrado pelos participantes do encontro. O "Chamado de Caracas" afirma que "a concentração da propriedade dos meios massivos de comunicação transforma a liberdade de informação em uma falácia. O pode midiático, a serviço do projeto hegemônico, distorce a verdade, manipula a história, fomenta a discriminalização em suas diversas variantes e promove a resignação diante do atual estado de coisas apresentando-o como o único possível".

A grande questão que sempre surge após esse tipo de encontro é: como colocar em prática nossa proposta de outro mundo possível? Mesmo com toda a dificuldade encontrada em se contrapor ao poder político-econômico dominante, é importante fortalecer a idéia de uma alternativa viável para a humanidade. Para que a mudança a que aspiramos se torne concreta, o primeiro passo é fortalecer nossa crença nela. Justamente o que a mídia colombina tenta de todas as formas aniquilar com seu bombardeio ideológico.

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