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CONSUMIR ATÉ MORRER
Breno Costa *
Fevereiro de 2005

Como um professor de marketing, um designer e dois técnicos de informática podem incomodar a sociedade de consumo? Fácil. Mandando as pessoas consumirem até morrer. Foi assim, com a criação do grupo de contrapropaganda "Consuma até Morrer", na Espanha, que Carlos Ballesterus e seus três assistentes estão conseguindo alterar o sistema usando sua mesma tática. No caso, a publicidade.

Para os críticos do Fórum Social Mundial, que reverberam a infinidade de discussões e a ausência de iniciativas concretas, esta poderia ser uma resposta. Porém, poucos foram os que souberam da existência dos seguidores de outro famoso grupo de contrapropaganda: os canadenses do Adbusters.org.

Foi para uma tenda lotada por quase 200 pessoas que Ballesterus expôs suas idéias, rodeado por imagens produzidas pela sua agência de publicidade alternativa.

"Nosso projeto não é vender nada", garante Ballesterus. Segundo ele, a idéia é fazer as pessoas pensarem sobre que tipo de consumo elas estão fazendo, se ele é responsável ou não. Para esse exercício de reflexão, Carlos se utiliza de anti-propagandas que vão desde o consumismo propriamente dito até moda e meio ambiente.

"Não se pode consumir irrefletidamente. Queremos tornar o público consciente de seus hábitos de consumo, fazer com que eles sejam críticos do que estão consumindo", explica Ballesterus.

Outra bandeira do grupo é a luta contra a associação na publicidade convencional entre consumo e felicidade. "É necessário que na educação das crianças mostre-se que um tênis não fará com que ela tenha mais amigos, não fará com que ela seja mais feliz", afirma.

Para este ano de 2005, o "Consuma até Morrer" convidará o público a criar anúncios sobre o tema "Amor não é mercadoria". O grupo também pretende, em breve, lançar dois documentários sobre consumismo, além de criar de uma agência de publicidade para os movimentos sociais.

* Colaborou Thaís Tibiriçá.

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