Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Repercussão da entrevista com o delegado
26.07.2007 | 00h46 |

Acabo de receber o emeio abaixo a respeito da entrevista publicada na Caros Amigos deste mês (ver nota abaixo intitulada "Outro olhar sobre a criminalidade"). É o segundo:

Caro Marcelo, como costuma acontecer, a entrevista com o lúcido delegado da 52a., Orlando Zaccone, está excelente. Gostaria de, se for possível, obter o email dele. Sou juíza de direito em S.Paulo e faço parte da AJD, Associação Juízes para a Democracia (www.ajd.org.br) e gostaria de trocar idéias com o dr. Orlando. Imagino que você tenha esse contato e se puder me informar, lhe agradeço, de antemão. Valeu sua bem conduzida entrevista! Está translúcida, simples, consistente e efetiva, aliás, atributos esses que bem deveriam ter as leis penais deste nosso país (após um crivo necessário para acabar com inúmeras delas, claro!). Obrigada.

Tá chegando a hora...
25.07.2007 | 02h42 |

Caros amigos, tenho recebido muitos emeios depois que publiquei a nota informando que no dia 5 de outubro os parlamentares decidirão, em Brasília, pela renovação ou não das concessões públicas de radiodifusão. Isto é um bom sinal. Estou preparando um especial sobre renovações com o nome dos principais deputados da comissão responsável pela matéria. Vou publicar aqui em breve (podem cobrar) essa lista com nome, telefone, endereço físico e endereço eletrônico. Temos a obrigação cobrar deles que não renovem as concessões das corporações de mídia por alguns motivos muito simples: não cumprem as leis, não pagam impostos, constituem oligopólio (o que é contra a Constituição) e estão a serviço da exploração do povo brasileiro.

Chegou a hora de pararmos de reclamar, vamos para a ação! É assim que funciona nas chamadas "democracias mais avançadas". Isso me lembrou um amigo que reclama, reclama, elogia a França, a Inglaterra, diz que no Brasil é tudo uma porcaria, mas não faz porra nenhuma além de reclamar. Ser cidadão não se restringe a votar no candidato; é, também, cobrar dos nossos representantes. É compreender que nós é que mandamos, porque somos nós que pagamos seus salários de 16 mil por mês, fora os benefícios. Aposto que na França e na Inglaterra os cidadãos participam muito mais da vida política do país.

Sei que existe uma grande superestrutura alienante, sustentada justamente pelas corporações de mídia, que diz ao brasileiro para não se envolver com política. E é esse o tamanho do nosso desafio: compreender que o imaginário comum é desenhado pela telenovela e pelo telejornal sensacionalista, vulgar, superficial. É por aí que entra o capital video-financeiro, como explicou o sociólogo Gilberto Felisberto Vasconcellos. E é por aí que ele deve ser combatido. Por isso, vamos começar a preparar nossas listas de discussão, vamos conversar com amigos e familiares. Nós aqui temos 2 mil leitores por dia. Carta Maior, Caros Amigos, Viomundo, Brasil de Fato, Revista Fórum, Cidadania, Desabafo Brasil e outras tantas publicações podem entrar nessa campanha. Aí teremos pelo menos 100 mil pessoas engajadas e dispostas a exigir que os deputados federais não renovem as concessões de radiodifusão. Se o MST entrar na jogada, teremos pelo menos mais 100 mil pessoas envolvidas. E se todas as organizações de Direitos Humanos também participarem, serão outras milhares de pessoas na linha de frente.

Volto ao assunto em breve, muito breve.

Santa democracia!
25.07.2007 | 00h20 |

Era só o que faltava. O artista gráfico Carlos Latuff foi intimado ontem pela delegada Valéria de Aragão Sádio, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Propriedade Imaterial, "a fim de prestar esclarecimentos referente ao procedimento em epígrafe". Desconsiderando o atentado à gramática do texto assinado pela delegada (erro básico de concordância nominal), é preciso deixar claro aos amigos leitores que o Latuff está sendo intimado única e exclusivamente por usar sua habilidade para denunciar as violências cometidas pelo Estado em nome dos Jogos Pan-Americanos - com o acobertamento vergonhoso das corporações de mídia.

Clique aqui para ver a intimação na íntegra

Como o próprio Latuff ironizou: "Veja, Marcelo, pra você ver como é bom viver numa democracia onde a liberdade de expressão é garantida, especialmente quando você resolve fazer uma charge do mascote do Pan segurando um fuzil ao lado do Caveirão". Pior, pelo que fiquei sabendo, a Patrícia Oliveira, da Rede Contra a Violência, chegou a ser detida pela polícia enquanto vendia as camisetas na rua.

Recapitulando: 542 famílias que vivem no entorno da Vila Pan-Americana foram ameaçadas de expulsão pela Prefeitura de César Maia, o custo dos Jogos Pan-Americanos aumentou em 14 vezes (dinheiro meu e seu indo embora), inúmeras denúncias de contratos superfaturados (um deles detectado pelo TCU), Complexo do Alemão sitiado pela Força Nacional de Segurança e pela PM, pessoas em situação de rua expulsas para sabe-se lá Deus onde. Diante de todo esse descalabro, a polícia ainda vai em cima de quem exerce seu direito de expressão garantido pela Constituição Federal.

E ainda com uma alegação tosca, de apropriação da imagem oficial do Pan. Fosse isto verdade, o chargista Aroeira também deveria ter sido intimado, já que ele usou o mesmo mascote em pelo menos três ilustrações publicadas no jornal "O Dia". Como Aroeira não foi intimado, fica caracterizada a perseguição política a Carlos Latuff.

Eu gostaria de saber se a delegada Valéria, da Delegacia contra Crimes Imateriais, poderia expedir um mandado de intimação contra as corporações de mídia que seguidamente agridem a cultura brasileira, nossos hábitos e costumes, nossa história, nossos valores, nossa gente. Ou isso é imaterial demais?

Globo e Brasil
24.07.2007 | 11h29 |

Como Daniel Herz registra em sua obra-prima "A História Secreta da Rede Globo", esta nasceu a partir de uma associação fraudulenta com o grupo estadunidense Time-Life. Dois contratos assinados em 1962, em Nova Iorque, garantiram a Roberto Marinho US$ 6 milhões para iniciar a empreitada - valor 20 vezes superior ao capital investido na maior emissora de então, a TV Tupi, que havia sido construída com R$ 300 mil. O acordo violou a Constitução Federal e uma CPI foi instaurada, mas a Rede Globo seguiu funcionando e se tornou a principal empresa das Organizações Globo. Durante anos, um agente da CIA chamado Vernon Walters e um funcionário estadunidense chamado Joe Walach coordenavam o que ia ao ar na emissora.

Por que estou lembrando esta história? Muito simples: estou lembrando esta história devido ao prejuízo causado ao país pela Globo. Prejuízo que aumenta a cada dia, a cada vez que um governante se acovarda diante do poder da empresa. Como quantificar os danos causados aos moradores do Complexo do Alemão, por exemplo, após a invasão policial de 27 de junho? Além de sofrer a opressão do Estado (ameaças, violações de domicílios, danos materiais, furtos e extorsões), aquelas pessoas foram seguidamente agredidas por palavras e imagens distorcidas, por construções lingüisticas tendenciosas e pela propaganda sistemática que sugere que a região é um lugar do mal, onde só vivem bandidos - os quais devem ser exterminados.

Para justificar a matança do dia 27, o principal jornal das Organizações divulgou uma pesquisa informando que a "população aprova operação policial". Diz o texto que o Ibope ouviu mil pessoas, mas não diz onde essas pessoas foram ouvidas. Daí o "Globo" pega esse resultado e anota: "População aprova". Mas, é tempo de perguntar: que população? Que espécie de covardia é essa, que toma mil telefonemas sem endereço como representativos da população? Uma vergonha de matéria, mistura de covardia com arrogância - aliás, características típicas dessa classe dominante que não tem peito para assumir suas posições política e diz fazer tudo em nome do povo. Por isso no Brasil não existe direita, existem "democratas".

Assim trabalha a Globo. Uma emissora que sempre, desde seu nascimento - e sobretudo pela maneira como nasceu - trabalha a favor da exploração do povo brasileiro para benefício do capital estrangeiro. É uma empresa que fere a Constituição em seu artigo 220 (proíbe monopólios e oligopólios nos meios de comunicação social), deve mais de 50 milhões de reais ao povo do Rio de Janeiro em impostos e, segundo denúncia da ex-governadora, possui uma conta de US$ 100 milhões na Suíça. Além disso, segundo reportagem publicada pela Folha de S. Paulo há cerca de dois anos, sua dívida total alcança R$ 6 bilhões. Ainda assim, os governantes permitem que esta empresa siga agredindo o povo brasileiro e mantendo o país atrasado para que as classes dominantes roubem cada vez mais.

No próximo dia 5 de outubro, os parlamentares vão deliberar sobre a renovação das concessões públicas desta e de outras empresas de radiodifusão. São as principais concessões, pois são as concessões das emissoras que emitem os sinais para todas as retransmissoras país afora. Você PRECISA telefonar e começar a pressionar seu deputado e seu senador em Brasília desde já. Esta votação só acontece a cada 15 anos. As emissoras já possuem seus lobistas por lá. Não adianta a gente reclamar no barzinho. Temos que exercer a democracia, temos que ser cidadãos para além do voto. Telefone uma vez por semana a partir de agora e diariamente a partir de setembro. Se um sozinho telefonar, talvez não adiante. Mas se todos nós participarmos dessa campanha, temos grandes chances de vencer!

Os filhos da mídia
24.07.2007 | 10h37 |

Está lá no blog do Mino Carta, que narra a visita do governador do Paraná ao Palácio do Planalto e sua breve conversa com os jornalistas de plantão:

Requião tem sido um dos alvos preferidos dos ataques da mídia. Suas relações com os jornalistas são tensas, mas ele não hesita na provocação, e pergunta por que, em outros tempos, “vocês não falaram do filho de Fernando Henrique?” Outro rebento fora do matrimônio, como no caso de Renan Calheiros. A aventura de FHC, do conhecimento até do mundo mineral, é anterior à sua primeira eleição em 1994, e a jovem brindada pelos favores do príncipe dos sociólogos foi mais uma jornalista em atividade em Brasília, Miriam Dutra.

A pergunta de Requião deixa os credenciados do comitê entre atônitos e perplexos. Alguém balbucia que a comparação não cabe, os casos são diferentes. Impávido, o governador ergue o sobrolho e clama: “Por quê?” Logo explica: “Quem sustentou o filho do ex-presidente foi, desde o nascimento, uma empresa privada, a Globo da família Marinho”.

A bem da tranqüilidade familiar de FHC, e do seu desempenho na Presidência, Miriam Dutra e seu filho foram enviados ao exterior, no resguardo. Consta que voltaram para o País faz pouco tempo. Fez-se o silêncio no comitê, e o governador se foi, a dar risadas.

Agora, sou eu quem pergunta: alguém leu, ou ouviu, relato desse episódio? E então, volto à carga: qual é o país do mundo que se diz democrático, e goza de liberdade de expressão, onde um governador de estado, ou qualquer figura pública importante, fala de um ex-presidente da República igual a Requião, diante de uma matilha de perdigueiros da informação, e a mídia fecha-se em copas? Não conheço outro, além do Brazil-zil-zil.

A "delegação de Fidel"
24.07.2007 | 01h59 |

O que dizer, ajude-me caro leitor, da apresentadora global que chama Fidel de ditador e se derrete todinha por Bush? Contextualizando: Dois atletas de Cuba sumiram da "delegação de Fidel", informa a senhorita. Não consigo imaginar ela dizendo o mesmo para outras equipes: "Larissa e Juliana, da delegação de Lula, ganharam o ouro no vôlei de praia". Ou: "Fulano de tal, da delegação de Bush, foi mandado embora porque disse que estava no Congo".

Os atletas cubanos somem e a culpa é do "ditador Fidel". Ainda não se sabe se isso foi coisa de algum dos (vários) serviços secretos que andam soltos pelo Rio de Janeiro, mas para a repórter global a culpa é do "ditador Fidel". Enquanto isso, assassinatos, estupros, torturas e saques seguem fazendo parte da rotina de agressões dos EUA no Iraque. Mas, para a apresentadora global o legal mesmo é bater em Fidel. E depois ela não entende, fica com cara de bunda, quando alguém queima uma bandeira ou explode uma embaixada dos EUA mundo afora: "Tão estranho esse sentimento anti-americano...". E ainda por cima faltou às aulas de geografia.

Atualização (10h19): a apresentadora ainda disse que, num artigo, Fidel teria acusado os atletas desaparecidos de traição, mas no último artigo do presidente cubano publicado em www.granma.cu não há qualquer trecho que lembre esta acusação. Por outro lado, há uma manifestação de pesar e solidariedade de Fidel com o povo brasileiro pelas vítimas do acidente com o avião da TAM - informação que, naturalmente, não passou pelos critérios de seleção jornalística da apresentadora.

Moradores do Alemão reprovam invasões
23.07.2007 | 00h47 |

Marcelo Salles/fazendomedia.com

Daniele Marques, do Raízes em Movimento, entrevista morador da Grota

Você não perde por esperar: amanhã, neste fazendomedia.com, divulgaremos uma pesquisa inédita realizada pelo Grupo Raízes em Movimento em parceria com o jornal Fazendo Media. Das 787 pessoas ouvidas, 91% se manifestaram contra as invasões da polícia no Complexo do Alemão, como a mega-operação realizada no último dia 27 de junho. As entrevistas foram realizadas no dia 21 de julho, entre 11h30 e 13h30, nas favelas da Grota, Pedra do Sapo, Morro do Alemão e Morro dos Mineiros, todas integrantes do Complexo do Alemão.

O resultado desmente pesquisa do Ibope divulgada pelo jornal "O Globo" no dia 10 de julho. A partir dessa pesquisa, o "Globo" deu o seguinte título para a matéria: "População apóia operação da polícia". Acontece que o Ibope não informou onde foram feitas as entrevistas; disse apenas que foram ouvidas mil pessoas por telefone e que 83% apoiavam a invasão da polícia.

Marcelo Salles/fazendomedia.com

Cartaz afixado na subida do Morro do Alemão

Como disse Alan Brum, cientista social e coordenador-geral do Raízes em Movimento, uma pesquisa desta natureza deve ouvir as pessoas que sofreram diretamente a ação da polícia. "Nessa perspectiva, a gente julgou importante que tivesse um retorno da própria comunidade que sofre essa política direta de segurança pública implementada pelo governo do Estado. Então a gente desenvolveu um trabalho de pesquisa dentro do Complexo do Alemão para saber qual a aceitação dessa política de segurança pública de repressão nas favelas do Rio de Janeiro", afirmou.

Por isso a pesquisa realizada pelo Raízes em Movimento em parceria com o Fazendo Media foi ouvir a opinião dos moradores do Complexo do Alemão, in loco. Amanhã, publicamos o resultado completo do levantamento. Aguarde. Desde já quero agradecer a todos os dezesseis pesquisadores que saíram a campo nesta empreitada. Com certeza conseguiram um material essencial para comprovar a distorção do "Globo", que sugeriu que os entrevistados pelo Ibope representam a população inteira ao mesmo tempo em que negaram voz aos principais atingidos pela ação da polícia.

Outro olhar sobre a criminalidade
23.07.2007 | 00h59 |

Na edição deste mês da Caros Amigos há uma entrevista de três páginas que fiz com o delegado Orlando Zaccone, titular da 52ª DP (Nova Iguaçu, Rio de Janeiro). O policial desconstrói a visão de que "prender é a solução" e defende a descriminalização de diversas condutas. Zaccone fala ainda sobre a seletividade da pena, que não pune todos os que cometem delitos, mas apenas os mais vulneráveis (geralmente pobres, negros e favelados).

Na entrevista, o delegado afirma categoricamente: "Hoje, nenhum governo e nenhum chefe de polícia, secretário de segurança tem na prática um modelo de política criminal pra dar solução a esse aumento de criminalidade. Então, os discursos midiáticos passam a ser a maior solução para todos. Ou seja, se coloca na mídia a esperança de que maiores penas seriam a solução. Nós sabemos que não são, porque, depois que foi editada a lei dos crimes hediondos, eles aumentaram. Agora, é muito mais fácil colocar um discurso imediato, porque a política vive muito de discursos imediatos". A revista já está nas bancas, por R$ 8,90.

As violências do "Globo"
23.07.2007 | 00h47 |

Editorial do "Globo" de ontem, intitulado "Desfavelizar": "É essencial que sejam rigorosamente delimitados os territórios ocupados pelas favelas, freando o seu atual crescimento descontrolado"; "O ideal é que os projetos de reurbanização se destinem às grandes comunidades. As demais, menores, podem e devem ser removidas (...)". Em primeiro lugar, ressalte-se a violência do termo "remover", comumente utilizado em relação a objetos e não a pessoas. O grande medo do "Globo" é que as favelas cresçam, porque, dizem, a violência crescerá junto. Ao deixar transparecer esta visão, eles revelam, mais uma vez, sua veia fascista. A favela jamais pode ser associada à violência; quem fala isso é estúpido ou mal intencionado. A violência não está com o morador da favela, está com o Estado na ausência de escola, de hospitais, de saneamento básico para todos. Violência é a não regulamentação do artigo 153 da Constituição Federal, que determina a cobrança de impostos sobre grandes riquezas; violência é o descumprimento do artigo 220, que proíbe monopólio e oligopólio dos meios de comunicação. Violência é a polícia invadir o Complexo do Alemão com 1.350 homens, 3 Caveirões e um helicóptero e matar 19 pessoas com fortes indícios de execuções, atirar num estudante, saquear comércios e invadir residências de moradores. Mas essas violências são aplaudidas pelo "Globo".

O Levante
23.07.2007 | 00h12 |

Acabo de publicar entrevista com Mimil e Gas-PA, músicos do Coletivo LUTARMADA. Eles formam o grupo O Levante, que está lançando seu primeiro CD, intitulado "Temeremos mais a miséria do que a morte". Influenciados por Bertolt Brecht e Carlos Lamarca, eles falam sobre a ditadura, a violência policial e a atuação de ONGs em favelas, entre outros assuntos. Leia a íntegra aqui.

Jogos neoliberais
22.07.2007 | 16h15 |

Isso, vamos comemorar! Vamos dizer que somos brasileiros com muito orgulho e com muito amor! Afinal, estamos em terceiro lugar no quadro de medalhas. Ontem vencemos no vôlei de praia, com um show à parte de Larissa (nunca vou entender porque as cubanas sacaram do início ao fim nela se a brasileira virava todas). Hoje vecemos no vôlei de praia masculino e nosso melhor atleta pegou o microfone para repetir a torcida e levar Galvão Bueno ao delírio: "Hoje eu também tenho muito orgulho de ser brasileiro". Ninguém pensou em pegar esse microfone e, ao vivo, lembrar que o salário mínimo de R$ 380 é desumano? Ou que o monopólio da Rede Globo mantém o Brasil atrasado, autoritário e violento? Ou que o artigo 153 da nossa Constituição determina a cobrança de impostos sobre as grandes riquezas, mas nunca foi regulamentado? Ou que 50% das terras produtivas são controladas por 1%? Ou que o Brasil é vice-campeão mundial em má distribuição de renda?

João Saldanha foi o último grande esportista brasileiro de projeção nacional. Além de ter montado a invencível seleção de 1970, quando um repórter enfiava o microfone em sua boca após uma vitória ele dizia: "É, o Brasil venceu. Mas não podemos esquecer que no Brasil existe uma ditadura que seqüestra, tortura e mata nosso compatriotas". Isso é ser brasileiro, com muito orgulho e muito amor. O resto é conversa fiada, historinha pra engordar os cofres do capital multinacional e associado que lucra com a exploração e a ignorância do povo brasileiro.

ACM não morreu
21.07.2007 | 23h35 |

Antônio Carlos Magalhães pode até estar enterrado, mas só poderemos dizer que ele morreu no dia em que o país se livrar do voto de cabresto, do analfabetismo, da fome e, principalmente, dos oligopólios de mídia. Enquanto esse quadro persistir, ACM estará vivo. Comemorar a morte de um homem, por pior que ele seja, é desumano e não resolve nossos problemas. Vamos suspender as comemorações até que as práticas políticas consagradas pelo carlismo sejam extirpadas do país. E, não se engane, essas práticas hoje são muito mais refinadas e sutis. Por isso mesmo mais difíceis de detectar. Sugiro que todos peguem o telefone e pressionem seus deputados federais que, nesse instante, devem estar às voltas com as renovações das concessões públicas de radiodifusão. Organizar protestos nas ruas, distribuir mensagens eletrônicas e explicar aos amigos e familiares a importância dessa discussão também são medidas que incomodariam bastante o defunto.

Comentário rápido
21.07.2007 | 01h13 |

Na realidade, a direita não vê problemas com o gesto de Marco Aurélio Garcia. Até porque ela pratica seu significado com o povo brasileiro sem nenhum constrangimento. A direita quer a cabeça do chanceler por suas posições políticas, como a defesa da não renovação da concessão da RCTV e a necessidade da democratização da mídia no Brasil.

Mãos ao alto!
21.07.2007 | 01h01 |

Acabo de visitar um amigo que chegou dos EUA, onde está morando há dois anos. Ele e sua esposa têm um plano de telefonia celular da empresa T-Mobile. São dois aparelhos que dividem 700 minutos mensais para serem usados em ligações para aparelhos de outras operadoras em qualquer lugar do país, sem acréscimo de DDD ou deslocamento de chamada. Entre aparelhos da mesma operadora, ele fala de graça enquanto durar o plano. Paga 73 dólares por mês, o que dá menos de 20 centavos por minuto.

No meu caso, que vivo no Brasil, país com salário mínimo 5 vezes menor que o dos EUA, tenho um plano Super-Controle da Claro. Pago 55 reais por mês para falar por uma tarifa de 1,13 reais para outras operadoras e 0,50 para a mesma. Além disso, tenho um bônus de 25 reais para ser usado exclusivamente entre aparelhos da mesma operadora. Para fazer ligações para outros estados a tarifa é muito maior.

Textos anteriores
Entre 13 e 19 de julho de 2007.
Entre 9 e 12 de julho de 2007.
Entre 1º e 6 de julho de 2007.
Entre 22 e 30 de junho de 2007.
Entre 6 e 20 de junho de 2007.
Entre dezembro de 2006 e maio de 2007.


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Leituras indicadas:

> Programa Setorial de Comunicação e Democracia do Governo.

> "É preciso incentivar a mídia alternativa", entrevista com Ciro Gomes.

> Abaixo-assinado frustrado da TV Globo.

> TV Globo, o delegado e outros assuntos capitais.

> Um espectro ronda a democracia.

> O direito de criticar a imprensa.

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Vídeos recomendados:

> Muito Além do Cidadão Kane.

> Brizola responde aos ataques da Globo.

> Roberto Requião enfrenta a Globo.

> Midiatrix - Homer encontra Bonner.

> Subcomandante Marcos fala sobre a democratização da mídia


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