
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

O elogio do massacre
30.06.2007 | 15h02 |
Então é isso. A polícia invade o Complexo do Alemão, mata 19 pessoas num único dia (moradores falam em 30), não sofre nenhuma baixa e as corporações de mídia chamam isso de guerra.
Quem não se deixou levar pela irracionalidade percebeu o seguinte (usando apenas os dados oficiais, reproduzidos pelas corporações de mídia): foram 19 mortos e 14 armas apreendidas. 19 - 14 = 5. Ou seja, se cada morto portasse pelo menos uma arma, temos que 5 pessoas estavam desarmadas. Forte indício de que foram executadas. Repare você que ainda nem falei dos relatos de tortura, assassinados a facadas e outras agressões (estou preparando outro texto só sobre isso). Por enquanto, pretendo desconstruir o discurso oficial usando apenas as suas contradições implícitas e explícitas.
Além disso, as fotos divulgadas não deixam dúvidas: os supostos traficantes estavam de bermuda, sem camisa e descalços, enquanto as equipes de elite da polícia utilizam o mesmo equipamento dos militares estadunidenses. Chamar isso de guerra é brincadeira. Mas é uma brincadeira compreensível, pois pela posição de algumas fotografias dá pra ver que parte da imprensa invadiu junto com a polícia. Na foto da primeira página do "Globo" do dia 28, por exemplo, fica evidente que o fotógrafo já estava posicionado esperando a movimentação dos policiais.
A "Veja" desse final de semana publica matéria com o título "A guerra necessária" e avisa (estou citando de cabeça, pois me recuso a dar R$ 8,40 nessa revista): "não faltaram organizações que se pretendem defensoras dos direitos civis alegando que houve um massacre indiscriminado, mas o que essa gente quer é passar a mão na cabeça desses facínoras".
Em dois dias de cobertura (28 e 29), 16 das 17 cartas dos leitores selecionadas pelo "Globo" elogiavam a operação policial e 95% de suas matérias apoiavam a ação da polícia. Nos 5% restantes espremiam-se as denúncias da OAB, de moradores e de ONGs sobre violações de direitos humanos cometidas pelas polícias do governo do estado e do governo federal. Denúncias que eram sutilmente postas em dúvida pela reportagem através da estrutura lingüística utilizada (futuro do pretérito).
Para uma mídia que se estabeleceu apoiando uma ditadura que seqüestrou, torturou e assassinou milhares de brasileiros, é mesmo muito difícil compreender que no Brasil não existe pena de morte. Bandido tem que ser preso, não executado. Incluindo - e sobretudo - os bandidos que moram fora das favelas, como bandidos banqueiros, bandidos lobistas, bandidos diretores de multinacionais que roubam as riquezas do Brasil, bandidos empresários de mídia que distorcem a realidade do país e etc.
A capa do "Globo" do dia 29, elogiosa ao policial que fuma charutos após "trocas de tiros", consagra um modelo de cobertura que abandonou o jornalismo para se transformar em assessoria de imprensa da violência, da irracionalidade, do sofrimento, da morte. É a tragédia humana exibida com entusiasmo e requintes de crueldade, desde a opressão contra os que não têm voz até a defesa da barbárie pelos que se pretendem donos da opinião pública.
Registro necessário: Folha de S. Paulo e Estado de São Paulo ofereceram ao leitor uma cobertura mais equilibrada e com críticas à ação da polícia.
Correção: No 2º parágrafo, onde estava escrito "Foram executadas", substituí por "Forte indício de que foram executadas". Embora existam inúmeros relatos e evidências, apenas os laudos do IML poderiam confirmar as execuções. Há que se registrar que o advogado da OAB que acompanha o caso, João Tancredo, foi impedido pela Secretaria de Segurança Pública de acompanhar a feitura dos laudos no IML.
Jornalista tem lado
27.06.2007 | 02h35 |
Como jornalista, você tem de estar do lado da justiça, do equilíbrio, da decência, tem de se posicionar. O Oriente Médio não é um jogo, onde você dá tempo equivalente para cada time. Não é um julgamento público, é uma imensa tragédia humana. Se estivéssemos cobrindo o tráfico de escravos no Brasil, daríamos o mesmo espaço ao escravo e ao traficante?
- Robert Fisk, correspondente de guerra britânico do jornal The Independent, em entrevista concedida a Sérgio Dávila, da Folha de S. Paulo (25/06/07).
A opinião de Fisk traz de volta a eterna discussão sobre a imparcialidade jornalística. Há pelo menos quatro anos venho defendendo, aqui no Fazendo Media, uma posição muito clara: o texto jornalístico só poderá ser imparcial quando escrito por robôs. Pedir que um jornalista seja imparcial é o mesmo que exigir que ele deixe de amar, que abandone seus sentimentos, que se desumanize. O ser humano, enquanto humano, possui uma subjetividade, um histórico de vida que lhe confere um determinado vocabulário, este já repleto de significações e pontos de vista. No fundo, por mais que o jornalista ouça os dois ou mais lados de uma questão, ele tenderá a escrever "isso aconteceu, segundo fulano" quando acreditar no tal fulano, ou "isso teria acontecido, segundo beltrano", quando desconfiar do tal beltrano.
Há um outro aspecto extremamente relevante, porém nunca discutido com profundidade. Trata-se do modo como a estrutura da reportagem é construída. Muitas vezes, o contraponto apresentado não é o único ou o mais representativo. É preciso enfatizar que toda construção jornalística é pautada por subjetividades. E é justamente nesse ponto que a compreensão da história se faz notar, na mesma proporção em que a ignorância do jornalista se faz lamentar. De modo que é possível construir uma reportagem sobre um homem-bomba em Bagdá registrando apenas o número de mortos e ressaltando o fanatismo daquele sujeito que se matou, ou então esquadrinhar a questão de outra forma, perguntando, por exemplo, quais as razões que levam alguém a se explodir ou criticando a invasão do Iraque pelos EUA. A partir daí, tudo muda. As fontes ouvidas serão outras, título e subtítulo serão completamente diferentes e até o conjunto de palavras utilizado deverá variar. Por que o termo "terrorista" é usado para designar alguém que pega em armas para resistir à invasão estrangeira e não para intitular aqueles que invadem?
O triste nisso tudo é que essa falácia da imparcialidade jornalística vem sendo utilizada para a legitimação de toda sorte de crime contra a humanidade, cujo exemplo mais chocante tem sido a cobertura do massacre estadunidense no Iraque a partir de jornalistas embutidos na tropa invasora. As corporações de mídia brasileiras exibem esse material - devidamente monitorado pelo Departamento de Defesa dos EUA - ao mesmo tempo em que seus editores concedem entrevistas sobre os valores nobres da imparcialidade jornalística e criticam a não renovação da concessão da RCTV em nome da liberdade de imprensa.
Por fim, cabe comentar a pergunta que Robert Fisk devolve a Sérgio Dávila. "Se estivéssemos cobrindo o tráfico de escravos no Brasil, daríamos o mesmo espaço ao escravo e ao traficante?". Fisk, como se sabe, vive no Oriente Médio há 40 anos e só esteve no Brasil em duas oportunidades. Porque se vivesse aqui certamente saberia que a resposta para sua pergunta é "claro que não". No Brasil, as corporações de mídia dariam muito mais espaço para os traficantes de escravos, do mesmo modo que deram para os torturadores de outrora e assim como dão para os assassinos de hoje.
Retratos da violência no Rio de Janeiro
26.06.2007 | 01h28 |
"A maioria dos moradores, inclusive eu, reclama da atitude da polícia, que costuma usar de covardia com os moradores. Covardia mesmo! Covardia mesmo! Coisas do arco-da-velha, se eu contar você nem acredita. Invadindo casa de morador, sacaneando morador, mexendo com filha dos outros. Teve uma vez que enfiaram uma chave de fenda nas costas de um morador. Estão fazendo coisas do mesmo nível dos bandidos. Rola até estupro, cara!".
O trecho acima faz parte da reportagem Retratos da Violência, publicada no jornal A Nova Democracia. Trata-se do depoimento de um morador do Complexo do Alemão, o fotógrafo Sadraque Santos, denunciando a brutalidade das operações policiais. Na mesma matéria, entrevistei Wanderley da Cunha, integrante da Rede Contra a Violência. São dois depoimentos chocantes, dois gritos desesperados que deveriam, no mínimo, fazer com que o governador Sérgio Cabral repensasse sua política de Segurança Pública: uma política baseada no confronto, que coloca em risco tanto a vida dos policiais quanto a de quem vive nas periferias.
Na mesma edição há uma excelente entrevista com a socióloga e professora de criminologia Vera Malaguti. Vale a leitura.
MST repudia chegada da Aracruz ao RJ
25.06.2007 | 23h26 |
O MST divulgou hoje moção de repúdio aos deputados fluminenses que no dia 12 de junho votaram a favor do PL 383/07, que facilita a entrada da Aracruz Celulose no Rio de Janeiro:
Repudiamos a decisão dos 39 parlamentares que apoiaram a proposta, votada a toque de caixa, a despeito dos pedidos de audiência encaminhados para ampliar o debate sobre o tema. Os 39 deputados estaduais que votaram a favor do projeto cometeram um ato criminoso contra o meio ambiente e a sociedade, que deixará seqüelas para futuras gerações.
Nós, do MST, faremos o que for possível para que nenhum novo monocultivo seja iniciado no estado do Rio de Janeiro. Não queremos, não podemos e não vamos aceitar este crime.
Leia aqui a matéria que publicamos sobre a aprovação do PL 383/07, de autoria do governador Sérgio Cabral.
TCM faz ressalvas às contas de César Maia
25.06.2007 | 23h15 |
O Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro aprovou as contas do Executivo Municipal, em parecer divulgado no dia 20 de junho. Mas fez algumas ressalvas, como por exemplo:
- utilização de recursos incorretos para pagamento de merenda escolar;
- baixo percentual aplicado na concessão de incentivo à cultura;
- aplicação em educação abaixo dos 25% da receita com impostos, conforme obrigação constitucional;
- insuficiência de arrecadação de R$ 772 milhões;
- aumento real da Dívida Ativa do Município de 68,23%, entre 2002 e 2006.
Além disso, os conselheiros criticaram o descaso do executivo municipal com as recomendações feitas quando da aprovação das Contas de Gestão do exercício de 2005: 55,6% de suas recomendações não foram atendidas, 29,6% estão sendo implementadas, foram acatadas ou demandam análise futura e apenas 3,7% foram observadas.
Tiroteio em Vigário Geral
25.06.2007 | 23h05 |
Às 10h deste domingo, dia 24, cerca de 200 moradores da favela de Vigário Geral, que foram desalojados de suas casas devido a um forte tiroteio nesta madrugada, estão na Praça Catolê do Rocha, sem ter para onde ir e sem poder voltar para suas casas. A praça fica no centro de Vigário Geral, perto da sede do Afro Reggae.
As informações são da Rede Nacional de Jornalistas Populares (www.renajorp.net).
O fascismo e sua linguagem
25.06.2007 | 03h59 |
Sirley Dias de Carvalho Pinto, 32 anos, teve sua bolsa roubada e foi brutalmente espancanda por cinco pessoas nesta madrugada de sábado para domingo. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça.
Como as corporações de mídia identificaram os criminosos? "Jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca".
Agora imagine você, caro leitor e querida amiga, se os cinco indivíduos morassem em favelas e tivessem agredido um "classe média" da Barra. No mínimo, a identificação seria "cinco bandidos da favela tal assaltaram e espancaram uma jovem moradora da Barra da Tijuca".
É de uma falta de bom senso que assusta. E o pior é que nenhuma revolução seria desencadeada se as corporações de mídia abrissem mão de seu preconceito de classe.
Eis aí a relação dos acusados: o estudante de administração Felippe de Macedo Nery Neto, de 20 anos, o técnico de informática Leonardo Andrade, de 19, o estudante de gastronomia Júlio Junqueira, de 21, o estudante de turismo Rodrigo Bassalo, de 21 anos, e o estudante de direito Rubens Arruda, de 19.
Em sua defesa, alegaram que teriam confundido Sirley com uma prostituta. Não tem muito tempo os assassinos do índio Galdino alegaram terem-no confundido com um mendigo. O mais grave nisso tudo não é nem constatar a existência do fascismo em pleno século 21, mas saber que pessoas com essa mentalidade ocupam postos-chave na administração pública.
Escândalo discreto
24.06.2007 | 00h07 |
No Brasil, os escândalos são publicados com discrição. Exemplo recente foi oferecido pela Folha de S. Paulo, que divulgou a renda per capita brasileira a propósito de uma reportagem sobre a reunião do G-8: US$ 8,5 mil. Considerando o dólar a R$ 2,00, temos que nossa renda per capita é de R$ 17 mil. Ou seja, o PIB do Brasil dividido pelo número de habitantes é igual a R$ 17 mil.
Se dividirmos este valor por doze, chegamos a R$ 1.416,00. Em outras palavras, se as riquezas produzidas no país fossem igualmente divididas, cada cidadão teria uma renda mensal de R$ 1.416,00, incluindo as crianças. Numa família com quatro pessoas, por exemplo, a renda seria R$ 5.666,66 por mês. O suficiente para que todos vivessem com dignidade.
Em meados do ano passado, o IBGE divulgou uma ampla pesquisa sobre insegurança alimentar. Resultado: 72.163.886 brasileiros (34,8%) vivem nessa situação, que foi dividida em três níveis (leve, moderada e grave). Desses, 6,5%, ou 13.921.701 seres humanos, sofrem de insegurança alimentar grave. Em outras palavras: passam fome.
Acesse aqui a íntegra da pesquisa do IBGE sobre insegurança alimentar.
Nada justifica que um brasileiro passe fome. Na verdade, nada justifica que qualquer ser humano passe fome, visto que o planeta produz alimento suficiente para 12 bilhões de pessoas e nele vivem 6,5 bilhões, segundo a ONU. Mas o Brasil é um país extremamente rico, o que torna nossa situação especialmente dramática. "Pelos campos há fome em grandes plantações", cantou Geraldo Vandré. Temos quatro colheitas por ano, ouro, prata, minério de ferro, nióbio, bauxita, manganês, aço, um considerável parque industrial, uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, uma grande empresa de aviação, grandes universidades e etc.
Por outro lado, para que tenhamos um salário mínimo de R$ 380,00 e 20 milhões de pessoas desempregadas, é preciso que muitos estejam recebendo - ou roubando - R$ 100 mil, R$ 500 mil ou milhões de reais por mês. Somos o segundo país mais desigual do mundo, atrás apenas de Serra Leoa!
Quando João Goulart tentou limitar a remessa de lucro para o exterior e implementar algumas outras medidas já consagradas em países capitalistas (incluindo a Reforma Agrária), foi derrubado sob acusação de tentar implantar uma "ditadura comunista" no Brasil.
Esse descalabro só continua, fundamentalmente, por uma razão: o sistema educacional e as corporações de mídia estão a serviço da exploração dos povos. Uma nação bem formada e bem informada jamais permitiria esse estado de coisas.
Marcelo Yuka, assinante do Fazendo Media
24.06.2007 | 00h01 |

Exemplo cristalino - 2
23.06.2007 | 00h44 |
Lendo uma matéria sobre os "sem-terrinha", as crianças do MST, lembrei de quando visitei um acampamento do Movimento em Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Pra quem não sabe chegar: pegue um trem na Central e depois uma kombi pra Chatuba. De Niterói até lá deve dar umas três horas de viagem - com trânsito bom. Lá no acampamento, tive a oportunidade de conversar com um sem-terrinha. O menino devia ter uns 8 ou 9 anos, estava contente brincando com sua bicicleta. Lá pelas tantas perguntei onde ele estudava. Baixou a cabeça, fechou a expressão. "Num Ciep aqui perto". E você gosta de estudar lá? "Não. Porque os meus colegas me rejeitam porque eu sou sem-terra".
A despeito da responsabilidade da professora e da direção da escola, é preciso chamar a atenção para a irresponsabilidade das corporações de mídia. A criminalização que elas promovem dos movimentos sociais é a principal responsável por esse preconceito contra os sem-terrinha. A mídia, hoje, é a instituição com maior poder de produzir subjetividades, que determinam as formas de sentir, pensar, agir e viver de um indivíduo, grupo ou sociedade. Não sou psicanalista, mas está claro que o impacto psicológico dessa rejeição prejudicará o desenvolvimento dessa criança. E de muitas outras que se encontram na mesma situação.
Este é mais um exemplo cristalino da necessidade urgente de se democratizar o acesso à produção e divulgação de cultura no Brasil. O poder das corporações de mídia reside em seu oligopólio. Sem isso, elas não são nada. Por uma razão muito simples: no momento em que o cidadão toma conhecimento de uma outra versão, ele passa a questionar aquela outra. Se ele for conferir, vai ver que as corporações mentem. Nesse caso dos sem-terrinha, por exemplo, vai ver que os meninos não são vândalos, bandidos, invasores. Vai ver que são crianças como outras quaisquer, que brincam, correm, estudam e etc. De modo que quanto mais veículos alternativos existirem, menos poder as corporações de mídia terão. E mais democrática será a sociedade.
Leia aqui o "Exemplo Cristalino - 1".
Dois pesos e duas medidas
22.06.2007 | 01h59 |
- Até o mês passado a Polícia Federal estava sendo acusada de truculência e exagero quando prendeu criminosos de colarinho branco. Porém, os mesmos acusadores de outrora deleitam-se com o trabalho da PF no caso do senador Renan Calheiros.
- Vinte pessoas se juntam em frente ao prédio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Destaque, com foto colorida, na primeira página dos jornalões. Dezoito mil sem-terra se juntam durante cinco dias em Brasília. Nenhum destaque e poucas matérias, em sua maioria distorcidas.
Sem título
22.06.2007 | 00h44 |
Diz a repórter Ana Claudia Costa, no "Globo" desta quinta-feira (21), que o coronel da PM Mário Sérgio Duarte afirmou que o objetivo da ação policial no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, é impedir "que traficantes saiam em comboios para praticar delitos como roubo de carros". A jornalista registra ainda que "o cerco vai continuar depois do Pan, já que, segundo o coronel, a intenção é sufocar totalmente o tráfico". O coronel Mário Sérgio Duarte é o coordenador da Subsecretaria Operacional da Secretaria de Segurança, que está à frente da operação.
É difícil acreditar que todo esse aparato policial esteja mobilizado durante tanto tempo (52 dias) apenas para isso. Impedir que traficantes "saiam em comboios para praticar delitos" é função da polícia em qualquer circunstância, com ou sem policiamento ostensivo. Além disso, se o objetivo é esse, então a polícia deveria proceder da mesma maneira em todas as favelas onde existem traficantes varejistas. Provavelmente há algo mais. Algo que a Secretaria de Segurança não informa e as corporações de mídia não perguntam.
A propósito: há na favela pé de fuzil ou muda de cocaína? Quem são os traficantes atacadistas? E por onde andam as assim chamadas milícias, que sumiram do noticiário sem que tenham sido desarticuladas? [leia também a nota Policiais mortos e lavagem de dinheiro]
Textos anteriores
Leia aqui os textos publicados entre dezembro de 2006 e maio de 2007.