Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Já não há analfabetos na Bolívia
21.12.2008 | 21h27 |

Amigos, desculpem o sumiço de 12 dias. Acho que nunca havia ficado tanto tempo sem escrever. Saudações especiais ao Leandro Alves! Estou em Cochabamba, onde o governo boliviano anunciou, neste sábado (20), oficialmente o fim do analfabetismo no país. Nada menos que 819.417 pessoas foram alfabetizadas desde junho de 2006, quando teve início o programa "Yo, sí puedo" com ajuda de Cuba e Venezuela. O que achei interessante foi que paralelo ao processo de ensino os médicos cubanos realizaram mais de 200 mil consultas e 3 mil cirurgias de vista, enquanto o governo venezuelano doou cerca de 8 mil painéis de captação solar para os municípios bolivianos que não possuem energia elétrica, permitindo assim a universalização do programa. Assim, Bolívia é o terceiro país latino-americano a se livrar do analfabetismo. Uma vitória que o Brasil e outros países economicamente mais desenvolvidos ainda não podem comemorar.

Jornalismo fajuto
21.12.2008 | 20h52 |

Cinqüenta pessoas feridas e três detidas. Repressão violenta da polícia contra brasileiros que lutam por um país mais justo. Contra brasileiros que querem que nossas riquezas naturais não sejam doadas ou vendidas a preços aviltantes. Foi isso que aconteceu nesta quinta-feira, dia 18. Mas vejam como a TV Globo, emissora de maior audiência do país, noticiou o fato: veja no vídeo abaixo ou clique aqui.

É por isso que eles não querem um Conselho de Jornalismo. Se existisse, seu registro já teria sido cassado faz tempo. Os brasileiros se levantam contra a entrega do petróleo e a Globo publica que eles estão pedindo "o cancelamento das licitações para pesquisa de petróleo". Vai mentir assim... Aproveitando, onde estão as organizações e associações de imprensa? Por que não denunciam a Globo não apenas por rasgado a ética profissional, mas por ter cometido um atentado contra a liberdade de expressão (dos manifestantes, claro), por ter cometido este crime violento contra a democracia? Onde está a esquerda (partidária, social, ongueira e etc.), que não considera inimiga esta máquina de distorção da realidade? A primeira luta política deve ser a disputa de corações e mentes.

Primeiro parágrafo do juramento profissional do Jornalista: "A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade".

Vitória da esquerda
09.12.2008 | 15h30 |

Depois de 20 anos de descumprimento da Constituição Federal, finalmente será instalada a CPI da Dívida - bandeira histórica da esquerda. Parabéns ao deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), autor da proposta. Agora o Brasil terá uma boa chance de conhecer alguns mecanismos utilizados para roubar nossos recursos e, mais ainda, de anular as dívidas que forem consideradas fraudulentas. Segue abaixo a nota da Auditoria Cidadã:

Amigos da Auditoria Cidadã,

Hoje, 8 de dezembro de 2008, o Presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, criou a ?Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a dívida pública da União, Estados e Municípios, o pagamento de juros da mesma, os beneficiários destes pagamentos e o seu monumental impacto nas políticas sociais e no desenvolvimento sustentável do País? ? CPI DA DÍVIDA ? conforme o Ato da Presidência, abaixo.

A CPI foi proposta pelo Deputado Federal Ivan Valente (PSOL/SP), que já havia recolhido as assinaturas necessárias (1/3 dos deputados). Faltava apenas a decisão política do Presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, que recebeu dia 13 de novembro uma delegação da Comissão para a Auditoria Integral da Dívida do Equador (CAIC), dentro da programação do Seminário Internacional ?Auditoria da Dívida na América Latina?, quando foi reivindicada a instalação da CPI da Dívida.

Agora os líderes dos partidos devem indicar seus representantes na CPI, que deve iniciar-se no começo do ano que vem, quando lutaremos para que a CPI efetivamente investigue o endividamento. De acordo com a Constituição Federal, Art 58, § 3º, as comissões parlamentares de inquérito possuem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, sendo que suas conclusões serão encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. Ainda não se trata do Art. 26 das Disposições Transitórias da Constituição (que prevê a auditoria da dívida), pelo qual continuaremos lutando. Porém, a CPI já representa a instalação de uma AUDITORIA OFICIAL, tão almejada por todos nós.

De acordo com o artigo 36 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, a CPI poderá, dentre outras coisas:

I - requisitar funcionários dos serviços administrativos da Câmara, bem como, em caráter transitório, os de qualquer órgão ou entidade da administração pública direta, indireta e fundacional, ou do Poder Judiciário, necessários aos seus trabalhos;

II - determinar diligências, ouvir indiciados, inquirir testemunhas sob compromisso, requisitar de órgãos e entidades da administração pública informações e documentos, requerer a audiência de Deputados e Ministros de Estado, tomar depoimentos de autoridades federais, estaduais e municipais, e requisitar os serviços de quaisquer autoridades, inclusive policiais;

III - incumbir qualquer de seus membros, ou funcionários requisitados dos serviços administrativos da Câmara, da realização de sindicâncias ou diligências necessárias aos seus trabalhos, dando conhecimento prévio à Mesa;

IV - deslocar-se a qualquer ponto do território nacional para a realização de investigações e audiências públicas;

V - estipular prazo para o atendimento de qualquer providência ou realização de diligência sob as penas da lei, exceto quando da alçada de autoridade judiciária;

Valeu a pena lutar e trabalhar pela auditoria da dívida durante todos estes anos. Valeu a pena mostrar e investir no exemplo equatoriano, agora seguido pela Venezuela, Bolivia, Paraguai, E FINALMENTE PELO BRASIL.

Rodrigo Ávila
Auditoria Cidadã da Dívida
www.divida-auditoriacidada.org.br

Quem acredita em coincidências?
08.12.2008 | 22h59 |

Início da ditadura: abril de 1964

Primeira transmissão da TV Globo: abril de 1965

AI-5: dezembro de 1968

Início do Jornal Nacional: setembro de 1969

A cada execução sumária que divulgam hoje como troca de tiros, as corporações de mídia invocam o AI-5. Foram coniventes com as torturas de outrora, em nome da implantação das empresas estadunidenses no Brasil. Agora são sócias das chacinas em nome da aplicação do modelo neoliberal. Deveriam ter vergonha de publicar cadernos especiais sobre o tema, sem nunca terem pedido desculpas por terem apoiado o regime de exceção. Haja hipocrisia!

Cabral, chega de extermínio!
07.12.2008 | 16h12 |

A imagem está sendo divulgada pela internet para convocação do ato contra a política de extermínio do governo Sérgio Cabral (PMDB). Será dia 10, quarta-feira, às 9h, em frente ao Palácio da Justiça (Rua Dom Manuel, 29 - Centro - RJ). Se os movimentos sociais querem impedir a barbárie, devem espalhar essa imagem em cartazes, outdoors e muros da cidade, pra que todos saibam quem é o principal responsável pelos milhares de mortos que o Rio de Janeiro enterra todos os anos. Segue abaixo o texto da convocatória. Clique aqui para baixar e distribuir o panfleto.

EXTERMÍNIO ONTEM, HOJE...E AMANHÃ? 60 ANOS DA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: ELES NÃO CUMPRIRAM!

Os sucessivos governos já deixaram claro o seu compromisso com a manutenção de uma política de extermínio que nos remetem aos velhos tempos da ditadura. Outrora o extermínio de todos que se contrapusessem ao regime, hoje a criminalização da pobreza e daqueles que lutam.

O atual governo do estado do Rio de Janeiro é responsável por um aumento vertiginoso do número de "autos de resistência" – civis mortos pela policia. Em 2007 foram computados 1330 registros. Nos primeiros três meses de 2008, foram registrados 358, o que representa um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2007. Dados do encerramento do primeiro semestre desse ano apontam 849 mortes.

O custo humano dessa política de governo não se justifica! Hoje temos a polícia que mais mata e mais morre no mundo, num quadro trágico que já alcançou índices recordes, jamais vistos anteriormente.

Por isso nos lutamos no dia 10/12: para lembrar que 60 anos da declaração de direitos humanos já se passaram e os mesmos que a assinaram promovem uma política de extermínio que tem como conseqüência as chacinas do Alemão, de Acari, Borel, Caju, Coréia, Lins, Baixada, Candelária, Vigário Geral, o extermínio de 3 jovens na Providência. Além das que atingiram nosso estado, também recordaremos 12 anos do massacre em eldorado dos Carajás, a morte de Keno – militante do MST – pela Syngenta, os 111 presos exterminados no Carandiru e tantos tristes episódios que, além dos diários, memoram as trágicas conseqüências dessa política.

Acusamos os governos de genocídio, racismo, tortura e fascismo e exigimos: parem de matar os nossos jovens! Queremos justiça e uma profunda mudança na atual política de segurança pública! Chega de Milícia! Abertura dos arquivos da ditadura já: nossa memória é nossa história!

CABRAL, CHEGA DE EXTERMÍNIO!

ATO NO DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS 10/12 - 9h NO PALÁCIO DA JUSTIÇA (Rua Dom Manuel, 29, Centro) SEGUINDO PARA A ALERJ (Rua 1 de Março S/N) E PARA PRAÇA MAHATAMA GANDHI, AONDE OCORRERÁ UMA VIGÍLIA

O massacre que a mídia não viu
06.12.2008 | 15h22 |

Na quarta-feira, dia 3 de dezembro de 2008, a UNASUL divulgou o relatório sobre os acontecimentos de setembro em Pando - leia a íntegra aqui. O texto afirma que houve um massacre em que foram assassinados pelo menos 20 camponeses. Além disso, o documento ressalta que houve prática de tortura e implica funcionários do departamento então governado por Leopoldo Fernandez, hoje preso em La Paz. No dia seguinte, quinta-feira (4), os dois maiores jornais daqui deram manchete e várias páginas para o relatório da UNASUL. Imediatamente consulto os jornalões brasileiros. Folha de S. Paulo deu uma notinha. O Globo ignorou solenemente a investigação da UNASUL, que confirmava a posição do governo Evo Morales. E as emissoras de tevê, deram alguma coisa? Daqui não tenho como saber; se por acaso alguém aí no Brasil viu, por favor me avise. Se tivesse que dar um palpite, diria: duvido.

Quem são os mentirosos?
06.12.2008 | 15h09 |

Leio o título da matéria de Silvana Sá e Gizele Martins, publicada no topo da primeira página deste fazendomedia.com, e me ocorrem dois sentimentos: 1) tristeza pela vida que se foi e 2) alegria por saber que alguns veículos ainda se preocupam em fazer Jornalismo. Enquanto jornalões compram facilmente a versão da "troca de tiro", a imprensa que resiste à política de extermínio publica a notícia como ela ocorreu segundo moradores. A diferença, aqui, é basicamente em quem você acredita. Enquanto as corporações de mídia põem em dúvida a palavra da gente favelada, nós colocamos fé. Por que o cidadão da favela estaria mentindo? Quem foi que associou mentira à pobreza? Ou é à classe trabalhadora que se atribui o falso testemunho? Mentirosa é essa mídia corrompida, que troca anúncio por reportagem, que acha natural a matança promovida pela polícia de Sérgio Cabral (PMDB), que apoiou o golpe de Estado de 1964 e hoje apóia a violência institucionalizada pelo neoliberalismo.

Parabéns a Silvana e Gizele. Parabéns ao fotógrafo Naldinho Lourenço, que soube captar tamanha violência com uma sensibilidade gigantesca. Reportagens como essas servem para contar a história do ponto de vista dos que sofrem, além de condenar ao descrédito aqueles que lucram com a violência e defendem o extermínio.

Ninguém acredita
04.12.2008 | 00h01 |

Almoçamos na casa da família Paz Rada, que nos recebe com todo o carinho. Eduardo Paz Rada, sociólogo, foi exilado durante a ditadura boliviana e sabe bem o que é estar fora de sua pátria. Logo que chegamos ele muda o disco para Baden Pawell, só para nos agradar. No ritmo da viola conversamos por seis horas, tempo em que foi possível falar muito sobre a Bolívia e muito sobre o Brasil. No quesito violência, a família Paz Rada ficou escandalizada com os 1330 mortos pela polícia do Rio, em 2007. O ar de incredulidade só se esvaiu para dar lugar à exclamação: “Genocício!”, termo utilizado por eles, que encontraram paralelo nos cerca de 60 mortos que protestavam contra o governo Sanchez de Lozada, na chamada Guerra do Gás, em outubro de 2002.

Imediatamente me senti forçado à comparação. Enquanto Sanchez de Lozada vive escondido em Miami, os governadores fluminenses gozam da mais tranqüila impunidade. No plano dos movimentos sociais, enquanto os bolivianos enchem muros e paredes com cartazes e pichações com fotos do ex-presidente e inscrições como “Justiça para o assassino” e “Goni assassino”, no Rio os movimentos sociais se recusam a dar nome aos bois.

No próximo texto: a campanha pelo referendo, as prisões dos acusados de sabotagem contra os gasodutos, incluindo um integrante da União Juvenil Cruceñista, e o sumiço de Branko Marinkovic. Num outro texto: a artesã quéchua Júlia, as praças floridas e as muitas construções.

Enfim, La Paz - 2
02.12.2008 | 02h19 |

Na semana passada, o presidente Evo Morales Ayma esteve em Potosí e em Chuquisaca para anunciar que os dois departamentos estão livres do analfabetismo. Em Potosí e em Chuquisaca não há mais quem não saiba ler e escrever. Adultos e crianças, todos agora estão capacitados para conhecer todo um mundo de palavras que antes lhes era negado. Em breve vou entrevistar um dos professores responsáveis pela alfabetização de mais de 800 mil bolivianos desde o início do governo atual. Uma curiosidade que ele adiantou: o método cubano “Yo, si puedo” teve que ser adaptado em algumas regiões do país porque os aymaras só utilizam 3 vogais em vez das 5 sobre as quais o programa de ensino foi preparado.

Creio que este fato histórico não tenha sido publicado pelas corporações de mídia.


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