O Fazendo Media precisa da sua ajuda. Como sabem, o ideal era que houvesse políticas públicas que garantissem o exercício do jornalismo independente e a circulação plural de idéias. Mas ao contrário de outros países, no Brasil isto ainda não é uma realidade. Sendo assim, as formas de financiamento da mídia tradicional são essencialmente: publicidade, venda em banca e venda de assinaturas (isso sem contar com esquemas espúrios que inviabilizam o verdadeiro Jornalismo). Nós não temos publicidade, nosso jornal não é vendido nas bancas e as assinaturas são insuficientes para nos manter vivos. Além disso, não abrimos mão do nosso juramento profissional: "A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade".
Sendo assim, recorremos à consciência de cada leitor, de cada amigo e simpatizante do nosso projeto. Faça uma assinatura, dê outra de presente ou faça uma doação de qualquer valor na conta abaixo. Se possível, programe-se para colaborar mensalmente. Infelizmente nossas tentativas de conseguir apoio em sindicatos e associações de esquerda não têm dado resultado. Não estamos conseguindo equilibrar nossas contas. Como da outra vez em que estivemos a ponto de fechar as portas fomos salvos pelos leitores, novamente fazemos este apelo. Com a certeza de que esta é a melhor forma de manter vivo um veículo de comunicação independente e com as características do Fazendo Media.
Sua contribuição pode ser decisiva para a continuidade do nosso trabalho, cujo objetivo final é a democratização dos meios de comunicação no Brasil.
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Marcelo Salles
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Enfim, La Paz
29.11.2008 | 12h02 |
Amigos, só estou enviando notícias agora porque os males da altitude batem forte em mim. Fico praticamente inutilizado nos dois primeiros dias, sendo que dessa vez, pra piorar, desde domingo vinha sentindo uma intensa dor no ombro esquerdo, que ontem descobri ser uma bursite associada à tendinite, que contraí fazendo a mudança das Laranjeiras para a casa da minha mãe, em Niterói (fui dar uma de estivador e carreguei tudo no braço, malas, móveis, bolsas, sacos, livros, tudo). A inflamação é tanta que o tendão do lado esquerdo está quase o dobro do direito, de modo que simplesmente não consigo mover o braço esquerdo de tanta dor – até comprei uma tipóia na farmácia. Daí o médico boliviano, formado em São Paulo, me aplicou uma infiltração de cortisona com xilocaína. Deu uma boa melhorada, os movimentos estão voltando aos poucos, mas ainda serão duas semanas de recuperação à base de antiinflamatórios.
Fora isso, os dias aqui têm sido tranqüilos, tem feito sol, eu e Fernanda estamos nos adaptando ao clima e conhecendo a cidade.
O vôo Lima-La Paz foi tranqüilo. Chegamos na madrugada do dia 23 e, pela primeira vez, não desembarquei no meio da pista – havia aquele túnel que, convenhamos, deveria ser considerado item de necessidade básica, ou mesmo segurança, numa temperatura perto de 0o C e a 4 mil metros de altitude.
Conversando com Luis Gonzalez, paceño que afirma ter lido mais de mil livros, sendo muitos sobre a história de seu país, aprendo que a guerra da Bolívia contra o Paraguai deixou 50 mil mortos em 4 anos. Pego a calculadora e vejo que no mesmo período de tempo a polícia do Rio de Janeiro, hoje comandada por Sérgio Cabral (PMDB), terá matado 63.840 pessoas e perdido centenas de policiais (isso, claro, segundo as estatísticas oficiais).
Na guerra da Bolívia contra o Paraguai novamente foi determinante o papel da soroche. Os soldados paraguaios, apoiados pela Argentina, avançavam pelo território boliviano com bastante desenvoltura. Até chegar a La Paz, quando os males da altitude jogaram a favor do exército local e a invasão foi rechaçada.
Algo que sempre me intrigou foi o nome da cidade. Por que La Paz? Luis explica que trata-se da trégua entre dois assassinos espanhóis, que alguns livros de história dizem ter sido “conquistadores”. Francisco Pizarro e Alonzo de Mendonza disputavam as terras bolivianas e seus exércitos viviam em conflito. Até que perceberam que poderia lucrar mais se não brigassem entre si. La Paz foi a sede do acordo.
No próximo texto: as praças floridas, as muitas construções e a artesã quéchua Julia.
América Latina está viva!
29.11.2008 | 10h16 |
Antecipo com exclusividade aqui no Proto-Blog o link do protótipo do vídeo de lançamento do Especial América Latina da Caros Amigos. É uma primeira versão bastante tosca, que ainda será melhorada, mas gostaria de compartilhar com vocês desde já porque as três primeiras fotos que aparecem nesta montagem foram feitas por mim, em outubro, durante a marcha que pressionou pela realização do referendo sobre a nova constituição - marcado para 25 de janeiro próximo. Se a capa for mesmo essa montagem da marcha com o Che, então será a primeira vez que sai foto minha na capa de uma revista. Além das imagens, neste especial contribuo com uma reportagem de fôlego sobre a marcha e a resenha do livro "Bolívia Jakaskiwa", da geógrafa Mariléa M. Leal Caruso e do poeta e romancista Raimundo C. Caruso (são os dois que aparecem no terceiro quadro de fotos).
Peço ajuda na divulgação quando a edição estiver nas bancas.
OS NEGROS
29.11.2008 | 09h50 |
Chamada provocativa: "Pra quem não acredita na existência de racismo no Brasil". Brincadeiras à parte, segue abaixo o rilisi do lançamento da coleção de fascículos "OS NEGROS", da Caros Amigos. Eu tive a honra e o privilégio de participar com uma matéria-visita sobre a atriz Ruth de Souza, que não sei dizer em que fascículo se encontra. Cartas para a redação: redacao@carosamigos.com.br.
“O negro construiu, basicamente, a riqueza no Brasil. Durante 400 anos, dos 500 que o Brasil tem de existência, o negro foi a classe trabalhadora”. Essa frase de Joel Rufino orienta todo o trabalho da coleção de fascículos “Os Negros”, nova publicação da Caros Amigos Editora, cuja página especial pode ser
acessada aqui.
A coleção traz um mosaico dinâmico que mescla o histórico e o contemporâneo, buscando o resgate da História do Negro no Brasil. A publicação enfoca as lutas e a força de uma das culturas mais vigorosas que constituem e constroem nossa nação em todos os aspectos da sua vida.
Atendendo a lei 10.639 de 2.003 que institui o ensino de História da África nas escolas, os fascículos oferecem material de consulta ao público em geral, professores e alunos.
Produzido pela equipe da Caros Amigos, conta com a preciosa contribuição de Joel Rufino dos Santos, negro, historiador, que com seu olhar nos ajuda a dar voz ao outro lado da História.
Cada um dos 16 números com 32 páginas apresenta um tema:
1 - Resistências e rebeliões I
2 - O que é racismo
3 - As muitas religiões
4 - Os fazedores
5 - Resistência e rebeliões II
6 - Música Popular
7 - O melhor futebol do mundo
8 - Música erudita
9 - As muitas religiões II
10 - Bravas mulheres
11 - Os movimentos
12 - As muitas religiões II
13 - Arte afrobrasileira
14 - Resistências e rebeliões III
15 - Américas negras
16 - Quem construiu o Brasil
No total são 512 páginas. O fascículo número oito trará uma capa dura para encadernar a coleção e o dezesseis, um índice onomástico.
Hasta luego, Rio
22.11.2008 | 16h50 |
Prezados amigos, queridas amigas,
Escrevo desde o aeroporto internacional de Lima, no Peru, onde daqui a pouco farei conexão para a Bolívia. Viverei um ano no país vizinho e trabalharei como correspondente da Caros Amigos e, claro, do nosso Fazendo Media. Não vou deixar de acompanhar as notícias do Rio e do Brasil, mas certamente vou me concentrar nas informações relativas à Bolívia e o processo de mudanças vivenciado pelo povo deste país. Vou continuar atualizando o Proto-Blog, que será transformado numa espécie de diário de viagem - com informações sem o filtro das corporações de mídia. Tomara que seja útil.
PS: Dois dias antes de partir, por acaso conversei com um policial militar. Estávamos em Botafogo, na Zona Sul do Rio, quando ele me contou o seguinte episódio: ele aguardava o ônibus no ponto quando um "menino de rua" se aproximou. O policial disse que se perdesse a arma seria o fim da vida dele e que se ele atirasse também seria o fim da vida dele. "E eu iria atirar, porque me embolar com ele no chão não iria". Perguntei se ele não era instruído para atirar em pontos não-vitais. Ele: "Não, a gente não tem muita instrução. Na verdade, a gente ganha mais ponto se acertar o tórax e a cabeça. Se acertar no coração ganha mais ainda. Mas nas pernas e braços não vale nada". Em seguida o policial me contou que o menino se aproximou "de maneira agressiva". O policial recuou e colocou a mão na arma. O menino perguntou "tá colocando a mão na arma por quê?" e foi embora. Um pensando ser o grande inimigo do outro, pensei enquanto ele falava...
Mais violência policial no Rio
13.11.2008 | 19h30 |
Acabo de receber a nota abaixo da Rede Contra a Violência. Pelo visto, bastou que as eleições terminassem para que o governo de Sérgio Cabral (PMDB) voltasse a atacar os cidadãos que vivem nas favelas:
A escalada da violência policial na favela da Providência fez hoje uma vítima fatal. Um morador foi morto e sua família obrigada pelos policiais a arrastar o corpo até a viatura policial. Mais duas pessoas foram baleadas e estão hospitalizadas. Estamos aguardando mais informações.
Os ataques policiais estão sendo diários desde quinta-feira 07/11, como já havíamos denunciado. No sábado 09/11, duas militantes da Rede contra a Violência que se encontravam na comunidade presenciaram a ação de um grupo de policiais do 2o BPM (batalhão cuja área de atuação não inclui a Providência) que chegaram num caveirão e algumas viaturas. Chamaram a atenção de policiais que por pouco não executaram pelas costas um rapaz, e por isso foram ameaçadas verbal e fisicamente. Dois policiais deram tiros de fuzil em sua direção. Quando isso aconteceu a quadra que fica no alto do morro estava cheia de gente, inclusive crianças, e todos saíram correndo apavorados.
Como já denunciamos, entre tantas irregularidades, muitos desses ataques policiais tem sido feitos por PMs de batalhões muito distantes (2o, 3o, 6o e 16o; a Providência é área de atuação do 5o BPM e tem um posto do Gpae deste batalhão).
A comunidade está disposta a reagir de forma organizada, para denunciar as violações cometidas e evitar maiores tragédias. Amanhã (sexta, 14/11) haverá um protesto pacífico às 16h, começando na Associação dos Moradores que fica na Rua Barão da Gamboa, 21. Os moradores pedem a presença da imprensa inclusive como medida de segurança contra provocações da polícia.
Mais informações na Associação, pelo telefone (21) 2223-2829.
O avanço dos paras
12.11.2008 | 16h30 |
Comentário de Maurício Campos, da Rede Contra a Violência, sobre a ocupação da Cidade de Deus, ontem, pela polícia de Sérgio Cabral (PMDB):
A Cidade de Deus é a única favela importante da área de Jacarepaguá ainda não dominada por paramilitares (ditas "milícias"). Os paras estão tentando tomá-la já faz tempo, sem sucesso. Agora, sem nenhuma razão especial (o que a CDD tem de diferente de outras favelas para ser ocupada durante um ano?), começa essa "ocupação". Estranho, não?
Se não for para entregar para a milícia, essa ocupação de um ano não vai significar nada, perguntem a moradores de favelas como Santa Marta ou Acari, que já sofreram ocupação semelhante, qual foi o resultado...
No que diz respeito ao Oriente Médio e Palestina, o recado já foi dado.
Ao nomear como seu chefe de gabinete o congressista Rahm Emanuel, Obama sinalizou que Israel continuará mandando na Casa Branca.
Rahm Emanuel é israelense e veterano das forças armadas daquele país.
De acordo com o jornal Haaretz, seu pai pertenceu ao bando terrorista do Irgum de Menahem Béguin e da gang Stern, responsáveis por inúmeros massacres contra o povo palestino.
Obama Hussein ainda não assumiu.
Pode ser que haja mudanças.
Aguardemos...
Ocupar as redes de rádio e tevê
09.11.2008 | 04h11 |
Revejo "Jango", brilhante documentário de Sílvio Tendler, que terminou agora há pouco na TV Brasil. Deveria ter sido exibido mais cedo, em horário nobre, tamanha a sua importância.
O filme mostra os atores envolvidos no golpe de Estado cometido contra o povo brasileiro em 1964. No ato lembrei do título do livro de René Dreifuss: “1964: a conquista do Estado”. O termo escolhido pelo escritor não poderia ser mais preciso. Tanto em sua obra quanto na de Tendler fica evidente que não houve apenas um golpe estanque no Brasil; ele não surgiu da noite para o dia. O movimento foi preparado durante anos e contou com apoio do governo dos EUA, de corporações privadas e de veículos de comunicação de massa.
No documentário há um depoimento muito importante de um militar, que chama a atenção para a “provocação” que representou o comício de 13 de março, na Central do Brasil. Ele fala que o povo trazia cartazes subversivos. Aí lembrei de toda a preparação psicológica, de todos os cursos financiados pelos EUA para os militares brasileiros de que fala Dreifuss. IPES e IBAD à frente. Ao longo de anos associaram comunismo à barbárie e à desordem, até chegar ao golpe. Depois dele, a tropa de choque foi retirada da linha de frente (Carlos Lacerda e Magalhães Pinto, cassados) e os homens de confiança assumiram a liderança. Brizola diz em seu depoimento que este foi o golpe dentro do golpe. Castelo Branco assume e imediatamente revoga a lei de remessa de lucros e garante a manutenção dos latifúndios improdutivos.
O que vemos hoje? Em meio à tal crise, que as corporações de mídia já não mais explicam por que, como e onde, o Banco Central divulga que montadoras de automóveis enviaram nada menos que US$ 4,8 bilhões às matrizes no exterior. Somando os outros setores da economia, a sangria alcança absurdos US$ 20,143 bilhões/ano. O Globo deu matéria sem nenhum destaque na página 22 da edição do último dia 6, cuja capa lambia as botas do novo comandante pró-forma do imperialismo.
Eis aí a natureza do golpe de 1964 e da ditadura que seqüestrou, torturou e matou milhares de brasileiros. Seu maior objetivo é garantir que o país mais rico da América Latina seja mantido sob a dominação imperialista. Nenhum governo sério do mundo permite que sejam enviados para o exterior tantos recursos produzidos com o suor do seu povo. Existem leis que obrigam que esse dinheiro seja reinvestido no país, isso sem falar na tributação às grandes empresas, que deveria ser maior. Não dá pra aceitar calado o envio de tantos bilhões pra fora enquanto existe gente passando fome aqui dentro. Isso sim é uma ditadura, devo dizer àqueles que se prendem aos paradigmas da mídia grande.
Apesar da flagrante pilhagem, não se vê resistência. Nem quanto às indecentes remessas de lucro, nem contra a entrega do nosso petróleo, nem contra a ausência de uma auditoria na dívida pública, nem contra a absurda concentração fundiária, nem contra a falta de regulamentação do artigo 153 da Constituição, que determina a cobrança de impostos sobre grandes fortunas, nem contra o salário mínimo de R$ 415,00 e, pior, nem contra o oligopólio dos meios de comunicação social.
Pior porque é este oligopólio o maior responsável pela manutenção desse estado de coisas, que de um lado explora o cidadão brasileiro e de outro entrega nossas riquezas para empresas estrangeiras e seus testas-de-ferro. A mídia, hoje, é a instituição com maior poder de produzir e reproduzir subjetividades. Ou seja, é ela quem vai determinar formas de sentir, agir, pensar e viver de cada pessoa e, por extensão, de toda a sociedade.
O dia em que os movimentos sociais organizados se derem conta disso, a primeira ocupação será nos centros de produção e reprodução de textos e imagens encarregados de sustentar o sistema. Uma vez ocupadas as redes de rádio e tevê (cujas principais representantes, a propósito, estão com as concessões vencidas), o povo será informado sobre as razões da falta de médico para o filho que sente dor, da falta de escola para quem precisa estudar, da falta de trabalho para quem quer produzir, da falta de terra para quem quer cultivar e etc. Uma vez que isto aconteça, a justa indignação não mais poderá ser contida.
Tudo na mesma
08.11.2008 | 01h28 |
Na coletiva de imprensa desta sexta-feira Obama já afinou o discurso preparatório para mais um genocídio: "É inaceitável que o Irã desenvolva tecnologia nuclear". Faz lembrar a famosa frase de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, no clássico IL GATTOPARDO: "É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma".
Beicinho
08.11.2008 | 01h26 |
Arnaldo Jabor parou de dizer que Hugo Chávez "tem um beicinho de porteiro de sauna gay". Talvez porque tenham-no perguntado de onde conhece tais beicinhos.
Moradores da Providência pedem socorro
08.11.2008 | 01h22 |
Acabo de receber a denúncia abaixo da Rede Contra a Violência:
Recebemos há pouco informações de vários moradores da Providência [centro do Rio de Janeiro] que policiais militares, desde as 15h, estão atirando a esmo e aterrorizando toda a favela. Embora ali seja área de atuação apenas do 5o BPM, viaturas de outros batalhões distantes (3o, 6o e 16o BPM) também foram vistas na comunidade. Os policiais alvejaram transformadores e a favela está às escuras, o que aumenta o pavor dos moradores. Muitos moradores e inclusive crianças que saíram das escolas não puderam subir o morro devido à ação da PM e os tiros. Todo mundo está trancado em suas casas e com muito medo do que pode acontecer. Não se sabe se alguém já foi ferido.
Essas incursões de policiais de outros batalhões na favela já acontecem há mais de três meses, queixas e denúncias foram feitas ao comando da PM, à 4a DP e à Secretaria de Segurança, mas nada foi feito. A imprensa também tem se limitado a reproduzir a versão distorcida da PM. A ação desses policiais de outros batalhões, conhecidos como violentos, acontece de preferência em dias onde habitualmente haveria grande movimentação dos moradores nas ruas, bares e quadras da comunidade, como hoje (sexta-feira), demonstrando uma intenção de amedrontar a comunidade e impedi-la de aproveitar as horas de lazer.
Pedimos que todos estejam atentos para novas denúncias, repassem a informação para a imprensa e órgãos de defesa dos direitos humanos.
A maior piada do mundo
05.11.2008 | 14h33 |
A maior piada do mundo foi dita ontem durante reportagem do 'brother' Pedro Bial, veiculada ao longo da excitada cobertura do Jornal Nacional. Pra ele, os EUA seriam a maior democracia do mundo. Curioso conceito de democracia... No mesmo texto o "jornalista" entrevista uma cubana raivosa, que quase cospe a dentadura ao esbravejar que esperaria quantas horas fossem necessárias para exercer seu divino direito ao voto, já que de onde ela vem não teria esse direito. A TV Globo é mesmo incrível. Consegue sustentar duas gigantestas mentiras ao mesmo tempo: que em Cuba não existem eleições e que nos EUA quem decide é o povo. O que a empresa da família Marinho esconde, assim como as demais corporações de mídia, é que as eleições nos EUA do século XXI ainda são INDIRETAS. Pouco importa se a palavra grega "democracia" seja a junção dos termos "demos" (povo) e "krátos" (governo, poder). Nos EUA quem decide mesmo é o Colégio Eleitoral. O vencedor será aquele que conquistar 270 delegados ou mais. Foi assim que Bush venceu em 2000 e em 2004, além de ter fraudado as urnas na Flórida - com o assentimento do Partido Democrata. "A maior democracia do mundo" comemora o índice recorde de 66% de comparecimento às urnas, lembrando que lá o voto não é obrigatório. Mas o fato de em Cuba esse índice ser de 98% não chama a atenção dessa mídia, apesar de também não ser obrigatório sair de casa no dia da votação.
A noção da Globo de democracia, traduzindo para o português, é a seguinte: "um sistema é democrático enquanto servir para quem está inserido na sociedade de consumo. Continua sendo democrático mesmo se houver excluídos. Continua sendo democrático mesmo se esses excluídos passarem fome, morrerem de doenças curáveis, serem analfabetos ou não terem onde morar. Além disso, pouco importam os genocídios e a existência de campos de tortura espalhados pelo mundo, como Abuh Graib e Guantánamo". Por isso chamam os EUA de "a maior democracia do mundo".
PS: Outra mentira divulgada com naturalidade pelas corporações de mídia é a noção de que os estadunidenses são "americanos". Está na boca de qualquer telejornal ou radiojornal e nas vinhetas várias dos jornais e revistas. Ao aceitar com servilidade a imposição de Washington, as corporações de mídia reforçam a dominação cultural do império, que atua com base na velha máxima da Doutrina Monroe: "América para os americanos", que na verdade pode ser traduzida para "América para os estadunidenses", já que americano é quem nasce em qualquer lugar do continente americano e não consta que um mexicano pobre, por exemplo, tenha o mesmo acesso ao território e às riquezas do continente que um canadense rico. Quando aceitamos a usurpação do termo, estamos de alguma forma aceitando a idéia de que os EUA têm o direito de controlar todo o continente americano. Ao mesmo tempo, toda a raiva que sentem dos EUA mundo afora acaba respingando nos americanos não-estadunidenses, que por serem americanos responderão pelas agressões da América.
Na mão do banqueiro
05.11.2008 | 12h49 |
Trecho da entrevista concedida pelo delegado da PF Protógenes Queiróz à revista CartaCapital (íntegra aqui):
Havia mesmo uma espécie de “Sistema Dantas de Comunicação”, como apelidou o jornalista Paulo Henrique Amorim?
Havia, sim, em quase todos os jornais e revistas daqui e até no exterior. Eu me espantei, fiquei assustado, porque era uma coisa que eu jamais poderia imaginar, que uma pessoa teria o poder de manipular a mídia do Brasil. Levei logo o assunto ao conhecimento do procurador (Rodrigo de Grandis, do Ministério Público Federal de São Paulo) e ao juiz (Fausto De Sanctis, da Justiça Federal de São Paulo). Aquilo me causou uma repulsa muito grande e, no decorrer da investigação, isso foi se aprofundando a tal ponto que eu percebi que grandes veículos de comunicação estavam nas mãos do Dantas. Não as empresas todas, mas determinados jornalistas que fabricavam matérias para facilitar os negócios de Dantas, no presente e no futuro. Isso era uma coisa diária, a relação dele com esses jornalistas. Quando o interroguei, até disse a ele que ele seria mais feliz se comprasse um jornal ou uma rede de televisão, porque, como banqueiro, ele não é uma pessoa feliz.
EUA: a cobertura que não interessa
04.11.2008 | 15h50 |
Hoje os estadunidenses vão as urnas decidir quem será seu novo presidente. As corporações de mídia nos informam que existem apenas dois candidatos ao trono: Obama e McCain. E fazem cadernos especiais, enviam jornalistas para Washington, apresentam de lá seus principais telejornais. Investem milhões na cobertura.
Entretanto, não somos informados de que existem, no total, 21 candidaturas registradas para disputar a presidência dos EUA. Mesmo que as chances de vencer sejam pequenas para 19 delas, não seria importante pelo menos informar ao público sobre sua existência. Isto não seria um fato jornalístico? Uma coisa é explicar as razões das chances reduzidas, o que em grande parte é causado pelas regras do sistema eleitoral de lá (exemplo: é preciso conseguir X assinaturas para ter o nome nas cédulas de Y estados). Outra coisa, completamente diferente, é simplesmente suprimir esta informação.
Aqui no Rio, por exemplo, as candidaturas que obtiveram 1% dos votos receberam tempo de cobertura bastante similar às que chegaram ao segundo turno.
Durante a campanha nos EUA fomos apresentados apenas às propostas de Obama e McCain, como se os dois não representassem duas facções do mesmo projeto político. Não há diferenças substanciais entre e um e outro. As corporações brasileiras de mídia poderiam ter prestado um serviço de melhor qualidade, bastando para isso publicar o rico debate que foi realizado pelos candidatos dos partidos não-alinhados ao sistema.
Gloria La Riva, candidata a presidente dos EUA pelo Party for Socialism and Liberation
Um exemplo que cito é o de Gloria La Riva, candidata à presidente pelo PSL (Party for Socialism and Liberation, que só conseguiu pôr o nome nas cédulas em 12 dos 50 estados do país), que afirmou em vídeo divulgado em sua página: “Frente à ditadura do capital, ao aumento da exploração dos trabalhadores, precisamos de uma revolução socialista. (...) As pessoas nos acusam de comunistas e socialistas, mas não explicam o que isto significa. Vamos então explicar o que isto significa. Socialismo é o povo no poder. É casa, educação, saúde, comida para todos”.
Bom, talvez esse debate não interesse às corporações de mídia. Veja aqui todas as 21 candidaturas registradas, que concorrem nas eleições de hoje à presidência dos EUA.
Crise pra quem?
03.11.2008 | 17h04 |
Bom debate exibido no último programa Ver TV, transmitido às quintas-feiras pela TV Câmara e reprisado aos domingos na TV Brasil. O tema foi “Televisão e economia” e os convidados analisaram a cobertura da atual crise financeira pelos telejornais brasileiros. Bernardo Kucinski, professor de jornalismo econômico da USP, e Marcos Dantas, professor de comunicação da PUC, concluíram que as reportagens sobre economia, em geral, mais confundem que explicam. Primeiro porque os próprios jornalistas não entendem do tema; segundo porque não interessa às corporações de mídia explicar essas questões.
No caso da atual crise financeira os professores apontaram uma contradição: embora a televisão seja um veículo de massa, o conteúdo do noticiário ficou voltado para a minoria que tem dinheiro aplicado na bolsa de valores. Kucinski diz não entender: “pra mim não faz sentido”. Dantas acredita que isto ocorre devido ao interesse dos bancos que anunciam nos telejornais. Fausto Wolff disse ao Fazendo Media, em entrevista publicada em 2004: “Nossos jornais falam de uma realidade de 15%”.
Eu acho que tem mais um objetivo: disseminar o pânico. Como as corporações financeiras perderam muito dinheiro em função de seus próprios erros (e é isto que vem sendo escondido pelas corporações de mídia), essas empresas não querem realizar o prejuízo. Querem criar ações ilusórias, sem nenhum valor real e de alto risco, mas quando perdem a aposta querem virar a mesa – foi o que fizeram com as hipotecas nos EUA. Como possuem força política e praticamente controlam toda a mídia, as corporações financeiras espalham a idéia de que a crise é mundial. Contam com os discursos de seus clientes políticos (ou políticos clientes), que no Brasil estão geralmente no PSDB e no DEM, e com as vinhetas nos cadernos de economia dos jornalões (O Globo - "Abalo global"; Estadão - "Turbulência global"). Tipo quando falam em aquecimento global e jogam a culpa na humanidade, responsabilizando todos pela implementação de um determinado modelo de desenvolvimento que beneficia apenas alguns.
Como querem impor o discurso de que a crise é mundial, simplesmente omitem que nenhum banco quebrou na China, Índia, Itália, Alemanha e em muitos outros países. Se a mentira vingar, eles conseguem convencer os governos a despejar dinheiro público para salvá-los de sua própria irresponsabilidade. Nesse sentido, o clima de medo e “caos iminente” ajuda bastante.
No Brasil, os especuladores estão aproveitando o momento para concentrar ainda mais poder. Isso é o que podemos depreender da entrevista publicada no Estadão deste domingo com o presidente do Itaú, Roberto Setúbal. O banqueiro afirma que os bancos grandes estão comprando as carteiras dos bancos pequenos. Crise pra quem?
Azeitando a repressão
03.11.2008 | 16h03 |
Respondo ao Diego Bevilacqua: uma discussão ou outra de um político com as corporações de mídia não indica, necessariamente, conflito de interesses. É ridículo dizer que o grupo Globo está contra Eduardo Paes. Para isso basta ver o tratamento que o prefeito eleito vem recebendo, assim como o apoio entusiasmado que teve quando despejou moradores pobres na Zona Oeste em benefício da especulação imobiliária. Outro forte indício deste apoio é a página 3 do jornal O Globo deste sábado (e das demais corporações de mídia), que anuncia o "novo xerife" daquilo que chamam de ordem pública. O Eduardo Paes é tão afinado com o projeto político que enriquece grupos privados, como o Globo, que vai até criar uma secretaria há muito desejada pelo jornalão. A nova pasta, que deve ser intitulada "Secretaria Municipal de Ordem Pública", servirá para aumentar a repressão contra os trabalhadores informais e "dar um jeito" nas pessoas em situação de rua, que por evidenciar o fracasso do sistema capitalista devem desaparecer da paisagem. São as tais operações CopaBacana, IpaBacana e etc. O novo secretário, Rodrigo Bethlem, já anunciou que vem aí o RioBacana, alcunha que por si só revela a opção de classe dos donos do poder.
Notícias da Petrobrás
03.11.2008 | 15h57 |
Duas notinhas interessantes foram divulgadas pela assessoria de imprensa da Petrobrás entre sexta-feira, dia 31, e hoje. Como passaram sem destaque nas corporações de mídia, seguem abaixo:
1) A Petrobras atingiu, no mês de outubro, o recorde de exportação de 574 mil barris por dia de petróleo nacional, totalizando 17 milhões e 806 mil barris no mês. Esse recorde superou a marca anterior em 42 mil barris por dia, em abril de 2008.
O maior destino das exportações foram os Estados Unidos com 65,2%. Em seguida, China (24,1%), Europa (5,5%) e América do Sul (5,2%).
2) A Petrobras Energía S.A. (PESA, subsidiária da Petrobrás) chegou a um acordo com o Governo do Equador com a assinatura dos Contratos Modificatorios, o que incrementará a receita a favor do Estado com a produção de petróleo.
Esta manhã (sexta-feira, 31/10), em cerimônia realizada no Ministério de Minas e Petróleos, os principais executivos da Petrobras no Equador e as empresas que formam o consórcio do Bloco 18 e do Campo Unificado Palo Azul assinaram os contratos com a Petroecuador, representada por seu presidente executivo, contra-almirante Luís Jaramillo, e o ministro de Minas e Petróleos, Derlis Palácios.