Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Nome e foto
31.05.2008 | 21h52 |

Registre-se aqui um aspecto positivo da cobertura do jornal Extra deste sábado (31/5). Apesar de ter seguido a filosofia do Globo de não publicar a sigla do PMDB nos títulos e subtítulos, pelo menos publicou nome e foto (clique na imagem para ampliar) na primeira página de todos os parlamentares que votaram pela libertação do deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), acusado de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, facilitação de contrabando e formação de quadrilha armada.

Valeu o toque, Maurício
31.05.2008 | 18h12 |

Maurício Campos, bravo lutador da Rede Contra a Violência, tem toda a razão em seu comentário. Portanto, publico aqui o nome de todos os que votaram contra a libertação do deputado estadual Álvaro Lins (PMDB). Não o fiz antes porque o foco do meu comentário foi o tratamento da imprensa, que claramente procurou preservar a imagem do PMDB enquanto partido.

ALESSANDRO MOLON (PT)
CIDINHA CAMPOS (PDT)
COMTE BITTENCOURT (PPS)
DR. ALCIDES ROLIM (PT)
FERNANDO GUSMÃO (PCdoB)
FLÁVIO BOLSONARO (PP)
GILBERTO PALMARES (PT)
INÊS PANDELÓ (PT)
MARCELO FREIXO (PSOL)
NILTON SALOMÃO (PMDB)
OLNEY BOTELHO (PDT)
PAULO RAMOS (PDT)
RODRIGO NEVES (PT)
SABINO (PSC)
WAGNER MONTES (PDT)

PMDB continua desaparecido
31.05.2008 | 18h10 |

Títulos e subtítulos do Globo deste sábado (31/5) continuam omitindo o envolvimento do PMDB nas acusações de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, facilitação de contrabando e formação de quadrilha armada. Anteontem o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB) foi preso pela Polícia Federal e o ex-governador Antonhy Garotinho (PDMB), indiciado pelo Ministério Público. Nenhum dos 9 títulos e 11 subtítulos publicados nas seis páginas (incluindo a primeira) trazem a sigla. Fosse um partido de esquerda, seguramente as manchetes diriam: "Deputado do PX é preso".

A novela como arma da direita
31.05.2008 | 14h30 |

Segue abaixo trecho do último comentário publicado no blog do Eduardo Guimarães. Trata-se de uma importante reflexão a respeito do papel das novelas na (de)formação intelectual do brasileiro:

A novela “Duas Caras” foi intensamente criticada em montes de artigos de sociólogos, jornalistas e historiadores. Apesar disso, uma defesa esdrúxula da “liberdade de expressão artística” contaminou até aqueles que se deram conta das intenções ilegais da dramaturgia global.

Por se tratar de uma obra ficcional (pero no mucho), a pregação contra a tomada de alguma atitude por medo de acusações de “tentativa de censura” impôs constrangimento à única reação proposta contra esse uso ilegal de uma concessão pública para propagandear ataques políticos e teorias racistas que negam o racismo, a proposta que fiz aqui durante a última semana de encaminhar representação ao MPF.

O resultado da inação dos que vêem o malfeito sendo cometido, mas temem o discurso espertalhão sobre “censura” que a mídia saca do bolso do colete toda vez que é questionada, já começa a produzir efeitos.

A nova novela das oito da Globo, “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, já começa mal. Sua propaganda anuncia um personagem, composto pelo ator negro Milton Gonçalves, que já mostra que as preferências políticas e ideológicas da Globo continuarão sendo impingidas ao público.

Gonçalves fará um político corrupto que alardeia sua origem pobre (quem será que políticos com origem pobre lembram?) para ganhar apoio do eleitorado. Sua filha, incorporada pela atriz Taís Araújo, será uma ninfomaníaca maldosa, que assume que veio ao mundo para fazer os homens sofrerem.

A finalidade deste texto é reiterar que o uso político-ideológico da teledramaturgia pela Globo começa a adquirir uma dimensão escandalosa. A aposta da emissora nessa nova arma de luta político-ideológica não está sendo feita à toa. Pesquisas devem mostrar a efetividade do estratagema.

Peço, pois, àqueles que se opuseram à minha proposta de representar contra a novela “Duas Caras” no MPF que acompanhem a teledramaturgia global, pois tenho certeza de que alguém terá que tomar uma atitude. É um abuso de uma concessão pública que, mesmo que não tivesse sucesso em sua pretensão doutrinadora de mentalidades desavisadas, nem por isso deixaria de ser inaceitável.

A apatia da sociedade foi o que transformou a grande mídia no poder avassalador e corrupto que é hoje. Venho lutando contra essa apatia, mas quando ela assola até aqueles que têm clareza do papel nefasto dos barões da mídia neste país, sinto o desânimo se apossando de mim.

Prezado Eduardo, parabéns pela denúncia. Vivemos situação parecida aqui no Rio quando do lançamento do filme-propaganda "Tropa de Elite". Alguns quiseram denunciar o filme ao MP por apologia ao fascismo (o que na minha opinião é evidente no filme), mas prevaleceu a vontade dos que acharam que a ação afetaria a tão proclamada "liberdade de expressão". Resultado: o BOPE continua matando como nunca nas favelas cariocas. E políticos corruptos e empresas privadas seguem lucrando horrores com a venda de armas, munições e equipamentos para a polícia fluminense.

G.L.O.B.O
31.05.2008 | 13h57 |

O nome da banda é Krig e os caras são de Belo Horizonte. O nome desse disco é "Stop the manipulation" (Pare a manipulação), que traz composições a respeito das manipulações das corporações de mídia. Ouça as músicas clicando aqui. A imagem da capa do disco (acima) mostra uma pessoa sendo barbaramente torturada pelas mensagens veiculadas por um aparelho de televisão. Os traços são fortes, assim como o ritmo da banda. Não recomendo aos ouvidos mais sensíveis, como suponho serem os dos donos da emissora líder de audiência. Leia abaixo a letra da segunda faixa do disco "Stop the manipulation":

G.L.O.B.O (Daniel)

Algo de importante está passando
Corro para a minha casa e ligo a tv
Não agüento mais / manipulação barata
Não agüento mais essa gente maquiada

G.L.O.B.O.
G.L.O.B.O.

As pessoas parecem fabricadas
O seu humor pura fachada
O mesmo tipo, o mesmo corte de cabelo
A falsidade está estampada na sua cara

Milhões de cegos te assistem todo dia
Milhões de surdos de ouvem todo dia
Mais isso aqui ainda vai acabar
Pois a tua hora ainda vai chegar

Porcos sujos imundos e mal lavados
Outra novela fútil pra ver
Big Brother Sodoma e Gomorra
Quero ver o chaves no SBT

Imprensa bandida
30.05.2008 | 23h40 |

O comentário abaixo (sobretudo as palavras da deputada Cidinha Campos) nos leva a mais uma questão: por que nem todos os presos são classificados pela imprensa como "bandidos". Quando alguém é detido portando ecstase, geralmente o título é "Estudante universitário é preso com drogas". No caso do Álvaro Lins, em nenhum momento foi usada a palavra "bandido". E o mesmo se deu quando foi preso o executivo do banco Suíço UBS, em SP, no ano passado: "Executivo é preso". Mas, quando alguém é preso levando maconha de uma favela para outra, a imprensa logo rotula: "Bandido é preso com X gramas de maconha". Será que algum ombudsman consegue responder a essa questão?

Onde está o PMDB?
30.05.2008 | 23h17 |

Veja se não é curioso, caro amigo. Quinta-feira, 29 de maio. O ex-governador do Rio, Antonhy Garotinho, é denunciado pelo Ministério Público e o ex-chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, é preso pela Polícia Federal. São acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada. Garotinho é presidente do PMDB no estado e Lins é deputado estadual pelo mesmo partido. O Globo dedicou 6 páginas ao tema e destacou 25 repórteres para a cobertura. Entretanto...

Em nenhum dos 11 títulos nas seis páginas aparece a sigla PMDB. E em apenas um dos 14 subtítulos, o da última página da série de matérias, vemos a legenda.

A construção da mensagem é clara: Garotinho e Álvaro Lins são descolados do PMDB, como se os crimes de que são acusados tivessem sido cometidos sem o conhecimento das lideranças partidárias – o que nos remete a uma situação esquizofrênica, visto que o próprio Garotinho é uma dessas lideranças. Aqui os petistas têm toda a razão de reclamar: “Ué, será que Sérgio Cabral, do PMDB, não sabia?”. Se o mesmo ocorresse com o PT, seguramente a sigla iria para as manchetes.

No Jornal Nacional desta sexta-feira (30/5) foi pior ainda. Na matéria sobre o caso, de 3 minutos e 12 segundos (tempo considerado alto para telejornal), em nenhum momento aparece a sigla PMDB. Parece que Garotinho e Álvaro Lins nunca tiveram partido. Clique aqui para ver o vídeo. Só pra deixar claro: pela legislação eleitoral brasileira, nenhum cidadão pode ser eleito sem ser filiado a partido político. E, uma vez filiado, é preciso que a direção do partido conceda uma legenda para que o cidadão concorra a cargos eletivos. É assim que funciona. Portanto, a omissão da sigla PMDB constitui erro jornalístico grave. Mas politicamente compreensível...

A prisão de Álvaro Lins mobilizou a Assembléia Legislativa. Fato incomum para uma sexta-feira, 55 deputados compareceram e debateram a respeito da legalidade da prisão do ex-chefe da Polícia Civil. Foram 40 votos por sua liberação contra 15 pela manutenção da prisão.

Vamos observar a cobertura do fim de semana. Luiz Paulo Correia da Rocha, líder do PSDB na Assembléia Legislativa e vice na chapa do Gabeira, não apenas votou a favor da liberação de Álvaro Lins, como discursou em seu favor. Paulo Melo (PMDB), líder do governo Cabral, idem. A resistência ficou por conta dos deputados Marcelo Freixo (PSOL), Paulo Ramos (PDT) e Cidinha Campos (PDT), que chegou a dizer, com todas as palavras: "Álvaro Lins é um "bandido".

A crise não é dos alimentos
29.05.2008 | 17h33 |

A crise mundial de alimentos não é somente um desajuste entre a oferta e a demanda, mas uma crise do modelo de sistema agroalimentar. A opinião é de Renato S. Maluf, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em entrevista concedida na tarde desta quarta-feira (28) à Agência Brasil. "Essa crise, na nossa avaliação, não é uma crise apenas conjuntural de desajuste entre oferta e demanda momentânea. Essa elevação de preços é a expressão de uma crise mais profunda do próprio modelo do sistema agroalimentar".

Se de acordo com a ONU a produção de alimentos no mundo permitiria alimentar 14 bilhões de habitantes e apenas 7 bilhões de seres humanos vivem no planeta, então qual é o problema? Dado curioso esse, não? Mas nunca o vi estampado na capa de um jornal de grande circulação.

O que escondem do povo é a verdadeira causa da fome, que atinge 72 milhões de pessoas só no Brasil (IBGE/2006): o monopólio crescente na produção de alimentos. Empresas privadas como Bungee, Cargill, Monsanto e Nestlé controlam a quase totalidade da produção agroindustrial, enquanto outro monopólio - ligado ao primeiro - controla a distruição dos generos alimentícios, como Wall Mart.

Recomendo vivamente a leitura de reportagem publicada no jornal A Nova Democracia.

Campanha de ajuda ao Fazendo Media continua
28.05.2008 | 00h49 |

Uma semana após o início da campanha, apresento aqui os resultados: duas doações e três assinaturas. Além disso, recebi um telefonema da revista Caros Amigos, que vai publicar um anúncio em sua edição impressa de julho, e a solidariedade de blogs amigos, como o do Eduardo Guimarães, presidente do Movimento dos Sem-Mídia, e do Blog do Mello. A Carta Maior publicou ontem, com chamada na capa, uma matéria solidária, conclamando seus leitores a contribuírem com nossa luta para manter a sede do jornal (Rua do Ouvidor 50, 5o andar - centro do Rio de Janeiro). Além disso, uma pequeno empresário de São Paulo entrou em contato comigo e estamos negociando a veiculação de anúncio aqui no www.fazendomedia.com, embora não tenhamos acertado nada por enquanto.

Para ser muito sincero, o resultado dessa primeira semana me surpreendeu. Positivamente. Quando todos dizem pra você desistir dos projetos utópicos e tocar a vida, surgem pessoas de diversos cantos do país dispostas a ajudar. Aliás, isso me faz lembrar da faculdade. Houve uma época em que professores e certos pais de integrantes do Fazendo Media diziam, repetidamente: "Não há espaço para esse tipo de divagação no mercado", "Vocês escrevem esse tipo de coisa porque estão no primeiro ano, depois vão parar e se adequar". A partir deste ponto de vista, fico feliz de nunca ter me adequado. Nem quando arrancavam nossos cartazes de divulgação, ou tentavam, como os inquisidores da Idade Média, censurar a veiculção do nosso impresso, simplesmente jogando tudo no lixo. Também havia professores que concediam 2 pontos a mais na média final dos coleguinhas que já estagiavam em algum veículo das corporações de mídia.

Nada disso nos fez esmorecer. Muito pelo contrário. De 2003 até hoje, publicamos 65 edições impressas e seguramente mais de mil textos em nossa página. Nunca abrimos mão de criticar as corporações de mídia e o sistema capitalista desumano que elas sustentam. Fomos até homenageados pela Assembléia Legislativa do Rio em virtude de nosso trabalho no campo dos Direitos Humanos. Mas o reconhecimento maior, aquele que me emociona e me alimenta, que me faz continuar nessa empreitada, vem daqueles leitores que nos escrevem do Pará, interior de São Paulo, Bahia, Amazonas, Minas e etc. com a seguinte mensagem: "Obrigado, a partir de agora vou receber as notícias da mídia com outro olhar".

É por esse motivo que volto a pedir a ajuda dos leitores já conscientizados sobre a importância de mostrar como essa mídia opera. Pra que possamos continuar chegando - e cada vez mais longe - até aqueles leitores que ainda não foram despertados. Esses podem ser decisivos na transformação, ou não, da sociedade em que vivemos. Faça sua assinatura ou doação!

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O Maio que a mídia censurou
27.05.2008 | 03h09 |

Maio de 1968 teve muitos significados políticos, sendo um deles a luta anticapitalista e antiimperialista (veja o artigo da Adriana Facina). A mídia grande brasileira, entretanto, limitou-se a ressaltar os protestos contra o stalinismo e a criticar a alienação de determinadas manifestações da juventude, como se outras não tivessem existido. Chegaram a enviar correspondente a Praga. Essa cobertura limitada, porém, não se deu por falta de opção. Partidos de esquerda, movimentos sociais, sindicais e estudantis organizaram, no Rio de Janeiro, um seminário entre os dias 12 e 15 para estudar Maio de 68 quarenta anos depois. Logo na abertura esteve no Palácio Gustavo Capanema Edgar Sanchez, que foi líder estudantil no México. Ele contou histórias interessantes, como a invasão do exército à Universidade – e como a imprensa apoiava os golpistas. No último dia, a professora de história da UFF, Virgínia Fontes, resgatou a essência daquele momento numa perspectiva de esquerda, narrando episódios ocorridos em diversas partes do mundo. O que a mídia grande omitiu, Virgínia descortinou. “O maior significado de 1968 foi a internacionalização da luta anticapitalista num momento de internacionalização do capital”. A professora lembrou ainda que o final da década de 1960 marcou a inauguração dos mercados de offshore, ou seja, terrenos sem lei, precursores dos paraísos fiscais, bem como o avanço das empresas multinacionais. Virgínia concluiu afirmando o caráter revolucionário daquele período, não pelo imediato que cada luta expressava individualmente, mas pelo horizonte que abriram – talvez o mesmo que as corporações de mídia se esforçam para obscurecer, em prejuízo de seus leitores, ouvintes e telespectadores.

Prévias previsíveis?
27.05.2008 | 02h03 |

As corporações de mídia no Brasil estão muito mais preocupadas em cobrir as prévias da eleição nos EUA do que as movimentações pré-eleitorais em nosso país. Pra piorar, prevalece a desinformação ampla, geral e irrestrita. Do mesmo modo que não se discute a fundo o que está em jogo nos EUA, as informações relativas às eleições nos mais de 5.500 municípios brasileiros são meramente superficiais. Não que a compreensão do processo estadunidense seja descartável, mas o fato é que daqui a pouco o brasileiro vai estar mais informado sobre os superdelegados em Miami do que a respeito das razões do buraco na rua ou da falta de saneamento em seu bairro.

Baixe o livro na íntegra
26.05.2008 | 01h14 |

Antes do blog, o Especial Globo era o espaço mais visitado do www.fazendomedia.com. E era muito comum que leitores escrevessem pedindo cópia do livro “Afundação Roberto Marinho” e o contato do autor, Roméro Machado, para entrevistas e palestras. De fato, conhecer as denúncias de quem trabalhou durante 10 anos na Fundação ligada às Organizações Globo é fundamental para a compreensão do funcionamento do maior império de comunicação que existe no Brasil.

No livro, Roméro afirma, por exemplo, que o contrato da Globo com a Time-Life não foi apenas um exemplo de violação à Constituição:

“O escândalo Globo/Time Life não é meramente um caso de um sócio brasileiro (Roberto Marinho) que aceita como sócio uma empresa estrangeira (Grupo Time-Life), contra todas as leis do país. O escândalo Globo/Time-Life é mais do que isso. É antes de mais nada um suporte de mídia que visava apoiar, dar base, sustentação e consolidar a ditadura no Brasil, apoiada e supervisionada pela CIA, por exigência dos Estados Unidos, comandado por terroristas da CIA, como Vernon Walters e Joe Walach, sendo este último com emprego fixo na Globo, como "representante" do grupo Time-Life”.

A partir de agora, os leitores não precisam mais pedir o livro. Basta clicar aqui para baixar o texto na íntegra, em arquivo PDF com 1,751 KB.

Feliz encontro ou "Papo cabeça"
23.05.2008 | 22h00 |

Vamos dar uma breve olhada no cérebro humano, com a ajuda do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, homem compreensivelmente pouco conhecido no Brasil. Enquanto a regra é imaginar o cérebro como um órgão que interpreta o mundo, sua tese central é que o cérebro cria o modelo do mundo, e ele só confirma ou nega esse modelo continuamente. “O cérebro tem um ponto de vista interno, dele, próprio, criado ao longo da nossa vida”, diz em entrevista à Caros Amigos deste mês.

Para se ter uma idéia do que significa a teoria de Nicolelis, basta dizer que se seus estudos prosseguirem com sucesso, não haverá impedimentos para que paraplégicos e quadriplégicos recuperem os movimentos perdidos, sem necessidade de se utilizar células-tronco. O modelo de Nicolelis pretende fazer chegar os sinais diretamente do cérebro para o membro afetado; para isso, ele pretende revestir o corpo com um exoesqueleto e fazer o cérebro controlar a estrutura. “Inventamos uma prótese de locomoção onde o cérebro do macaco na Carolina do Norte comandou um robô no Japão em tempo real. O robô andou de acordo com o comando que veio do cérebro do macaco e mandou de volta os sinais das pernas andando”, afirmou na mesma entrevista.

Se o cérebro tem um ponto de vista interno, criado ao longo de nossa vida, isto significa dizer que ele é bastante suscetível às mensagens explícitas e implícitas veiculadas pelos meios de comunicação. Em outras palavras: o que está em disputa é a própria produção de subjetividades, que determinam formas de agir, pensar, sentir e viver de cada indivíduo e, conseqüentemente, da sociedade como um todo. Esse “modelo de mundo” criado pelo cérebro vai se basear nas informações por ele percebidas ao longo da vida.

Aqui a ciência tem um feliz encontro com a filosofia. Os franceses da chamada “filosofia da diferença”, como Gilles Deleuze e Félix Guattari, chamaram o debate para a sociedade de controle, uma espécie da adaptação da sociedade disciplinar esmiuçada por Michel Foucault. Para eles, importa estudar o “biopoder”, que é a constante apropriação da potência de cada indivíduo, de sua própria vida, pelas forças dominantes.

Se o cientista brasileiro Miguel Nicolelis estiver certo, estamos diante de uma leitura profundamente libertadora em relação ao funcionamento do cérebro humano. Afinal, admitir que cada indivíduo seja capaz de produzir sua própria realidade é bem diferente de simplesmente aceitar modelos prontos. Da interpretação anterior a Nicolelis derivam, por exemplo, mensagens como “o mundo sempre foi assim, injusto; é impossível mudá-lo”, que a direita e sua mídia adoram divulgar. Por outro lado, a nova proposta reposiciona o ser humano no centro do mundo e o enxerga como protagonista de sua época em vez de alguém fadado ao assujeitamento pelas forças hegemônicas.

O cientista brasileiro enxerga no povo brasileiro um talento desperdiçado por falta de oportunidade. Por isso, Nicolelis escolheu uma região pobre do país (Macaíba, na periferia de Natal), para implantar o primeiro Instituto de Ciências onde pretende iniciar uma rede que atenderá mais de um milhão de crianças.

As corporações de mídia não consideram jornalisticamente relevante que Nicolelis esteja entre os 20 maiores cientistas vivos do mundo, ou que ele tenha sido indicado ao Nobel de Ciência. Ele sinaliza com uma explicação possível na entrevista à Caros Amigos: “Quando apresentei o projeto de Natal em Davos (...) tinha acabado de sair uma carta que assinei com o presidente, primeira vez que um presidente de qualquer país assinou um editorial na Scientific American. (...) Não saiu em lugar nenhum. Estava na capa da maior revista de ciência do mundo, o presidente, o ministro da Educação, se comprometendo a levar o currículo de educação científica infanto-juvenil desenvolvido em Natal para um milhão de crianças brasileiras. Mostrei as crianças montando robô, usando telescópio, medindo lua de Júpiter (...) em Macaíba, na periferia de Natal. Foi um choque. Mas só fora daqui saiu nos jornais, saiu na Scientific American, na Science, na Nature, nas grandes revistas do mundo”.

Ajude a manter o Fazendo Media
20.05.2008 | 01h55 |

Amigos, boa noite. Escrevo a essa hora da madrugada pois geralmente é quando consigo tempo para me dedicar a esta atividade de crítica de mídia. Escrevo e não reclamo, pois cada hora de sono roubada é muito bem recompensada quando percebo que tenho conseguido passar a mensagem que quero passar. Mas o propósito deste comentário é outro. O fato é que em março deste ano alugamos uma salinha no centro do Rio, em parceria com a revista Consciência.Net. O endereço, para quem quiser nos visitar, é: Rua do Ouvidor 50, 5o andar. É quase esquina com a Av. Primeiro de Março. A conquista desse espaço é uma vitória para o Fazendo Media, que conseguiu alugar sua primeira sede após cinco anos de trabalho. Entretanto, corremos sério risco de perdê-la. Em nossa última reunião mensal, realizada sexta-feira passada, dia 16 de maio, chegamos à conclusão de que nosso "caixinha" seria suficiente apenas para o pagamento de mais dois meses de aluguel. A receita projetada com a venda de assinaturas não se confirmou e, como não temos anúncio (a não ser os do Google, que até hoje não conseguimos sacar), a triste solução será entregar as chaves. Entretanto, como este fazendomedia.com possui 2 mil visitantes únicos por dia e circula por um número incalculável de pessoas via correio eletrônico, antes de desistir da sala vou fazer um apelo a cada um de vocês que me lê: faça uma assinatura do Fazendo Media impresso ou uma doação de qualquer valor. Sua contribuição pode ser decisiva para a continuidade do nosso trabalho, cujo objetivo final é a democratização dos meios de comunicação no Brasil.

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Contra a violência da mídia, a Revolução*
17.05.2008 | 00h55 |

Não venha com esse papo de que a pobreza é violenta, porque se assim fosse você não alcançaria a esquina. Quando ouço perguntas sobre a “ordem ubana”, geralmente conectadas pelo chavão “o que fazer com as favelas?”, penso em duas coisas:

1) O coitado que faz uma pergunta dessa se informa exclusivamente pelas corporações de mídia;

2) A violência é anterior à atual conformação das cidades. O sistema capitalista foi constituído de forma extremamente violenta, seja pelas atrocidades cometidas pelos “conquistadores”, como o carniceiro espanhol Francisco Pizarro, que premiava seus soldados à medida em que eles conseguiam atravessar mais índios numa mesma espadada. Ou como a expropriação de terras de camponeses na Inglaterra, movimento que passou à História com o doce nome de “cercamento dos campos”.

E o que faz a propaganda oficial? Associa capitalismo à prosperidade, oportunidade, democracia. E o mais instigante nisso tudo é que o faz sem usar o termo “capitalismo” ou a nomenclatura do campo ideológico que o sustenta, qual seja, “direita”. Por outro lado, as alternativas a este sistema são omitidas ou desqualificadas, como podemos notar pela associação constante entre socialismo e ditadura. Ou entre anarquismo e baderna.

E é por isso que as corporações de mídia mentem o tempo inteiro. Não em numa reportagem ou outra, num comercial ou outro, numa novela ou outra. É sua própria essência quem está corrompida. Em nome da manutenção deste sistema, não conseguem publicar que a riqueza é produzida por todos; em vez disso, esforçam-se para desqualificar o valor da base de trabalho. Ao mesmo tempo elogiam o dinheiro e seus donos, mesmo diante do tratamento desumano que empregam contra os trabalhadores (baixos salários, péssimas condições de trabalho, pouca ou nenhuma garantia social e etc.).

O massacre midiático é tanto que de um lado temos capas e mais capas de revistas a estampar executivos sorridentes e, de outro, vemos o trabalhador cada vez menos se reconhecer enquanto trabalhador. É o triunfo do capital sobre força de trabalho. Mas não através de seu assassinato, e sim pela mais absoluta apropriação de sua potência.

Claro que esse controle não poderia existir sem as corporações de mídia. Não numa sociedade com as nossas características. Numa mega-cidade como o Rio de Janeiro, por exemplo. Um governo, uma empresa ou mesmo um candidato não consegue comunicar uma determinada medida, ação ou proposta sem utilizar veículos de comunicação de massa. Acontece que hoje, no Brasil, esses veículos estão concentrados nas mãos de poucas famílias e/ou grupos empresariais, que são responsáveis pela quase totalidade da produção de subjetividades, ou seja, pelas formas de agir, sentir e viver que são disseminadas. No caso da televisão, por exemplo, que é o veículo com maior poder comunicacional numa sociedade como a brasileira (onde apenas 26% das pessoas entendem o que lêem segundo o Instituto Paulo Montenegro, 2005): das sete emissoras abertas, seis são privadas e ideologicamente afinadas a serviço da exploração do povo brasileiro e do genocídio de outros povos. Ou alguém já viu uma reportagem sobre a violência de um salário mínimo que vale um terço do mínimo necessário para uma família sobreviver? Quem já assistiu a uma matéria condenando a invasão do Iraque? É muita crueldade submeter 190 milhões de pessoas a uma programação como essa.

A mídia privada transmite medo, baixa-estima, covardia. Uma população amendrontada, deprimida e covarde é facilmente controlada. Reside aí a intenção dos conglomerados de comunicação: manter o status quo e de quebra lucrar com a venda de seguros. É por isso que considero o cartunista Carlos Latuff especial. Neste seu desenho ele inverte toda a construção subjetiva da imprensa hegemônica e enaltece a resistência iraquiana. O soldado armado com fuzil observa o corpo inerte do super-homem (veja aqui o cartum que retrata sua morte), ícone máximo da superioridade estadunidense. Ao contrário do que acontece nos quadrinhos da DC Comics, o herói fantasiado não se deu bem. Sua roupa idílica, tão colorida quanto ridícula, e seus “super-poderes” não foram capazes de vencer o combatente iraquiano. Numa radical inversão de valores, o cartunista aniquila muito mais que um simples boneco enfeitado. Seu traço destrói toda a simbologia da dominação imperialista. Sim, amigos, todo povo tem o direito legítimo de se insurgir contra um inimigo que invade seu território. E Carlos Latuff conhece bem os efeitos de sua arte: no mundo inteiro elas são reproduzidas em muros, camisas, cartazes, adesivos e etc. Assim como as tropas de outrora eram incentivadas por canções, os combatentes de hoje são estimulados por alegorias que valorizam e elevam sua resistência. Não é à toa que o Departamento de Defesa, o Pentágono e a Academia de West Point andam monitorando os passos do nosso cartunista (veja aqui seu blog).

Por fim, resta a conclusão deste comentário: a revolução brasileira passa pela democratização dos meios de comunicação. Não será possível descolonizar o país sem descolonizar as mentes.

(*) Texto dedicado a uma mulher que vi entrar num ônibus, na cidade do Rio de Janeiro. Ela tinha uns 50 anos, cabeça baixa, olhar miúdo e uma expressão entre apenada e envergonhada de sua própria condição, o que ficou bastante evidente ao passar o cartão magnético para destravar a roleta. Era como se implorasse para que ele funcionasse e, assim, pudesse seguir viagem após pagar uma das tarifas mais caras do mundo: R$ 2,10. Que um dia essa feição submissa não seja regra entre os brasileiros. Que quando nos depararmos diante do abuso cometido por um empresário de ônibus, sejamos fortes e unidos para vencê-lo. Que quando estivermos diante de uma tarifa bancária abusiva, que sejamos fortes e unidos para derrubá-la. Que quando estivermos diante de uma violência subjetiva, que sejamos fortes e unidos para destruí-la. Porque todo ato de rebeldia consciente deve ser defendido.

Destrinchando a mídia, por Carlos Latuff
14.05.2008 | 20h30 |

Com renovada alegria abro mais uma vez o espaço para o cartunista Carlos Latuff (vejam aqui o blog dele):

Há mais de 40 dias os aparelhos de TV dos brasileiros tornaram-se mesas de autópsia onde a imprensa burguesa suja vem eviscerando o cadáver de uma criança no chamado "Caso Isabella", num verdadeiro festim de sangue. A audiência acompanha dia a dia cada detalhe sinistro, cada capítulo dessa novela macabra. E os telejornais continuam em seu "milagre" da transformação de sangue em audiência. Em breve os televisores não mais estarão nas salas e sim nos banheiros, para facilitar o acesso do telespectador em caso de vômito.

Nós que amamos tanto a revolução!
11.05.2008 | 22h30 |

Entre os dias 12 e 15 de maio (segunda a quinta-feira) haverá um seminário no Rio de Janeiro para relembrar e discutir a efervecência política e cultural de maio de 1968 em todo o mundo. "Nós que amamos tanto a revolução", a série de debates, tem início no Palácio Gustavo Capanema, a partir das 10h. Além dos debates serão realizadas atividades culturais, como exibição de vídeos e exposição de fotografias de época. Elinor Brito, presidente da UNE em 1968, e Edgar Sanchéz, líder estudantil mexicano no mesmo ano, são presenças confirmadas. Além deles, nomes como Adriana Facina, Roberto Leher, Mário Maestri, Carlos Walter e Virgínia Fontes conduzirão os debates. A organização foi um esforço conjunto da Academia com alguns dos poucos partidos de esquerda que restam no Rio de Janeiro: PSOL, PCB e PSTU.

Veja a programação aqui.

Ocupe o shópim você também
10.05.2008 | 20h10 |

Acabo de receber a notícia de que será lançado o filme da famosa "ocupação" do Shópim Rio Sul. Na época deu confusão. Acharam que era arrastão, lojistas recusaram os ilustres visitantes - que foram impedidos de experimetar roupas -, as corporações de mídia acharam um escândalo e etc. O contraste foi grande: aquele monte de pobre mal vestido num dos shópins mais luxuosos da metida Zona Sul carioca. Veja abaixo o convite para o lançamento e ocupe o cinema você também.

O pior dos caveirões é a mídia
10.05.2008 | 01h37 |

Os artistas gráficos vez por outra acenam com lampejos de genialidade, e nos presenteiam com obras-primas. Os mestres da escrita, de vez em quando, miram a perfeição. E nos entregam verdadeiras pinturas. O cartunista Carlos Latuff consegue ser uma espécie de síntese desses expoentes: deixem-no livre para criar munido de papel e lápis e vejam abaixo o resultado, digno de ser impresso e emoldurado.

O pensamento conservador, reacionário, fascista, vem sendo convertido em produto midiático (novelas, noticiários, mini-séries) pela mídia burguesa. O melhor exemplo disso é o famigerado "Tropa de Elite", que converteu práticas como tortura e assassinato cometidos pela polícia em produtos de fácil consumo, ideologia mascarada de entretenimento, coisa que Hollywood vem fazendo há décadas com seus filmecos de ação B. É essa mídia que, através das matanças fictícias, nos faz acostumar com as matanças reais.

Alerta contra a violência
09.05.2008 | 18h10 |

Preocupado com o avanço da criminalização da pobreza, o Grupo Tortura Nunca Mais acaba de divulgar um "Alerta Urgente" sobre a intenção do governo do Rio de Janeiro de comprar retroscavadeiras blindadas para atuar nas favelas. A nota incentiva que os cidadãos enviem mensagens de protesto para diversas autoridades. Leia a íntegra abaixo:

Alerta Urgente

O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, preocupado e indignado, vem informar que, em 03 de maio último, o jornal O Globo, em reportagem à página 14, anunciou a aquisição pelo governo do estado do Rio de Janeiro, de retroescavadeiras blindadas do tipo “Bulldozer” para “remover barreiras construídas pelo tráfico”. Segundo a matéria, essas “máquinas de guerra” são fornecidas pela Caterpillar, empresa privada que tem contratos com os exércitos dos Estados Unidos e de Israel, e que utilizam tais máquinas para derrubar casas de palestinos em Gaza.

Ou seja, o governo fluminense em seu furor punitivo, fortalecendo uma política de segurança pública de confronto e extermínio, com tal postura intensifica e implementa, cada vez mais, soluções militarizadas.

Entendemos que tal ação governamental encobre, em realidade, o extermínio de enormes parcelas de nossa população, de um modo geral pobres e, por isso, mesmo consideradas descartáveis. Ou seja, nossos impostos continuam sendo utilizados pelos diferentes governos para intensificar esses extermínios, em nome de nossa segurança?

Diante de tal quadro, solicitamos que este Alerta seja o mais amplamente divulgado e que mensagens de protesto sejam enviadas para as seguintes autoridades:

Governador do estado do Rio de Janeiro
Sr. Sérgio Cabral Filho

Palácio Guanabara - Rua Pinheiro Machado s/n°
Laranjeiras - Rio de Janeiro - 22.238-900
Tel.: (21) 2553.1030/2553.4573
Fax: (21) 2553.6162

Secretário Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro
Sr. José Mariano Beltrame

Praça Cristiano Otoni, s/nº - Prédio da Central do Brasil
Centro – Rio de Janeiro – 20221-250
Tel.: (21) 33991000
Fax: (21) 33991008
www.seguranca.rj.gov.br

Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República
Dr. Paulo Vannuchi

Esplanada dos Ministérios - Bloco T – Ed. Sede – S/422
Brasília – DF – CEP.: 70064-900
e-mail: acaf@sedh.gov.br
Fone: (61) 3429.9382
Fax: (61) 3429.3261

Chefe da Ouvidoria Geral da Cidadania
Sr. Pedro Luis Rocha Montenegro

Ministério da Justiça - Esplanada dos Ministérios - Anexo II – sala T 5
Brasília – DF - CEP.: 70064-900
Telefone: (61) 3321.1565
E-mail: ouvidoria@sedh.gov.br

Ministro da Justiça
Dr. Tarso Genro

Esplanada dos Ministérios, Bl. T, 4º andar – Brasília – DF – CEP.: 70064-900
Tel.: (61) 34193733
Fax: (61) 32244784
e-mail: www.mj.gov.br/faleconosco

Pela Vida, Pela Paz
Tortura Nunca Mais!

Rio de Janeiro, 9 de maio de 2008.

O extermínio da coerência
08.05.2008 | 00h10 |

Anteontem completaram seis meses da divulgação do Manifesto Contra as Políticas de Extermínio do governo Cabral. Alessandro Molon (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, foi a única pessoa a quem submetemos o documento que se recusou a assiná-lo. Dezenas de entidades nacionais e internacionais e duas centenas de cidadãos subscreveram o documento. A omissão de Molon não condiz com o cargo que ocupa. Hoje, quinta-feira (8/5), haverá novo ato público em protesto contra a continuação da política de matar pobre do governo Cabral, recentemente expressa na declaração do comandante Marcus Jardim: "A polícia é o melhor inseticida social" (a quem o genial Carlos Latuff dedicou esta ilustração). Quem quiser participar deve comparecer à Rua do Carmo, 7 - 16º andar, no Centro do Rio de Janeiro, a partir das 18h.

Manifesto Contra as Políticas de Extermínio

As afirmativas do Governador do Estado do RJ de que as favelas são fábricas de marginais refletem uma política de segurança pública militarizada, que coloca como alvo os setores mais pobres e marginalizados da população. Estes não carecem de tiros e sim de políticas públicas eficientes e competentes.

A criminalidade é fenômeno social que permeia as relações em todas as sociedades e, como sabemos, não é exclusiva dos setores pobres e excluídos. A diferença encontra-se, em verdade, no tratamento conferido aos crimes praticados nas diferentes classes sociais. Insere-se nesta ótica turva a declaração do Secretário de Segurança Pública, que distinguiu uma bala perdida em Copacabana daquela no Complexo do Alemão.

Nossa preocupação se estende ao posicionamento de certos setores da mídia que reforçam a ideologia do extermínio, em afronta ao Estado Democrático e de Direito, como o contido no editorial de jornal [carioca] de grande circulação do dia 26 de outubro, onde se lê que “as camadas pobres da população converteram-se numa fábrica de reposição de mão-de-obra para o exército da criminalidade”.

Repudiamos e denunciamos a política de segurança pública fundada no confronto militar e, sem apreciarmos aqui eventual direito à interrupção de gravidez indesejada, entendemos que o aborto não pode ser tido como instrumento de política demográfica, de saneamento ou de eugenia.

Rio de Janeiro, 06 de novembro de 2007.

Entidades:

AJD – Associação Juizes para a Democracia.

MMFD – Movimento da Magistratura Fluminense pela Democracia.

OAB/RJ – Ordem dos Advogados do Brasil.

Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do RJ.

Grupo Tortura Nunca Mais/RJ.

Instituto Carioca de Criminologia.

Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência.

Fazendomedia.com.

Mandato do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ).

Mandato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

Justiça Global.

Jornal Brasil de Fato.

Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc).

Casa da Colina - Espaço de Saúde e de Cultura, Florianópolis/SC.

Mandato do vereador Eliomar Coelho (PSOL-RJ).

Mandato do vereador Renatinho (PSOL-RJ).

Mandato do vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL-RJ).

Oguntê – Inglaterra.

FASE.

Ponto de Cultura O Som das Comunidades.

Grupo Cultural Nação Maré.

Rede Nacional de Jornalistas Populares.

IBISS.

Brigada Organizada de Cultura Ativista (B.O.C.A).

Raízes em Movimento.

PSOL-RJ.

PSTU-RJ.

Movimento Humanos Direitos (MHUD).

Sobretudo, portal de notícias da Baixada.

Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares do Brasil (Renap-RJ).

Rede Rio Criança.

Movimento Nacional Pela Legalização das Drogas.

Fórum Reage Baixada.

Comcausa – Cultura de Dieritos.

Agência de Notícias da Favela (ANF).

Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola.

DCE Cândido Mendes Niterói.

Pessoas físicas:

Marcelo Yuka, músico.

Paulo Lins, escritor.

Regina Lúcia Rios, juíza de direito.

Sérgio Verani, desembargador-presidente da 5ª Câmara Criminal do TJ-RJ e professor da UERJ.

Luiz Felipe da Silva Haddad, desembargador do TJ-RJ.

João Luiz Duboc Pinaud, Presidente da Rama do Rio de Janeiro, da Associação Americana de Juristas - AAJ.

Marcos Alcino de Azevedo Torres, professor da UERJ e desembargador do TJ/RJ.

João Batista Damasceno, cientista político e juiz de direito.

Geraldo Prado, desembargador e professor da UFRJ.

Cláudio dell´Orto, juiz de direito e professor de Direito Penitenciário da PUC-Rio.

Nico, cartunista.

Cecília Coimbra, psicóloga.

Rubens R.R. Casara, juiz de direito.

André Tredinnick, juiz de direito.

José Cláudio Souza Alves, Pró-Reitor de Extensão da UFRRJ.

José Arbex Jr., jornalista.

João Tancredo, advogado.

Ednéia de Oliveira Matos Tancredo, advogada.

Lobão, músico.

Carlos Latuff, cartunista.

Gabriel O Pensador, músico.

Letícia Sabatella, atriz.

Bnegão, músico.

Nilo Batista, jurista e ex-governador do Rio de Janeiro.

Vera Malaguti, socióloga.

Beth Carvalho, cantora e compositora.

Adriana Facina, professora do Departamento de História da UFF.

Virgínia Fontes, historiadora.

Margarida Baird, atriz.

Rafael Kalil, músico.

Marcelo Salles, jornalista.

Renato Cinco, sociólogo.

Rodrigo Fernandes de Lima, estudante de economia.

Maria das Dores Pereira Mota, Professora.

José Carlos de Souza - Pastor e Professor universitário.

Revdª Maria do Carmo Moreira Lima, Pastor Metodista.

Messias Valverde, Pastor Metodista.

Nancy Cardoso Pereira, pastora metodista, Comissão Pastoral da Terra.

Daniele de Carvalho Pinheiro, Pesquisadora da UFRJ.

Luiz Mario Behnken, economista.

Danielle Lins da Silva, advogada.

Jorge Borges, geógrafo.

Lidiane Penha, advogada.

Hamilton Octavio de Souza, jornalista e professor.

Enedina Martins, psicóloga/psicanalista.

Servane Mouazan, integrante da Oguntê.

Carlos Eduardo, técnico de som.

Rafael Duarte, músico.

Bruno Coelho, músico.

Yvez Aworet, músico.

Guilherme Carrera, músico.

Ana Kalil, Pedagoga.

Mary Jane, Skatista e musicista.

Júlio Pecly, cineasta.

Aleh Ferreira, músico.

Liliane Reis, Jornalista.

Luciana Oliveira, Jornalista.

Mônica Cavalcante, Jornalista.

Marcelinho da Lua, Dj.

Nelson Mendes, fotógrafo.

Ana Bonjour, membro da Universidade nômade.

Alexandre Aquino, Produtor Musical.

Jards Macalé, músico.

Leila Oli, psicóloga.

Ignacio Cano, sociólogo.

Belisa Ribeiro, jornalista.

Cristiane Ramalho, jornalista.

Nanko G. van Buuren, diretor executivo do IBISS.

Bragga, Nação Graffiti.

Milkon"Mac"Chriesler, Produtor.

Maria Helena Moreira Alves, cientista política.

André Luiz de Medeiros Bezerra, analista de sistemas.

Ricardo Villa Verde, jornalista.

Sadraque Santos, fotógrafo.

Alan Brum Pinheiro, coordenador-geral do Raízes em Movimento.

Luiz Fernando Martins da Silva, Advogado, professor de Direito e ex-Ouvidor da SEPPIR.

Bianca Coura Garnier, estudante.

José Mauro leite Araúj, Arquiteto.

Mauro Sta Cecilia, poeta.

Tuca da Silva, músico.

Generosa de Oliveira, socióloga.

Taiguara Souza, advogado.

Marcia de Almeida, jornalista e escritora.

Cyro Garcia, bancário e presidente do PSTU-RJ.

Gustavo Adolfo Lapido Loureiro, analista de sistemas.

Marcílio José Rosa e Silva, advogado.

Ana Maria Kalil, pedagoga.

Gilberto Lyra Lopes, produtor cultural.

Luiz Marcolino de Souza, advogado.

Renata Figueiredo Moraes, professora.

Fernanda Schnoor, professora.

Maria de Paula Bento.

Paulo Roberto Moreira do Carmo.

Kátia da Matta Pinheiro, historiadora.

Leonardo da Silva Gonçalves, estudante de jornalismo - Uerj.

Cíntia Braga, historiadora (Grupo Tortura Nunca Mais).

Vitória Pamplona (Grupo Tortura Nunca mais).

Rosilene C. Nascimento (Grupo Tortura Nunca Mais).

João Ricardo de Mattos Serafim, administrador.

Joana D’Arc Fernandes Ferraz (Grupo Tortura Nunca Mais).

Júlio Pecly – Boca de Filme – CDD.

Slow da B.F. (Hip Hop Baixada).

Mary Jane (B.O.C.A.).

Paulo Silva , cineasta.

Antônio Futuro, professor.

Luciene Medina, estudante (DCE da Universidade Estadual de Maringá-PR).

Leroy Paiva (Grupo Cultural Nação Maré).

André Fernandes (Agência de Notícias da Favela).

Perfeito Fortuna, empresário.

Marcelinho da Lua, Dj.

Eduardo Sacramento.

Christine Clauser, director Dreams can be Foudation – Dreams Brasil.

Ananda da Luz Ferreira.

Angelo Barbosa, ator e músico.

Ricardo Rocha, maestro.

Luiz Carlos Azenha, jornalista.

Paulo Ramos, deputado estadual (PDT-RJ).

Aderlan Crespo, professor e advogado.

Angélica Ferrante (Alerj).

Adriana Mendes de Almeida (Alerj).

Os inimigos do MST
07.05.2008 | 17h49 |

Este ano o MST relembrou os 12 anos do massacre de Eldorado dos Carajás com ocupações por todo o país. Ao todo, foram mais de cinqüenta a recordar os 21 mortos e 69 incapacitados para o trabalho. No Rio de Janeiro, uma das ocupações ocorreu em Campos, município do norte fluminense. Lá, 150 famílias entraram numa propriedade da rede hoteleira Othon, declarada improdutiva pelo INCRA. Mas desta vez as manifestações foram além do combate ao latifúndio. De acordo com o coordenador do MST João Pedro Stédile, "também são nossos inimigos as empresas transnacionais e a mídia burguesa".

Record avança sobre a Globo
07.05.2008 | 10h22 |

Trecho da coluna de Daniel Castro (Folha de S. Paulo, 6 de maio de 2008):

Pela primeira vez na história, a Record registrou em um mês mais de 50% da audiência diária da Globo na Grande SP. A rede fechou abril com 9,8 pontos de média diária (das 7h à 0h) na região, contra 18,4 pontos da rede líder. Isso equivale a 53,3% da audiência da Globo. Um ano antes, a audiência da Record (7,3 pontos) representava apenas 38% do público diário da Globo (19,2 pontos). Cada ponto na Grande SP equivale a 56 mil domicílios. O SBT fechou abril com seis pontos de média diária, queda de 13% em um ano. A Band teve 2,7 pontos (alta de 21%) e a Rede TV!, 1,9 (+ 5%).

Desinformação no "Globo"
05.05.2008 | 14h22 |

Leia aqui análise do Blog do Mello a respeito da desinformação publicada no "Globo" de hoje a respeito do referendo inconstitucional que a direita organizou ontem na Bolívia. Mais uma vez o jornalão confunde a realidade com seus desejos particulares.

"Q" de qualidade?
04.05.2008 | 19h07 |

Segue abaixo trecho de matéria publicada neste domingo pelo portal G-1 (íntegra aqui):

Especialista em protagonistas femininas, o autor Aguinaldo Silva recorreu a um recurso infalível para esquentar a trama – e somar alguns pontinhos no Ibope – de “Duas caras”. No capítulo da última terça-feira (29), Maria Paula (Marjorie Estiano) deu uma surra daquelas na psicótica Sílvia (Alinne Moraes).

Cenas de briga entre mulheres – com direito a tapas no rosto, unhadas e puxões de cabelo – costumam causar catarse popular. Especialmente quando a mocinha da história vai à forra e espanca a vilã.

Não à toa, o capítulo que mostrou o confronto violento de Maria Paula e Sílvia cravou 49 pontos no Ibope – a maior pontuação de “Duas caras” na semana. “O público gosta de ver a justiça sendo feita, nem que for da forma mais primitiva”, opina Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela USP.

Pergunta-se: seria este o “Q” de qualidade que só a Globo tem, como o auto-elogio arrogante propagandeia?


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Leituras indicadas:

> Programa Setorial de Comunicação e Democracia do Governo.

> "É preciso incentivar a mídia alternativa", entrevista com Ciro Gomes.

> Abaixo-assinado frustrado da TV Globo.

> TV Globo, o delegado e outros assuntos capitais.

> Um espectro ronda a democracia.

> O direito de criticar a imprensa.

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> Muito Além do Cidadão Kane.

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> Subcomandante Marcos fala sobre a democratização da mídia


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