
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Choram os golpistas
28.05.2007 | 10h05 |
"Crise da RCTV mobiliza Venezuela", diz o título principal da página 42 do Globo deste domingo. Em reportagem de página inteira assinada por Cristina Azevedo, o jornal chora a não renovação da concessão da RCTV pelo governo venezuelano, que terminou na última meia-noite. Até aqui, nenhum problema. Ninguém é obrigado a concordar com a medida do governo Chávez. Acontece que O Globo não é sincero com seus leitores: em vez de esclarecer que a emissora participou ativamente do golpe de Estado contra Hugo Chávez, em 2002, o jornal prefere dizer que "a emissora é acusada de ter participado do golpe". Na mesma página, há um quadro que beira o ridículo. Sob o título "O destino interrompido de 'Mi prima Ciela'" e a foto de cinco personagens da novela, O Globo passa a narrar uma cena do programa e avisa que centenas de fãs telefonaram para saber o que aconteceria com a personagem principal caso a novela chegasse ao fim: "Ela morre no final?", pergunta um dos telespectadores.
Isso é grave. Muito grave. Saber se prima Ciela morre no final da novela é realmente fundamental para os destinos da República. De qualquer República. Pena que Hugo Chávez não pense assim. Seu governo acredita que a empresa descumpriu as leis do país e que não mereceu ter a concessão renovada. Em seu lugar passará a funcionar um canal popular produzido pelo povo venezuelano. Há quem diga se tratar de um passo firme rumo à democratização dos meios de comunicação, algo que, inclusive, está previso em nossa Constituição. Certamente essa não é a opinião do jornal que no dia 1º de abril de 1964 foi às bancas com a manchete: "Fugiu Goulart e democracia está sendo restabelecida".
Outorgas da Globo vencem em 2007
28.04.2007 | 10h02 |
28 outorgas de TV, 80 de rádios FM e 73 de rádios AM vencem este ano. São cinco da Globo, 2 da Bandeirantes e uma da Record, sem contar as emissoras afiliadas. O levantamento foi realizado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e está disponível para leitura aqui.
Entrevista imperdível
27.05.2007 | 16h55 |
"Está sendo formada uma frente parlamentar pela democratização dos meios de comunicação com participação popular. Mais do que o poder econômico, mais do que a reforma agrária, estamos discutindo o poder real, o poder das idéias, o poder da informação, o poder de transmitir conceitos, cultura, valores" (Deputada federal Luiza Erundina, em entrevista concedida a Caros Amigos deste mês).
Proibido Proibir
20.05.2007 | 19h22 |
Com direção de Jorge Durán e um orçamento baixo até para os padrões nacionais (R$ 1,2 milhão - apenas um capítulo de novela da Globo chega a custar R$ 50 milhões), o filme Proibido Proibir é ambientado no Rio de Janeiro e mostra a perseguição policial contra aqueles quem moram em favelas. Um garoto, que só encontrou a sobrevivência trabalhando como camelô, é assassinado por policiais porque tenta organizar a categoria para resistir à extorção dos fiscais. Ou seja, para lutar contra a política neoliberal que empurra milhões de pessoas em todo o mundo para o desemprego. Quando o garoto é assassinado a sangue frio, o filme deixa claro que os jornais divulgaram a falsa versão de que a morte teria acontecido durante "intenso tiroteio entre policiais e traficantes". No elenco: Alexandre Rodrigues, Caio Blat e a encantadora Maria Flor.
Crise lucrativa
02.04.2007 | 23h22 |
(Nota publicada em 21.12.2006)
Isso que a mídia corporativa chama de "caos nos aeroportos" tem sido extremamente interessante para a contabilidade das empresas aéreas. Segundo Lucia Helena Salgado, do IPEA, a GOL vai fechar o ano com R$ 490 milhões de lucro líquido e a TAM com R$ 420 milhões. No último programa Espaço Público, da TVE, Lucia Helena também disse que cada aeronave faz entre 12 e 14 viagens por dia e quase não fica parada em solo (cerca de 20 minutos). Junte-se a isso as informações de Jorge Carlos Botelho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, que me disse, em entrevista publicada na Caros Amigos deste mês: "é imprescindível que dê uma parada nessa situação de deixar as empresas aéreas botar vôo pra lá, vôo pra cá a seu bel prazer". Ou seja: a mídia não informa um dos principais motivos que geram problemas no setor aéreo. Alguém poderia relativizar: "ah, ela não pode falar isso porque tem os anúncios das companhias aéreas". Sim, e daí? Então está justificada a informação pela metade em nome da preservação da imagem de anunciantes?
Policiais mortos e lavagem de dinheiro
22.03.2007 | 01h30 |
A mídia corporativa tenta fazer parecer que os policiais estão sendo mortos no RJ porque os bandidos estão ficando mais perversos, mas jamais se empenha em informar sobre os motivos dessa agressividade crescente contra a polícia.
A recente onda de violência contra policiais resulta de uma política de segurança pública adotada por sucessivos governos e apoiada pela imprensa; uma política que por um lado criminaliza quem vive nas favelas e, por outro, tolera a corrupção, inclusive - e principalmente - entre comandantes de batalhão. Como conseqüência, os maiores prejudicados são os policiais honestos e os moradores das periferias. Seria mais prudente, honesto e sensato investir numa política de segurança pública inteligente, que respeitasse o cidadão independentemente de sua conta bancária ou cor da pele.
Outro ponto em que essa mídia não toca diz respeito ao tráfico de armas e drogas. Sempre que um bandido pé-de-chinelo é preso ela joga na manchete e fala em "chefão", quando os verdadeiros agentes da morte estão sendo recebidos de braços abertos em bancos suíços e outros paraísos fiscais. É o que Jean Ziegler, professor de sociologia da Universidade de Genebra, conta no capítulo 4 do livro "A Suíça lava mais branco" (Editora Brasiliense). Em 1989, uma quadrilha brasileira foi descoberta em Genebra lavando 500 mil francos suíços por semana. A ponte era feita entre o Banesto Banking Corporation, de Nova York, e o Migros, da Suíça. O nome da empresa que fazia a movimentação era Walter Exprinter e, quando descobriram que por trás dela havia generais das forças armadas brasileiras, a Justiça tupiniquim optou por não colaborar com a investigação.
No dia 21 de dezembro do ano passado (há 3 meses apenas), a então governadora Rosinha Garotinho afirmou que a TV Globo mantém uma conta secreta nas Bahamas, no Banco Credité Suisse, com mais de 100 milhões de dólares. Rosinha deu até o número da conta: 91493. E criticou o silêncio das Organizações Globo no escândalo do Banestado, "que envolveu bilhões de reais desviados do Brasil de forma irregular", disse.
Em Wall Street, cerca de 1/3 de todo o volume negociado vem do tráfico de drogas e armas. A violência que impera nas ruas das grandes cidades atende a uma lógica, ela não é gratuita. E essa lógica está intrinsecamente ligada ao modelo econômico neoliberal, onde "uma meia dúzia pode tudo e a maioria não pode nada", para usar uma expressão muito praticada nos palanques do ABC há alguns anos.
A intenção é controlar nossa energia
11.03.2007 | 04h11 |
Sinceramente, dá pena. Dá pena de quem se informa exclusivamente pela mídia colombina; dos governantes que não têm peito para fazer cumprir o artigo 220 da Constituição; dos próprios editores que distorcem informações para agradar aos interesses do capital internacional. Capital este que se fez presente, em São Paulo, na figura do maior terrorista de que a humanidade já teve notícia. E mesmo com todo seu histórico de violação dos direitos humanos, essa mídia se esmerou em superficializar os fatos e teve o despudor de noticiar sua presença como se o "país rico" quisesse, de verdade, ajudar o "país em desenvolvimento". Ou seja, reportaram os acontecimentos do ponto de vista do governo terrorista.
Também não adiantou esconder o itinerário, horário e tudo o mais. O protesto em São Paulo foi muito bem organizado, e no único lugar que poderia ser: na Av. Paulista, o centro financeiro do país. Ali está a porção brasileira que lucra com a ditadura neoliberal; dali pressionam para manter o salário mínimo em níveis desumanos; garantem ali a perpetuação da desigualdade brutal que nos humilha; saem dali os mensalões de tantos colunistas da mídia colombina. E foi também ali que os paulistanos deixaram bem claro que não aceitam essa exploração, que agora pretende avançar com o controle das nossas terras para a produção de etanol.
E que feio fez o Jornal da Globo... Não satisfeitos em achincalhar Hugo Chávez, os editores diminuíram o número de argentinos que compareceram ao estádio para apoiar o presidente venezuelano. Falaram em 20 mil, enquanto os organizadores contaram ao menos 35 mil pessoas. Pior que isso, numa manipulação que lembrou a cobertura das Diretas, o JG cortou o áudio do povo enquanto Chávez discursava, de modo a parecer que o presidente falava para o vazio. Ficou feio, porque era possível escutar o zunido do corte na televisão e, quem já esteve em atos públicos com Hugo Chávez, sabe que o povo não se cala. Pelo contrário, grita em seu apoio.
Que não se enganem os desavisados. Não podemos nos dar ao luxo de esquecer a história recente. Em 1983, Donald Rumsfeld e Saddam Hussein selaram acordos sobre energia. Dali a oito anos, o Iraque era invadido e duras sanções econômicas foram impostas ao país, causando a morte de milhões de civis inocentes, sobretudo idosos e crianças. Doze anos depois, em 2003, o país era invadido novamente. Alguém acha que essa sucessão de agressões aconteceu porque Saddam era um ditador malvado? Fosse assim, a Arábia Saudita já teria sido atacada. O que está por trás disso tudo é O CONTROLE DE ENERGIA. Sem energia, não há nada mais. Não há indústria, comércio, Exército, alimento, nada.
O colapso do petróleo está previsto para breve, e o Brasil é o país que reúne as melhores condições para a produção de energia renovável (biodiesel, etanol, etc.). Não dá para ser ingênuo: os EUA são capazes de tudo para controlar a energia, onde quer que ela esteja. E isto inclui matar e torturar pessoas, mesmo que sejam apenas, por exemplo, "suspeitos de terrorismo". E não adianta achar que vamos fazer bons negócios simplesmente porque essa mídia quer. Se quisermos negociar a partir de uma posição soberana, é preciso que as Forças Armadas estejam preparadas, que as polícias parem de agredir o nosso povo e, mais importante, que a mídia seja democratizada.
Porque a mídia é a principal instituição de controle de hoje; nela se produzem as subjetividades que determinarão o modo de agir, pensar e sentir de cada um. A mídia pode influenciar na forma de agir de um general, juiz, ministro, presidente. E também das massas. Se ela continuar concentrada nas mãos desses mesmos grupos, o país poderá ser invadido militarmente com a mesma facilidade que vem sendo invadido culturalmente. A essência desse poder dos meios de comunicação reside na sutil - e potencialmente explosiva - diferença entre ser e se sentir. Por exemplo, entre ser explorado e sentir-se explorado.
Fontes alternativas de informação
04.03.2007 | 19h42 |
No mês passado, Emir Sader realizou em seu blog na Agência Carta Maior uma consulta entre os leitores para compor uma lista de fontes alternativas de informação [veja aqui]. Não há como esconder a alegria de termos sido a fonte mais citada (7 indicações) entre os mais de cem comentários, embora o mais importante nesse momento seja guardar os endereços desses 74 veículos alternativos que, juntos, vêm realizando um grande trabalho de resistência à ditadura da informação, geralmente a serviço da exploração dos povos. A lista completa pode ser lida aqui.
O Analfabeto midiático
01.02.2007 | 02h44 |
(homenagem a Bertolt Brecht)
O pior analfabeto é o analfabeto midiático. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos midiáticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das construções midiáticas. O analfabeto midiático é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia discutir mídia. Não sabe o imbecil que da sua ignorância midiática nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o jornalista vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Globo demite repórter ao vivo
18.12.2006 | 19h35 |
A TV Globo acaba de demitir, ao vivo, o repórter José Messias Xavier, cujo envolvimendo na máfia dos caça-níqueis no Rio de Janeiro está sendo investigado pela Polícia Federal. O texto foi lido pelo apresentador Hélter Duarte, durante o RJTV. Cito de memória: "A TV Globo entende que só a Justiça terá condições de julgar se José Messias é culpado ou inocente, mas o teor das gravações deixa claro que o jornalista violou os padrões éticos da emissora". A nota também ressaltou que Messias nega as acusações e afirma que seu objetivo era se infiltrar na quadrilha para escrever um livro.