
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Quem seria louco?
31.03.2008 | 02h27 |
Trabalhar com o imediato é sempre mais fácil. Não requer grandes esforços de compreensão, basta repisar o senso comum para satisfazer os números da audiência e os lucros das corporações parceiras. O alto executivo do banco suíço UBS, preso em novembro passado sob acusação da Polícia Federal de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, não mereceu a décima parte da atenção que o "Globo" deste domingo oferece ao que chama de "tribunal do tráfico". Talvez seja por demais complexo explicar a seus leitores que sem aquele alto executivo não há como os "juízes" da favela portarem fuzis importados. Ou talvez a questão seja de outra monta: já que o sistema financeiro é muito amigo das corporações de mídia, por que vamos apresentá-lo como um problema?
No domingo passado, uma pesquisa afirmava: "Maioria dos favelados apóia uso do Caveirão". Neste domingo, a primeira página quase inteira se escandaliza com o bárbaro "tribunal do tráfico", onde bandidos cruéis torturam e quase matam um menino de 15 anos que cometia pequenos furtos dentro da própria favela. Diante desse enredo, quem seria louco de questionar a invasão de uma favela muito, muito distante?
Medalha Chico Mendes
27.03.2008 | 01h46 |
O Grupo Tortura Nunca Mais – RJ (GTNM-RJ) há 20 anos premia com a Medalha Chico Mendes de Resistência os principais militantes, instituições, movimentos sociais que, de certo modo, atuam e pautam suas discussões na área dos direitos humanos. Nomes como Che Guevara, Frei Betto e Mães de Acari já receberam esse mérito. A solenidade, que está em sua XX edição, ocorre sempre em 1º de abril para lembrar à sociedade o que foi o golpe militar de 1964 e seus inúmeros efeitos que se fazem sentir ainda hoje - sobretudo a exploração imperialista das corporações multinacionais, que são apoiadas editorialmente pelo oligopólio que controla a mídia no Brasil. Este ano há uma premiação particularmente importante, a do Centro de Mídia Independente. O reconhecimento do trabalho exercido na área da comunicação alternativa é fundamental na disputa por uma sociedade livre da opressão neoliberal. Local: Auditório do Arquivo Nacional (Praça da República, 173 - Centro, Rio de Janeiro), às 18h de terça-feira, 1º de abril de 2008. Estão todos convidados!
Agraciados este ano:
1. Centro de Mídia Independente na pessoa de Brad Will (in memoriam)
2. Deley de Acari
3. Dyrce Drach
4. Ex-Integrantes da Comissão de DDHH da OAB/RJ do período de Janeiro a Julho/2007
5. Graciela Daleo
6. Heloneida Studart (in memoriam)
7. João Luiz Duboc Pinaud
8. João Massena Melo (in memoriam)
9. Libero Geancarlo Castiglia (in memoriam)
10. Movimento de Luta Antimanicomial
11. Padre João Daniel de Castro
12. Raízes em Movimento
13. Valmir Mota de Oliveira (Keno) (in memoriam)
14. Vera Silvia Magalhães (in memoriam)
IV Circulando no Alemão
27.03.2008 | 01h44 |

Essa foto do Sadraque foi tirada na Avenida Central do Morro do Alemão. Numa das vezes em que fui ao Alemão, almocei ali no Cantinho´s Bar (ao fundo, em vermelho). Comi peixe e arroz pelo que me lembro, e custou perto de 5 reais (incluindo a cerveja). A foto mostra um pouco da alegria - e da resistência - que o Grupo Sócio-Cultural Raízes em Movimento vai apresentar no próximo sábado dia 5 de abril, ali mesmo, durante o IV Circulando. Estão todos convidados! Veja aqui uma seleção de fotografias da última edição do evento.
Quatro tristes notícias
26.03.2008 | 15h50 |
Vamos às notícias do Rio de Janeiro, claro, sem o filtro neoliberal das corporações de mídia. Não tem jeito, há coisas que a gente só encontra nas revistas e jornais alternativos a esse modelo de fast-journalism:
- Brasileiros são agredidos pela tropa de choque da polícia, em frente ao BNDES, na manhã desta quarta-feira. Gás de pimenta e cassetetes foram usados para dispersar manifestação pacífica. Léo Haua, dirigente do MST, disse o seguinte: “O BNDES está aberto diariamente para receber as multinacionais, mas quando os movimentos sociais aparecem com suas demandas, somos recebidos com portões fechados e a tropa de choque”;
- Deputado estadual Alessandro Molon (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, recebe apoio formal do governador Sérgio Cabral (PMDB). Talvez por isso Molon não tenha assinado o documento encabeçado por Marcelo Yuka e lançado em 6 de novembro de 2007 contra as políticas de extermínio do governador Sérgio Cabral. Nada menos que 200 pessoas e entidades subscreveram o abaixo-assinado, entre desembargadores, juizes, músicos, professores, jornalistas, lideranças comunitárias e associações de classe.
- Merval Pereira, em sua coluna de ontem no “Globo” confirmou o que escrevi abaixo no comentário “Mais uma manipulação do Globo”. Ele abre o texto com a seguinte frase: “A pesquisa que o IBPS realizou nas favelas do Rio, e que foi objeto de reportagem do GLOBO no domingo e ontem, tem informações importantes para os políticos que se preparam para pedir o voto dos cariocas nas próximas eleições municipais”. Dois dias antes eu havia escrito o seguinte: “A divulgação dessa pesquisa, com esse grau de manipulação, é particularmente perigosa no atual momento pré-eleitoral. Há sempre a possibilidade de as Organizações Globo estarem trabalhando para pautar os candidatos de acordo com seus interesses”.
- Em breve publico minhas recordações do jornalista Sérgio de Souza, fundador e editor da revista Caros Amigos, que faleceu ontem em São Paulo, aos 73 anos. Ainda não consegui vencer a tristeza pela perda de um jornalista que dignificou a profissão, colocando o ser humano no centro dos fatos, enquanto a grande maioria se pauta pelo lucro de empresas privadas. Foi Sérgio quem me iniciou no jornalismo e, apesar do pouco contato pessoal que tivemos, devo muito do que aprendi a ele.
Ato no BNDES: quarta, 26/3
24.03.2008 | 01h03 |
Fernando e demais amigos, acabo de confirmar: o ato divulgado no comentário abaixo sob o título "Em defesa da nossa soberania" será realizado na próxima quarta-feira, dia 26 de março, e não na terça-feira conforme havia sido publicado. O texto abaixo foi corrigido.
Mais uma manipulação do Globo
23.03.2008 | 16h24 |
65,4% dos entrevistados pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, todos moradores de favelas, afirmam que a cobertura da imprensa (jornal, rádio e televisão) dos fatos que ocorrem dentro das favelas é "sensacionalista (distorce os fatos e usa preconceitos)". A pesquisa foi encomendada pela Cufa, Central Única das Favelas.
A edição de hoje do jornal O Globo publica a pesquisa com exclusividade - e em manchete -, mas incorre no mesmo erro. Distorce números e os manipula conforme seus interesses político-econômicos e ideológicos. O dado acima, em que os entrevistados identificam a manipulação da mídia, por exemplo, simplesmente não aparecem no texto da reportagem. É relegado a um quadradinho entre outros oito iguais a ele, perdendo, assim, o impacto que poderia causar.
Outro item da pesquisa que teve a importância minimizada foi a afirmação de 73,2% dos entrevistados de que "a imagem que a sociedade tem da favela como 'reduto de marginais' é completamente distorcida, pois a grande maioria dos favelados é gente honesta". Essa questão está ligada à anterior, pois quem distorce essa realidade, em grande parte, são as corporações de mídia.
Esses dois pontos não mereceram destaque na primeira página do jornal e nem nos subtítulos das páginas internas, embora tenham sido mais expressivos que aqueles escolhidos pelos editores: "legalização das drogas, com 60,5% contra, e apoio ao uso do Caveirão e das Forças Armadas, com 47,9% e 48,9% respectivamente". Assim, abandonam-se dados extremamente impactantes para dar lugar a outros de menor impacto, mas que reforçam a linha editorial pretendida. E, pior, entre esses últimos, há pelo menos um bastante discutível, que diz respeito ao uso do Caveirão. Primeiro porque, mesmo considerando que a pesquisa esteja absolutamente correta e que não tenha sofrido alterações devido a pressões de qualquer natureza, a porcentagem de apoio ao uso do Caveirão está abaixo da metade, o que não impediu o editor de afirmar nos subtítulos que "maioria apóia uso do Caveirão". Em segundo lugar, porque o índice mais elevado desse apoio foi constatado entre moradores de favelas que raramente - ou nunca - sofrem com a ação do carro blindado, sobretudo na Zona Oeste, que puxou a média para cima (61,4%), enquanto na Zona Norte, onde as incursões são mais freqüentes, o apoio ficou em apenas 33,6%.
A divulgação dessa pesquisa, com esse grau de manipulação, é particularmente perigosa no atual momento pré-eleitoral. Há sempre a possibilidade de as Organizações Globo estarem trabalhando para pautar os candidatos de acordo com seus interesses. Além disso, pode-se detectar uma tentativa de moldar a opinião dos moradores de favelas aos desejos desse grupo empresarial. Vamos acompanhar com atenção e divulgar essas informações de "contra-manipulação" para nossos amigos e listas de discussão. Depois da internet ficou mais difícil sustentar meias verdades e mentiras inteiras.
Em defesa da nossa soberania
23.03.2008 | 03h24 |
Amigos, acabo de receber a notícia abaixo. Não é de hoje que órgãos do governo brasileiro beneficiam empresas que agridem o meio-ambiente e violentam populações nativas. Para entender esse jogo, sugiro a leitura do livro "1964: A Conquista do Estado", de René Dreifuss (Editora Vozes) - Leia na seção de Cultura as resenhas dos cinco primeiros capítulos [clique aqui para ler o primeiro]. Ali fica claro que o golpe foi orientado pela CIA com o objetivo de facilitar a entrada de empresas multinacionais no Brasil e, mais, que elas controlassem a economia. Tudo com o apoio decisivo dos meios de comunicação de massa, em especial a TV Globo, criada um ano após o golpe e principal sustentáculo do regime que seqüestrou, torturou e assassinou milhares de brasileiros. Por isso, entendo que a manifestação de quarta-feira (26/3), em frente ao BNDES, no centro do Rio de Janeiro, tem como objetivo defender a soberania nacional, preservar o meio-ambiente e garantir o direito à vida dos povos originários desta terra.
Contamos com sua presença na manifestação que reunirá mais de 500 trabalhadores rurais e movimentos sociais urbanos, dia 26/3 (quarta-feira), as 10 hs, na Sede do BNDES-Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Av. Chile, 500 - Centro do Rio) em protesto contra os bilionários financiamentos com dinheiro público concedidos às monoculturas predatórias da soja, eucalipto e cana que vêm avançando de forma acelerada destruindo a Mata Atlântica, Cerrado e a Amazônia.
Caravanas de agricultores virão de diversos estados e municípios fluminenses; inclusive estarão presentes uma delegação de caciques Tupi-Guarani e quilombolas do Espírito Santo que no ano passado ganharam na justiça federal, depois de mais de 30 anos de luta, a devolução de 11 mil hectares de terras griladas no passado pela multinacional Aracruz Celulose que promoveu destruição de centenas de nascentes, contaminou as terras por agrotóxicos e criou extenso deserto verde com desmatamento de florestas e eliminação de terras agrícolas produtoras de alimentos. Estas terras passarão por uma reconversão ecológica, com projetos de recuperação das áreas degradadas e sistemas agroecológicos, reflorestamento das matas ciliares e das nascentes.
Os movimentos sociais do campo e da cidade querem que o BNDES passe a financiar prioritariamente a agricultura familiar e a produção agro-ecológica (propostas abaixo) e condenam o pedido de financiamento de R$ 1 bilhão feito pela Aracruz para se instalar no estado do Rio de janeiro e expansão dos monocultivos em outros estados, que conta com o apoio declarado do governador Sérgio Cabral (PMDB).
No mesmo dia (26 de março, quarta-feira), a tarde, um conjunto de entidades civis e os manifestantes estarão seguindo em marcha com suas bandeiras e faixas pelas principais ruas da cidade até o Tribunal Regional Federal (TRF), na Rua do Acre - Centro do Rio, onde ingressarão com uma ADIN-Ação de Inconstitucionalidade contra lei estadual ilegal aprovada às pressas em 2007 por lobbie do governo do estado do RJ e deputados da "bancada da celulose", tendo o atual secretario estadual de meio ambiente atuado como principal "garoto propaganda" e lobista desta empresa poluidora. A lei imoral favorece exclusivamente os interesses econômicos da Aracruz, que passou a ter "autorização" para fazer plantios de eucalipto em larga escala, de até 400 hectares contínuas, sem obrigatoriedade do licenciamento ambiental, o que é completamente ilegal diante da legislação ambiental em vigor no país! As áreas a serem ocupadas pela empresa conflitam com terras destinadas à reforma agrária e à produção de alimentos, que podem gerar milhares de postos de trabalho no campo e segurança alimentar para as cidades.
As monoculturas não geram empregos, destroem o meio ambiente, contaminam com agrotóxicos (venenos químicos) as nascentes e os trabalhadores, fortalece a perversa estrutura latifundiária do país, além de gerar um modelo de produção agro-exportador que beneficia apenas as grandes multinacionais produtoras de papel e celulose que gozam de atraentes incentivos fiscais e polpudos financiamentos de bancos públicos, como o BNDES.
Nuances da mídia corporativa
23.03.2008 | 03h22 |
Segue abaixo interessante relato do professor Carlos Vainer (Urbanismo, UFRJ), que é um dos organizadores das atividades em homenagem aos 40 anos de 1968. Pra conhecer um pouquinho melhor como operam as corporações brasileiras de mídia:
Gente,
Em virtude da divulgação inicial de nossas atividades e sua repercussão, a Coordenação de Comunicação da UFRJ tem encaminhado a mim muitos jornalistas, interessados em informações e entrevistas.
Quando se trata de entrevistas, via de regra tenho indicado os nomes de diferentes pessoas para atenderem a estes jornalistas, consciente de que não faria nenhum sentido eu pretender ser porta-voz de uma geração tão rica como a nossa, e menos ainda, pretender virar grande líder de 68... com 40 anos de atraso!
Anteontem recebi a ligação telefônica de uma jornalista do SBT, cujo nome não guardei. Ela estava preparando uma inserção para o jornal nacional do SBT de hoje, 6ª feira. Queria me entrevistar. Sugeri outros nomes: Jean Marc, Elinor Brito, Muniz, Vladimir Palmeira. Quando falei no nome do Vladimir ela disse: "esse não dá". Perguntei a razão. Ela respondeu: "Ele é político". Eu disse que estava dirigindo e ela ficou de ligar de novo na 5ª feira, para pegar telefones das pessoas.
No entretempo, refleti e decidi que ou bem eles aceitavam adotar uma posição neutra, ou bem eu não colaboraria com um programa baseado na censura prévia.
Ela ligou. Eu lhe disse então que não entendia a restrição ao nome do Vladimir. Ela repetiu que ele era político. Eu disse que ela, eu e todos temos atividades políticas. Ela disse que ele fazia política partidária. Eu disse que o dono da empresa dela, assim como muitos dos apresentadores de programas do SBT, como Hebe Camargo, faziam campanhas político-partidárias. Acrescentei que era contra a censura. Disse-lhe que era contra isso que
havíamos lutado em 68 - contra a repressão, contra a censura. Argumentei que era importante que o jornalismo apresentasse a diversidade das pessoas que haviam participado daqueles embates. Enfim, ela respondeu que esta não era uma opção dela, que ela era empregada, e que seguia ordens. (Quando contei a história à Sonia, ela disse que parecia argumento de torturador explicando porque havia torturado - alô, jornalistas, perdoem o exemplo).
Diante da recusa, eu disse que não iria colaborar com a matéria e não ia indicar nome algum. Disse que não seria cúmplice de censura prévia.
Essa experiência mostra como operam, na grande mídia, os que se pretendem democráticos. Isso mostra como é que eles querem reconstruir a memória, apagando do quadro da história os personagens de que não gostam. Exatamente como fez Stalin, apagando Trotsky de fotos em que aparecia ao lado de Lênin em grandes manifestações revolucionárias. Exatamente como fazem todos os regimes autoritários. Exatamente como tenta fazer em sua coluna cada vez mais odiosa e mentirosa, o lamentável Elio Gaspari.
A ditadura continua na grande imprensa, na Televisão. Por isso mesmo é que, após tudo isso, só posso dizer que A LUTA CONTINUA.
Globo e PSDB, tudo a ver
22.03.2008 | 12h11 |
O Jornal Nacional de 20/3 deixou claro mais uma vez que as Organizações Globo possuem estreito vínculo com o PSDB, partido que liderou a venda do patrimônio público brasileiro (sem nunca explicar onde foi parar o dinheiro). Numa matéria de 2:39 (dois minutos e trinta e nove segundos) o telejornal noticia as investigações do Ministério Público sobre a tragédia ocorrida no buraco do metrô em São Paulo, que deixou sete pessoas mortas. Além de não mencionar o nome das empresas que constituem o consórcio Via Amarela (OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão), a Globo simplesmente omitiu o nome do governador que contratou a obra e seu partido, o PSDB.
Stédile é proibido de falar
22.03.2008 | 02h22 |
Lamentável a tentativa da juíza Patrícia Rodriguez Whately, da 41ª Vara Cível da Capital, no Rio, de intimidar o MST e seu coordenador João Pedro Stédile. Em decisão publicada no dia 19/3, ela determina que eles "se abstenham de incitar e de promover a prática de atos violentos contra as instalações da Companhia Vale do Rio Doce, bem como de praticar atos que importem na interrupção de suas atividades, sob pena de multa de R$ 5 mil por cada ato violento ou interrupção".
A juíza acata sem questionar o pedido da Vale do Rio Doce, cujos acionistas temem pelo clamor popular que cresce em torno de sua reestatização. Com todo o respeito à magistrada, é preciso afirmar que sua decisão é autoriatária e incompatível com um regime democrático. Ou então estamos diante de uma interpretação profundamente alienada do presente contexto histórico. Num outro trecho da decisão, ela afirma: "Denota-se da prova documental carreada aos autos que, de fato, alguns movimentos sociais, como o MST, Via Campesina e Movimento dos Atingidos por Barragens invadiram e paralisaram a obra da hidrelétrica de Estreito, construída por consórcio do qual a autora faz parte, no dia 11 de março deste ano. Depreende-se ainda que participantes do MST bloquearam a estrada de ferro que liga Vitória a Minas, impedindo o transporte de minério de ferro pela Vale do Rio Doce, e invadiram uma unidade da Ferro Gusa Carajás, empresa da autora situada no Maranhão".
Ou seja: uma empresa construída com recursos públicos e entregue aos interesses privados por um governo neoliberal tem suas atividades interrompidas pela ação corajosa de militantes do MST, que depois são agredidos por capangas, xingados por um executivo da Vale e criminalizados pelas corporações de mídia, e a juíza Patrícia Rodriguez Whately proíbe preventivamente qualquer ação do MST e ameaça Stédile, que fica proibido de se dirigir aos companheiros. Sim, porque é disso que se trata. O Stédile foi proibido de falar. Quem vai julgar se o que ele está dizendo é "incitação à violência" ou "luta pela soberania nacional"? Essa mesma juíza? Os diretores da Vale? As corporações de mídia?
Nesse sentido, a resposta de João Pedro Stédile, publicada na Folha de S. Paulo (20/3) não poderia ter sido mais precisa: "É uma medida desesperada da Vale, que sabe estar em dívida com o povo, que luta para reestatizá-la e a pressiona para cumprir suas obrigações e abandonar seu projeto contra o meio ambiente. São falsos mecanismos judiciais. Eles realmente acham que uma multa de R$ 50 mil contra mim vai convencer o povo a não parar trem no Pará? A Vale vive com paranóias porque tem culpa no cartório e entende que o povo só se mexe com um motivo justo".
Quem quiser pode exercer sua cidadania e prestar solidariedade ao MST e, por extensão, a todos os movimentos sociais organizados que lutam pela soberania nacional. Vamos protestar contra essa decisão da juíza Patrícia Rodriguez Whately; o telefone do Tribunal de Justiça do Rio é (21) 3133-2000.
Estatal lucrativa, a mídia viu?
21.03.2008 | 14h22 |
A matéria abaixo me foi encaminhada via correio eletrônico pelo diretor da Telesul no Brasil, o jornalista Beto Almeida. Foi publicada na Agência de Notícias do Paraná. Duvido que as corporações de mídia publiquem a notícia com esta abordagem. Sua lógica binária não permite, pois estatal para essa mídia significa algo ruim e privado, coisa boa. Além disso, o fato de ter reestatizado grande parte da economia paranaense é um dos motivos pelos quais o governo Requião vem sendo violentamente atacado pelo oligopólio que controla a mídia no Brasil.
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) registrou em 2007 um lucro líquido de R$ 1,107 bilhão. O resultado foi considerado pelo presidente da estatal, Rubens Ghilardi, o melhor da história da Companhia.
Desde a reestatização da Copel pelo governo de Requião, no início de 2003, quando a Companhia estava à beira da falência em função da privatização promovida pelo governo anterior, a empresa acumulou lucro líquido de R$ 3,4 bilhões e investiu R$ 2,6 bilhões, além de ser a empresa com a menor tarifa de energia do país entre as companhias de grande porte.
Para Ghilarde, isso demonstra que "não é preciso cobrar caro para ter um bom lucro". "Ao mesmo tempo, estamos recuperando gradativamente nossos índices de eficiência e indicadores de qualidade, além de reconquistar o excelente conceito que a Copel sempre teve junto aos consumidores, investidores e comunidade empresarial", disse.
A recuperação da maior companhia de energia do Paraná, que atende a praticamente 100% dos domicílios nas áreas urbanas e passa de 90% nas regiões rurais, também permitiu que o Estado garantisse luz de graça para as famílias de baixa renda, através do programa Luz Fraterna. O programa já atendeu desde 2003 cerca de 280 mil famílias, ou cerca de um milhão de paranaenses.
Os resultados positivos da Copel e o baixo custo da energia também se refletiram no consumo, que cresceu 6,8% em comparação a 2006. No setor do comércio, esse crescimento foi de 9,2%. Nas indústrias, o aumento foi de 7,5% e o setor residencial registrou o melhor desempenho nos últimos 10 anos, elevando o consumo em 6,6%.
Três lições de 'jornalismo'
21.03.2008 | 02h31 |
Feriado de Páscoa e de repente, não mais que de repente, o Jornal do SBT localiza um vídeo de Bin Laden ameaçando o Papa. E o locutor anuncia: “A CIA comprovou a autenticidade da gravação”. Nada melhor para sustentar a “guerra das civilizações” (seja lá o que isso queira dizer) do que uma falcatrua chancelada por uma central de espionagem dos EUA e veiculada com ares de verdade verdadeira pela mídia sub-imperialista. E tem gente que acredita.
* * *
Os telejornais de ontem não deram continuidade à cobertura dos protestos nos EUA contra a invasão do Iraque, que completou cinco anos. Anteontem, tudo o que o Jornal Nacional dedicou ao tema foi 01:52 (um minuto e cinqüenta e dois segundos). Nada mal para um dos maiores genocídios da História, que segundo o próprio JN matou cerca de 100 mil civis iraquianos (a revista inglesa Lancet fala em 600 mil).
* * *
Em setembro do ano passado, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) criticou o descaso do governo federal com a saúde pública: “Enquanto o governo e seus aliados empenham todos os esforços para a prorrogação da CPMF, os hospitais a que este imposto deveria servir encontram-se em estado de penúria. É o caso do Hospital Geral de Bonsucesso, de administração federal, no Rio de Janeiro, onde a superlotação chega a 400% e médicos recebem até adicional de insalubridade devido às péssimas condições de trabalho”. As corporações de mídia não deram atenção. Só depois de um mês, quando uma paciente de 15 anos morreu, descobriram a pauta. As manchetes informavam que uma “superbactéria” havia infectado 40 pessoas naquele hospital, mas não explicaram que o contágio ocorria principalmente devido à... superlotação. No mesmo período do ano passado, o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro denunciou o desvio, por parte da Prefeitura, de R$ 6 milhões da saúde para outros fins – fato registrado pelo colega Gustavo Barreto (que em breve voltará ao assunto) e pelo Proto-Blog. As corporações de mídia calaram. Agora que o resultado é uma epidemia de dengue, que já matou 30 pessoas, vem a cobertura sensacionalista. Mas, sejamos justos: até que isso não é tão ruim, se considerarmos que há apenas dois meses essa mesma mídia incentivava todos a se vacinarem contra a febre amarela, mesmo os que não tinham indicação para tanto. Resultado: pessoas morreram por superdosagem.
Perguntar não ofende
20.03.2008 | 15h16 |

Onde estão os defensores da liberdade de expressão? Quando um terrorista tenta explodir um hotel em Cuba e é preso, eles aparecem - para condenar a prisão efetuada pelo governo. Mas quando dezenas de pessoas são presas pela polícia nos EUA (33 só em Washington, segundo a AFP) por se manifestarem contra a invasão do Iraque e o genocídio cometido contra o povo iraquiano, eles desaparecem.
PHA segue na Record
20.03.2008 | 14h45 |
Amigos, acabo de confirmar com meu colega da TV Record: Paulo Henrique Amorim continua na emissora. Peço desculpas pela informação imprecisa (embora ressalte que ela ainda segue passível de se realizar) e peço ajuda para acompanhar a disputa entre as TVs Record e Globo. Como disse antes, o conflito pode se acirrar daqui até as eleições municipais, em outubro, porque tudo indica que as duas empresas já escolheram seus candidatos - pelo menos no Rio de Janeiro: Marcelo Crivella e Fernando Gabeira, respectivamente.
O Collor verde
19.03.2008 | 14h35 |
O jornal O Globo e a TV Globo iniciaram campanhas de "cidadania". Na editoria Rio do jornal, uma grande seção trata dos problemas ambientais da cidade. Isso começou há uma ou duas semanas. Hoje, por exemplo, o título é "A impunidade é verde". Até o "verde" está em impresso em tinta verde. Alguma coisa a ver com o Partido Verde? Claro que não, isso é coincidência ou teoria da conspiração desses esquerdistas.
A TV Globo vai pela mesma linha. A idéia é direcionar o espírito da população, canalizar a indignção e dizer que os problemas da cidade estão nesse campo, do meio ambiente, e, claro, o candidato da área vai levar vantagem. Somando isso à bandeira da luta contra a corrupção, teremos em breve um Collor verde disputando a Prefeitura do Rio. Só que com o apoio decisivo do PSDB.
Record x Globo - 2
19.03.2008 | 11h35 |
Acabo de receber a notícia de um colega da TV Record: "Paulo Henrique Amorim foi tirado do ar. Um escândalo!", disse. Não ficou claro se Paulo Henrique foi demitido da própria TV Record, o que será confirmado em breve aqui no Proto-Blog. Nesta quarta-feira Paulo Henrique Amorim foi demitido do IG, onde mantinha sua página Conversa Afiada.
A 'crise' das hipotecas
17.03.2008 | 11h57 |
A propósito da assim chamada crise do mercado imobiliário dos EUA pergunta-se: por que os neoliberais de plantão não reclamaram dos US$ 400 bilhões que o governo injetou nos bancos privados? Isso não seria uma intervenção, essa palavra maldita para aqueles que defendem uma "economia de mercado" sem a interferência do governo?
E novamente volto a dizer: quem se informa exclusivamente pelas corporações brasileiras de mídia não vai ficar sabendo o que de fato está acontecendo na atual crise do capitalismo, essa que ameaça a tudo destruir se não forem realizadas as vontades dos donos do capital. Como muito bem mostrou Hugo RC Souza, em artigo publicado no jornal A Nova Democracia, o prejuízo causado pelas hipotecas de alto risco, ou subprime, advém basicamente de dois fatores: 1) da impossibilidade de o cidadão pagar juros tão escorchantes; 2) da falta de compromisso dos bancos em assumir os riscos que eles mesmos calcularam quando impuseram tais juros.
Recomendo
17.03.2008 | 02h38 |
Pra quem ainda acredita na versão das corporações brasileiras de mídia de que Chávez é o responsável pela instabilidade na região, recomendo artigo recém-publicado na página da Caros Amigos do escritor Izaías Almada. Leia a íntegra aqui. Segue abaixo um trecho, com a seguinte pergunta embutida: quantas vezes você já viu nessa mídia notícia sobre o National Energy Police Report?
Vejamos trecho de um relatório feito ao presidente Bush em 30 de julho de 2001 pelo National Energy Police Report e publicado pelo jornal The Nation: “os EUA necessitam garantir para os próximos anos o fornecimento seguro, estável e barato do petróleo”. O relatório avalia que três regiões no mundo têm que ser consideradas nessa perspectiva: o Golfo Pérsico, a Ásia Central e o Arco Amazônico andino, leia-se Venezuela, Colômbia e Equador. Há, contudo, um significativo parágrafo na recomendação a Bush: “Caso não se consiga o petróleo por meios diplomáticos, devemos introduzir na matéria o nosso aparato militar”. Golfo Pérsico, Irã e Iraque; Ásia Central, Afeganistão. Aqui, como se sabe, falharam os “meios diplomáticos”. O Arco Amazônico andino, contudo, está localizado no “quintal”, o que não deveria causar maiores embaraços, mas surgiram aqui dois empecilhos: o primeiro, Hugo Chávez, e mais recentemente Rafael Correa. O tradicional golpe de estado foi tentado contra Chávez em 2002, mas também não deu certo. Idéias de soberania, independência, mercados comuns e construção de alternativas energéticas vão ganhando força entre países como Argentina, Brasil, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, Cuba. Cria-se a Telesur, a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) em oposição à falecida ALCA, o Banco do Sul, a Petrocaribe, onde países pobres caribenhos podem comprar petróleo da Venezuela a preço mais barato. Um pouco de solidariedade invade os números frios do comércio feito de trocas que só beneficia um dos lados, o mais rico.
Record x Globo
16.03.2008 | 21h46 |
A TV Record acaba de exibir extensa reportagem criticando uma cena da novela Duas Caras, da TV Globo. Foi durante o Domingo Espetacular, apresentado por Paulo Henrique Amorim. A cena em questão retrata uma personagem evangélica que lidera um ato de vandalismo movido por intolerância religiosa. Na reportagem são consultados especialistas em comunicação, representantes de outras religiões e até um advogado. Todos criticam a novela da Globo e este último, inclusive, sugere que o Ministério Público deveria agir para coibir a discriminação.
Lá pelas tantas pensei: se a disputa entre as duas emissoras que ocorreu em 1995 voltar, a Globo vai sair ainda mais arranhada, pois a Record cresceu bastante de lá pra cá. Dois minutos depois a reportagem cita a esparrela de outrora: "Não foi a primeira vez que uma novela da Globo estereotipou uma personagem evangélica". Naquele ano houve uma edição do "25a hora" com Roméro Machado e Paulo Ramos, que problematizaram desde a fraude com o Grupo Time-Lipe que originou a TV Globo até crimes comuns praticados pela emissora, descritos por Machado no livro "Afundação Roberto Marinho". Foi assistindo a uma cópia deste programa que eu conheci o Roméro Machado, comprei seu livro e o entrevistei posteriormente para o jornal A Nova Democracia.
Vamos ver o que acontece daqui em diante, até porque haverá conseqüências eleitorais (No Rio, Globo com Gabeira x Record com Crivella) e cada capítulo de novela é capaz de produzir subjetividades e induzir o voto dos eleitores. Aposto num acordo de cavalheiros, já que são todos profissionais e têm muito a perder. Talvez algumas farpas trocadas até as eleições, nada mais.
Por fim, cabe dizer que a crítica da Record, nesse caso específico, é válida - porém limitada. Há outros aspectos dessa novela tão ou mais prejudiciais ao Brasil, como o descrito pela historiadora Renata Moraes no artigo Um dia vendo as "Duas Caras" da Globo, publicado neste fazendomedia.com.
Tá ficando difícil
14.03.2008 | 01h36 |
William Waack estava todo prosa no Jornal da Globo desta madrugada. Não é pra menos. O apresentador da TV Globo entrevistou a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. Waack mal podia esconder a excitação em servir ao Império. Num momento como esse fica muito claro que a Globo não está preocupada em fazer jornalismo. Não me refiro ao reportariado, que em geral é bem intencionado. Mas a direção da empresa força demais a barra. Waack não fez perguntas, levantou bolas para a entrevistada cortar. E quando falava de Chávez ("É possível trabalhar com Chavez?", que espécie de pergunta é essa?), não conseguia dissimular aquele sorriso cretino de quem acha que está abafando ao espinafrar um terceiro - só que foi uma cretinice pública. E o momento alto da pseudo-entrevista foi quando a secretária imperial passou a discursar sobre respeito às instituições democráticas e trabalhar para o desenvolvimento do seu povo. Em vez de questionar essa hipocrisia que qualquer secundarista bem informado saberia reconhecer, o muito bem posicionado empregado da TV Globo, maior emissora de televisão do país, simplesmente passou à próxima pergunta: "É possível trabalhar com Chavez?". Está ficando cada vez mais difícil encontrar uma edição dos telejornais da Globo que não rasgue o juramento profissional do jornalista. Ou que, em casos como esse, não ignore completamente a História.
Entrevista sobre eleições no Rio
14.03.2008 | 01h24 |
Amigos, concedi uma entrevista ao repórter Luiz Carlos Azenha sobre a disputa eleitoral para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Ouça aqui.
Bastidores da política fluminense
13.03.2008 | 19h15 |
Carlos Minc (PT-RJ), ex-deputado estadual e agora secretário de Meio-Ambiente do governo Cabral (PMDB), é conhecido pelos coleguinhas jornalistas como alguém, digamos, afeito à mídia. Dócil, Minc sempre está pronto para agradar as corporações midiáticas com tanto entusiasmo quanto for o tamanho da audiência. Certa vez, os coleguinhas estavam cobrindo uma reunião de alguma comissão e aguardavam seu encerramento para ouvir um ou outro deputado ou deputada. Alguém disse: “Liga aí o holofote pra ver se o Minc não vem correndo”. Dito e feito. Foi o auxiliar do câmera ligar a luz que Minc se coçou. Levantou no meio do debate e fingiu ir ao banheiro ou coisa assim, só pra ver se algum jornalista o puxava para uma entrevista. Só que, nesse caso, os coleguinhas apenas riram da cara do então deputado. Há outros exemplos como esse, todos lamentáveis e hilários. É uma pena que representantes do povo se dobrem dessa forma diante das corporações de mídia, entidades que estão a serviço da exploração do povo brasileiro e do genocídio dos outros povos. Ou você já viu alguma reportagem indignada com a barbaridade que estão fazendo no Iraque? E uma matéria contra o revoltante valor do salário mínimo, que mal compra uma cesta básica? Não estou dizendo que os deputados não devam atender à imprensa, que isto fique claro. Isto deve ser feito; mas sem essa babação de ovo ridícula que a gente vê por aí.
Os candidatos do sistema
13.03.2008 | 15h33 |
Esta nota foi publicada anteontem na página do jornalista Luiz Carlos Azenha, que trabalhou durante anos na TV Globo: "A Globo já tem candidato a prefeito no Rio de Janeiro: Fernando Gabeira [aliado do PSDB]. Não sei ainda exatamente quais os compromissos que o deputado federal do PV assumiu com a emissora. Conhecendo a Globo, sei que a empresa não é de embarcar em uma campanha eleitoral sem antes deixar bem claro quais são as vantagens políticas e econômicas que obterá".
Marcelo Crivela, do PRB, é o candidato natural da TV Record por suas ligações com a Igreja Universal do Reino de Deus, cujo pastor-mor é o dono da emissora.
Cabe à Justiça Eleitoral fiscalizar e punir as empresas que oferecerem vantagens a qualquer candidato, sobretudo porque são empresas que operam concessões públicas de radiodifusão. Só que os funcionários do Tribunal de Justiça Eleitoral não podem acompanhar a programação 24h. É aí que entra o papel do cidadão consciente. Ele pode provocar uma denúncia (e toda denúncia deve ser investigada) apenas telefonando para o TRE do Rio de Janeiro toda vez que considerar que um ou outro candidato esteja sendo beneficiado. O número é (21) 3513-8141.
Nem o embaixador da Suíça é notícia
11.03.2008 | 22h25 |

"Em nome do governo do meu país, eu quero pedir desculpas". Foi com essas palavras que o embaixador da Suíça, Rudolf Bärfuss, terminou a reunião com uma comissão de mulheres da Via Campesina ocorrida nesta sexta-feira (7/4), em Brasília.
Pausa.
Você, leitor bem informado pelas corporações de mídia, tomou conhecimento desta informação pelas vias tradicionais?
Não?
Então quer dizer que o representante maior da Suíça no país pede desculpas a uma comissão de mulheres da Via Campesina e ninguém publica nada? Isto não seria um fato jornalístico?
Segue abaixo a íntegra da nota divulgada hoje pela assessoria do MST, que também desmentiu a versão da Vale do Rio Doce de que o movimento teria feito reféns ontem durante o bloqueio de uma ferrovia que serve para escoar a riqueza brasileira para o exterior:
"Em nome do governo do meu país, eu quero pedir desculpas". Foi com essas palavras que o embaixador da Suíça, Rudolf Bärfuss, terminou a reunião com uma comissão de mulheres da Via Campesina ocorrida nesta sexta-feira (7/4), em Brasília.
O pedido foi direcionado a Íris Oliveira, esposa de Valmir Mota de Oliveira - conhecido como Keno, morto em outubro de 2007, durante um ataque armado à área de experimento transgênico da transnacional suíça Syngenta no Paraná, ocupada pacificamente pela Via Campesina como forma de denúncia.
Emocionada, Íris entregou uma carta ao embaixador, exigindo que o governo Suíço ajude a punir a Syngenta pelo ato de violência e pelos crimes ambientais dos quais é acusada. "Peço que a embaixada se mobilize para ajudar a retirar a Syngenta do país e impedir que outros crimes como o que vitimou Keno voltem a acontecer. Ele foi morto de uma maneira covarde por jagunços que chegaram atirando violentamente", disse. Em resposta, Bärfuss afirmou querer que a Justiça brasileira investigue o caso o mais rapidamente possível. "Irei acompanhar o caso para exigir uma resposta para tal crime, pois nada justifica uma execução como essa, da forma violenta como ocorreu".
Para Maria da Costa, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o pedido de desculpas do embaixador não foi suficiente. "Queremos a responsabilização da Syngenta pelos crimes que ela comete no Brasil descritos na pauta de reivindicações. Em muitos lugares do país, as mulheres estão mobilizadas contra as transnacionais que massacram, violentam e assassinam homens e mulheres em todo o mundo. Queremos garantir que isto não acontecerá novamente".
Trocando em miúdos, quando se trata de preservar interesses políticos e econômicos, nem o embaixador da Suíça é notícia para essa mídia. Pelo contrário, o que eles publicam como verdade são as mentiras de um diretor da Vale. E tem gente que ainda acredita nas corporações brasileiras de mídia.
Obrigado pela luta, Heitor
10.03.2008 | 14h44 |
Faleceu neste domingo, aos 83 anos, Heitor Manoel Pereira, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), devido a complicações cardíacas. Heitor, nascido no Recife, em 1925, foi um dos primeiros funcionários da Petrobrás, participou da campanha pela fundação da empresa, a partir de 1952, e sempre foi um defensor da soberania brasileira.
Foram 56 anos lutando em defesa das reservas de petróleo e gás. Eu costumava conversar com ele pelo menos uma vez por mês, geralmente por telefone, nos dias em que enviava o Fazendo Media para a Aepet imprimir. Ele era o presidente da Associação, mas se definia como um “soldado a serviço da independência do Brasil”. Graças a sua luta, articulada com outros setores, foi anulada a oitava rodada de leilões de gás e petróleo, em 2006. Uma vitória esmagadora contra as multinacionais e seus lacaios, que lucram com a pilhagem dos nossos recursos naturais.
Heitor era também um homem profundamente sensível à luta pela democratização dos meios de comunicação. Além de apoiar nosso jornal, ele investia pesado no programa Debate Brasil, gravado na Aepet e transmitido por mais de sessenta TVs comunitárias e universitárias do país. Outra iniciativa é o programa Faixa Livre, espaço que se define como “a verdade dos fatos sem o controle da grande mídia”.
Seu falecimento é, sem dúvida, uma grande perda. Sobretudo para aqueles que lutam por um país socialmente justo, livre da opressão imperialista. Todos nós somos um pouco órfãos daquele velhinho, que nos últimos meses já caminhava com dificuldades pelos corredores da Aepet. Fica meu reconhecimento pelo homem, sua vida e história, que se confundem com a História recente do Brasil. Um homem que poderia ter se aposentado e passado o resto da vida fazendo turismo, mas preferiu ficar na trincheira e lutou até o final pelo país que amava.
Ignorante ou desonesto
09.03.2008 | 04h03 |
Antecipo aqui um trecho do artigo da nossa colunista Adriana Facina - em breve no ar -, para em seguida comentar a ignorância ou a desonestidade de um apresentador da TV Globo:
Desde o final do século passado, a Colômbia tem sido exemplo de submissão a um projeto de ocupação militarista, sob a desculpa da “guerra às drogas”, curiosamente conduzida por diversos atores sociais envolvidos até o pescoço com o tráfico internacional de drogas e armas. No pós 11 de setembro de 2001, essa intervenção ganhou nova legitimidade através da “guerra ao terror”, nova face de uma repressão anticomunista brutal numa era pós-Guerra Fria. Como resultado, a Colômbia é hoje um dos países que mais recebem “ajuda” militar estadunidense.
Ocorre que o apresentador do Jornal da Globo perguntou o seguinte durante o programa de entrevistas que conduz na Globonews, na noite de ontem: "Você acha que o Chávez no final das contas conseguiu envolver os EUA e criar um clima de guerra na América do Sul?". É preciso ser muito ignorante ou muito desonesto para fazer uma pergunta dessa. Sim, ignorante ou desonesto com o público. Não há outra opção. Não se trata nem mesmo de defender o capitalismo. Se o apresentador fosse minimamente informado, saberia que os EUA controlam a base militar de Manta, no Equador. Foi porque não cumpriu a promessa de nacionalizar essa base que o ex-presidente Lúcio Gutierrez foi deposto pelo povo, em 2005. Dois anos depois, nesse mesmo país a ministra da Defesa morreu num desastre de helicóptero em circunstâncias ainda não esclarecidas. O apresentador, que sempre ostenta bons ternos e gosta de dizer que lê o New York times, deveria estudar um pouquinho mais de História. Aí talvez descobrisse que a Colômbia recebe em seu território militares dos EUA, e que o mesmo ocorre no Paraguai. Parece também que o ignorante não sabe que o presidente da Venezuela foi vítima de um golpe de Estado, em 2002, apoiado pelos EUA. Ou seja, já há um "clima de conflito" na região - e faz tempo. Será que o jornalista desconhece o currículo da CIA, responsável por assassinatos de inúmeros presidentes latino-americanos? Ou trata-se de um ignorante completo ou de um mal intencionado. Qualquer uma das hipóteses o descredenciaria para ocupar o cargo que ocupa numa empresa jornalística capitalista.
Ocorre que estamos falando das corporações brasileiras de mídia e, particularmente, da TV Globo. Esta nunca foi uma empresa jornalística. Nasceu de uma fraude, com dinheiro do grupo estadunidense Time-Life, e cresceu durante a ditadura que torturou e matou milhares de brasileiros. Teve em seus quadros durante anos dois coronéis da CIA, Vernon Walters e Joe Walach, e desde então jamais deixou de apoiar os governos terroristas que se instalaram em Washington. Um exemplo: além de não repudiar, a Globo incentiva a chacina cometida pelos EUA no Iraque desde 2003 - a partir de uma invasão não-autorizada pela ONU, é sempre bom lembrar. Além disso, constam no currículo desta emissora a edição do debate eleitoral para favorecer Fernando Collor em 1989, a omissão em seu noticiário do movimento das Diretas, em 1984, e a manipulação grosseira das pesquisas para tentar impedir que Leonel Brizola fosse o governador do Rio de Janeiro, entre muitos outros exemplos.
É por isso que jornalistas ignorantes ou desonestos alcançam altos postos na emissora - acabam defendendo os mesmos interesses.
"Eu vejo na televisão"
08.03.2008 | 16h47 |
Cerca de 100 integrantes da Via Campesina e do MST, em sua maioria mulheres e crianças, protestaram pacificamente em frente ao Consulado da Suíça, no Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira (7/3). Além de dezenas de bandeiras vermelhas, eles levaram um violão e cantaram músicas sobre o trabalho na terra e a importância de Reforma Agrária. Também havia uma grande imagem de Keno, o militante recentemente assassinado a mando da Syngenta. O objetivo era entregar uma carta ao cônsul suíço relatando o caso, que também deixou uma mulher cega, e exigindo providências.
A matéria completa será publicada em breve e assinada pela excelente repórter Raquel Junia, que cobriu comigo o ato. Vou contar apenas um episódio. Lá pela metade da manifestação, um morador do prédio em frente se aproxima e pergunta: “Você é jornalista?”. Respondo que sim e pergunto se ele gostaria de dar sua opinião a respeito do ato. Ele imediatamente se aproxima e abre o coração: “Isso é um bando de vândalo. Vivem fazendo baderna. E não é ninguém que está me dizendo não, eu vejo na televisão. Quase todo dia eu vejo a baderna que eles fazem”.
Após essa afirmação tive tempo de pensar em como é importante o trabalho dos grupos pela democratização da informação. Quando ele acabou de desabafar, o que incluía um certo repertório contra as mulheres do MST, do tipo “Bando de mulher desocupada, deviam estar cuidando da casa”, perguntei qual sua opinião sobre a Syngenta. Ele: “Hein?”.
Eu poderia dizer aqui que além de desinformado o sujeito é burro. Mas prefiro acreditar que, talvez, sua opinião fosse outra se no Brasil não existisse um monopólio televisivo a serviço da exploração do povo brasileiro e do genocídio dos povos estrangeiros. E mais: um monopólio que agride até as leis do capitalismo, especialmente aquela que determina a cobrança de impostos para aplicação em garantias sociais. A Globo, por exemplo, deve milhões de reais ao INSS. Mas nem o governo executa a dívida, nem os defensores do capitalismo ficam aborrecidos com isso.
Molon: 4 meses calado
06.03.2008 | 23h27 |
Hoje completaram-se quatro meses desde que organizamos o Manifesto Contra as Políticas de Extermínio do governo Sérgio Cabral [Leia a íntegra aqui]. O documento, lançado no Rio de Janeiro, contou com quase 200 assinaturas, entre as quais quatro desembargadores, cinco juizes, músicos, artistas, professores e jornalistas, entre outros, além de diversas entidades como OAB, Tortura Nunca Mais e MST; Marcelo Yuka, Paulo Lins, Letícia Sabatella, Lobão, Beth Carvalho, Nilo Batista, Carlos Latuff, Cecília Coimbra e Vera Malaguti foram alguns dos primeiros a se posicionar contra a política de segurança do governo estadual do Rio de Janeiro.
Quando oferecemos o documento para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do RJ (Alerj), deputado Alessandro Molon (PT), ele disse que precisava de tempo para pensar. Ainda em novembro, quando o relator da ONU para casos de execuções sumárias, Philip Alston, esteve no Rio, tornamos a perguntar. Sua secretária, Renata Pelazon, confirmou o recebimento do texto e disse que já havia encaminhado ao deputado. Molon novamente alegou falta de tempo. Agora, depois de quatro meses, será que o nobre deputado petista ainda não conseguiu encontrar tempo para ler o documento?
Quase 200 pessoas e entidades tiveram tempo de ler o documento, mas o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj segue calado. Há quem diga que Molon mantém o silêncio para conseguir apoio do governador Sérgio Cabral em torno de sua candidatura para a Prefeitura do Rio de Janeiro, cujas eleições ocorrem em outubro próximo. Eu prefiro não acreditar nisso, pois seria uma postura que não condiz com o cargo que o deputado do PT ocupa na Comissão de Direitos Humanos da Alerj.
Leia aqui a biografia de Uribe
06.03.2008 | 01h44 |
Acabo de receber o livro "O senhor das sombras", em arquivo PDF. Trata-se da biografia não-autorizada do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Sua leitura talvez ajude a compreender melhor o que acontece hoje na América do Sul. O autor não é um militante de esquerda, mas Joseph Contreras, editor da revista Newsweek (capitalista) e formado em administração de empresas na Universidade de Harvard (onde são formadas as melhores cabeças do capitalismo). Ele conta a história de Uribe desde 1981, ano em que ingressou na política, até a formação de um governo sustentado por grupos paramilitares e apoiado pelo governo dos EUA, que já investiram US$ 5 bilhões no país sob o pretexto de combate ao narcotráfico. Na página 30, por exemplo, o autor sustenta que eram bastante próximas as relações de Uribe com Pablo Escobar, chefe do Cartel de Medellín. Estou disponibilizando o livro para ser baixado aqui (ou na coluna à direita intitulada "Leituras indicadas"). São 260 páginas em espanhol, num arquivo de 1,2 MB.
Entrevista ao Faixa Livre no ar
06.03.2008 | 01h25 |
A entrevista que concedi ao Faixa Livre já pode ser ouvida em www.programafaixalivre.org.br/?id=216. Está mais ou menos a partir dos 40 minutos do tocador que aparece lá na página. Eu gostaria, sinceramente, que os amigos opinassem: o que eu falei de importante, o que era descartável, o que poderia ter desenvolvido mais, o que simplesmente deixei de falar e etc.
Jornalismo canalha
04.03.2008 | 23h04 |
Recebi há pouco esta nota da assessoria de imprensa do MST:
Um contingente da Brigada Militar invadiu de forma violenta o acampamento das mulheres da Via Campesina na Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, por volta das 17h, nesta terça-feira. As primeiras informações da área registram que há centenas de agricultoras feridas.
As cerca de 250 crianças que estavam no acampamento foram separadas das mães e colocadas deitadas com as mãos na cabeça. Ferramentas de trabalho foram apreendidas e barracos destruídos.
Durante o dia, a Brigada Militar já havia agredido um grupo menor de camponesas na entrada da fazenda e coagido os jornalistas que estavam na área cobrindo o episódio. Um cinegrafista foi detido por mais de uma hora e a sua fita com o registro da agressão apreendido.
Não é a primeira ação violenta do Governo Yeda Crusius. A Via Campesina condena a ação e denuncia que a governadora tucana coloca o aparato policial do Estado a serviço de uma de suas maiores financiadoras de campanha, a multinacional Stora Enso.
Via Campesina denuncia com a ocupação que a área foi adquirida ilegalmente pela empresa estrangeira e burlando a Constituição Federal, por se localizar em faixa de fronteira, o que é proibido por lei.
As corporações de mídia entraram na cobertura, mas pela linha da criminalização das camponesas. É sempre bom ressaltar que nossa crítica vai em direção ao sistema de comunicação tal como ele se apresenta hoje: concentrado em poucas mãos e a serviço da exploração do povo brasileiro. Os repórteres, de modo geral, são bem intencionados e têm apenas sua força de trabalho para vender. Entretanto, algumas vezes eles fazem de tudo para satisfazer seus patrões e esquecem qualquer compromisso com a ética profissional. No Jornal do STB de hoje, o apresentador disse o seguinte: "Se essas mulheres acham que estão fazendo algo defensável, por que usam lenços sobre o rosto? Deviam fazer isso de cara aberta". O apresentador em questão não é mulher, não é camponês e não sabe o que é viver sem ter onde morar e trabalhar. Não conhece o significado da palavra "sem-terra". Além de nunca ter passado por essas necessidades (ou sentido os preconceitos por viver numa sociedade machista, no caso das mulheres), o apresentador, de uma sala com ar-condicionado, aceita alegremente fazer o jogo do patrão, cujos interesses são muito parecidos com os interesses dos donos da Stora Enso e dos governantes do Rio Grande do Sul. Ele pede para ver a cara daquelas mulheres, que ousaram lutar para fazer valer seus direitos básicos - previstos na Constituição - e, para isso, colocando em risco a vida dos próprios filhos. Mas o apresentador não tem idéia do que isso significa. Nem nunca terá. Será sempre um medíocre, vassalo das corporações multinacionais, escravo de seu tão alto quanto indigno salário e um covarde, que jamais diria o que disse na frente de uma daquelas camponesas. Não precisava ser mais de uma pra dar conta de um cretino adestrado como esse; um pulha, um rato, que além de tudo ofende todos os jornalistas que procuram fazer seu trabalho com correção e em observância ao juramento profissional: "A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade". E é justamente em face deste juramento que eu assino este texto. Em defesa das camponesas contra o ataque covarde desta e das demais corporações de mídia.
Mídia colombina
04.03.2008 | 12h08 |

Carlos Latuff fez este desenho durante encontro com o vice-ministro de Relações Exteriores da Venezuela, no Rio. Com um detalhe: uma semana antes de o narco-presidente Álvaro Uribe, apoiado pelo regime terrorista de Bush, violar a soberania do Equador e assassinar 18 guerrilheiros das Farc, incluindo Raul Reyes, porta-voz que negociava nova libertação de reféns. Mas para as corporações de mídia brasileiras, a culpa é do Chávez. Não deve ser à toa que o repórter da TV Globo informa de Buenos Aires o que acontece na fronteira norte do Brasil.
É muito mais cômodo - e interessante aos desígnios do império - tratar as Farc como um bando de traficantes e assassinos sanguinários. Embora televisões na Europa tenham divulgado entrevistas do próprio Raul Reyes e outros integrantes das Farc, aqui no Brasil o público nem mesmo tem esse direito. Deve acreditar no que diz a mídia que apoiou a ditadura de 64 e ponto. Talvez para evitar que a gente descubra que o objetivo das Farc é político: "Buscamos a pátria grande e o socialismo. Queremos uma nova Colômbia, queremos justiça social", disse Reyes ao Canal Nova, da Holanda, no final do ano passado.
Não acreditar no que diz Reyes é muito diferente de impedir a veiculação de sua mensagem. Mas é justamente este o procedimento ditatorial dessa mídia que se diz democrática; não apenas com Reyes, mas com os movimentos sociais, com as discussões sobre uma outra política econômica possível ou nas áreas de cultura e educação, entre outras. Toda proposta que busca a transformação do sistema é prontamente silenciada.
Até as crianças colombianas sabem que o governo Uribe é financiado pelo narcotráfico e sustentado pelos terroristas de Washington, mas não o povo brasileiro. Aliás, até uma universidade estadunidense já divulgou documentos que mostram essas ligações. Veja, não é uma universidade venezuelana, mas estadunidense! A cobertura da mídia brasileira é tão vergonhosa, mas tão vergonhosa, que a "reportagem" do Jornal da Globo de ontem classificou as Farc como grupo terrorista, o que nem o governo brasileiro faz. Mas isso é compreensível. Desde que nasceu, a Globo esteve vinculada a Washington e, se o regime terrorista de Bush (que já matou diretamente milhares de pessoas no Iraque e Afeganistão e outras tantas indiretamente ao redor do mundo) classifica as Farc como terroristas, isto é suficiente.
Mais uma vez é preciso afirmar: o cidadão que se informa exclusivamente pela mídia terrorista jamais compreenderá a realidade que o cerca.
Entrevista no Faixa Livre
03.03.2008 | 14h00 |
Hoje pela manhã a produção do programa Faixa Livre entrou em contato. Fui convidado para participar ao vivo amanhã, às 8h30, para falar sobre o Fazendo Media e a importância da democratização da mídia. Quem estiver no Rio consegue sintonizar o programa na Rádio Bandeirantes 1.360 AM. Os ouvintes podem participar enviando perguntas e opiniões. Outras informações sobre o Faixa Livre em www.programafaixalivre.org.br.
Cobertura míope, compreensivelmente
03.03.2008 | 11h12 |
Então ficamos assim: o exército colombiano invade o Equador, executa 15 guerrilheiros das Farc enquanto dormiam e as corporações de mídia ensinam que o malvado da história é o presidente da Venezuela. Detalhe: o repórter da TV Globo tem informado sobre o conflito das Farc com o governo colombiano de... Buenos Aires. Depois não sabem porque cada vez menos pessoas acreditam no que publicam.
A prefeita sem partido
03.03.2008 | 03h10 |
Você aí, sempre antenado(a), saberia dizer por que a prefeita de Magé (RJ), Núbia Cozzolino, foi citada no programa que se diz fantástico deste domingo sem que fosse mencionado o partido a que pertence? Pela lei brasileira, só é permitido ao cidadão concorrer a qualquer cargo público eletivo se for filiado(a) a um partido político. Mas a extensa reportagem do referido programa, que foi até Magé e investigou a fundo as denúncias, em nenhum momento informou o partido da prefeita: PMDB, mesmo do governador do estado Sérgio Cabral. Quem acompanha o blog sabe: não me furto a criticar o PT neste espaço, mas sejamos justos: quando acontece qualquer coisa com qualquer um vinculado ao partido é a sigla PT quem vai para as manchetes. Não por ódio à direção do partido, claro, até porque eles têm seus interesses em comum, mas para deixar bem claro para o público que não existe alternativa de esquerda ao sistema político que hoje controla o país.
As reportagens do "Globo" também são pródigas em não identificar o partido de algum parlamentar que venha a ser acusado de qualquer crime. Foi assim no final do ano passado, em que o deputado estadual Natalino e o vereador Jerominho apareceram sem partido (na época citei o caso aqui no blog, basta consultar o arquivo): PMDB e DEM, respectivamente o partido do governador do RJ Sérgio Cabral e do prefeito do Rio César Maia.
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