PCB processa a Globo
21.12.2007 | 16h50 |
Acabo de receber a mensagem abaixo de Ivan Pinheiro, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro:
As Organizações Globo (The Globe, sucursal de Time e Life, como dizíamos no passado) está cada vez mais a serviço do imperialismo. Aliás, na Venezuela, o canal de televisão similar chama-se, sintomaticamente, Globovision.
A missão principal desses meios de comunicação hoje é tentar evitar a integração progressista dos povos latino-americanos.
Esta semana, o jornal "The Globe" estampou em sua primeira página uma manchete: "Do rei ao menino de rua", "informando" que Hugo Chávez é rejeitado por todas as classes sociais. É que um menino de rua, em Montevidéu, naturalmente assustado, recusou-se a sair numa fotografia com ele. Certamente, não sabia nem de quem se tratava!
Mas o "Fantástico" do último domingo extrapolou.
Numa sórdida e repugnante matéria, atiçou o povo brasileiro contra os venezuelanos, insinuando uma suposta "invasão militar" da Venezuela ao nosso país.
Nesta semana, o PCB representou judicialmente contra a emissora, instando o Ministério Público Federal a acioná-la, para assegurar direito de resposta, no mesmo espaço, a representantes dos governos ofendidos.
Bom programa
16.12.2007 | 11h06 |
A professora Adriana Facina convida a todos para o lançamento da Revista ContraCultura e do Blog do Observatório da Indústria Cultural. A partir das 18h desta quarta-feira (19/12), no ICHF da UFF, haverá debate sobre o documentário “Sou feia mas tô na moda”, com a participação da diretora Denise Garcia, dos professores Ana Lucia Enne (UFF) e Roberto Borges (CEFET) e do DJ Mamute. Em seguida, o rapper Gas-PA fará uma apresentação com as músicas de seu CD “Temeremos mais a miséria do que a morte”.
Boa notícia: Aloysio Biondi no ar
15.12.2007 | 16h12 |
Acabo de ficar sabendo que o projeto "Brasil de Aloysio Biondi" ficou pronto. Agora o internauta poderá consultar todos os textos publicados por este grande jornalista, autor de "Brasil privatizado", que foi também um crítico das corporações de mídia e dos interesses que defendem. Acesse www.aloysiobiondi.com.br. Segue a nota que recebi, e compartilho com vocês:
Caros amigos e amigas do projeto O Brasil de Aloysio Biondi. Agora, podemos comemorar uma grande e importante novidade de nosso projeto e do jornalismo brasileiro: o site de memória do Biondi está pronto no que diz respeito a seu desenho e programação.
Eis uma idéia iniciada em 2001, nos primeiros passos de nosso projeto. Uma história desenvolvida ao longo desses anos todos, em ritmo mais forte e intenso justamente a partir de abril de 2005.
Após várias conversas e debates entre os integrantes do projeto, optamos por estruturar um site baseado em três eixos: a obra de Biondi, a vida do Aloysio e o projeto "O Brasil de Aloysio Biondi", com ênfase no legado deixado pelo jornalista em suas centenas de textos.
Optamos, também, por chamar para trabalhar conosco o Renato Almeida Prado, amigo responsável pelo desenho do site e com grandes qualidades gráficas e teóricas sobre a internet, e o Vitor e a Isabela, companheiros que colaboram com o Centro de Mídia Independente, referências em trabalhos com software livre e na defesa dessa opção de uso das novas tecnologias e de acesso ao conhecimento.
O trabalho de programação e desenho chegou ao fim, mas a história do site do Biondi está apenas começando. Vamos aos pequenos ajustes, à colaboração de todos, à alimentação do site e às muitas lutas e empreitadas que o projeto "O Brasil de Aloysio Biondi" ainda encampará.
PF pega empresário traficante
15.12.2007 | 16h05 |

Enquanto as corporações de mídia direcionam seus holofotes e derramam litros de tinta contra os traficantes varejistas, a Polícia Federal encerrou ontem a Operação Império. Um empresário, do "ramo de exportação", foi preso em sua mansão na capital paulista, com nada menos que 250 mil euros. Além dele, outras dez pessoas foram presas e 150 quilos de cocaína foram apreendidos. A midiazinha parece que não viu. Segue abaixo a nota da PF:
PF DEFLAGRA OPERAÇÃO IMPÉRIO CONTRA TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS
SÃO PAULO/SP - A Polícia Federal concluiu hoje, 14, a Operação Império. A ação, que começou na última quarta-feira, 12, teve como objetivo desmontar uma quadrilha envolvida com o tráfico internacional de drogas. Foram presas 11 pessoas e apreendidos 150 quilos de cocaína.
As investigações, realizadas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF em São Paulo, tiveram início em julho de 2007 quando autoridades da Bélgica interceptaram cerca de 305 quilos de cocaína provenientes do Brasil. O governo belga alertou então a Polícia Federal brasileira sobre a existência de uma organização criminosa internacional de narcotraficantes.
Na última quarta-feira os policiais federais apreenderam os 150 quilos de cocaína no porto de Santos (SP). A droga seria enviada para a Holanda em meio a embalagens de café que estavam acondicionadas no interior de um container.
Hoje foram realizadas as onze prisões. Entre os detidos está F.D.C, empresário do segmento de exportação, que seria o chefe da quadrilha no Brasil. Em sua mansão em um bairro nobre da Zona Sul paulistana, foram apreendidos ainda cerca de 250 mil euros. Foram cumpridos também 12 mandados de busca e apreensão com apoio de 60 agentes federais. Até o momento foram apreendidos 300 mil euros.
Os envolvidos responderão pelos crimes de financiamento de tráfico e associação para o tráfico.
Por: Setor de Comunicação Social / Superintendência Regional da PF em São Paulo
Deduragem eletrônica
14.12.2007 | 16h54 |
"RIO - Pela primeira vez, a polícia se instalará numa favela tendo como uma de suas missões impedir desmatamentos para a construção de novas casas. Você conhece favelas em expansão ou formação? Clique aqui e mande o seu relato sobre as áreas onde o problema ocorre. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, anunciou nesta quinta-feira que a unidade do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) que será inaugurada em março na Babilônia, no Leme, terá um braço ambiental: ao lado e com o apoio de PMs atuarão membros da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cica) e da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente".
Não satisfeito em condicionar a opinião pública contra as classes subalternizadas, o "Globo" aproveita a internet para incentivar a deduragem eletrônica. Você clica e dedura as pessoas que não encontraram outro lugar para morar perto do trabalho. Clica e joga a polícia em cima daqueles que sofrem os efeitos mais perversos do neoliberalismo.
O trecho acima foi publicado na versão eletrônica do "Globo" (clique aqui). Faz parte da campanha contra quem mora em favela. Não tem nada a ver com preservação ambiental, até porque há diversos condomínios de luxo em áreas de preservação ambiental sem que nenhuma campanha tenha sido deflagrada contra eles. Ocupá-los com a polícia? Só se for o Bope, mas para garantir a segurança privada. Ao longo do ano, vi a mesma campanha contra o canal do Cortado. Em nome da suposta preservação ambiental, pediam a expulsão dos moradores. Até a TV Globo entrou na jogada, de maneira grosseira. Na edição de uma das reportagens, aparecia um grande cano de esgoto a sugerir que as 40 casas da favela eram as responsáveis por toda a poluição da Barra da Tijuca. Fui até o local e, surpresa! Não há nenhum cano de esgoto, nem grande nem pequeno. [Leia aqui a matéria publicada sobre o Canal do Cortado].
Lembro quando César Maia (PFL/DEM) mandou sua Guarda Municipal, escoltada ilegalmente pela PM, destruir 200 casas no Canal do Anil, favela de Jacarepaguá, em junho. Isso apenas dois dias após o término dos Jogos Pan-Americanos. No dia seguinte, fui até a favela. Dormi lá dentro e ouvi dezenas de moradores. A questão é muito simples: a região passou a ser área de especulação imobiliária. As construtoras - sobretudo a Carvalho Hosken - querem expulsar os moradores e construir condomínios de prédios e lucrar milhares porcento na venda de cada apartamento. Os moradores não querem sair porque trabalham e estudam nas proximidades. Seu principal meio de locomoção é a bicicleta. Isso ficou muito nítido quando amanheci por lá. Por volta de 6h30, 7h, homens e mulheres penduravam filhos e sobrinhos nas garupas e seguiam para as escolas e creches, depois seguiam seus rumos: pedreiros, estudantes, pequenos comerciantes, pintores, empregadas domésticas.
Os moradores do Canal do Anil uniram-se e impediram a destruição das 200 casas. Apenas 4 foram ao chão. Os parlamentares Eliomar Coelho (PSOL), Edson Santos (PT) e Brizola Neto (PDT), ao lado do jurista Miguel Baldez, enfiaram-se dentro das casas ameaçadas e também impediram a destruição. Na época, foram apresentados pelo "Globo" como transgressores da lei, isso em primeira página. Leia aqui um pequeno texto que fiz à época (procure pelo título Criminalização das Favelas).
Quanto ao Minc, secretário do PT no governo Sérgio Cabral (PMDB): é importante lembrar que ele apoiou, este ano, o projeto de lei que permite a entrada da Aracruz Celulose no Rio de Janeiro, essa mesma empresa que agrediu e expulsou indígenas e quilombolas de suas próprias terras no Espírito Santo. A empresa que mente dizendo que dá muito emprego, quando qualquer estudante de administração de empresas sabe que todo monopólio é lesivo à classe trabalhadora. Que mente ao dizer que preserva a natureza, quando na verdade produz o chamado deserto verde. E etc.
39 anos depois do AI-5
13.12.2007 | 20h05 |
Dia 13 de dezembro de 1968, uma sexta-feira. Foi nesse dia que a ditadura empresarial-militar decretou o infame AI-5, suspendendo as garantias individuais mais básicas e legalizando a opressão do Estado. A tortura foi efetivada como sistema de controle. Ser comunista era sinônimo de bandido.
Não sejamos inocentes. O golpe não veio para acabar com o “socialismo” de Jango. Ele veio, como demonstra René Dreifuss em seu clássico “1964: A Conquista do Estado”, para facilitar a implantação das multinacionais no país. As medidas "socialistas" de Jango eram: aumento do salário mínimo, reforma agrária, controle sobre as remessas de lucros, etc. Nada que os países capitalistas não fazem/fizeram. Os militares foram apenas os testas-de-ferro, que toparam fazer o serviço sujo para que certos empresários ganhassem muito dinheiro, ontem e hoje.
Vale lembrar que as corporações de mídia apoiaram o golpe e a ditadura que sequestrou, torturou e matou milhares de brasileiros. Notícias eram omitidas ou distorcidas conforme os interesses dos políticos e empresários que se beneficiavam com o controle do Estado. Enquanto isso, setores estratégicos foram abandonados, como Educação e Saúde. Outros foram perigosamente submetidos aos interesses estadunidenses, como Energia, Comunicações e Transportes, além das próprias Forças Armadas.
O Brasil de hoje é resultado direto do autoritarismo decretado pelo AI-5. Trinta e nove anos depois, pouco mudou. O modelo continua concentrador de renda, exportador e extremamente violento em relação às classes subalternizadas. A disputa pela CPMF deixa isso bastante claro, seja por aquilo que explicita, seja pelas implicações omitidas. O PT, que antes era contra a tarifa, agora é a favor. Diz que o povo não pode ficar sem os 40 bilhões da arrecadação. É o caso de perguntar: e antes, podia? Já PFL e PSDB, criadores do imposto, agora votam contra. Ou seja, as grandes iniciativas de que o país precisa são substituídas por essa pequeneza política tão hipócrita quanto infame. Objetivamente falando, o que dizer de um presidente que envia carta ao presidente do Congresso garantindo que a CPMF seria usada na Saúde, como se esta já não fosse sua destinação legal? Por que não inverter a problemática e jogar com a sinceridade, presidente? É preciso ser um estadista para afirmar, e cumprir, que em nome da Constituição, temos que abandonar o superávit primário porque o povo não pode morrer nas filas dos hospitais. Os especuladores podem esperar, eles já possuem muitos milhões de dólares.
Na verdade, o AI-5 nunca foi revogado. Enquanto existirem 72 milhões de brasileiros em situação de “insegurança alimentar”, conforme divulgou o IBGE no ano passado, a memória daquela sexta-feira 13 voltará a assombrar o povo brasileiro. Enquanto o salário mínimo for a quarta parte do mínimo necessário para sobreviver, não se pode dizer que o trabalhador brasileiro tem suas garantias individuais preservadas. Enquanto míseros 26% compreenderem aquilo que lêem, os golpistas de 64 estarão no comando do país.
Para começar a reverter esse estado de coisas, é preciso democratizar a mídia no Brasil. Os avanços serão sempre tímidos e insuficientes enquanto a esquerda não encarar a disputa das representações. É preciso entender que a mídia, hoje, é a instituição com maior poder de produção de subjetividades. Há outras, como a escola, a universidade, a família e etc., mas a mídia é a instituição mais poderosa porque atravessa todas as outras. E produzir subjetividades significa nada menos do que determinar formas de sentir, agir e viver. E votar. Enquanto o país for dominado por uma mídia de direita, brutalmente concentrada e a serviço da exploração do povo, estaremos sempre em desvantagem. Por outro lado, se conseguirmos viabilizar novas formas de comunicar, fiscalizar a destinação das verbas públicas de publicidade e exigir que elas sejam igualmente distribuídas e garantir acesso à produção e divulgação a todos os setores da sociedade, conseguiremos avançar exponencialmente em todas as nossas batalhas.
Ou a esquerda entra de cabeça na luta pela democratização da mídia, ou será esmagada pelas forças do capital.
Saque com apoio da mídia grande
12.12.2007 | 17h19 |

Do blog de Georges Bourdoukan, escritor e colunista da revista Caros Amigos:
Saque oficializado
A notícia ganhou destaque em todas as mídias:
“A casa Sotheby's vendeu nesta quarta-feira em Nova York a Leoa Guennol, uma peça mesopotâmica (iraquiana) de cerca de 5 mil anos, por US$ 57,16 milhões, o valor mais alto já atingido por uma escultura durante um leilão”.
“Após uma apertada disputa entre cinco licitantes, com rodadas sendo aplaudidas pelo público, a estatueta, de cerca de 8,25 centímetros de altura, foi para as mãos de uma pessoa de nacionalidade britânica, que pediu o anonimato”.
Vejam vocês. Nenhuma palavra sobre o vendedor da escultura ou de como ela foi parar ali. Nenhuma palavra sobre a destruição e o saque de sítios históricos no Iraque. Nada! Absolutamente nada! É por essas e outras que o delinqüente Bush invade e ocupa países. Sabe que a mídia e seus pilantras jogam no mesmo time que ele.
Lembrei do livro "Piratas e Imperadores", de Noam Chomsky. A tese é muito simples: quando se rouba pouco, trata-se de um pirata. Quando se rouba muito, vira imperador. Além disso, há os casos de cegueira política. O Jornal do SBT de ontem, com Carlos Nascimento e aquela moça belíssima que, apenas por isso, virou leitora de teleprompter, estava preocupadíssimo com a "Ovelha pretinha". Isso porque o enviado especial conseguiu a proeza de montar uma reportagem acusando os talebans de terroristas e elogiando os EUA por "financiarem obras públicas no Afeganistão". Os talebans - por que será? - estavam atirando contra o exército invasor e... Assustando a ovelhinha, que seria delicadamente abatida numa festa.
Mídia e Direitos Humanos
12.12.2007 | 17h10 |
Acabamos de publicar artigo da professora Adriana Facina (História/UFF), com o tema "Mídia e Direitos Humanos". Ela faz um resgate desde a Revolução Francesa até os dias atuais. Leia aqui a íntegra. Segue abaixo um trecho:
Não podendo mais ser incoporada via emprego ou consumo, a classe trabalhadora se tornou uma massa de seres supérfluos, alvo de uma criminalização alimentada pela mídia oligopolizada e propagandista do pensamento único.
Tudo faz sentido
12.12.2007 | 12h43 |
Teria a Tribuna da Imprensa furado o Globo? Pergunto porque na edição de hoje do jornal da Rua do Lavradio há uma informação gravíssima: "Ex-presidente do Congresso colombiano é preso". Motivo? Envolvimento com grupos paramilitares. Folheio o Globo e nada. Será que os editores do Globo não consideraram a informação relevante? Ou Será que a Tribuna inventou a informação? Nesse caso, o Estadão e o Yahoo também inventaram. E a Agência EFE, e o G1, e o Terra... Uma invenção coletiva!
Relembrando: no final de novembro, como anotei neste blog, o jornal O DIA informou que o deputado Natalino José Guimarães (DEM-RJ) e o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB-RJ) estão sendo investigados por ligações com grupos paramilitares. O Globo só foi dar a informação dois dias depois (30/11) e, mesmo assim, no texto do jornal o nome dos parlamentares apareciam soltos, sem o tradicional parêntesis indicando o partido a que pertencem. Deve ter sido distração do editor. Nada a ver com o fato de o PMDB ser o partido do governador Sérgio Cabral. Ou com o fato de o DEM (ex-PFL) ser o partido do prefeito César Maia. Hoje, como numa mensagem cifrada, a coluna do súdito do Rei Juan Carlos anota: "A Polícia Federal investiga a ligação de um deputado do PMDB do Rio com Juan Carlos Abadia, o traficante colombiano".
Por fim, é bom lembrar as denúncias feitas pelo incansável Maurício Campos, integrante da Rede Contra a Violência: grupos criminosos se apossaram do poder público, com apoio de empresas privadas. Vejam o que ele disse - e eu publiquei aqui no dia 27 de novembro:
O alto número de policiais mortos fora de serviço desde o final do ano passado está intimamente ligado ao aumento da competição entre grupos paramilitares, desde que dinheiro e armas começaram a fluir mais intensamente para eles, e desde que milícias e outros tipos de paramilitares diversificaram suas atividades aumentando as chances de lucros e a concorrência por eles. Regiões como Zona Oeste, Baixada e São Gonçalo tornaram-se verdadeiros campos de batalha dessa guerra, onde além de policiais morrem bombeiros, seguranças particulares e gente sem ligação direta com alguma força armada.
Sérgio Cabral e César Maia estão transformando o Rio de Janeiro numa mistura de Colômbia com Paraguai, naquilo que esses dois países têm de pior. Se a coisa continuar nesse ritmo, em muito breve seremos um grande camelódromo controlado por grupos paramilitares. E pra quem acha que o corte de classe será proteção duradoura, vale destacar uma parte do que disse o professor da UFRJ Roberto Leher, na Alerj, durante o seminário em homenagem ao Dia Internacional dos Direitos Humanos: "Os grupos paramilitares na Colômbia matam, por ano, um número de pessoas na ordem de centenas - na ordem de centenas - entre professores, estudantes e militantes de direitos humanos.
Sobre a cobertura no Alemão
11.12.2007 | 20h21 |
Cabeça da entrevista que concedi ao jornalista Luiz Carlos Azenha, cuja primeira parte acaba de ser publicada em sua página Vi o Mundo:
O jornalista Marcelo Salles é um daqueles exemplos de coragem e de persistência. Há muitos na mídia brasileira. Alguns, sufocados pelas restrições patronais. Outros cabeçudos. Teimosia é uma coisa, persistência é outra. O Caco Barcellos, por exemplo: não teria sido mais fácil para ele engavetar as investigações que fez sobre as matanças da Rota e tirar proveito do bem-bom, como muitos colegas dele, inclusive na TV Globo, decidiram fazer? Não, ele publicou em livro (Rota 66) e foi ameaçado de morte continuamente.
O Azenha perguntou sobre a cobertura da mídia durante a Chacina do Alemão. Segue abaixo um trecho da resposta. Pra ler tudo, acesse www.viomundo.com.br.
Pode ser que pontualmente um ou outro jornalão ou revistão possa se dobrar diante da realidade, de que houve execuções no Alemão. Mas de maneira geral, o que permanece é a indiferença, a incapacidade de reconhecer que nas favelas há vida, há alegria, trabalho e tantos outros problemas que já deveriam ter sido resolvidos pela administração privatista de sucessivos governos.
Pela democratização da mídia
11.12.2007 | 00h16 |
Zô Guimarães/Alerj

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) reconhece
a importância da democratização da mídia
Assembléia Legislativa do RJ (Alerj), cinco da tarde em ponto. Nesse 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, diante de um Plenário lotado, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) lê o texto abaixo, com transmissão ao vivo pela TV Alerj (canal 12 da NET):
No momento em que a maioria das redações da grande mídia está entregue aos desmandos de empresas que insistem em colocar o lucro acima da vida, rendemos homenagem ao Fazendo Media que, em seus 4 anos de existência, faz valer o verdadeiro papel dos meios de comunicação - democratizar o saber, educar, investigar e denunciar a corrupção.
Em matéria publicada na página da Alerj, a intervenção que fiz na parte da manhã foi citada:
Um dos ocupantes do plenário, o jornalista Marcelo Salles questionou a parcialidade com que a mídia aborda o tema e reivindicou a democratização do acesso à comunicação. “As pessoas só poderão lutar por seus direitos quando verdadeiramente os conhecerem. Precisamos democratizar o acesso à informação através dos meios de comunicação que se encontram centralizados nas mãos de poucos”, declarou. Leia a matéria aqui (Palestrantes acentuam desrespeito aos Direitos Humanos no Capitalismo).
Estão de parabéns as entidades organizadoras da atividade, a saber: os mandatos pessolistas do deputado federal Chico Alencar, do deputado estadual Marcelo Freixo e do vereador Eliomar Coelho, além de MST, Justiça Global e outras. Além dos debates e das homenagens (24 no total), os participantes foram brindados com uma apresentação de hip hop, voz e violão engajados e um belo documentário sobre as mulheres do Complexo do Alemão. Parabéns a Dafne Capella, Fernanda Chaves e Renata Souza, três comunicadoras que dignificam a profissão.
Incrível como as corporações de mídia ignoraram solenemente o evento. Não havia sequer um repórter presente. Pouco importa se esse dia é comemorado no mundo inteiro devido ao aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ou que ali estivessem presentes os mais importantes movimentos sociais brasileiros. Ou ainda que os debates tivessem sido conduzidos por alguns dos maiores especialistas no assunto, como o professor da UFRJ Roberto Leher, a coordenadora do MST Fernanda Vieira e o renomado jurista Miguel Baldez. Aliás, o nobre professor foi bastante generoso ao dedicar parte de sua fala para me classificar como um "jornalista corajoso".
Não sou, não, caro Baldez. Corajosos são os cidadãos que se organizam para lutar por seus direitos, como aqueles que enfrentaram a polícia no Canal do Anil para impedir que suas casas fossem derrubadas, mesmo que sua honra houvesse sido atingida durante meses pelas mentiras sujas das corporações de mídia. Ou como os moradores do Complexo do Alemão, que resistem à perversidade da política de Sérgio Cabral e à crueldade dessa mesma imprensa. Eu sou apenas um jornalista. Um jornalista que, ao se formar na Universidade Federal Fluminense, jurou o seguinte: "A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade". Se as corporações de mídia não respeitam esse juramento, então não merecem que seus veículos de comunicação sejam chamados de "jornalísticos". Que procurem outro nome.
Nós aqui do Fazendo Media, de nossa parte, temos muita certeza do que queremos: democratizar a mídia para democratizar a sociedade. Para tanto, vamos continuar fazendo jornalismo. Fazendo mídia. E cada vez mais convencidos de que o pouquinho que a gente consegue fazer traz um resultado enorme. Como numa mensagem que chegou via correio eletrônico de uma leitora de Manaus: "Depois de conhecer a página de vocês, nunca mais acredito na mídia sem verificar a informação divulgada". Por isso a pesquisa abaixo, da BBC, não me surpreende. Ela diz que entre os povos de 14 países, os brasileiros são os mais preocupados com a concentração da mídia e seu direcionamento político. Outro dado: 63% dos entrevistados consideram a cobertura da imprensa privada "pobre" ou "mediana". É simples, não tem mágica nisso: não dá pra fazer jornalismo quando se coloca o lucro acima da vida. Por isso as corporações de mídia são como zumbis, esses mortos insepultos que vagam por aí atrás de alguma alma para assombrar. Vade-retro!
Brasileiros não querem monopólio na mídia
10.12.2007 | 22h45 |
A BBC mundial fez um a pesquisa reveladora: entre 14 países, o Brasil é o mais preocupado com a concentração dos meios de comunicação. Nada menos que 80% dos entrevistados se mostraram "preocupados com a propriedade das companhias de mídia e acreditam que esse controle pode levar à 'exposição das visões políticas' de seus donos no noticiário".
A mesma pesquisa reforça aquilo que venho publicando insistentemente: a qualidade do jornalismo praticado pelas corporações de mídia é sofrível. Nada menos que 63% dos entrevistados consideram "pobre" ou "mediana" a cobertura da mídia privada. Leia a íntegra da matéria aqui.
Bush financia oposição na Venezuela
09.12.2007 | 00h13 |
Segundo o Washington Post, insuspeito porque faz parte do status quo, o regime Bush financiou a oposição na Venezuela. Não perdem a mania de interferir em outros países, mesmo que isto seja contra as leis internacionais. O que fizeram as engajadíssimas corporações brasileiras de mídia? Silenciaram. Leia mais aqui.
Ex-presidente italiano acusa CIA
08.12.2007 | 16h34 |
Acabo de ler essa notícia escandalosa no blog do colega jornalista Georges Bourdoukan, escritor e colunista da revista Caros Amigos. E mais escandaloso ainda é o silêncio das corporações que controlam o oligopólio da mídia brasileira. A matéria é de 30 de novembro e por aqui não saiu nada a respeito.
O ex-Presidente Italiano Francesco Cossiga acusou em entrevista ao jornal Corriere della Sera que os atentados de 11 de setembro foram executados pela CIA e pelo Mossad e que esse fato era do conhecimento geral entre os serviços de informações a nível global.
Francesco Cossiga ganhou o respeito dos partidos da oposição com a reputação de um político honesto e conduziu o país durante sete anos até Abril de 1992. Hoje ele é senador vitalício.
A mídia não viu a nota da PF
08.12.2007 | 16h22 |
A imprensa não é um bicho de sete cabeças. Ela recebe as informações e escolhe as que vai publicar. Ela mente quando diz que obedece a determinados critérios, como proximidade, ineditismo e interesse público. Até porque, convenhamos, nada mais vago do que esses conceitos que aprendemos nos cursos de jornalismo. Quando a imprensa esbarra com uma informação que contraria determinados interesses, ela simplesmente faz que não viu. Ou então joga lá pro pé das páginas internas, onde pouquíssima gente vai ler. Dêem uma olhada nessa nota que recebi da Polícia Federal, nesta quinta-feira (06/12). Eu sei que toda a imprensa recebeu porque a assessoria da PF envia as mensagens eletrônicas com o campo do destinatário aberto. Mas parece que ninguém viu. Talvez porque essa informação contrarie toda a construção midiática que afirma ser a favela o lugar do mal, de onde brotam drogas, armas e gente malvada. Leia também a nota abaixo (“Ah... os bancos suíços”) e passe para seus contatos. Só assim a gente vai furar o bloqueio imposto pelas corporações de mídia.
OPERAÇÃO SOFIA DESESTRUTURA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA DO LESTE EUROPEU
A Polícia Federal em São Paulo deflagrou nesta data a Operação Policial intitulada SOFIA. Através de informações repassadas pela INTERPOL da Bulgária e a cooperação internacional do Consulado Geral Britânico, foi desestruturada uma importante Organização Criminosa do Leste Europeu, estabelecida no Brasil e na Bulgária, que traficava cocaína (alto grau de pureza) para a Europa e Oriente Médio.
Foram cumpridos 06 (seis) mandados de prisão temporária e 08 (oito) mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Nos dias 02 e 06 de dezembro de 2007, com auxílio da Delegacia de Polícia Federal em Paranaguá/SR/SP, foram realizadas prisões em flagrante de 05 (cinco) pessoas, sendo 03 (três) de origem Búlgara, no momento em que embarcavam 12 Kg e 20 Kg de cocaína (respectivamente) no navio de bandeira Búlgara chamada Petimata.
O último carregamento de drogas interceptado em Paranaguá (20 kg de cocaína) teria como destino o mercado consumidor de Dubai, nos Emirados Árabes, local de alto valor da mercadoria ilegal.
As investigações identificaram a participação de um advogado e um empresário de São Paulo na associação e financiamento ao tráfico Internacional de drogas. Um ex-policial, investigado anteriormente na Operação Têmis, também foi preso por integrar diretamente a Organização Criminosa.
Setor de Comunicação Social / Superintendência da PF em São Paulo.
A quem serve a PM do RJ?
07.12.2007 | 16h45 |
Outro dia vi dois carros da Polícia Militar do RJ, paga pelos impostos do povo fluminense, escoltando um carro-forte de um banco privado. Desses que lucram bilhões de reais em cima do suor, do sangue, da depressão e do assédio moral de muitos brasileiros. Um escárnio. Uma total apropriação privada de um patrimônio público. Que não ocorre por mera causalidade. Acabo de receber o último relatório do Instituto de Segurança Pública, o ISP, vinculado ao governo do estado. Órgão insuspeito, portanto. E o que temos nos números de novembro deste ano? Queda de 58% no número de roubos a bancos. Em compensação, tivemos:
- aumento no total de roubos
- aumento no total de furtos
- aumento nos assassinatos em nome da lei (autos de resistência)
- queda na apreensão de armas
- queda na apreensão de drogas
É o caso de perguntar: a quem serve a Polícia Militar do RJ? Qual o objetivo do governador Sérgio Cabral com essa política de Segurança Pública?
Quando comentei aqui os números de outubro do ISP (leia abaixo a nota “Governo desmascara governo; mídia não vê”), a mesma tendência foi observada. Com um agravante: o número de assassinatos cometidos pela polícia, que já era altíssimo, continou a crescer. E agora, um mês depois, os autos de resistência TAMBÉM AUMENTARAM!. Nem todas as polícias dos EUA juntas matam tanto. O único número positivo foi a redução dos homicídios, que caíram tímidos 7%. Quem quiser conferir todos os números, acesse www.isp.rj.gov.br.
Estatísticas do ISP
Autos de resistência
Jan-nov-07: 1.186
Jan-nov-06: 986
Total de furtos
Jan-nov-07: 131.876
Jan-nov -06: 127.692
Total de roubos
Jan-nov-07: 115.274
Jan-nov-06: 114.085
Drogas apreendidas
Jan-nov-07: 8.731
Jan-nov-06: 10.101
Armas apreendidas
Jan-nov-07: 9.573
Jan-nov-06: 12.365
Homicídio doloso
Jan-nov-07: 5.087
Jan-nov-06: 5.759
Exército ocupa Providência e ameaça moradores
06.12.2007 | 16h43 |
Recebi a nota abaixo da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência:
Utilizando como argumento a realização de uma obra no morro, o Exército ocupou o Morro da Providência (centro do Rio de Janeiro) e permanece no local intimidando os moradores. Na terça-feira (4/12), durante o mapeamento da área, soldados passavam em veículo do exército agredindo verbalmente moradores e fazendo ameaças. Há informações de que a partir da próxima segunda-feira a ocupação contará com 1000 (mil) soldados, incluindo reforço de policiais do BOPE. A Associação de Moradores local informou que os responsáveis pelas obras ainda não possuem a devida autorização da Prefeitura para trabalhar na região. Já foram coletadas mais de 500 assinaturas em um abaixo-assinado que deixa claro o posicionamento dos moradores em relação às obras: a preocupação de todos está relacionada com a segurança das famílias, especialmente das crianças, pois se aproxima o período de férias e das festas de fim de ano e o histórico da Providência é marcado por ações muito violentas do Exército e da Polícia Militar. Além do abaixo-assinado, a Associação também elaborou um documento que está sendo encaminhado à Defensoria Pública, para que possam ser tomadas as medidas necessárias.
Dia Internacional dos Direitos Humanos
05.12.2007 | 18h40 |
Segue abaixo o rilisi da atividade em que o Fazendo Media será homenageado pelo trabalho desenvolvido durante esses quatro anos:
Na próxima segunda-feira, 10 de dezembro, de 10h às 18h, no Plenário Barbosa Lima Sobrinho - Palácio Tiradentes, um grande seminário lembrará o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Organizado por 12 entidades, a atividade terá duas mesas de debates, apresentações culturais e exibição de vídeo. O evento, que valerá horas de estágio pela OAB, é gratuito e aberto, e contará com a participação de estudantes, professores e militantes. Organizações que se destacaram no ano de 2007 na luta pelos direitos humanos serão homenageadas.
Programação:
9h30: Abertura
10h: Mesa de debates "A luta pelos Direitos Humanos no capitalismo"
Debatedores: Miguel Baldez (Najup/UCAM), Roberto Leher (Faculdade de Educação/ UFRJ), Elídio Marques (Faculdade Nacional de Direito/UFRJ) e Sandra Quintela (Programas Alternativos para o Cone-Sul).
13h: Lançamento do documentário "Elas da Favela", que retrata as angústias e alegrias de seis mulheres numa das maiores favelas do Rio, o Complexo do Alemão.
14h30: Show de Hip Hop produzido pela Child Hope e Fundação São Martinho, com meninos que cumprem Medida Sócio Educativa.
15h30: Mesa de debates "As várias faces da luta pelos Direitos Humanos"
Debatedores: Marildo Menegatt (Escola de Serviço Social/UERJ), Cecília Coimbra (Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ), Fernanda Vieira (Rede Nacional de Advogados Populares / MST) e Dulce Xavier (Católicas pelo Direito de Decidir).
17h: Homenagem a 24 organizações que se destacaram na atuação pelos direitos humanos em 2007. Iniciativa dos parlamentares Marcelo Freixo (deputado estadual, professor de História e Vice presidente da Comissão de Direitos Humanos/ALERJ), Chico Alencar (deputado federal, historiador e membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal) e Eliomar Coelho (vereador, membro da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro)
18h: Show de encerramento com o grupo Harmonia Enlouquece, formado por técnicos, usuários e médicos do Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro.
A atividade é organizada pelas entidades Justiça Global, Grupo Tortura Nunca Mais, MST, Instituto de Defensores de Direitos Humanos, Renap, Observatório de Favelas, Conselho Estadual de Serviço Social, Movimento Direito Para Quem(?), Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Rede Rio Criança, Coordenação Regional de Estudantes de Direito, Projeto Legal e pelos mandatos Marcelo Freixo, Chico Alencar e Eliomar Coelho.
Brasil x EUA + mídia
05.12.2007 | 17h16 |
Do jornalista Luiz Carlos Azenha, em sua página Vi o Mundo:
Existe um governo muito poderoso que não quer a Venezuela no Mercosul. Que contava com violência na Venezuela para derrubar Chávez. Que não aceita que ele permaneça no poder por motivos óbvios, dentre os quais pelo fato de que pretende exercer a soberania do país e se nega a entregar o petróleo e o gás venezuelanos de graça, como acontecia no passado.
Ontem o Congresso americano, com um surpreendente apoio de democratas, aprovou o acordo comercial dos Estados Unidos com o Peru. Quando se trata de defender os interesses nacionais, os americanos se entendem. Tudo o que eles NÃO querem é um bloco econômico independente, no que sempre consideraram, desde a doutrina Monroe, sua área natural de influência.
Aqui no Brasil, prestadores de serviço usam concessões públicas, que pertencem à população brasileira, para defender a política externa e os interesses comerciais dos Estados Unidos. Se fizessem isso abertamente, com argumentos, seria maravilhoso. Teríamos um debate enriquecedor. Porém, essa turma sabe que colocar os interesses americanos acima dos brasileiros pega mal. Fazem o servicinho sujo por baixo do pano, como já fizeram no passado, quando foram bater nas portas da Casa Branca para pedir ajuda na derrubada de um governo eleito de forma legítima pelos brasileiros.
Com tristeza, comunico:
05.12.2007 | 15h14 |
Morreu ontem Vera Silvia Magalhães, 58 anos, a única mulher no grupo de guerrilheiros do MR-8 que, em 1969, seqüestrou o embaixador americano Charles Burke Elbrick, na mais famosa ação armada durante a ditadura civil-militar brasileira, apoiada pela CIA e pelas corporações de mídia.
Ela foi retratada nas personagens de Cláudia Abreu (Renée) e Fernanda Torres (Maria), no filme "O que é isso, companheiro?" (1997), de Bruno Barreto, baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira. Mas Vera Silvia não gostou da forma como foi descrita. À época, disse que a obra era "desrespeitosa". "Todos nós somos apresentados como pessoas estúpidas, quase bárbaras, enquanto o torturador é humanizado. Isso me incomoda. Quem foi torturada fui eu, não foi o senhor Bruno Barreto", criticou ela.
*
Lembro que fizemos uma longa entrevista com ela, acho que em abril de 2005. Ou seria 2006? Não lembro. Vou procurar o texto para republicar aqui. Fomos a sua casa no Humaitá (RJ) eu, Táia, Zornitta, Mariana e Thaís, se não me engano (desculpem se estou esquecendo alguém). Lembro que depois as meninas ficaram implicando porque, segundo elas, a Vera estava se insinuando pra mim e para o Zornitta (num jogo de pernas, aproveitando-se do leve tecido do vestido que usava). Foi uma grande entrevista, falamos sobre tudo. Desde o planejamento do seqüestro do embaixador até a atual conjuntura política. Já naquela ocasião deu pra perceber que ela não estava muito bem, tomava muitos remédios para se equilibrar. Foi sobrevivente de uma ditadura patrocinada por grandes empresários, pelo governo dos EUA e pelas corporações de mídia, cujo objetivo era facilitar a implantação de multinacionais e manter o povo brasileiro explorado. Não dá pra não mencionar a manchete do Globo de 2 de abril de 1964: "Fugiu Goulart e democracia está sendo restabelecida". É esse jornal que, hoje, diz que Chávez é um ditador. É o mesmo que aplaude o sistema financeiro sujíssimo de sangue e jamais se indignou diante da violência de um salário mínimo de 380 reais.
Mídia e Revolução
05.12.2007 | 12h24 |
Amigos, sei que ficou meio em cima para avisar. Em todo caso, se ainda der tempo: hoje, a partir das 19h, participo de debate com o tema "Mídia e Revolução" na Casa Bolivariana. O endereço é Praça da República 24, 3º andar (centro do Rio de Janeiro). Preparei uma apresentação baseada essencialmente em três tópicos:
1 - O poder de produção de subjetividades da mídia;
2 - A concentração no setor;
3 - A participação da mídia em golpes de Estado e levantes populares.
Também vou falar sobre o trabalho jornalístico de Gandhi, Che Guevara, Ho Chi Minh e outros líderes que compreenderam a importância da comunicação para resistir contra o imperialismo.
Direito Humano à Comunicação
04.12.2007 | 15h22 |
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Aqui, os 10% mais ricos ganham 53 vezes mais que os 10% mais pobres (ONU, 2007). Essa desigualdade se reflete na propriedade dos meios de comunicação. Apenas sete famílias, ideologicamente afinadas, controlam quase tudo do que é lido, visto e ouvido por 190 milhões de brasileiros. Enquanto os diversos setores da sociedade não possuírem meios próprios de produção e divulgação de informações, não haverá democracia na mídia. Assim, o direito humano à comunicação será sempre desrespeitado. E se esse direito não for respeitado, a maior parte da população jamais será informada de seus outros direitos. Como lutar por algo de que não se tem conhecimento?
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