TV Brasil: cada vez menos pública
30.11.2007 | 22h34 |
"O anúncio da composição do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (organização que vai abrigar a nova TV pública) não trouxe surpresas. Infelizmente. Desde que o processo passou às mãos da Secretaria de Comunicação Social, do Ministro Franklin Martins, ficou claro que a composição do conselho, pretensamente representativo da sociedade, seria decidida unicamente pelo Executivo, a partir de critérios próprios". Leia o artigo de João Brant, do Observatório do Direito à Comunicação.
No mesmo Observatório há uma boa reportagem a respeito dos altos custos dos conversores para a TV Digital - a mesma usada pelo governo Lula como moeda de troca com o oligopólio que controla o setor no Brasil, em vez aproveitar a oportunidade e democratizá-lo: "Como hoje já é notório, a digitalização torna possível alocar mais de uma emissora no mesmo canal de 6 MHz. Para tanto, seria necessário criar um “operador de rede”, responsável pela transmissão de mais de uma programação. Tal figura hoje já existe na Europa. Devido à pressão dos radiodifusores, porém, o governo abandonou esse dispositivo. “O ideal era ter fracionado os canais. Mas as emissoras lutaram politicamente para manter tudo como está”, diz Gustavo Gindre, jornalista e membro do Intervozes". E colunista do fazendomedia.com, faltou completar. Leia aqui.
Turismo miserável
30.11.2007 | 17h17 |
30 de novembro. Alguns minutos depois do meio-dia, ali na altura da Glória, dois jipes viram à direita no Aterro do Flamengo. Estou num ônibus indo para o centro da cidade e reparo nas inscrições: "Indiana: Jungle Tour". Trata-se de empresa que promove excursões, sobretudo para turistas, pela cidade do Rio de Janeiro. Em alguns panfletos elas convocam os visitantes para um "Favela Tour", com a seguinte chamada: "Conheça um lugar onde você nunca poderia entrar sozinho". E lá vão os turistas, geralmente estrangeiros, vestidos como se estivessem num safari: bermuda cáqui, camisa de malha, óculos escuros e aquele chapelão. O passeio de 1h30 custa 30 dólares e é sempre na Rocinha. Na hora me lembrei de quando estava no Morro do Alemão e perguntei o que os moradores achavam da idéia, se gostariam de receber turistas vestidos à Indiana Jones. Alguém disse: "Tá de sacanagem com a minha cara? Chegam na favela e apontam: olha lá aquele animalzinho, um pobre. Ou então: olha lá um miserável, que bonitinho".
Momentos históricos no Rio
29.11.2007 | 16h37 |
Os parlamentos do estado e do município do Rio de Janeiro vivem momentos históricos, eletrizantes. Na Alerj, o deputado Marcos Abraão (PSL) afirmou que o relator da ONU sobre casos de execuções sumárias "deve ser uma bela bicha, daquelas bem arrependidas". O mesmo parlamentar afirmou que a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Margarida Pressburger, "é uma debilóide e retardada". Isso tudo em discurso oficial, proferido no Plenário da Casa e registrado no Diário Oficial. Os deputados Paulo Ramos (PDT) e Marcelo Freixo (PSOL) entraram com pedido de cassação do colega na Corregedoria da Alerj (equivalente aos conselhos de Ética do Congresso Nacional).
Na Câmara dos Vereadores, Nadinho de Rio das Pedras (DEM, ex-PFL, do grupo do prefeito César Maia), foi preso sob acusação de mandar matar um inspetor de polícia. O caso estaria relacionado à disputa de grupos paramilitares pelo controle da favela Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital fluminense. Hoje o jornal O DIA publica com exclusividade (GLOBO e JB teriam sido furados?) denúncia contra o deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM) e o vereador Jerônimo Guimarães Filho (PMDB). A base da matéria é um relatório publicado no boletim interno da PM, que revela o suposto envolvimento deles em esquemas de extorsão a topiqueiros, moradores e comerciantes, participação em grupos de extermínio e controle de milícias na Zona Oeste. Quando estive na favela conhecida como Vila Autódromo, moradores me contaram que Eduardo Paes (PSDB), quando era subprefeito da Barra, na década de 1990, teve uma discussão violenta com um líder comunitário, que apareceu morto uma semana depois. Hoje Paes é secretário de esportes e turismo do governo Sérgio Cabral (PDMB).
Tá certo que a matéria do DIA está escondida na página 13, sem nenhuma chamada na primeira página. Mas se a gente considerar que as demais corporações de mídia não deram nada... Agora, é bom a gente fazer a contextualização, que se depender dos jornalões nunca vai acontecer. Esses que estão sendo presos e/ou acusados por envolvimento com grupos paramilitares constituem a base de apoio tanto do governo municipal quanto do governo estadual. Um deputado, que pediu para não ser identificado, me disse que "a Alerj é a Casa das milícias". É por isso que o Maurício Campos, da Rede Contra a Violência, diz que grupos criminosos se apossaram do poder público. Nunca é demais lembrar que César Maia se manifestou a favor da existência desses bandos armados, disse que isso seria bom para a comunidade. Faltou completar: é muito bom pra quem vende as armas, pra quem vende caixões e pra quem trabalha com venda de seguros e carros blindados.
É o Rio de Janeiro cada vez mais parecido com a Colômbia, tão elogiada por César e Cabral. Com um detalhe importante: o avassalador oligopólio que controla a mídia fluminense está inteiramente ao lado dessa turma.
Pequeno e estimulante retorno
29.11.2007 | 16h32 |
Teatro Odisséia, Lapa, centro do Rio de Janeiro. São 21h e o delegado de Polícia Civil Orlando Zaccone faz palestra pouco antes do show de Rafael Kalil para arrecadar fundos e continuar tocando a Caravana Liberdade e Expressão, que promove eventos culturais nos presídios do Rio de Janeiro. Em determinado momento, Zaccone fala sobre sua entrevista no Programa do Jô. Ato contínuo, um dos participantes se levanta para fazer uma pergunta. Pega o microfone e passa a ler: "Sobre sua entrevista no Jô Soares, li num blog que parte do que você falou foi cortado", e passa a descrever o comentário que fiz aqui, neste espaço (leia abaixo a nota "Delegado é censurado no Programa do Jô"). Interessante ver a repercussão deste pequeno veículo de comunicação. Temos tido cerca de 1.800, 1.900 visitas únicas diárias (e cerca de 5 mil page views/dia). Não é muito, mas já dá para ter esses pequenos e estimulantes retornos.
Sugestão de leitura
28.11.2007 | 16h07 |
“Os senhores do crime – as novas máfias contra a democracia”, de Jean Ziegler (Record, 332 páginas).
Ziegler é eurodeputado, professor de sociologia da Universidade de Genebra e relator especial da ONU sobre Direito à Alimentação. Já publicou, aqui no Brasil, os livros “A Suíça lava mais branco”, “A Suíça, o ouro e os mortos” e “O ouro de Maniéma”. Aquele primeiro já comentei aqui diversas vezes. Mostra que os bancos suíços são a chave da lavagem de dinheiro que financia o tráfico internacional de armas e drogas. Os outros dois não li. E “Os senhores do crime”, que estou no início, mostra como as privatizações no leste europeu criaram terreno fértil para o surgimento de organizações criminosas, todas marcadas pela estruturação capitalista e hierarquia militar, de controle vertical e ancoradas na violência, na chantagem e no medo.
“Os cartéis do crime constituem o estágio supremo e a própria essência do modo de produção capitalista. Eles se prevalecem grandemente da deficiência imunológica dos dirigentes da sociedade capitalista contemporânea. A globalização dos mercados financeiros debilita o Estado de direito, sua soberania, sua capacidade de reagir. A ideologia neoliberal que legitima – pior: “naturaliza” – os mercados unificados difama a lei, enfraquece a vontade coletiva e priva os homens da livre disposição de seu destino”, diz Ziegler, ainda no prefácio.
Embora trate do avanço das máficas no continente europeu, o autor dedica este livro a um brasileiro. “Este livro é dedicado à memória de Luiz Carlos Pereira, seu afilhado, assassinado na terça-feira, 14 de maio de 1991, aos 21 anos, na esquina das ruas Santos Rodrigues e Maia de Lacerda (Morro de São Carlos, Estácio) por um atirador dos esquadrões da morte da polícia militar do Rio de Janeiro”.
Não é por acaso. Ziegler sabe muito bem que grande parte do lucro dos mercadores da morte, que trafegam com desenvoltura pelos mercados financeiros, se dá na venda de armas e drogas para países como o Brasil. Com o mercado de grupos paramilitares em alta, então, esse lucro é potencializado.
Por fim, destaco a frase que abre o livro, que serve para a meditação nossa de cada dia: “Cada um de nós é responsável por tudo diante de todos” (Dostoiévski).
Desvendando as mentiras sobre a Bolívia
27.11.2007 | 18h02 |
As notícias veiculadas pelas corporações de mídia a respeito da Bolívia não são dignas de crédito. A desinformação está a serviço dos interesses de grupos privados que operam na Bolívia, como o de Eike Batista, que no ano passado perdeu dinheiro quando o governo impediu que ele continuasse destruindo a natureza atrás de lucro fácil. Segundo Mardonio Barros, integrante do MST que está ocupando a sede da Agência Nacional do Petróleo, Eike foi um dos maiores compradores dos blocos leiloados hoje. Um governo que entrega à iniciativa privada um patrimônio público, a preço de banana e sem consulta, comete um crime contra a nação. Voltando à Bolívia, o jornalista Luiz Carlos Azenha publica matéria detalhada que mostra a descontextualização intencional das corporações de mídia a respeito do país vizinho. Leia aqui.
Nossa repórter Raquel Junia, que esteve na Bolívia durante seis meses desse ano, fez uma das coberturas mais completas a respeito do que se passa por lá. Acesse nossa editoria de Internacional e procure suas matérias. Confronte as informações dela com as da mídia grande. Duvido que depois disso você volte a acreditar no que diz o noticiário internacional das grandes corporações midiáticas.
Cabral x Lula
27.11.2007 | 17h30 |
Acabo de receber a nota abaixo da Secretaria de Segurança Pública do RJ. Considerando que o governo do estado não gostou do envio dos peritos federais que comprovaram execuções por parte da polícia no Complexo do Alemão e considerando que um ministro de Estado passou sufoco ao embarcar num trem aqui no Rio, cabe a pergunta: poderíamos encarar esta nota como uma lavagem de mãos antecipada? A visita de Lula à favela Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul do Rio, está marcada para a próxima sexta-feira, dia 30/11.
A respeito das informações que circulam sobre a visita do presidente Lula esta semana ao Rio, a Secretaria de Segurança (SESEG) esclarece que:
1 - a segurança do presidente é garantida por uma equipe da própria presidência, que tem autonomia de ação em todo território nacional.
2 - como é de rotina, pedidos de apoio são e devem ser levados diretamente a batalhões e delegacias das áreas de interesse.
3 - tamanho de aparatos, posicionamento e deslocamento de forças policiais exigem discrição e poucos comentários. Tal organização dispensa a participação da cúpula da Secretaria, sendo necessário apenas o envolvimento de agentes especializados.
4 - portanto, como o secretário de Segurança frisou hoje, não existe ofício, papel ou pedido oficial com tais demandas. Troca de informações e detalhamento das ações devem ficar restritos às equipes operacionais, sob o comando de Brasília.
MST ocupa a Petrobrás
27.11.2007 | 15h07 |
Recebi a mensagem abaixo da assessoria do MST:
Camaradas,
A Agência Nacional do Petróleo (ANP), no centro do Rio de Janeiro, foi ocupada, esta manhã, por diversas entidades e movimentos sociais. Temos cerca de 200 a 300 companheiros e companheiras que estão lá dentro e só sairão mediante negociações com o presidente da ANP, Aroldo Lima, na perspectiva de suspender a 9a Rodada de Leilões do Petróleo e de Gás.
Queremos convocar a todos e todas para estarem presentes no local, afim de garantirmos a unidade nesta luta contra as privatizações. Os companheiros e companheiras que estão presentes no local precisam de todos os reforços possíveis para garantirmos as negociações e mais uma conquista da classe trabalhadora.
A ANP fica na Av. Rio Branco, 65 - esquina com a Presidente Vargas.
Aguardamos todos e todas!
Ainda sobre os policiais mortos
27.11.2007 | 14h16 |
O comentário abaixo é de Maurício Campos, integrante da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência. Ele mostra como as mortes de policiais acontecem, na maioria das vezes, enquanto eles não estão em serviço. Isso sugere que esses policiais estariam envolvidos em disputas armadas pelo controle de determinados espaços da cidade de onde possam obter vantagens financeiras. Ou seja: não foram mortos pelos traficantes varejistas. Não significa que não ocorram mortes de policiais em confronto, mas a questão levantada pelo Maurício enfraquece muito o peso que as corporações de mídia jogam sobre os bandidos das favelas ao responsabilizá-los por essas mortes. E também é bom lembrar: no momento de crescimento desses grupos paramilitares, mal chamados de milícias, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM, ex-PFL), deu declarações favoráveis a esses grupos. E quando entrevistei a diretora do Instituto de Segurança Pública, Ana Paula Miranda (Caros Amigos, fevereiro de 2007), ela foi bem enfática nesse ponto. Era época de preparação para os Jogos Pan-Americanos e, curiosamente, as favelas tomadas pelos paramilitares faziam o percurso do Aeroporto até a Vila Pan-Americana. O que César Maia tem a ver com essa história?
Amigos, queria antes de tudo citar um trecho do relatório preliminar do relator da ONU para execuções sumárias, Philip Alston, sobre sua passagem pelo Brasil:
"Mortes de Policiais: A polícia no Brasil claramente opera com um significativo risco para suas vidas em muitas situaçoes. O número de policiais mortos é totalmente inaceitável e todas as medidas legais apropriadas devem ser adotadas para impedir estas mortes. No entanto, também necessitamos examinar com cuidado as cifras. No Rio de Janeiro, em 2006, por exemplo, as estatísticas mostram que 146 policiais foram assassinados. Mas somente 29 destes foram assassinados enquanto estavam efetivamente trabalhando. Os remanescentes 117 foram assassinados quando estavam fora de serviço. Uma proporção muito significativa destes 117 estavam, provavelmente, exercendo atividades ilegais quando foram assassinados".
A íntegra do relatório pode ser lida no site da Rede (http://www.redecontraviolencia.org/Documentos/263.html).
O relator toca no ponto principal, que é: como se dão e porque as mortes de policiais? O alto número de policiais mortos fora de serviço desde o final do ano passado está intimamente ligado ao aumento da competição entre grupos paramilitares, desde que dinheiro e armas começaram a fluir mais intensamente para eles, e desde que milícias e outros tipos de paramilitares diversificaram suas atividades aumentando as chances de lucros e a concorrência por eles. Regiões como Zona Oeste, Baixada e São Gonçalo tornaram-se verdadeiros campos de batalha dessa guerra, onde além de policiais morrem bombeiros, seguranças particulares e gente sem ligação direta com alguma força armada. Mesmo áreas há muitos anos "pacificadas" pelos paramilitares, como o Rio das Pedras em Jacarepaguá, entraram nessa carnificina recentemente; vejam o assassinato do inspetor Félix Tostes em fevereiro, a mando do vereador Nadinho (do partido do César Maia), que se entregou ontem à polícia. Para terem idéia do que provoca tanta ganância e assassinatos, cito um trecho retirado do Globo Online de hoje (27/11):
"RIO - Dominada por uma milícia há dez anos, a favela de Rio das Pedras rende pouco mais de R$ 1 milhão com a cobrança de serviços como segurança, transporte alternativo, gás e TV a cabo. Isso sem falar nos bailes funk, que vêm sendo organizados no clube local e que viraram mania entre os jovens da Zona Sul. Um levantamento elaborado pelo Gabinete Militar da Prefeitura do Rio revela preços cobrados à população, que vive em 12.874 residências na comunidade.
Apesar de comerciantes e policiais negarem a cobrança, cada casa pagaria R$ 10 pela segurança. Pelo gás, seriam cobrados R$ 34, mesmo valor da mensalidade de TV a cabo. A cobiça por esses valores — capaz de financiar campanhas políticas — está na lista de prováveis motivos que levaram à morte do policial civil Félix Tostes.
Lucro individual - A polícia descobriu que cada civil que realiza segurança na comunidade ganha em média R$ 35 por turnos de 12 horas. No caso de policiais, esse valor chega a R$ 70. A milícia ainda se aproveitaria dos valores obtidos com o transporte alternativo. A cooperativa local teria cerca de 700 veículos.
O grupo ainda lucraria com a venda e o aluguel de imóveis em Rio das Pedras. O faturamento com o negócio é usado em obras na comunidade, como a construção de um centro de fisioterapia e do campo de futebol com grama sintética".
Dentre as recentes mortes de policiais em poucas horas, tão divulgadas (mas não explicadas) pela imprensa grande, três delas (os PMs do batalhão do Leblon mortos juntos em Campo Grande), têm todas as características dessa guerra paramilitar.
Penso que é essa a discussão e a abordagem mais objetiva e real sobre o caso, e nesse sentido constato que o relator da ONU acertou na mosca, e suas colocações são muito superiores às declarações genéricas e quase sentimentais da maioria das organizações de direitos humanos e parlamentares sobre o assunto.
Música para revolução
27.11.2007 | 01h49 |
Rafael Kalil entrevista uma detenta durante a Caravana Liberdade e Expressão
Largo do Machado, horário do almoço. Toca o telefone, é Emanuele Landi, repórter da CNN em Espanhol. Diz que ficou a semana passada inteira atrás do contato do Marcelo Yuka. Aí viu que eu tinha feito uma entrevista com ele aqui no fazendomedia.com e tentou a sorte comigo. Conseguiu. Passo o contato. Ele quer marcar uma entrevista para falar, sobretuto, a respeito dos shows realizados nos presídios. O Yuka é, de fato, um grande ativista. Foi ele quem levou a Companhia Brasileira de Cinema Barato para a 52a. DP (Nova Iguaçu). E é ele quem ajuda o músico Rafael Kalil a tocar o projeto Caravana Liberdade e Expressão, que corre os cárceres do Rio de Janeiro com a banda O Golpe e convidados como BNegão. Apóiam o projeto o delegado de Polícia Civil Orlando Zaccone e a juíza Regina Rios. Sem mais, segue abaixo a entrevista com Rafael Kalil, que convida a todos para um show amanhã. Esse não será num presídio, e sim no Teatro Odisséia, na Lapa. O custo, 10 reais, será revertido para a Caravana. Ganha desconto de 20% quem chegar com um livro, que será doado para os presídios que possuem bibliotecas.
O que você mais ama na música?
O fato de poder me expressar com liberdade, criatividade e muitas vezes bom humor. Na realidade, não sei viver sem a música; comecei a estudar com 4 anos, mas me afastei na adolescência e tudo pareceu sem sentido, até que a música novamente tornou a fazer parte determinante da minha vida, e é ela que me leva a tudo desde então.
Por que resolveu tocar nos presídios?
Sempre achei que, como músico, tinha que prestar algum serviço social por meio do talento que tenho. Considero o microfone uma arma que precisa ser bem manuseada. A coisa começou muito de repente, sem planejamento. Tive amigos presos e mortos em guerra de facções do Rio e a necessidade de fazer algo urgia e gritava dentro de mim, até que pensei no sistema observando um desses sinais da vida, até porque é um lugar aonde ninguém realmente dá atenção e que pra mim é uma peça-chave no nosso ciclo social; enxergo o preso como o principal elemento de transformação social, e que a interferência positiva nas penitenciárias a longo prazo pode amenizar as coisas no nosso contexto. Foi então que procurei o SEAP e uma semana depois começaram os eventos que estão rolando até hoje.
De modo geral, qual a reação dos detentos antes, durante e depois dos seus shows?
Antes sempre fica um certo receio, eles ficam meio travados pois esse tipo de evento quase nunca acontece (salvo exceções como a Penitenciária Talavera Bruce, que promove muitos eventos) e durante os shows eles vão se soltando até que acontece uma integração total entre nós, músicos, e eles. E no final transformamos um clima sufocado num alto astral incrível, e é sempre dessa maneira, não há como descrever muito bem em palavras, mas é uma das coisas mais emocionantes das quais já passei na minha vida.
Muito se fala das péssimas condições em que os presidiários são mantidos. O que você viu lá? Pode descrever exatamente como são essas condições?
Nenhuma novidade. Tuberculose, HIV, ratos, baratas, superlotação, falta de água potável, material de higiêne básico (absorvente para as mulheres, pasta de dente, sabonete, etc...), falta de assistência em todos os sentidos e outras coisas que todos sabem e não vale a pena ser citado.
Existem muitas mitificações a respeito do cárcere e da população que o ocupa. Daquilo que você encontrou lá dentro, o que poderia dizer que é verdadeiro e o que é falso?
Ah, sim, a coisa de que todo mundo é estuprado é mentira. A coisa de que os caras são uns bichos... Pô, levamos mulheres no nosso grupo e sempre a massa carcerária nos respeitou e muito. Não é um lugar com animais, mas sim com pessoas, a maioria analfabetos e pessoas não violentas que caíram lá por causa de algumas trouxas ou porque "rodaram" num assalto ou algo do tipo.
Durante esse primeiro ano da Caravana, você descobriu que 95% da população carcerária é de pobres ou muito pobres; 60% são pardos ou negros e 80% reincidem. Na sua opinião, o que leva a essa realidade? E o que fazer para modificá-la?
Primeiro, quanto à reincidência, o maior problema é a falta de acompanhamento no regresso do preso, o que não existe, nem acesso à educação e trabalho para todos. E vou mais alam: já acompanhei casos de pessoas que queriam largar o crime, mas não tiveram oportunidade aqui fora, se desesperaram pela falta de dinheiro, comida, respeito e etc. e voltaram lá pra dentro.
A coisa dos negros e dos pobres só comprova a tese de criminalização da pobreza; qualquer desvio de conduta para afro-descendentes e pobre é cadeia na certa. Vejo poucos brancos, mas existem, porém nunca vi um classe média lá dentro, com exceção da Jorgina de Freitas (fraudadora do INSS). A maioria é de analfabetos funcionais e analfabetos, é muito difícil isso, porque essas pessoas vão todas voltar pra rua em alguns anos, sem nenhum horizonte, sem nada, e está na hora de fazermos diferente, pois usamos o mesmo método de séculos e vemos que não funciona. É hora de humanizar, cuidar do nosso povo, pois o nosso povo está lá dentro também.
A maioria está no crime porque nunca teve nada. E a TV e os outros meios de comunicação incentivam um consumo de bens inalcançável para a maioria. O, veja bem, imagina um menino que tem mais cinco irmãos e um pai trabalhador. O garoto passa fome quase todo dia, é humilhado na escola e na rua, apanha de polícia e ainda observa seu pai honesto trabalhando que nem uma mula sabendo que nunca vai ser ninguém; aí ele vê os ditos bandidos da sua área com o carro que querem ou moto, tênis de marca, andando de fuzil e ainda tem a perspectiva de ganhar tipo 300 reais por semana só pra ficar de monitor com radinho na boca de fumo. Pô, ele vai ganhar mais que o pai... Garotos como esse existem diversos e vêem seus pais honestos e acham que não vale a pena, porque o herói verdadeiro (o honesto) não tem recompensas nem perspectiva, apenas porrada. Aí ele pensa se quer viver pouco como um rei ou muito como um zé... O que você faria no lugar dele?
Para meditação
27.11.2007 | 01h42 |
"A força moral de um único homem que insiste em ser livre é maior que a de uma multidão de escravos silenciosos" (George Woodcock, em História das idéias e movimentos anarquistas).
Perguntas sobre o medo
26.11.2007 | 00h39 |
"A hegemonia conservadora na nossa formação social trabalha a difusão do medo como mecanismo indutor e justificador de políticas autoritárias de controle social (...) Sociedades assombradas produzem políticas histéricas de perseguição e aniquilamento" (Vera Malaguti, em O medo na cidade do Rio de Janeiro)
Numa pesquisa realizada pela ONU em 35 países, o Brasil foi o campeão. O Relatório Global sobre Assentamentos Humanos afirma que 70% dos brasileiros sentem medo de voltar para casa de noite. A que se deve essa percepção? À violência, que por aqui seria a maior do mundo? À sensibilidade do povo brasileiro? Ao noticiário sensacionalista, que mente diuturnamente ao afirmar que vivemos em guerra e jamais enfatiza as causas da violência? Ou a isso tudo junto?
Sabendo que o medo torna as pessoas mais propensas a aceitar medidas autoritárias, cabe ainda perguntar: quem lucra com a disseminação do medo? De que maneira essa disseminação é construída? A quem atinge direta e indiretamente? Quais são as conseqüências? Até que ponto o medo não fomenta a violência (ex.: se alguém sabe de antemão que vai ser torturado ou morrer, não seria correto imaginar que esse alguém também vai matar e torturar?)?
Fazendo média
26.11.2007 | 00h06 |
O presidente da República concedeu entrevista ao Globo (publicada ontem). No sábado (24), o jornal informou que de repente, não mais que de repente, o ministro da Informação Franklin Martins havia telefonado para o jornal informando que iria atender à solicitação feita pelo Globo no início do ano. Hummm. O curioso é que o governo "resolveu" atender à solicitação da entrevista em meio ao turbilhão de reportagens do mesmo Globo a respeito dos gastos públicos nos três poderes. E o ministro Franklin Martins havia respondido duramente, em carta publicada na seção dos leitores, à parte das reportagens que tratava dos gastos da Presidência da República.
Isso é o que eu chamo de fazer média.
O poder que oprime os cidadãos
24.11.2007 | 15h23 |
Muito interessante a entrevista com o jornalista e escritor Ignácio Ramonet, editor do Le Monde Diplomatique. O autor de "A Tirania da Comunicação" falou ao Observatório do Direito à Comunicação e analisou a concentração das corporações midiáticas e as possibilidades democráticas que a Internet ainda não alcançou. Segue um trecho abaixo. Leia a íntegra aqui.
Neste momento, os meios dominantes aparecem como aparato ideológico da globalização. Hoje temos uma espécie de duopólio de poderes: poder econômico e financeiro, e poder midiático, que se aliam para dominar a sociedade. Nesse sentido, os cidadãos se sentem traídos, porque pensavam que o que chamávamos de o quarto poder tinha como objetivo constituir um contra-poder, e que os cidadãos tinham um espaço para falar. Isso hoje se modificou, estamos numa situação em que o quarto poder desapareceu, se desvaneceu. Ou se transformou em um poder que oprime os cidadãos.
Há pouco mais de 2 anos, durante o Fórum Social Mundial de 2005, em Porto Alegre, fizemos uma entrevista com o Ignácio Ramonet. Ela pode ser lida aqui.
Ave, Globo
24.11.2007 | 15h21 |
No momento em que a novela "Duas Caras" acentua as críticas à cidade do Rio de Janeiro, o diretor Aguinaldo Silva é afastado. Sem comentários.
1/3 dos senadores violam Constituição
24.11.2007 | 15h08 |
Reportagem publicada pelo Estadão afirma que 23 senadores aparecem como sócios de emissoras de rádio e TV. A situação, como exaustivamente denunciada em nosso Fazendo Media impresso e aqui mesmo, neste fazendomedia.com, fere o artigo 54 da Constituição. Ou seja, praticam uma conduta que pode ser definida como ilícita. Portanto, será que esses senadores poderiam ser chamados de "bandidos"? Qual é o tratamento que recebem das corporações de mídia? Leia a íntegra da matéria aqui.
Sobre os policiais assassinados no Rio
23.11.2007 | 20h46 |
Quatro policiais foram assassinados no Rio de Janeiro num intervalo de 12 horas. Embora não se conheçam os assassinos, tenho lido e ouvido freqüentes acusações dirigidas contra os defensores dos direitos humanos. É como se aqueles que lutam pela vida fossem culpados. São os "defensores de bandidos". Os que "nunca aparecem quando morre um policial".
Não é difícil compreender. Quando morre um policial, os que não enxergam um palmo à frente do nariz imediatamente pensam: "Quem matou foi um bandido". E, em seu imaginário, todo "bandido" mora numa favela. Daí para as teorias higienistas é um pulo. A emoção assalta por completo o espaço da razão; informações básicas são relegadas a segundo plano, perguntas básicas são simplesmente esquecidas. Por exemplo: não é óbvio que a polícia que mais mata será aquela que mais morre? (basta ver os índices do próprio governo, na nota abaixo intitulada "Governo desmascara governo; mídia não vê").
Há alguns meses, o jornal Extra publicou na primeira página as fotografias de 48 policiais assassinados no Rio. A maioria estava fora de serviço. Seria bom estudar esse fenômeno. Por que tantos policiais são assassinados no Rio de Janeiro? Serão os traficantes varejistas seus algozes? Ou existem disputas entre grupos armados de outra natureza, inclusive inseridos no aparelho do estado? De que forma as corporações privadas entram nessa história? E o sistema financeiro, que lava o dinheiro sujo das armas, drogas e máquinas de jogos?
O responsável pelas mortes dos policiais no Rio é o mesmo responsável pelas chacinas nas favelas.
Beira-mídia
23.11.2007 | 19h05 |
A mídia sensacionalista divulga, entre aturdida e inocente, que Fernandinho Beira-Mar tocava seus negócios de dentro do presídio. Mas não lhe ocorre ir até o tal presídio e perguntar: "como assim, senhor diretor?". Além disso, Beira-Mar vem sendo tratado como o grande chefão do tráfico e a Mangueira como o lugar do mal. Tirando o jornal O DIA, que publicou reportagem hoje de página inteira sobre a rede internacional de tráfico, as demais corporações de mídia ficaram devendo. Continuam a criminalizar os espaços populares, como se o grosso do tráfico estivesse concentrado nas favelas. E o alto executivo do banco suíço UBS, preso no último dia 6 pela Polícia Federal sob acusação de lavagem de dinheiro e evasão de divisas? Já caiu no esquecimento (veja nota a "ah, os bancos suíços...", logo abaixo)? Enquanto isso, o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS) segue fazendo lobby descarado para empresas armamentistas, sobretudo Taurus e CBC, que financiaram parte de sua campanha eleitoral e puseram R$ 5,5 milhões na campanha do "não" ao Estatuto do Desarmamento. O deputado agora quer colocar mais 700 mil armas no mercado brasileiro. É a bancada da bala a todo vapor no Congresso Nacional, que cada vez mais se curva aos interesses privados e se distancia das necessidades do povo.
Enquanto isso, na Alerj...
23.11.2007 | 16h54 |
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Alessandro Molon (PT), ainda não disse se vai assinar ou não o Manifesto Contra as Políticas de Extermínio do governo Sérgio Cabral. Nos primeiros dias desse mês, telefonei para sua secretária, Renata Pelazon, e ela confirmou o recebimento do documento. Disse que já havia encaminhado o texto para o deputado. No dia 6 de novembro, quando lançamos o Manifesto, Molon ainda não havia se manifestado. Dois dias depois, na reunião da comissão com o relator da ONU para casos de execuções sumárias, Philip Alston, perguntei diretamente ao deputado se ele iria assinar ou não. Molon me disse que ainda não tinha tido tempo para ler o Manifesto. Já se passaram mais de 20 dias. Quase 200 pessoas e entidades tiveram tempo de ler o documento, mas o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj segue calado.
Há quem diga que Molon mantém o silêncio para conseguir apoio do governador Sérgio Cabral em torno de sua candidatura para a Prefeitura do Rio de Janeiro, cujas eleições ocorrem em menos de um ano. Eu prefiro não acreditar nisso, pois seria uma postura que não condiz com o cargo que ocupa na Comissão de Direitos Humanos da Alerj.
Falcões ou tubarões do tráfico?
23.11.2007 | 00h10 |
Recebi o emeio abaixo do Coletivo Lutarmada e compartilho com vocês:
O manifesto a seguir será panfletado em diversas atividades do festival Hutuz, que está acontecendo no Rio de Janeiro:
22/11 - Canecão e Fundição Progresso (encontro na Fundição às 19h)
23/11 – às 22h no Ciro Voador (neste dia haverá show de GOG)
24/11 - às 22h no Circo Voador (neste dia haverá show de MV Bill)
25/11 - às 22h no Circo Voador (neste dia haverá show da Facção Central)
Ainda no dia 25/11 haverá o "Hip Hop Santa Marta" a partir das 14h, na favela em Botafogo, e panfletagem do manifesto.
Tentaremos ainda garantir panfletos para o Batendo de Frente nos dias 1 (grafitagem na Av. Presidente Vargas, altura do sambódromo, a partir das 13h) e 2/12 (Av. Paris, 649 - Bonsucesso, passarela 7 da Av. Brasil).
O Lutarmada pede o engajamento militante nas panfletagens, principalmente da(o)s jovens negra(o)s dos movimentos sociais.
Falcões ou tubarões. Quem são os meninos do tráfico?
Você deve saber que a coca e a maconha são plantadas bem longe das favelas. Depois elas passam por um processo químico em laboratórios que não ficam dentro de nenhuma favela. Depois desse refino, a coca, já transformada em pó de cocaína, atravessa as fronteiras e entra no país, para, a partir daí, da mesma forma que a maconha, serem transportadas por rodovias federais e estaduais, ou pelo mar. Só depois de todas essas etapas é que a droga é embalada e vendida no varejo nas favelas.
Se em todo o processo, da produção ao consumo, a menor parte fica com a favela, por que será que combate ao tráfico na nossa sociedade é sinônimo de operações policiais em favelas? Por dois motivos: 1) enquanto a sociedade acreditar que prendendo ou matando um favelado está se tirando de circulação um traficante, alguns senadores, deputados, prefeitos, secretários estaduais e municipais, ministros e empresários, que são os verdadeiros responsáveis pelo tráfico e beneficiários do grosso do rendimento desse comércio ilícito, continuarão livres e intocáveis em seus cargos e mansões. 2) atribuir à
favela a responsabilidade pelo narcotráfico serve para justificar a violência com a qual o Estado, através da sua policia, age nessas comunidades.
Por isso, o discurso de que traficante é favelado tem que ser combatido, principalmente por quem é morador e moradora de lá.
Mas, ao contrário disso, MV Bill e Celso Athaide produziram um filme que muito bem serviu para legitimar esse discurso perverso. Com o título "Falcão. Meninos do tráfico" o documentário esconde o perfil dos verdadeiros traficantes, que vivem em luxuosas mansões e coberturas, e expõem aqueles que estão na ponta do processo vendendo a droga e portando as armas que, também não são fabricadas nas favelas.
Quando o governador fascista do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, diz que mulheres faveladas são fábricas de marginais, entendemos que essa mensagem veio preparar o terreno para a ampliação do foco da sua política de extermínio, que até agora, mínima e relativamente, preservou essa parcela da população, que são as mulheres moradoras de comunidades pobres.
Foi quando a declaração do governador estava no auge da sua repercussão, que a imprensa começou a divulgar o novo documentário da dupla Celso/Bill. Pelo nome do novo projeto, "Falcão. Mulheres e o tráfico" pode-se esperar algo parecido com o documentário que o antecedeu.
O filme, combinado com a declaração do governador, prometem ser um ótimo argumento para legitimar a política de extermínio contra a mulher favelada, anunciada nas entrelinhas das ações e declarações de Sergio Cabral.
Entendemos que um documentário que se proponha a fazer revelações sobre o submundo do narcotráfico, deva sair das favelas e passar pelos gabinetes do legislativo, executivo e judiciário, pelas mansões e coberturas da Barra, Alfaville, e outros bairros nobres do país.
Entendemos que fábrica de marginais são as políticas de educação, habitação, saúde, trabalho, infra-estrutura, segurança, etc. do Estado - q no filme "Falcão" é isentado pelo MV Bill, de qualquer responsabilidade sobre a violência.
Essa é apenas uma peça de um enorme quebra-cabeça, que é esse processo já bem avançado de criminalização da pobreza - organizada, ou não - no campo e na cidade. Precisamos estar unidos e organizados. Só assim poderemos enfrentar essa ofensiva da classe dominante que, infelizmente, tem muitos de nós entre seus aliados.
Assinam o documento: Coletivo de Hip Hop LUTARMADA, MMM (Marcha Mundial das Mulheres - RJ), MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados - RJ), CMP (Central de Movimentos Populares), MNLM (Movimento Nacional de Luta Pela Moradia - RJ), FLP (Frente de Luta Popular), Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência.
Encontro da Rede de Advogados Populares
23.11.2007 | 00h09 |
Atendendo ao pedido do amigo e leitor Thiago Melo, ele mesmo advogado popular, divulgo aqui este importante encontro que busca fortalecer a luta contra a criminalização da pobreza. São advogados que dedicam parte do seu tempo a oferecer assistência jurídica gratuita aos injustiçados que não podem pagar por este serviço.
Dois pesos e duas medidas
22.11.2007 | 20h40 |
O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o ministro das Relações Institucionais Walfrido Mares Guia foram denunciados nesta quinta-feira (22/11) pelo Procurador Geral da República, Antônio Fernando de Souza, por envolvimento com o “mensalão” mineiro. O “mensalão” mineiro, como se sabe, favorecia o governador Eduardo Azeredo, do PSDB. Mas as corporações de mídia evitaram a associação "nome-partido" o quanto puderam. Como em 2005 as acusações contra o PT eram muito parecidas, e o nome do partido foi destacado ao máximo, fica mais do que provado que essa mídia tem dois pesos e duas medidas. Não é isenta ou imparcial como gosta de se auto-proclamar. Não privilegia a boa informação, como manda a Constituição. O jornalista Luiz Carlos Azenha acaba de publicar artigo comparando as primeiras capas dos jornais mais vendidos do Brasil e mostrando com nitidez mais essa distorção das corporações de mídia. Leia aqui.
Só pra deixar claro: não sou petista.
Apuração fora de época
22.11.2007 | 01h25 |
Adriana Facina, professora do departamento de História da UFF, foi entrevistada pela revista Época. De três perguntas básicas, a revista conseguiu inverter as três. Distorceu tudo na cara dura. Veja abaixo o relato da professora, que por acaso é também nossa colunista (o que duvido muito que a revista tenha publicado):
Quando do "affair" Mario Schmidt, fui entrevistada pelo repórter Nelito Fernandes [revista Época] sobre o livro e seu autor. Quase nada do que falei foi publicado, o que já era esperado. Mas o mais absurdo foi o seguinte: Nelito me fez, de modo, direto, três perguntas. A primeira: “Seu sobrenome se escreve com um c ou dois?”. Respondi: “Um c só”. Segunda: “Você é professora da UFRJ?”. Eu disse: “Não, da UFF”. Terceira: “Você foi aluna do Mario?”. Neguei: “Não, nunca fui sua aluna”. Pois na matéria que saiu na revista eu virei Adriana Faccina com dois cs, professora da UFRJ e ex-aluna de Mario!
Leia o artigo completo da professora, que acaba de ser publicado, clicando aqui. Facina gentilmente dedica o texto a Felipe Viana, estudante secundarista do Instituto Abel, que recentemente havia denunciado o recolhimento do livro do Mario Schmidt em sua escola.
CPI do Pan adiada novamente
21.11.2007 | 18h52 |
Após dois adiamentos, a CPI do PAN não foi instalada hoje na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro; desta vez por falta de quorum, devido à ausência dos próprios integrantes da comissão. Apenas o vereador Eliomar Coelho (PSOL) compareceu à reunião convocada para esta quarta-feira, às 14h, na qual estava prevista a sua eleição para a presidência e a aprovação do plano de trabalho da CPI. Clique aqui para acessar o plano de trabalho, com os indícios de irregularidades e o cronograma de atuação da comissão.
A CPI quer investigar as denúncias de obras superfaturadas, contratos suspeitos e o estouro do orçamento previsto (que consumiu 14 vezes o valor inicial, ultrapassando os 4 bilhões de reais). Os vereadores ausentes, que seguem beneficiando o prefeito César Maia, são: Patrícia Amorim (PSDB); Carlo Caiado (DEM, ex-PFL); Nadinho de Rio das Pedras (DEM, ex-PFL) e Luiz Guaraná (PSDB). As corporações de mídia não consideraram essa manobra digna de nota.
CCJ da Câmara aprova Venezuela no Mercosul
21.11.2007 | 17h55 |
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) acaba de confirmar a adesão da Venezuela ao Mercosul, em sessão concorrida e de opiniões diversas. Após mais de quatro horas de sessão, os deputados aprovaram o Projeto de Decreto Legislativo 387/07; foram 44 votos a favor e 17 contra.
Para além das considerações a respeito do presidente venezuelano, o fato é que a entrada da Venezuela no Mercosul fortalece o bloco. Ou você acredita que os 44 votos foram de parlamentares que defendem o "Socialismo do Século 21"? Claro que não. Talvez uma meia dúzia, mas a maioria votou pensando nos dividendos. O fato é que o empresariado brasileiro tem muitos interesses nessa decisão. Inclusive, este setor da sociedade lutou bastante para rechaçar a Alca - isso ainda no governo FHC. Fortalecer o Mercosul, hoje, é fundamental para todos os países da região sob todos os pontos de vista: econômico, cultural, político, educacional e etc.
Pelo jeito, a campanha das corporações de mídia contra Hugo Chávez não vai dar certo. Quem mais lucra com a divisão dos países latino-americanos são os EUA, a maior ditadura que o mundo já conheceu - e por quem as corporações brasileiras de mídia nutrem indisfarçável fascínio.
Atualizando (19h11): O Leandro Alves tem razão em seu comentário. A aprovação foi da Comissão de Constituição e Justiça e a matéria ainda será apreciada em Plenário. Corrigi o título.
Uma frase
21.11.2007 | 16h55 |
Roland Barthes: “o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer”. O professor francês morreu na década de 1980, mas seu pensamento está cada vez mais atual. Um exemplo aplicado ao jornalismo se dá quando um repórter pensa em usar uma palavra, ou uma construção, ou mesmo uma determinada fonte, mas desiste da idéia porque sabe que o editor impedirá que ele se manifeste daquela maneira. O repórter está obrigado a dizer algo e, pior, de determinado modo. Para Roland Barthes, trata-se de um controle fascista, sobretudo quando sustenta idéais fascistas.
Governo desmascara governo; mídia não vê
21.11.2007 | 02h12 |
O Instituto de Segurança Pública do RJ (ISP), órgão vinculado à Secretaria de Segurança, divulgou, às vésperas do feriadão, os números de outubro. Dos seis principais indicativos, a polícia melhorou em apenas um deles (conseguiu reduzir em cerca de 15% os homicídios). Os outros cinco números, que já eram terríveis, pioraram (autos de resistência, furtos e roubos, além de apreensão de armas e drogas). Veja abaixo os seis índices. Para acessar o relatório completo, acesse a página do ISP.
É essa política de segurança que o governador Sérgio Cabral afirma ser a solução para nossos problemas. Uma política que um órgão do próprio governo comprova ser fracassada. Houvesse pluralidade nos meios de comunicação de massa, e pelo menos uma parte contasse a verdade, seria impossível sustentar a falácia oficial.
Estatísticas do ISP
Autos de resistência
Jan-out-07: 1.072
Jan-out-06: 894
Total de furtos
Jan-out-07: 118.562
Jan-out-06: 114.821
Total de roubos
Jan-out-07: 103.900
Jan-out-06: 102.951
Nesse sentido, vale destacar o seguinte trecho do relatório de Philip Alston, o relator da ONU para casos de execuções sumárias que esteve no Brasil durante 11 dias desse mês: "A operação no Complexo do Alemão reflete a principal estratégia do Governo do Estado. É politicamente motivada e consiste em policiamento pelas pesquisas de opinião. Mas é popular entre aqueles que querem resultados rápidos de demonstrações de força. A ironia é que é contraproducente. Vários policiais graduados com os quais eu conversei eram bastante críticos à abordagem de 'guerra'. As forças da Polícia Militar envolvidas parecem ter tido pouco treinamento relevante no uso de armas não-letais, não houve tentativas de desenvolver policiamento comunitário na área, e quase nenhum serviço social sustentável é fornecido pelo Estado às pessoas da comunidade mencionada".
A respeito do laudo dos peritos federais, que comprova ao menos duas execuções no Alemão, Alston comentou: "Eu perguntei ao chefe da Polícia Civil no Rio de Janeiro sobre as conclusões de uma autópsia independente que sugeria com vigor que alguns dos indivíduos tinham sido executados extrajudicialmente pela polícia. Sua resposta foi atacar as credenciais dos especialistas 'de fora do estado' e questionar seus direitos constitucionais de fazer este tipo de análise. Eu pedi a ele, mas ainda não recebi, uma resposta cientificamente crível às conclusões do relatório da autópsia".
Maluf deseja a morte de Chávez
21.11.2007 | 02h12 |
O jornalista Luiz Carlos Azenha escreveu nesta quarta-feira (21/11): "A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal pode votar hoje o relatório do deputado Paulo Maluf que aprova a adesão da Venezuela ao Mercosul. O projeto tramita em regime de urgência. Além de referir-se ao presidente da Venezuela como "psicopata" e "cafajeste", através da imprensa, o relator incluiu no texto oficial que será submetido à votação seu desejo de que o presidente da Venezuela morra logo".
A perseguição das corporações de mídia contra o presidente da Venezuela continua implacável. As distorções são tantas que o Globo chega a publicar em sua primeira página que a mudança na Constituição prevê a eleição indefinida do presidente Hugo Chávez (16/11). Não é verdade. O fato é que a nova Constituição simplesmente vai excluir o artigo que impede a reeleição, o que já acontece em diversos países considerados democráticos por essa mídia. Da maneira que o Globo escreveu, parece que o texto está sendo escrito com o nome do Chávez. Outro dia o mesmo jornal publicou, também na primeira página, foto de uma pessoa apontando uma arma contra outra. Nenhuma das duas estavam identificadas, mas isso não impediu que o jornal definisse o agressor, na legenda, como "suposto chavista". Acontece que suposto, em jornalismo, não é informação para a primeira página. Talvez para o texto da matéria, mesmo assim explicando quem está afiançando aquela suposição. Se querem tanto criticar o Chávez, que critiquem. Mas com honestidade. Seria interessante, por exemplo, investigar por que mais de 60% dos venezuelanos votaram nele nas últimas eleições. Por que o povo deu a vitória a Chávez em 7 pleitos consecutivos? O que, na história da Venezuela, explica que o povo vote em Hugo Chávez? Qual o cidadão brasileiro, supostamente muito bem informado pelas corporações de mídia, sabe o que é a Copei? Quem sabe quem é Pedro Carmona? Que participação tiveram no cenário venezuelano ao longo dos últimos 50 anos, quando aquele povo foi brutalmente explorado? De que forma estiveram inseridos no golpe militar-midiático de 2002? O caldo de cultura que contribuiu para a eleição do Chávez é revelador. Embora essa mídia não informe, seu entendimento está ao alcance de um livro e um documentário (Respectivamente: A Venezuela que se inventa, de Gilberto Maringoni, e A revolução não será televisionada, de Kim Bartley e Donnacha O’Briain).
E a propósito do cala-boca do rei da Espanha, seguem alguns versos rascunhados sem muita pretensão:
O índio desaprendeu
E o rei mandou que se calasse.
O rei, eleito pela Providência Divina
O rei, representante de Deus na Terra.
O rei mandou que se calasse
Como ontem mandou invadir
E destruir
Culturas além-mar
Até aí nada demais
Os subalternos sempre foram regra.
E por qualquer duas léguas de terra
Comprava-se um silêncio contumaz.
Até que um dia
Alguém disse não.
Não, não me calo.
Aqui não há reis, não somos súditos.
Parece que o índio desaprendeu a obedecer.
Não apenas não se calou
Como afirmou: fascista!
Foste conduzido ao reinado pelo ditador Francisco Franco;
Apoiaste um golpe de Estado em meu país;
Apoiaste a invasão do Iraque;
Apóias as invasões das multinacionais!
Blasfêmia!
Blasfêmia, gritaram os arautos de Sua Majestade.
O que pensa este índio?
Como ousa dirigir a palavra ao rei?
Ponha-se em seu lugar, obedeça às ordens e saiba quando calar.
Mas parece que o índio desaprendeu.
Já é tempo de desobedecer
É tempo de dizer não
A tanta arrogância
A tanta exploração.
140 anos de "O Capital"
19.11.2007 | 06h22 |
O prezado amigo e leitor Luís de Gonzaga Mendes faz um convite a todos. Em meados do mês que vem, haverá um simpósio em Fortaleza para analisar os livros "O Capital" e "A sociedade do espetáculo". Fica a dica:
Em novembro deste ano, completam 140 anos da primeira edição de O Capital. Em 1967, no centenário da obra de Marx, Guy Debord publicou A sociedade do espetáculo, um dos mais importantes livros de crítica social do século 20. Atentos a essas datas, o Mestrado em Filosofia da UECE e o Grupo de Pesquisa em Dialética e Teoria Crítica da Sociedade (UECE) estarão realizando entre os dias 12 e 14 de dezembro de 2007 o "Marx & Debord: simpósio comemorativo aos 140 anos de O capital e 40 anos de A sociedade do espetáculo". Mais informações no blog do Grupo de Pesquisa.
Delegado é censurado no Programa do Jô
16.11.2007 | 03h53 |
O Programa do Jô, da TV Globo, cortou parte da entrevista concedida pelo delegado de Polícia Civil do RJ Orlando Zaccone. Gravada nesta segunda-feira (12) e exibida ontem, a entrevista do policial sofreu um corte no momento em que ele comentou o filme Tropa de Elite. O trecho simplesmente não foi ao ar. Segundo Zaccone, Jô Soares ficou irritado com o seguinte comentário: "Essa classe média que está batendo palma para o filme não agüenta um tapa de polícia na rua". O apresentador teria respondido algo como "Não concordo. Isso é sua opinião". Zaccone ainda foi polido. Em vez de responder o óbvio, que havia sido convidado justamente para emitir sua opinião, ainda tentou contemporizar, explicando que as palmas a que se referia eram para as cenas de tortura e execuções sumárias.
Quem assistiu à entrevista pôde notar que Zaccone levou Jô na flauta. Ao contrário da maioria dos programas, em que o apresentador costuma aparecer mais que o convidado, o delegado conseguiu oferecer uma boa exposição sobre o conteúdo de seu livro recém-lançado (Acionistas do nada - quem são os traficantes de drogas). Abordou com bastante propriedade a teoria da seletividade da pena e mostrou, através de experiência própria, que a esmagadora maioria dos presos por tráfico não são violentos. Além disso, ainda achou espaço para criticar a mídia: "Recentemente um jornal do Rio de Janeiro publicou uma foto de uma mulher armada, de shortinho e piercing no umbigo. Só que esse estereótipo não condiz com a realidade". Jô ficou meio atordado e o interrompeu: "Mudando de assunto, já que os convidados vêm aqui para falar de sua vida, me fala sobre quando você era Hare Krishna". Zaccone falou alguns segundos e logo deu um jeito de voltar a criticar a criminalização da pobreza. O sujeito estava impossível. Como diz o Yuka, o cara consegue, fácil, vender picolé no inverno russo. Além do livro, Zaccone levou um exemplar do jornal "Sol quadrado - também brilha!", editado por mim. A capa, diagramada com perfeição por Évlen Bispo, foi exposta em close durante generosos segundos. No final do programa até o prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindeberg Farias, telefonou para parabenizar o delegado. Que, apesar da censura, tirou o gordo pra dançar.
Para comprar o livro (R$ 26,00) e/ou obter mais informações sobre o mesmo, acesse a página da Editora Revan.
Cartinha pra Veja
16.11.2007 | 03h48 |
Segue abaixo a carta aberta de Jon Lee Anderson, jornalista veterano de guerra da revista New Yorker e biógrafo de Che Guevara. Ele foi procurado pela revista Veja para a reportagem de capa que afirma que Guevara foi uma farsa. Segundo Anderson, em carta ao repórter da Veja Diogo Schelp, "o que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é". Leia a íntegra abaixo:
Caro Diogo,
Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.
Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista.
No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.
Cordialmente,
Jon Lee Anderson.
Caça ao livro chega ao Abel
16.11.2007 | 03h37 |
Recebi anteontem o emeio abaixo. Considero a denúncia do Felipe Viana, aluno do Instituto Abel (Niterói), da maior gravidade e estou sugerindo aos professores de história que protestem junto ao Instituto Abel. Se isto estiver acontecendo em outros colégios, escrevam pra cá. Leiam abaixo mais um exemplo do direcionamento que as Organizações Globo impõem às instituições da República - que aniversariou ontem e, como se vê, ainda é muito frágil:
Marcelo, meu nome é Felipe Viana, estudo no Instituto Abel de Niterói, e estou prestando vestibular para ciências sociais. Além de ser um assíduo leitor do fazendomedia.com. Escrevo apenas para ilustrar, sei que já é mais que evidente, a força da Globo e de sua linha editorial. Hoje fui à biblioteca revisar os estudos de minha matéria específica, história. Quando peço para a bibliotecária, pessoa maravilhosa por sinal, o livro do Mario Schmidt, ela me diz que ele foi recolhido. Fiquei surpreso, e imaginando a razão do recolhimento, pergunto o porquê. Ela diz que é porque o livro está sendo contestado (disse que tanto o conteúdo quanto a formação de historiador do Mário estão sendo colocadas em dúvida), recebeu ordens para retirá-lo. Lembrei a bibliotecária que nada tinha sido comprovado, que além de ser adotado pelo MEC, tinha total apoio de nossos professores. Ela, porém, insistiu no argumento, e paramos por aí. Logo depois lembrei daquela série do fantástico "É muita História!", a qual foi elaborada pelo grande irmão Pedro Bial e o suposto historiador Eduardo Bueno. Nesta série, que deve ter tido uma altíssima audiência, além de erros evidentes (como de que a Inconfidência Mineira foi influenciada pela Revolução Francesa), Bueno teimava em tratar os personagens históricos como vilões ou mocinhos. E estranhamente o editor-chefe do Fantástico, Ali Kamel, não se pronunciou desta vez. Marcelo, obrigado por ter lido o relato aqui e esperado ter somado em alguma coisa. Um abraço e parabéns pelo fazendomedia.com e pelo ato contra a política se segurança do Cabral. Felipe Viana.
Mídia + rei x Chávez
13.11.2007 | 15h03 |
“Ei, ei, ei, Juan Carlos é nosso rei”, bradou a coluna do Ancelmo Gois, no “Globo” de ontem. “Chávez é maluco”, diz boa parte da classe média brasileira, sem perceber que boa parte do que pensa do presidente venezuelano é induzido por uma mídia que não faz muito esforço para esconder seu vergonhoso servilismo a reis e impérios.
Segue abaixo um trecho do último artigo da jornalista Elaine Tavares, que escreve no Observatório Latino-Americano (www.ola.cse.ufsc.br), cuja leitura recomendo com entusiasmo. Neste espaço também milita Nildo Ouriques, um dos maiores conhecedores da América Latina e, por isso mesmo, absolutamente ignorado pelas corporações de mídia:
Faz parte do jogo de simulacro essa coisa grotesca de vir para a América Latina, segurar indiozinhos no colo, fazer visitas aos pobres, percorrer favelas. Coisa de realeza, acima do bem e do mal, olhando pelos antigos súditos. Agora, ouvir críticas da boca de um mandatário de uma nação soberana, que não se submete, aí já é demais para o rei. Então ele esquece todo esse “bom mocismo” de beijinhos falsos e perde a tramontana.
É que, na verdade, a Espanha ainda domina grande parte das terras de cá. Hoje de um jeito novo, via empresas transnacionais. Controla minas, telefonia, bancos, comunicação e tantas coisas mais, serviços estratégicos no mais das vezes. Um novo jeito de colonizar, de manter sob o cabresto. Governos latino-americanos há que ainda se submetem e baixam suas cabeças para esses interesses, espanhóis ou não. Outros não têm medo, como Chávez, e denunciam. Então assoma a arrogância européia: Cala a boca!
O que Juan Carlos não sabia é que, de Chávez, não se pode esperar o silêncio imemorial. Ele é príncipe das palavras, que lhes brotam aos borbotões, principalmente quando é para defender a soberania da gente de “nuestra América”. E ele não cala a boca assim fácil não. Ao contrário. Ele grita, um grito aprisionado desde há 500 anos. Que não se cala mais. Se alguém tem de calar, aqui, agora, na nossa terra, é “el rei”. Já basta!
A mídia, não o rei, calou Chávez
12.11.2007 | 10h23 |
Engraçado. A mesma mídia que chama Hugo Chávez de "ditador" é a que chamava cada ditador brasileiro "de general-presidente". Agora, por ocasião do encerramento da Cúpula Ibero-Americana, essa mesma mídia aplaudiu o rei espanhol por ter mandado Chávez calar sua boca. Mas Chávez não se calou, como as corporações de mídia fizeram parecer. "Aqui não há reis, não somos súditos. Somos livres", disse Chávez, que teve sua fala silenciada pela mídia grande. A chamada dos jornalões foi "Rei espanhol manda Chávez se calar". Mas poderia ter continuado com um subtítulo como: "Presidente da Venezuela lembrou que golpe de 2002 teve apoio de Juan Carlos".
Youtube não é de elite
12.11.2007 | 10h20 |
Vamos poder acusar o Youtube por censura, depois que o vídeo do assassino finlandês foi retirado do ar? Outra pergunta: o vídeo teria sido retirado do ar se a tragédia não fosse consumada?
Só pra contextualizar: estou falando do adolescente finlandês que matou 8 pessoas e depois cometeu suicídio na escola Jokela, que fica em Tuusula, na Finlândia.
Embora as corporações de mídia não tenham dado destaque, lá pelos últimos parágrafos era possível ler algumas frases gravadas pelo assassino – e que revelam sua ideologia fascista:
“Estou disposto a lutar e morrer por minha causa. Eu, como selecionador natural, vou eliminar todos aqueles que julgar impróprios, desgraças da raça humana e falhas da seleção natural”.
Discurso pra capitão Nascimento nenhum botar defeito.
Aqui no Brasil, é só você dizer que estuda entrar no Ministério Público contra um filme fascista que as corporações de mídia caem em cima e decretam: censura!
Mas não reclamam da censura do Youtube, que apagou o vídeo fascista do finlandês.
Talvez isso tenha alguma coisa a ver com a hipocrisia que reina soberana no Brasil. Nesse sentido, você não poderia proferir claramente mensagens fascistas. Mas estaria livre para sugerir implicitamente tais recados.
Quem tem um pouquinho de sensibilidade sabe que muitas vezes a sugestão é mais significativa que a ordem direta. Daí meu interesse particular no estudo das construções midiáticas. Estou falando da capacidade que a mídia tem de moldar percepções, forjar consensos e produzir subjetividades, a saber: formas de sentir, agir e viver.
O dia em que a esquerda descobrir a importância disso, vai investir mais tempo na luta pela democratização da mídia. Muito mais tempo.
Mais uma assinatura
12.11.2007 | 10h10 |
Marcelo,
Em primeiro lugar gostaria de dar meus parabéns pela iniciativa do Manifesto contra estas políticas de segurança exterminadoras. Lembro-me muito bem que, no ano de 2004, na "crise da Rocinha" alguém veio com a idéia de construir um muro para separar a Rocinha da parte alta da Gávea. Sai do Rio em 2006 para estudar em São Paulo, mas vejo que estes problemas, estas políticas de exceção, continuam em alta por ai. Aqui em São Paulo os problemas são parecidos. As políticas de segurança seguem a mesma linha. E o pior é que a mídia, quando não cala sobre os massacres, faz coro às idéias de extermínio e exceção.
Diante disto, como cidadão e participante de movimentos sociais, gostaria de assinar o Manifesto.
Mais uma vez parabéns pela iniciativa. Forte abraço,
Antonio Arles dos Anjos Junior - Estudante de História - 1º Secretário do Movimento dos Sem-Mídia
As cartas do "Globo"
09.11.2007 | 19h44 |
Não é que eu acredite que seja manipulação tudo aquilo que saia publicado nas corporações de mídia. Não. Eu tenho certeza que nem tudo que sai é manipulação. Não porque os donos dessas empresas tenham algum apreço pelo jornalismo, mas porque nem tudo passa pelo crivo dos donos. E o reportariado, que nem sempre concorda com a vocação golpista de seus patrões, em geral é muito competente.
Há também as boas pautas que passam pelas mãos dos chefões e são usadas para algum interesse escuso. Como a chantagem do tipo: “coloca um anúncio que eu páro de denunciar as mutretas da sua empresa”, o que aconteceu recentemente num jornalão carioca que criticava a grilagem de terras na Barra da Tijuca. Os repórteres vinham fazendo um bom trabalho até que numa noite, regada a champanhe e caviar, o dono do jornal e os donos das empreiteiras interessadas selaram um acordo. E mandaram o repórter cobrir o sexo dos anjos. À época, lembro bem, a boa cobertura do tal jornalão chamou nossa atenção. Isso porque nós também estávamos cobrindo as agressões do prefeito César Maia contra moradores de favelas da região. O Canal do Cortado foi quase todo destruído – 40 casas derrubadas; a comunidade Arroio Pavuna foi completamente destruída – 67 casas derrubadas. Claro que o tal jornalão não chegou ao ponto de denunciar a cumplicidade da TV Globo com aquela agressão, mas pelo menos estava denunciando a pressão das empreiteiras contra os moradores.
Enfim. Estou dizendo isso a propósito das cartas dos leitores do “Globo” de ontem, a respeito do lançamento do Manifesto Contra as Políticas de Extermínio do governo Sérgio Cabral. Estou ciente de que existem pessoas com essa mentalidade tacanha e ignorante de achar que quem luta pelos direitos humanos necessariamente defende bandido, mas também tenho certeza que não são apenas essas pessoas que escrevem cartas para os jornais. A questão é que TODAS as 6 cartas publicadas pelo “Globo” de ontem a respeito do Manifesto dizem essencialmente a mesma coisa. Não há contraponto. É novamente a mídia a serviço da manipulação da realidade, numa busca desesperada por fabricar consensos, forjar percepções e produzir uma subjetividade fascista. Não vai conseguir.
SP: Manifestação em frente à TV Globo
09.11.2007 | 19h41 |
O presidente do Movimento dos Sem-Mídia convoca: amanhã, todos para a frente da TV Globo em São Paulo. Em seu blog, Eduardo Guimarães avisa: "Quem quiser transformar essa indignação que tantos vivem manifestando em e-mails, blogs e em conversas particulares em atitude real, deve comparecer amanhã (sábado, 10 de novembro) diante da sede da Globo em São Paulo PONTUALMENTE às 10 horas da manhã. O endereço é avenida Chucri Zaidan, nº 46". O protesto tem como objetivo criticar a brutal concentração dos meios de comunicação no Brasil. Mais informações em http://edu.guim.blog.uol.com.br.
Manifesto é lido em praça pública
09.11.2007 | 18h29 |
O Manifesto Contra as Políticas de Extermínio do governo Sérgio Cabral foi lido hoje no centro do Rio de Janeiro pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Após criticar a política de segurança do governo, Freixo pôs-se a ler o Manifesto, linha por linha, enquanto centenas de transeuntes prestavam atenção.
Ontem, o deputado leu o Manifesto no Plenário da Assembléia Legislativa. Na quarta-feira, em Brasília, o deputado federal Chico Alencar fez questão de incluir o Manifesto em seu pronunciamento. Mais de 150 pessoas e entidades subscrevem o documento, que repudia a forma como Sérgio Cabral administra a segurança pública e o apoio de setores da mídia a essa política fascista. Entre esses, há quatro desembargadores, cinco juizes, artistas como Marcelo Yuka, Letícia Sabatella, Lobão e Carlos Latuff; jornalistas como José Arbex Jr., Hamilton Octávio de Souza e Luiz Carlos Azenha; intelectuais como Cecília Coimbra, Nilo Batista e Vera Malaguti; além de entidades como Tortura Nunca Mais, Justiça Global, OAB/RJ, Renajorp e Associação dos Juizes para a Democracia.
Em tempo: assinaram o Manifesto ontem o jornalista Luiz Carlos Azenha, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT), o professor e advogado Aderlan Crespo e os servidores públicos Angélica Ferrante e Adriana Mendes de Almeida. Adicionei os nomes no post abaixo que traz o Manifesto.
Deputado critica monopólio na TV por assinatura
09.11.2007 | 17h40 |
O deputado federal Ivan Valente (PSOL) considerou insuficientes as informações prestadas pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa. Em audiência nesta quarta-feira (7/10) sobre os serviços prestados pelos canais por assinatura, Costa não questionou o monopólio que existe no setor: 80% do conteúdo veiculado é controlado pelas Organizações Globo. Além disso, Valente criticou os altos custos desse serviço. Enquanto na Argentina o preço por canal vai de R$ 0,66 a R$ 0,80, no Brasil os preços oscilam entre R$ 1,92 e R$ 6,84.
Relator da ONU x Bolsonarinho
09.11.2007 | 16h44 |
Carlos Latuff é sujeito inquieto. Não se trata apenas de um cartunista. Nem mesmo de um grande ser humano, como já registrei aqui. O sujeito é ativista político, desses chatos que ficam no pé das "autoridades" cobrando para que elas façam o que deveriam fazer sem ser cobradas. O vídeo acima foi gravado ontem pela manhã, na Alerj, durante o encontro do relator da ONU para execuções sumárias, Philip Alston, com a Comissão de Direitos Humanos da Casa, cujo presidente, o petista Alessandro Molon, ainda não assinou o Manifesto Contra as Políticas de Extermínio do governo Sérgio Cabral. Apenas uma correção: o nome do deputado retratado no vídeo é Flávio Bolsonaro, e não Carlos Bolsonaro.
Mais 48 assinaturas
08.11.2007 | 18h22 |
Abaixo seguem as assinaturas firmadas durante o ato de lançamento do Manifesto contra as políticas de extermínio do governo Sérgio Cabral, que foi realizado na terça-feira, na Fundição Progresso (Lapa-RJ). Atualizei as assinaturas lá embaixo do texto do manifesto. Já são mais de 150 a dizer NÃO a esta política do governo estadual, que coloca em risco a vida tanto de policiais quanto a dos demais cidadãos fluminenses. Se você também quiser assinar, basta escrever seu nome e profissão (ou entidade à qual é vinculado) para verboaberto@gmail.com.
Entidades:
PSOL-RJ.
PSTU-RJ.
Movimento Humanos Direitos (MHUD).
Sobretudo, portal de notícias da Baixada.
Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares do Brasil (Renap-RJ).
Rede Rio Criança.
Movimento Nacional Pela Legalização das Drogas.
Fórum Reage Baixada.
Comcausa – Cultura de Dieritos.
Agência de Notícias da Favela (ANF).
Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola.
DCE Cândido Mendes Niterói.
Pessoas físicas:
Generosa de Oliveira, socióloga.
Taiguara Souza, advogado.
Marcia de Almeida, jornalista e escritora.
Cyro Garcia, bancário e presidente do PSTU-RJ.
Gustavo Adolfo Lapido Loureiro, analista de sistemas.
Marcílio José Rosa e Silva, advogado.
Ana Maria Kalil, pedagoga.
Gilberto Lyra Lopes, produtor cultural.
Luiz Marcolino de Souza, advogado.
Renata Figueiredo Moraes, professora.
Fernanda Schnoor, professora.
Maria de Paula Bento.
Paulo Roberto Moreira do Carmo.
Kátia da Matta Pinheiro, historiadora.
Leonardo da Silva Gonçalves, estudante de jornalismo - Uerj.
Cíntia Braga, historiadora (Grupo Tortura Nunca Mais).
Vitória Pamplona (Grupo Tortura Nunca mais).
Rosilene C. Nascimento (Grupo Tortura Nunca Mais).
João Ricardo de Mattos Serafim, administrador.
Joana D’Arc Fernandes Ferraz (Grupo Tortura Nunca Mais).
Júlio Pecly – Boca de Filme – CDD.
Slow da B.F. (Hip Hop Baixada).
Mary Jane (B.O.C.A.).
Paulo Silva , cineasta.
Antônio Futuro, professor.
Luciene Medina, estudante (DCE da Universidade Estadual de Maringá-PR).
Leroy Paiva (Grupo Cultural Nação Maré).
André Fernandes (Agência de Notícias da Favela).
Perfeito Fortuna, empresário.
Marcelinho da Lua, Dj.
Eduardo Sacramento
Christine Clauser, director Dreams can be Foudation – Dreams Brasil.
Ananda da Luz Ferreira
Angelo Barbosa, ator e músico.
Ricardo Rocha, maestro.
Primeiras repercussões do Manifesto
08.11.2007 | 16h41 |
Todos os jornais divulgaram ontem o ato de lançamento do manifesto, realizado terça-feira (6/11), na Fundição Progresso (Lapa-RJ). Mas nenhum registrou que o manifesto também é uma crítica à cobertura das corporações de mídia. O ato foi público e todos que estavam lá ouviram a professora Adriana Facina, da UFF, acusar a cumplicidade da mídia grande com essa política de extermínio do governador Sérgio Cabral. Que, como disse o deputado estadual Paulo Ramos (PDT) hoje pela manhã, em audiência que acompanhei com o relator da ONU para casos de execuções sumárias, Phillip Alston (depois comento esse encontro com mais calma): "Qualquer morador de favela automaticamente é rotulado de bandido, mesmo não sendo. É a política da criminalização da pobreza", afirmou o parlamentar. Ou seja, se a mídia não distorceu as informações sobre o manifesto, omitiu outras fundamentais para a compreensão de todo o processo. Repito: no manifesto está escrito que a mídia é cúmplice dessa política de extermínio. Portanto, uma matéria que se pretende completa sobre o manifesto, que tem apenas 4 parágrafos (leia abaixo), deveria necessariamente contemplar esta informação. Até quando seguirão fingindo que o problema não é com eles? Acho que nem em ditaduras como os EUA a mídia tem tanto problema em falar dela mesma.
Também vale a pena comentar a matéria do jornal "O Globo". Publicada na penúltima página do primeiro caderno de ontem, a notícia ficou praticamente soterrada entre os anúncios fúnebres. Era a única informação em duas páginas, como se o jornal quisesse decretar a morte do manifesto. E isto também ficou patente nas entrelinhas. Em vez de dar o nome do manifesto (Manifesto contra as políticas de extermínio), o jornal vinha: "... criticam aquilo que eles chamam de 'políticas de extermínio'".
MSM estuda ir ao MP contra Globo
08.11.2007 | 16h11 |
Captei a conversa abaixo na página do Luiz Carlos Azenha, em que o jornalista ouve as propostas do presidente do Movimento dos Sem-Mídia, que achei interessante reproduzir. O grupo, fundado mês passado em São Paulo, estuda ir ao Ministério Público para garantir o direito de se expressar fazendo uso das concessões públicas de radiodifusão, atualmente ocupadas por corporações cujos principais objetivos são lucrar, lucrar e lucrar. Segue a interceptação da conversa telefônica entre Luiz Carlos Azenha e Eduardo Gimarães:
Foi uma conversa muito esclarecedora e agradável, a primeira que tive com o Eduardo por telefone. Pretendo reproduzí-la na íntegra e, se conseguir vencer algumas barreiras tecnológicas, subí-la no YouTube. Fiquei impressionado com a argumentação do presidente do MSM. Reproduzo, por agora, um trecho:
Eduardo Guimarães: "Aquele programa do Jô Soares ontem à noite eu me senti agredido, eu me senti esbofeteado, não é pelo Lula, mas é pelo desrespeito à opinião divergente, o desrespeito àquele que não compactua com aquele ponto-de-vista. Eu acho que aquele ponto-de-vista pode ir na TV, chamar o Lula de ignorante, de ladrão, de anta, de peru, de papagaio... ele pode fazer as acusações que ele quiser , contanto que ele assuma e responda por elas.
Eu acho um absurdo que eu não possa dar o meu ponto-de-vista, que eu não possa dizer o contrário. Quando eu digo eu, Eduardo, estou dizendo um setor da sociedade que pensa diferente, num país que fez uma escolha eleitoral totalmente diferente daquela que fez o Mainardi, que fez o Jô Soares...essas pessoas não têm esse direito porque tem uma família Marinho, que ganhou uma concessão do estado, que cresceu com dinheiro público no período da ditadura - as Organizações Globo cresceram, todos nós sabemos, isso não é um segredo, não é uma calúnia... a Globo cresceu durante a ditadura com dinheiro público -, continua sendo irrigada com dinheiro público [da propaganda oficial], consegue favores do estado via equacionamento de dívidas com organismos de crédito oficiais, tendo facilidades e tratamento privilegiado e que se assenhora de uma concessão pública para fazer prevalecer a opinião do concessionário.
Essa opinião do concessionário é válida, mas ele é detentor de uma concessão pública e recebe verbas públicas e tem obrigação de permitir a pluralidade. Eu acho que isso pode ser exigido junto à Justiça. Uma das propostas do Movimento dos Sem-Mídia é ir ao Ministério Público fazer uma denúncia. Eu acho que quanto ao programa de ontem cabe uma denúncia. A gente precisa pedir ao Ministério Público que garanta, que proponha à Justiça a garantia de que todos possam opinar numa concessão pública, que é de todos, não é só da família Marinho."
Um Manifesto e tanto
07.11.2007 | 02h56 |
Adriana Facina, Marcelo Yuka e João Batista Damasceno
As corporações de mídia chegaram na hora. Na verdade, antes da hora. Ainda faltavam dois minutos para as 17h quando o primeiro carro de reportagem se aproximou da Fundição Progresso, onde foi lançado ontem o Manifesto Contra as Políticas de Extermínio do governo Sérgio Cabral (leia nota abaixo). O horário estava correto. 17h. Antes de mim, que cheguei às 16h30, apenas o Rafael Kalil e sua equipe estavam no local. Preparando o som, com apoio irrestrito de Perfeito Fortuna, homem perfeitamente afortunado por trabalhar com alguém como a Vanessa Damasco.
O primeiro a ser cercado pelos coleguinhas foi o advogado João Tancredo, um dos principais responsáveis pelas investigações da Chacina do Alemão, quando ainda era presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB. Em seguida, a turminha colou nos juizes João Batista Damasceno e Regina Rios, dois co-organizadores do Manifesto. Por fim, Marcelo Yuka conversou com os jornalistas, lá pelas 18h. Com uma hora de atraso, a equipe organizadora decidiu iniciar os trabalhos. Neste exato momento, tomei o microfone e anunciei os nomes que iriam compor a mesa: João Batista Damasceno, Regina Rios, Marcelo Yuka, João Tancredo e Adriana Facina, professora do Departamento de História da UFF. Como o Damasceno estava sendo entrevistado pela TV Globo, contei uma breve história sobre a proximidade desta empresa com a ditadura, com o único objetivo de entreter os convidados - cerca de 100 pessoas. Veja bem: isto fez parte do ato. Será publicado em algum lugar? (Propaganda: informação exclusiva só aqui no fazendomedia.com)
Mesa composta, tento passar a palavra à Regina Rios, em nome do cavalheirismo, que recusa. Começamos então pelo cientista político e juiz de direito João Batista Damasceno, que fez uma intervenção bastante contundente e mostrou como a polícia adota abordagens diferentes de acordo com a região em que atua. Corte de classe.
Em seguida, João Tancredo contou o que viu em Marechal Deodoro, na Favela do Fumacê, há poucos meses: um cenário típico de execução. Numa casa pequena, sangue espalhado pelo chão, uma panela de comida e uma garrafa de refrigerante. Seis pessoas foram assassinadas porque a polícia não conseguira o dinheiro do arrego, segundo os moradores. E a polícia em questão era o Bope, parceiro, que na real é bem diferente.
A juíza Regina Rios, talvez sentindo que ainda havia muita gente para falar, fez apenas uma observação e passou a palavra. Com todo o carinho e a gentileza que lhe são peculiares.
Marcelo Yuka tomou a palavra e afirmou que nem todos concordam que a melhor maneira de combater a violência é com mais violência. Essa não é a paz que queremos. "A gente está aqui para dizer que nem toda a sociedade concorda com essa política de extermínio".
E a professora Adriana Facina superou todas as minhas expectativas que, confesso, eram altíssimas. Explico (e essa notícia não será publicada pelas corporações): Até o início do ato, não havíamos combinado quem iria compor a mesa. Perguntei a um, perguntei a outro. E nada. Até que o Yuka disse: você escolhe. Foi o que fiz. Além dos três organizadores do manifesto (Yuka, Regina e Damasceno), escolhi Adriana Facina para representar a academia e o João Tancredo porque sem ele, sinceramente, acho que seria muito difícil que houvesse alguma investigação séria sobre a Chacina do Alemão (27 de junho de 2007).
Voltando à Adriana. Pegou a palavra e... "A mídia não aperta o gatilho, mas é cúmplice dessa política fascista do governo do estado. A revista Veja está ajudando a exterminar quando apóia o filme Tropa de Elite, que legitima essa política absurda". E por aí foi. Deu nome a todos os bois e, por que não dizer, vacas. Claro que as ponderações necessárias foram feitas. O jornalista, o trabalhador da notícia, não tem nada a ver (em geral) com a linha editorial do jornal em que trabalha. Ele apenas vende sua força de trabalho, mas isso não significa que ele concorde com a vocação golpista de seu patrão.
Pouco depois chegaram mais três companheiros para compor a mesa: o deputado estadual Marcelo Freixo, representando o Partido Socialismo e Liberdade, João Luiz Pinaud, pela Associação Americana de Juristas, e Margarida Pressburger, pela Ordem dos Advogados do Brasil. Marcelo ressaltou que a responsabilidade dessa política de insegurança pública deve ser atribuída ao governador Sérgio Cabral e seus ideólogos, e não aos policiais. "Que aí é maltrapilho matando esfarrapado". O deputado socialista, que é também professor de história, fez uma análise que remonta à formação social brasileira. "Hoje, são homens de preto matando pretos ou quase pretos". Ao que seu xará Yuka completaria: "Todo camburão tem um pouco de navio negreiro".
Após essas intervenções, tivemos ainda a participação da Fernanda, que falou por um dos movimentos sociais mais importantes do mundo, o MST. E na seqüência falaram Maurício Campos (Rede Contra a Violência), Joana D´Arc (Grupo Tortura Nunca Mais), Cyro Garcia (PSTU), Mário Augusto Jakobskind (ABI) e João Ricardo (Associação de Moradores de Vigário Geral), além do sociólogo Renato Cinco e de Marcílio Rosa, que se apresentou apenas como "cidadão do mundo". Todos signatários do Manifesto. Durante toda a atividade (que durou das 17h às 21h), recolhemos cerca de 50 assinaturas. Ou seja, 50% de tudo o que já havíamos conseguido. Agora já somos 150 pessoas contra a política de extermínio do governo Sérgio Cabral, perfeitamente alinhada à ideologia neoliberal e à economia de mercado. Nesta quarta-feira, o representante da ONU para execuções extra-judiciais, Philip Alston, receberá uma cópia do Manifesto. Na quinta-feira (8/11), o grupo organizador do Manifesto (e você leitor também pode aparecer), estará na Assembléia Legislativa do RJ. Lá, o representante da ONU tem encontro marcado com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado petista Alessandro Molon, que recebeu nosso Manifesto... Mas não se manifestou. A gente vai lá perguntar por quê.
Já notei alguma repercussão do ato na mídia alternativa e nas corporações de mídia. Essas, invariavelmente ignoram o trecho do manifesto que diz respeito a elas mesmas. Trata-se do terceiro parágrafo: "Nossa preocupação se estende ao posicionamento de certos setores da mídia que reforçam a ideologia do extermínio, em afronta ao Estado Democrático e de Direito, como o contido no editorial de jornal [carioca] de grande circulação do dia 26 de outubro, onde se lê que 'as camadas pobres da população converteram-se numa fábrica de reposição de mão-de-obra para o exército da criminalidade'". Não importa. Nossa medida de sucesso não pode ser dada pelo vulto da cobertura. Podemos avançar muito, mesmo com pouca cobertura. E podemos não avançar nada, mesmo com muita cobertura. Nós temos que avançar APESAR da cobertura. E todo avanço que conquistarmos apesar dessa cobertura será uma vitória.
Apesar disso tudo, que fique claro: ontem, 6 de novembro de 2007, foi o dia em que as corporações de mídia assinaram seu atestado de mulher de malandro.
Ah... Os bancos suíços
06.11.2007 | 15h20 |
E eis que a Polícia Federal fecha o cerco contra os bancos suíços, de quem tanto falamos aqui neste blog. Enquanto as corporações de mídia associam o termo "criminalidade" às favelas, nós insistíamos que drogas e armas não brotam nas favelas por geração espontânea. E citávamos o livro "A Suíça lava mais branco", de Jean Ziegler (Ed. Civilização Brasileira), que comprova que o tráfico de drogas e armas é substancialmente financiado por bancos suíços. Há alguns meses, a PF deflagrou a Operação Kaspar. Agora, recebo a informação abaixo, sobre a Operação Kaspar II. Um alto executivo do Banco UBS (União dos Bancos Suíços) já foi detido (vamos ver qual será a associação que as corporações de mídia farão entre o sujeito e o termo "crimianlidade", "tráfico" ou "crime organizado). Leia o texto na íntegra da Polícia Federal, divulgado para a imprensa:
A Polícia Federal desencadeia hoje, 06 de novembro, em 03 estados da federação a OPERAÇÃO KASPAR II, para cumprir 20 mandados de prisão e 44 ordens de busca e apreensão, com o objetivo de desarticular esquema organizado por instituições financeiras suíças dedicado à prática de crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Após um ano e meio de investigações, cerca de 280 policiais federais realizam diligências hoje nos estados de São Paulo, Bahia e Amazonas para desbaratar esquema criminoso em que bancos abriam contas numeradas e codificadas para as quais clientes brasileiros enviavam dinheiro sem origem utilizando-se da intermediação de doleiros (modalidade dólar-cabo). Essas contas numeradas dificultam a identificação de seus titulares pelas autoridades brasileiras.
Alguns investigados utilizavam-se dos doleiros para o pagamento de fornecedores no exterior, em muitos casos, em razão do subfaturamento de importações.
As ordens de prisão temporária (prazo de cinco dias) e de busca e apreensão foram expedidas pela Justiça Federal em São Paulo – 6ª Vara Criminal Federal, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Os investigados responderão pelos crimes de gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e funcionamento de instituição financeira sem autorização do Banco Central (as penas máximas somadas atingem 40 anos de prisão).
Manifesto contra as políticas de extermínio
04.11.2007 | 23h29 |
Quatro desembargadores, cinco juizes, músicos, artistas, professores e jornalistas, entre outros, além de diversas entidades como OAB, Tortura Nunca Mais e MST lançam na terça-feira, 6/11, na Fundição Progresso (Lapa-RJ), o Manifesto Contra as Políticas de Extermínio do governador Sérgio Cabral. São 100 assinaturas no total, entre as quais estão Marcelo Yuka, Paulo Lins, Letícia Sabatella, Lobão, Beth Carvalho, Nilo Batista, Carlos Latuff, Cecília Coimbra e Vera Malaguti. Todos os mandatos do PSOL do Rio de Janeiro assinaram o manifesto.
O documento também questiona o apoio de setores da mídia a essa política, como o de um jornalão carioca que em texto editorial recente afirmou: "as camadas pobres da população converteram-se numa fábrica de reposição de mão-de-obra para o exército da criminalidade".
Há outras versões do manifesto circulando pela internet, mas essa que segue abaixo é a mais atualizada.
MANIFESTO CONTRA AS POLÍTICAS DE EXTERMÍNIO
As afirmativas do Governador do Estado do RJ de que as favelas são fábricas de marginais refletem uma política de segurança pública militarizada, que coloca como alvo os setores mais pobres e marginalizados da população. Estes não carecem de tiros e sim de políticas públicas eficientes e competentes.
A criminalidade é fenômeno social que permeia as relações em todas as sociedades e, como sabemos, não é exclusiva dos setores pobres e excluídos. A diferença encontra-se, em verdade, no tratamento conferido aos crimes praticados nas diferentes classes sociais. Insere-se nesta ótica turva a declaração do Secretário de Segurança Pública, que distinguiu uma bala perdida em Copacabana daquela no Complexo do Alemão.
Nossa preocupação se estende ao posicionamento de certos setores da mídia que reforçam a ideologia do extermínio, em afronta ao Estado Democrático e de Direito, como o contido no editorial de jornal [carioca] de grande circulação do dia 26 de outubro, onde se lê que “as camadas pobres da população converteram-se numa fábrica de reposição de mão-de-obra para o exército da criminalidade”.
Repudiamos e denunciamos a política de segurança pública fundada no confronto militar e, sem apreciarmos aqui eventual direito à interrupção de gravidez indesejada, entendemos que o aborto não pode ser tido como instrumento de política demográfica, de saneamento ou de eugenia.
Rio de Janeiro, 06 de novembro de 2007.
Entidades:
AJD – Associação Juizes para a Democracia.
MMFD – Movimento da Magistratura Fluminense pela Democracia.
OAB/RJ – Ordem dos Advogados do Brasil.
Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do RJ.
Grupo Tortura Nunca Mais/RJ.
Instituto Carioca de Criminologia.
Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência.
Fazendomedia.com.
Mandato do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ).
Mandato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ).
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.
Justiça Global.
Jornal Brasil de Fato.
Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc).
Casa da Colina - Espaço de Saúde e de Cultura, Florianópolis/SC.
Mandato do vereador Eliomar Coelho (PSOL-RJ).
Mandato do vereador Renatinho Freixo (PSOL-RJ).
Mandato do vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL-RJ).
Oguntê – Inglaterra.
FASE.
Ponto de Cultura O Som das Comunidades.
Grupo Cultural Nação Maré.
Rede Nacional de Jornalistas Populares.
IBISS.
Brigada Organizada de Cultura Ativista (B.O.C.A).
Raízes em Movimento.
PSOL-RJ.
PSTU-RJ.
Movimento Humanos Direitos (MHUD).
Sobretudo, portal de notícias da Baixada.
Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares do Brasil (Renap-RJ).
Rede Rio Criança.
Movimento Nacional Pela Legalização das Drogas.
Fórum Reage Baixada.
Comcausa – Cultura de Dieritos.
Agência de Notícias da Favela (ANF).
Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola.
DCE Cândido Mendes Niterói.
Pessoas físicas:
Marcelo Yuka, músico.
Paulo Lins, escritor.
Regina Lúcia Rios, juíza de direito.
Sérgio Verani, desembargador-presidente da 5ª Câmara Criminal do TJ-RJ e professor da UERJ.
Luiz Felipe da Silva Haddad, desembargador do TJ-RJ.
João Luiz Duboc Pinaud, Presidente da Rama do Rio de Janeiro, da Associação Americana de Juristas - AAJ.
Marcos Alcino de Azevedo Torres, professor da UERJ e desembargador do TJ/RJ.
João Batista Damasceno, cientista político e juiz de direito.
Geraldo Prado, desembargador e professor da UFRJ.
Cláudio dell´Orto, juiz de direito e professor de Direito Penitenciário da PUC-Rio.
Nico, cartunista.
Cecília Coimbra, psicóloga.
Rubens R.R. Casara, juiz de direito.
André Tredinnick, juiz de direito.
José Cláudio Souza Alves, Pró-Reitor de Extensão da UFRRJ.
José Arbex Jr., jornalista.
João Tancredo, advogado.
Ednéia de Oliveira Matos Tancredo, advogada.
Lobão, músico.
Carlos Latuff, cartunista.
Gabriel O Pensador, músico.
Letícia Sabatella, atriz.
Bnegão, músico.
Nilo Batista, jurista e ex-governador do Rio de Janeiro.
Vera Malaguti, socióloga.
Beth Carvalho, cantora e compositora.
Adriana Facina, professora do Departamento de História da UFF.
Virgínia Fontes, historiadora.
Margarida Baird, atriz.
Rafael Kalil, músico.
Marcelo Salles, jornalista.
Renato Cinco, sociólogo.
Rodrigo Fernandes de Lima, estudante de economia.
Maria das Dores Pereira Mota, Professora.
José Carlos de Souza - Pastor e Professor universitário.
Revdª Maria do Carmo Moreira Lima, Pastor Metodista.
Messias Valverde, Pastor Metodista.
Nancy Cardoso Pereira, pastora metodista, Comissão Pastoral da Terra.
Daniele de Carvalho Pinheiro, Pesquisadora da UFRJ.
Luiz Mario Behnken, economista.
Danielle Lins da Silva, advogada.
Jorge Borges, geógrafo.
Lidiane Penha, advogada.
Hamilton Octavio de Souza, jornalista e professor.
Enedina Martins, psicóloga/psicanalista.
Servane Mouazan, integrante da Oguntê.
Carlos Eduardo, técnico de som.
Rafael Duarte, músico.
Bruno Coelho, músico.
Yvez Aworet, músico.
Guilherme Carrera, músico.
Ana Kalil, Pedagoga.
Mary Jane, Skatista e musicista.
Júlio Pecly, cineasta.
Aleh Ferreira, músico.
Liliane Reis, Jornalista.
Luciana Oliveira, Jornalista.
Mônica Cavalcante, Jornalista.
Marcelinho da Lua, Dj.
Nelson Mendes, fotógrafo.
Ana Bonjour, membro da Universidade nômade.
Alexandre Aquino, Produtor Musical.
Jards Macalé, músico.
Leila Oli, psicóloga.
Ignacio Cano, sociólogo.
Belisa Ribeiro, jornalista.
Cristiane Ramalho, jornalista.
Nanko G. van Buuren, diretor executivo do IBISS.
Bragga, Nação Graffiti.
Milkon"Mac"Chriesler, Produtor.
Maria Helena Moreira Alves, cientista política.
André Luiz de Medeiros Bezerra, analista de sistemas.
Ricardo Villa Verde, jornalista.
Sadraque Santos, fotógrafo.
Alan Brum Pinheiro, coordenador-geral do Raízes em Movimento.
Luiz Fernando Martins da Silva, Advogado, professor de Direito e ex-Ouvidor da SEPPIR.
Bianca Coura Garnier, estudante.
José Mauro leite Araúj, Arquiteto.
Mauro Sta Cecilia, poeta.
Tuca da Silva, músico.
Generosa de Oliveira, socióloga.
Taiguara Souza, advogado.
Marcia de Almeida, jornalista e escritora.
Cyro Garcia, bancário e presidente do PSTU-RJ.
Gustavo Adolfo Lapido Loureiro, analista de sistemas.
Marcílio José Rosa e Silva, advogado.
Ana Maria Kalil, pedagoga.
Gilberto Lyra Lopes, produtor cultural.
Luiz Marcolino de Souza, advogado.
Renata Figueiredo Moraes, professora.
Fernanda Schnoor, professora.
Maria de Paula Bento.
Paulo Roberto Moreira do Carmo.
Kátia da Matta Pinheiro, historiadora.
Leonardo da Silva Gonçalves, estudante de jornalismo - Uerj.
Cíntia Braga, historiadora (Grupo Tortura Nunca Mais).
Vitória Pamplona (Grupo Tortura Nunca mais).
Rosilene C. Nascimento (Grupo Tortura Nunca Mais).
João Ricardo de Mattos Serafim, administrador.
Joana D’Arc Fernandes Ferraz (Grupo Tortura Nunca Mais).
Júlio Pecly – Boca de Filme – CDD.
Slow da B.F. (Hip Hop Baixada).
Mary Jane (B.O.C.A.).
Paulo Silva , cineasta.
Antônio Futuro, professor.
Luciene Medina, estudante (DCE da Universidade Estadual de Maringá-PR).
Leroy Paiva (Grupo Cultural Nação Maré).
André Fernandes (Agência de Notícias da Favela).
Perfeito Fortuna, empresário.
Marcelinho da Lua, Dj.
Eduardo Sacramento.
Christine Clauser, director Dreams can be Foudation – Dreams Brasil.
Ananda da Luz Ferreira.
Angelo Barbosa, ator e músico.
Ricardo Rocha, maestro.
Luiz Carlos Azenha, jornalista.
Paulo Ramos, deputado estadual (PDT-RJ).
Aderlan Crespo, professor e advogado.
Angélica Ferrante (Alerj).
Adriana Mendes de Almeida (Alerj).
E agora, secretário?
03.11.2007 | 03h36 |
Ana Carolina Oliveira é seu nome. Negra, cabelos encaracolados, 24 anos. Professora. Usava uma blusa vermelha e tinha a fala mansa. Mansa, mas não escassa. Carol, como se apresentou durante o debate “Favela é Cidade!”, centro do Rio, no último dia 30, tinha muito a dizer. E disse, logo que o mediador entregou-lhe a palavra:
“A causa da violência é a desigualdade social. Em todos os sentidos: na saúde, na educação, no trabalho e renda”, afirmou.
Para Carol, os que se envolvem com atividades ilícitas nas favelas também são vítimas. Pouco antes, David da Silva, integrante do Grupo Cultural Raízes em Movimento, havia oferecido aos cerca de 70 participantes a delicada questão: “é justo que as pessoas que não tiveram acesso à educação sejam penalizadas e aquelas que tiveram fiquem impunes?”.
Carol, que mora numa das 700 favelas do Rio de Janeiro, também criticou a mídia, “que diz que a favela é uma parte podre, doente da cidade. E as pessoas dizem que isso é oriundo da favela. Eu não concordo com isso”.
Aprofundando o raciocínio, a professora questionou a ausência de políticas públicas nos espaços populares. “Quando tem são assistencialistas. Dá um leite, um tijolo, dá um projeto social pra juventude, que não adianta. Essa coisa imposta de jogar lá dentro porque somos carentes, isso é uma forma de violência”.
Sobre segurança pública, Carol foi ainda mais incisiva: “Não vejo como política de segurança, mas como política de extermínio. Eu subo o morro pensando que posso ser vítima a qualquer hora. É triste ver que a questão da violência está dentro e fora das favelas, mas a repressão é só na favela”, disse, para secretário nenhum botar defeito.
E quando pensei que a participação da Carol não poderia ficar melhor, veja como ela encerra sua fala: “Ir dentro da favela, fazer uma chacina, matar criança e mostrar armas apreendidas na mídia, isso é fácil. O mais difícil é ir no foco do problema. As armas não nascem nas favelas, as drogas não são produzidas nas favelas”.
E agora, secretário, vai dizer que ela também não sabe o que está dizendo?
Chamadas
03.11.2007 | 03h20 |
Há diversas maneiras de lidar com os fatos. Pode-se ignorá-los ou admitir sua existência, ainda que isso seja desagradável. Vejamos como Globo e JB receberam, ontem, a divulgação do relatório da Secretaria de Direitos Humanos, que confirmou o que já havíamos dito na época: que houve execuções na "mega-operação" no Complexo do Alemão, no dia 27 de junho. (Nós aqui chamamos de Chacina do Alemão desde então. Claro que temos elementos para tanto, basta ler a reportagem publicada em agosto pela Caros Amigos e reproduzida até por revistas internacionais):
"Mortes no Alemão foram execuções" (JB, manchete) "Presidência acusa polícia do Rio de execuções" (O Globo, chamada à esquerda da manchete)
O JB nitidamente se rende aos fatos, enquanto o Globo prefere ignorar a realidade. Para tanto, recorre ao "alguém acusa outrém". Mas esse comentário é meramente ilustrativo, apenas para mostrar que essa mídia não é imparcial como apregoa. E é bom deixar claro: na época da matança, todas - repito, todas - as corporações de mídia do RJ apoiaram e justificaram editorialmente os 44 assassinatos no Alemão entre 2 de maio e 27 de junho.