Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Chávez x Mídia
30.09.2007 | 04h58 |

O jornalista Luiz Carlos Azenha desconfiou: Hugo Chávez não atacou o Congresso Nacional, como reportaram as corporações de mídia. Ele disse, sim, que "Venezuela ratifica sua intenção de entrar no Mercosul. E vai aguardar a decisão do Congresso brasileiro". E disse também: "a mídia brasileira é arma do imperialismo". Veja aqui, na TV Viomundo.

Meu comentário: quem já ouviu o presidente Chávez ao vivo, como é o meu caso (em quatro oportunidades, todas no Brasil), sabe que ele pode ser tudo, menos burro. E burro é justamente o que um presidente precisaria ser para atacar um Congresso que delibera sobre um tema de seu interesse. Não é preciso pensar muito para chegar a essa conclusão. O que Chávez tem feito é criticar os meios de comunicação a serviço do imperialismo, exatamente o que os povos de todo o mundo começam a fazer em escala crescente. Durante a cerimônia na Assembléia Legislativa do RJ que o condecorou com a Medalha Tiradentes, Chávez disse: "O Globo é inimigo do povo". Foi efusivamente aplaudido pelo povo que lotava o plenário e as galerias. A repórter da TV Globo desistiu de gravar lá dentro, porque toda vez que ia iniciar a matéria o povo explodia em mil decibés. Em maio deste ano, o governo Chávez deixou de renovar a concessão da RCTV. Portanto, é natural que as corporações de mídia distorçam suas palavras. Estranho seria se fizessem jornalismo.

Feliz dia do jornaleiro!
30.09.2007 | 04h39 |

Hoje é dia do jornaleiro. Em homenagem a este profissional, sugiro a leitura desta entrevista que fizemos no ano passado com Fábio Marinho, que está se formando em História. Ele chamou nossa atenção quando decidiu interromper a comercialização das revistas Veja, Época e Primeira Leitura para "impedir o avanço neoliberal". Fábio também exortou seus colegas de profissão a fazerem o mesmo. Sua atitude gerou polêmica. Alguns o aplaudiram, outros o repudiaram. Sua entrevista foi o texto mais comentado deste fazendomedia.com.

A disputa que a esquerda não faz
30.09.2007 | 04h39 |

"A busca da conquista de mentes e corações da sociedade - a intervenção 'fria' no processo político - é um esforço permanente das classes dominantes e suas elites orgânicas. E deveria ser, igualmente, uma busca das camadas populares e de suas organizações" (René Dreifuss, em A Internacional Capitalista, página 270, Editora Espaço e Tempo).

Desconfiai do mais trivial
29.09.2007 | 13h18 |

As primeiras páginas do Diário Oficial da União do dia 24 de setembro de 2007 trazem nada menos que 40 autorizações e/ou renovações para concessionárias de serviços públicos de radiodifusão. Parece que o Congresso Nacional resolveu se antecipar, já que a semana pela democratização dos meios de comunicação começa na próxima segunda-feira (01/10).

Elementar
29.09.2007 | 13h11 |

Elementar, caros telespectadores. Quem matou na novela foi o policial do filme. A nota abaixo foi publicada antes do último capítulo - e olha que eu não tinha informação de bastidores.

O galã que tortura
28.09.2007 | 17h59 |

Não me parece casual que o policial torturador seja interpretado pelo mesmo ator que encarna um galã de novela. Dessa forma, a simpatia do público estava mais do que garantida. Não convém esquecer: a grana para montar o filme veio da Paramount, ou seja, do imperialismo. Que gosta muito de saber que a pobreza vem sendo criminalizada/exterminada nos países explorados.

Teve muita gente que gostou do artigo publicado pelo ator. Óbvio, saiu em defesa do filme pelo qual deve ter recebido rios de dinheiro. O ator em questão é considerado pertencente à "leva consciente" dessa geração. O que não deixa de ser uma puta sacanagem com os artistas que lutaram contra a outra ditadura. Essa turma de hoje diz, no máximo, que "não sabe o que fazer". Isso debaixo da ditadura financeira neoliberal que, embora seja mais sutil, produz muito mais vítimas.

É verdade. As corporações de mídia publicaram artigos interessantes sobre o filme. Alguns até faziam a pergunta que deveria ser afirmação: "O filme é fascista?". Entretanto, nenhum desses artigos criticou o papel dos meios de comunicação na formação de uma sociedade fascista. E nenhum deles teve o brilho do artigo da professora Adriana Facina e do coordenador do MST Mardonio Barros (leia na seção Política). Como disse Eduardo Galeano, as melhores iniciativas encontram-se nos pequenos espaços.

Não há nascimentos na televisão comercial brasileira, ou nesse cinema baseado nessa televisão. Há, sim, a morte do ser humano, imposta 24h por dia. O ator não conseguirá expiar sua culpa, não importa quantos artigos escreva - ou quantas novelas e filmes realize. Terá que conviver com a sociedade fascista que ele e demais integrantes do filme ajudaram a reforçar. Vivêssemos numa democracia, estariam todos presos por apologia ao crime.

Sem-Terra ocupam sede do INCRA
27.09.2007 | 16h52 |

Recebi a nota abaixo do MST:

Hoje às 10h manhã, os cerca de 400 Sem Terra, que permanecem acampados na sede do INCRA no Rio de Janeiro (Rua Santo Amaro, 28 - Glória), realizaram um ato pela Reforma Agrária. Contaram com a participação de outros movimentos sociais do campo e da cidade, como a Marcha Mundial de Mulheres, o Movimento Terra e Liberdade, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura, bem como do Instrumento de Luta e Organização (Intersindical), além do SIND-JUSTIÇA, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal e dos mandatos de Chico Alencar, Marcelo Freixo, Eleomar Coelho.

Ainda hoje os Sem Terra serão recebidos para uma audiência no fórum de Reforma Agrária, na sede do INCRA, do RJ.

O que diria Cacciola?
24.09.2007 | 11h17 |

Trecho do artigo de Eric Nepomucendo, publicado na última edição de CartaCapital (páginas 34 e 35): "E se realmente [Salvatore Cacciola] voltar e começar a dizer de novo tudo aquilo que disse e jamais foi contestado por alguém? Se ele demonstrar que o tal prejuízo do Banco Central, de mais de 1 bilhão de dólares, jamais superou a marca dos 56 milhões de reais? Se recordar que essa, aliás, é a conclusão que consta do relatório da CPI, e que ninguém na imprensa se deu ao trabalho de ler, e, se leu, omite de propósito?". O rabo preso exige a cobertura superficial.

A ditadura que a mídia gosta
22.09.2007 | 01h02 |

Aproveitando o momento macarthista de certa imprensa, fica a sugestão para que a nova edição do livro Nova História Crítica fale um pouco a respeito da ditadura estadunidense, onde não existe habeas corpus desde outubro do ano passado. Veja este texto publicado no jornal Hora do Povo:

O estudante de telecomunicações Andrew Meyers, de 21 anos, da Universidade da Flórida, foi atacado por cinco policiais da instituição, imobilizado e eletrocutado por armas tasers e levado para a cadeia após questionar ao senador democrata John Kerry, durante palestra na segunda-feira, 17, sobre a possibilidade de destituição do presidente Bush pelas fraudes eleitorais ocorridas nas eleições de 2004 nos estados de Ohio e na própria Flórida. A direção da Universidade da Flórida é indicada pelo governador, o republicano Charlie Crist.

Após deixar a prisão, Meyers enfrentará julgamento que pode levá-lo a cinco anos de cadeia pela acusação de “resistência à prisão”. Já os choques elétricos e as agressões da polícia do campus a um estudante desarmado que participava de um debate, na democracia da era Bush, não parece merecer nenhum reparo por parte do governo.

Para completar, divido com vocês notícias que chegam nesse exato momento, via comunicação instantânea, de uma amiga novaiorquina: o Senado dos EUA acaba de aprovar uma resolução contra o sítio MoveOn.org, que critica a invasão dos EUA ao Iraque e exige a saída imediata das tropas. 28 senadores do Partido Democrata votaram com os republicanos. Ela diz: "O Senado votou contra a liberdade de expressão do MoveOn.org e de qualquer outra organização que critique qualquer pessoa num uniforme militar".

Isso tudo aconteceu esta semana, setembro de 2007. Não faz parte de um episódio da Guerra Fria. Não estamos falando do século passado, nem da era medieval. Só pra constar. Mais uma coisa: pobre de quem se informa apenas pelas corporações de mídia.

Desvendando as mentiras da mídia
22.09.2007 | 01h00 |

Excelente vídeo! O autor mostra como as mentiras da Fox News que precederam a invasão ao Iraque estão sendo repetidas, mas agora em relação ao Irã. Um trecho revela: 67% dos telespectadores da Fox acreditavam que existiam evidências de armas de destruição em massa no Iraque, mas na realidade essas evidências simplesmente não existiam fora das ilhas de edição. Clique aqui para assistir ao vídeo, que também serve de alerta para que os brasileiros não acreditem nas repetidoras da Fox em solo nacional.

Surpresa!
21.09.2007 | 23h59 |

E os jornais de hoje assinalaram: "A pré-estréia de Tropa de Elite lotou" e "A pirataria não tirou o interesse do público". Ohhhhh!!! Puxa, que surpresa! Isso mostra como os jornalões, de fato, se levam a sério. Durante dois meses ficaram publicando reportagens, artigos e entrevistas sobre o filme, fingindo criticar a pirataria. Se fossem contabilizar essa propaganda gratuita, certamente chegariam aos milhões de reais. Nenhum outro filme na história do cinema brasileiro contou com tanta propaganda gratuita. O triste é que se trata de uma apologia à violência oficial, muito bem feita, que vai ser aplaudida por boa parte da sociedade. Na verdade, isso não é o mais triste. O mais triste é não termos um filme com o mesmo orçamento, a mesma qualidade técnica e a mesma divulgação que contasse a mesma história com alguma dignidade, compostura e respeito à vida humana.

Do mesmo modo que todas as emissoras abertas de televisão são ideologicamente afinadas e estão a serviço da exploração do povo brasileiro e do genocídio de outros povos. Mas, o triste não é isso. O triste é não existirem emissoras cujas programações estejam preocupadas em construir uma outra sociedade, que respeite as diferenças de cada um e garanta os direitos básicos para todos os cidadãos. O dia em que essas emissoras existirem, aí sim, começamos nosso projeto de nação.

Sobre polícia e ladrão
21.09.2007 | 23h57 |

De vez em quando converso com Jesus, minha fonte lá no Complexo do Alemão. Hoje, por acaso, nos encontramos no centro do Rio. Ele deu uma boa definição sobre a relação entre polícia e tráfico varejista de drogas na cidade: "Os traficantes são o caixa eletrônico da PM. E funcionam 24 horas". Ele explicou que é muito comum a polícia prender um bandido e exigir cinco, dez mil reais para libertá-lo. Hoje, José estava com Jesus. José também é do Alemão. Ele disse que essa prisão em massa dos policiais, divulgada com estardalhaço pelos jornais, foi mais um jogo midiático do governo Cabral: "Eram todos de baixa patente, a maioria soldados. Parece mais uma reorganização da bandidagem oficial".

Mídia mensalina
19.09.2007 | 23h22 |

O deputado Fernando Ferro (PT-PE), vice-líder do partido na Câmara e membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, fez nesta quarta-feira, dia 19, na tribuna da Câmara dos Députados o seguinte discurso:

Os jornais de ontem trouxeram uma notícia sobre o mensalão mineiro. É curioso o tratamento dado aos diversos partidos. Quando é o caso do Partido dos Trabalhadores, eles falam mensalão do PT; quando é o caso dos tucanos e do DEM, ex-PFL, chamam genericamente de mensalão mineiro. Além da imprecisão jornalística, a meu ver, é uma injustiça às Alterosas, que tem tanta gente boa, de boas lembranças — Carlos Drummond de Andrade, Juscelino Kubitschek, Pelé, Milton Nascimento — , ser lembrada pelo mensalão mineiro. A imprensa deveria ao menos dar tratamento igual. Não que eu desconheça as mazelas que parte do PT cometeu e não quero que isso seja esquecido.

Entendo que a imprensa não pode assumir a postura política de oposição ao Partido dos Trabalhadores, ao Governo. Essa situação reflete o embate político que estamos vivendo, no qual parte da imprensa assumiu a condição de partido político. Sugiro ao Sr. Arnaldo Jabor que assuma a presidência desse partido, Míriam Leitão, a Secretaria Geral, Diogo Mainardi, a Tesouraria. Esse povo constituiria um bom partido político. Alguns viriam a este plenário debater, até porque poderiam fazer um confronto mais eficiente com o PT.

Sr. Presidente, pesquisa realizada recentemente mostra que o PT tem a imagem mais positiva de todos os partidos: 43,9% consideram-no o mais adequado para os trabalhadores. O índice que define os trabalhadores chega a 63%; no que se refere à defesa do interesse dos mais pobres, o índice é de 57%. O PT tem referência, respeito, depois de todo o bombardeio de críticas.

Sabemos evidentemente que muitas dessas críticas foram justas, porque houve mazelas, corrupção, envolvendo gente do nosso partido.

Isso mostra que o PT tem um saldo muito mais positivo e que é muito maior do que as traquinagens, as delinqüências que alguns fizeram. O partido sobrevive e mostra claramente que é uma referência política muito maior do que alguns pensam.

Essa tática de bater no Presidente Lula e no PT pode não ser eficiente, até porque a formação política chamada Partido dos Trabalhadores tem raízes na sociedade brasileira, tem base social e tem respeito pela população — que é inclusive beneficiada pelo programa Bolsa Família e tem uma identificação com o partido — segmento social com o qual tínhamos pouco diálogo, que está incorporando gradativamente nosso projeto político.

Reconhecemos que isso faz parte da disputa política, mas apelo a essa parte da mídia para que deixe de dar tratamento desigual. Se ela fala do mensalão que envolveu o PT, por que não fala do mensalão tucano do Sr. Eduardo Azeredo, do Sr. Aécio Neves e de outros políticos que são, de repente, esquecidos do jogo? Esse não é um bom jornalismo. Tem de tratar todos de forma igual, na crítica e no elogio.

Enquanto membro da Comissão de Ciência e Tecnologia e detentor de um discurso como este, acho que seria uma boa idéia se começássemos a telefonar e a escrever para o Fernando Ferro para cobrar um posicionamento com relação à renovação das concessões públicas de radiodifusão no próximo dia 5 de outubro. Seus telefones são: (81) 3231-6898 e (61) 3215-5427. Seu emeio é: contato@fernandoferro.com.br; e sua página na internet: www.fernandoferro.com.br. Aproveito a oportunidade para solicitar que os blogueiros do Sivuca republiquem este apelo. Está na hora de pressionarmos nossos parlamentares para que votem contra a renovação das concessões públicas para as corporações que seguidamente violam a nossa Constituição, legitimam a exploração do povo brasileiro e apóiam editorialmente o genocídio cometido pelos EUA contra outras nações.

O caro amigo e leitor Lucas Krauss preparou a lista de parlamentares diretamente ligados à decisão de renovar ou não as concessões. Estou apenas tentando arrumar tempo para sistematizar os dados e publicá-los aqui. Se você não quiser esperar, basta acessar www.camara.gov.br e procurar pelos parlamentares que integram a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Ou então clique aqui para ir direto ao assunto.

Pela CPI das TVs por assinatura
19.09.2007 | 01h26 |

O Coletivo Intervozes lançou abaixo-assinado pela concretização da CPI das TVs por assinatura. A lista já tem o número suficiente de assinaturas no Congresso, mas esbarra na pressão da Editora Abril e na omissão do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

"Como é comum acontecer com iniciativas que tentam jogar alguma luz sobre os negócios na área da comunicação, as empresas – neste caso, a Editora Abril – jogam pesado contra a CPI. Apesar de o requerimento contar com 182 assinaturas e aguardar apenas o despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, sua instalação não está garantida. Usando a pressão direta e indireta (especialmente através da revista Veja), a Abril tenta fazer com que os parlamentares retirem seu apoio à CPI".

Leia a íntegra do abaixo-assinado aqui.

Outubro vai ficar pequeno
19.09.2007 | 01h15 |

Antes que esse proto-blog se transforme no primeiro blog-fantasma da internet brasileira, volto ao papel pra riscar uma ou outra opinião.

Primeira: após assistir às notícias das corporações de mídia acerca de Cuba, Venezuela, Estados Unidos e Arábia Saudita, cheguei à conclusão de que quanto mais um país for democrático, mais ele será rotulado como ditatorial. E vice-versa.

Segunda: em seu discurso, pouco antes de votar pela absolvição de Renan Calheiros, o pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro Marcelo Crivella deu o seguinte recado aos jornalistas: “Cada macaco no seu galho. O senador é para votar e o jornalista é para divulgar o que o senador votou”. Na mesma linha filosófica veio o senador Wellington Salgado: “Quando a imprensa fica mais poderosa que os partidos políticos, a democracia corre risco. Os senadores são representantes do povo, eleitos pelo povo e, portanto, só o povo pode retirar um senador de seu cargo, e nas urnas”.

Sim, sim... E de onde o povo tira informações para decidir em quem votar? E quando esse “onde” está brutalmente concentrado nas mãos de poucas corporações ideologicamente afinadas e a serviço da exploração desse mesmo povo? É difícil perceber por que este debate não avança?

É por isso, e apenas por isso, que os que lutam pela democratização da mídia estão na vanguarda da luta política. Como os quilombolas, que vão promover manifestação no dia 5 de outubro contra a renovação das concessões públicas de radiodifusão. Como o Intervozes, o Direito à Comunicação, o Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação, o MST. E outros que, juntos, farão outubro ficar pequeno para comportar tantos debates, discussões, protestos, manifestações e atividades que buscam, verdadeiramente, transformar o Brasil num país democrático.

Manifesto em frente à Folha
16.09.2007 | 18h10 |

Eduardo Guimarães reuniu cerca de 100 pessoas em frente à sede da Folha de S. Paulo, em manifestação contra as corporações de mídia e pelo jornalismo sério. É a capacidade de mobilização dos blogueiros desse Brasil! Conheça o Sivuca (www.sivuca.com), que reúne essa nova espécie humana. Informações sobre o protesto em frente a Folha aqui: http://edu.guim.blog.uol.com.br.

Vídeos da manifestação acolá:
http://br.youtube.com/watch?v=mpfF3HIjzqc&eurl
http://br.youtube.com/watch?v=nmmaR--KXY8&eurl
http://br.youtube.com/watch?v=qAYV8sycVNk&eurl
http://blog-do-space.blogspot.com.

Cacciola e a mídia
16.09.2007 | 17h14 |

Impressionante o malabarismo ortográfico das corporações de mídia ao divulgar a prisão do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. Nenhuma menção ao esquema FHC que determinava que o Banco Central bancasse (com o perdão do trocadilho) o avanço do neoliberalismo no país, do mesmo modo que Henrique Meirelles trabalha no governo atual. Fica parecendo que Cacciola é um gângster isolado, cujo maior crime foi... Foi o quê mesmo? Não dá pra dizer, pois como explicou o sociólogo Gilverto Felisberto Vasconcellos, em entrevista ao Fazendo Media, o capitalismo hoje é videofinanceiro. Ou seja, para ir a fundo numa reportagem a respeito de Cacciola seria preciso investigar as corporações de mídia e suas relações com o dinheiro sujo.

Trecho da entrevista com Vasconcellos: "Capital videofinanceiro é a junção do banco com a mídia. Há um entrosamento entre os dois, sendo que no Brasil o vídeo estrutura o capitalismo bancário, no seguinte sentido: a televisão é um órgão, é uma ponta-de-lança do capital financeiro, dos interesses internacionais. Então, nós estamos vivendo num país específico, pois em todo lugar você tem a televisão e o banco. Mas, no Brasil, o peso do vídeo é absolutamente determinante. Por quê? Porque somos uma sociedade ágrafa, ou seja, a população não conhece as Letras, e todo mundo vê televisão. De modo que a televisão é um agente que está na infraestrutura econômica"

Ataque ao trem-pagador
11.09.2007 | 22h30 |

A cobertura dos tiros contra os ministros foi fantástica. Em poucos minutos as corporações de mídia já sabiam que os disparos vieram de traficantes e que estes traficantes "são" do Jacarezinho. Para além das manchetes, pude ler nas entrelinhas que na ida foram 4 disparos e uma pedrada. Isso mesmo. Quatro disparos e uma pedrada, que segundo os jornalões apresentaram aos ministros o caos e a violência do Rio de Janeiro. E aí, lógico, aguardaram o trem voltar e atiraram novamente. Nesse meio tempo, o governador não acionou a polícia. Esperou pelo retorno do trem, que faria exatamente o mesmo percurso. E os bandidos, que a mídia agora nos explica que são também idiotas, seriam do Jacarezinho. Isso mesmo. O sujeito atira contra um trem e corre pra dentro de sua própria comunidade. É a síndrome do 11/9, dia mais vigiado, protegido, observado, mas ainda assim é o dia mais provável de viver um ataque terrorista, de acordo com as corporações de mídia. Perguntinha inocente: quantos milhões a mais o governo Sérgio Cabral vai receber do governo Lula após o ataque ao trem-pagador? E com a imprensa todinha lá dentro... Garantia de fotos, textos e até imagens ao vivo a corroborar com a idéia de que o Rio está em guerra. Os ideólogos de Bush não fariam melhor.

Anticurso de Jornalismo
10.09.2007 | 05h10 |

O Primeiro Anticurso de Jornalismo Caros Amigos tem início no próximo dia 15. Serão quatro sábados de palestras e trocas de idéias com os participantes inscritos. O objetivo é abordar "A visão 'Caros amigos' de fazer e pensar o jornalismo. Sobre a exigência de diploma, a mídia grande, o mito da imparcialidade e do ouvir os dois lados, o manual de redação, o repórter telefônico, a supressão de criatividade, as 'fontes'. Até agora os palestrantes confirmados são: Mylton Severiano, Georges Bourdoukan, José Arbex Jr., Renato Pompeu, Cláudio Tognolli, Claudius, Marcos Zibordi. Outras informações em anticurso@carosamigos.com.br.

Terra de pouca mídia
08.09.2007 | 00h50 |

"Amazônia: uma região de poucos" é um pequeno documentário de 12 minutos produzido pelo Greenpeace que mostra, além da disputa pelo controle da região, ameaças de fazendeiros locais contra jornalistas estrangeiros. Não, dessa vez a Sociedade Interamericana de Imprensa não foi convocada e as corporações de mídia fingiram que não viram. Confesso que tenho muitas restrições com relação aos interesses dos grupos que financiam o Greenpeace, mas não é por isso que vou deixar de criticar as ameaças dirigidas aos jornalistas - foram proibidos de se encontrar com os povos originários e não puderam entrar em determinadas áreas, além de serem ameaçados 24 horas por dia. Veja aqui o documentário.

O tema remete a meados do século passado, quando o interesse estrangeiro na região passou a se intensificar. Mesmo com a presença do grupo Rockefeller (interessado principalmente na borracha amazônica), as corporações de mídia nunca - ou quase nunca - abordam o tema. Preferem mostrar os bichinhos engraçadinhos que andam por ali - e quando fazem reportagens sobre biopirataria, que curioso, nunca divulgam os nomes das empresas estrangeiras e dos diretores bandidos que roubam o país. Por que será? Se você tiver paciência, vale a pena ler o livro "Seja feita a vossa vontade" (Editora Record, 1.059 páginas), escrito por Gerard Colby e Charlotte Dennett. Eles contam essa e outras histórias que dificilmente serão retratadas por essa mídia que aí está, como os lobbies políticos e os planos secretos, o uso de missionários para os propósitos da CIA e os interesses empresariais no exterior garantidos por ditadores locais.

Sem independência, e muito desigual
07.09.2007 | 21h57 |

Durante este 7 de setembro acompanhei algumas notícias pelas rádios. A grande questão dos jornalistas era saber se Lula foi vaiado muito, ou pouco, ou se Renan Calheiros havia comparecido ao desfile. Falaram também do número de pessoas que participaram do Grito dos Excluídos e, às vezes, permitiam uma ou outra sonora com algum manifestante. Recordar a história do país, como a data praticamente implorava? Nada. Procurar entender de que maneira o 7 de setembro de 1822 resultou no Brasil de hoje? Nada. Ainda bem que tenho acesso à internet e posso ler, ver e ouvir um material que foge à superficialidade das corporações de mídia, como o pronunciamento do deputado federal Chico Alencar: "Ser patriota é lutar, organizadamente, como cidadão, para afastar do nosso país a injustiça e a opressão. Ser patriota é conhecer um pouco a nossa história: é saber que, há 185 anos, ficamos livres de Portugal mas continuamos presos ao latifúndio e à escravidão. A nova nação que nascia continuava a ter a mesma estrutura dos três séculos de vida colonial: a grande propriedade - concentrada em poucas mãos; a monocultura - mantendo sua dependência externa; e a escravidão - que oprimia e degradava a vida de tantos seres humanos, construtores da riqueza nacional".

Daí a importância da democratização da mídia. Quem quiser continuar veiculando informações superficiais, que continue. Mas é preciso que a grande maioria do povo brasileiro tenha acesso a outras fontes de informação. Pra que ele possa se tornar sujeito de sua própria história e dono do seu próprio destino. O sistema de poder no Brasil continua inalterado. Cerca de 50% das terras agricultáveis estão nas mãos de apenas 1% de latifundiários. Os 10% mais ricos gastam dez vezes mais que os 40% mais pobres. O salário mínimo é 3,5 vezes menor que o mínimo necessário para se viver com dignidade, segundo o IBGE. Somos o segundo país mais desigual do mundo! Esse estado de coisas, profundamente injusto, só pode continuar se os meios de comunicação de massa seguirem concentrados nas mãos de empresários que lucram com a exploração do povo brasileiro e se deliciam com o genocídio cometido pelos EUA contra outros povos. Por isso numa data como o 7 de setembro a cobertura dessa mídia é imediatista e centrada em frivolidades.

Não vamos esquecer: dia 5 de outubro é o dia em que nossos representantes em Brasília devem dizer NÃO à renovação das concessões públicas de radiodifusão.

'Radiodifusão é segredo de Estado'
07.09.2007 | 21h21 |

“Ao longo da história da radiodifusão no Brasil, as informações sobre concessionários têm sido tratadas como segredo de estado, o que é um absurdo porque a radiodifusão é um serviço público e pela sua natureza a informação sobre serviço público devia e deve ser pública”. A declaração é do professor e pesquisador da Universidade de Brasília Venício Lima. Leia a matéria completa aqui. Ou, se preferir, ouça a informação.

Niemeyer vota contra privatização
07.09.2007 | 21h17 |

Ainda há tempo para votar. O plebiscito sobre a privatização da Vale do Rio Doce segue até domingo, dia 9. Mais informações em www.avaleenossa.org.br.

Aqui, interesses inconfessáveis
07.09.2007 | 20h44 |

Trecho retirado do Viomundo:

O New York Times costuma noticiar as demissões que acontecem na empresa mais ou menos assim: "The New York Times Company, empresa que tem controle acionário deste jornal, anunciou hoje o corte de 50 funcionários do setor de distribuição. O Sindicato dos Funcionários disse que os cortes obedecem à política da empresa de reduzir custos, sobrecarregando seus empregados com múltiplas tarefas. Um porta-voz da The New York Times Company afirmou que a empresa divulgará uma nota explicando a medida".

Nos Estados Unidos, o jornal mais conservador dentre os grandes - The Wall Street Journal - informa aos leitores se as empresas sobre as quais escreve tem qualquer relação com o grupo Dow Jones, ainda que indireta.

No Brasil as empresas de mídia se comportam como se existissem no vácuo.

Não deixam explícitos os seus interesses políticos, não assumem nas páginas editoriais que apóiam este ou aquele candidato, misturam notícia com opinião e é como se não fizessem negócios e não tivessem interesses econômicos.

Band x Abril
06.09.2007 | 01h17 |

Bom passo
06.09.2007 | 01h03 |

Boa a notícia que chega da Rede Contra a Violência: a operação da polícia ontem no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, mobilizou 300 homens e terminou sem nenhum tiro. Duas pessoas foram detidas e cerca de 40 motocicletas e 30 kg de maconha foram apreendidas. Agora as autoridades precisam se voltar para combater os grandes traficantes de drogas e armas, que não moram em favelas e se aproveitam da desregulamentação do mercado para ampliar seus negócios.

Se deram mal
05.09.2007 | 09h48 |

Vale a pena assistir a este vídeo. Um professor de islamismo é atacado numa entrevista ao vivo por jornalistas da Fox News, empresa fundamentalista, mas consegue se defender. E bem. De quebra, o professor ainda consegue divulgar o endereço http://www.st911.org para que os internautas pudessem conferir as evidências de que os atentados contra as torres gêmeas foram orquestrados pelo governo Bush.

"Caveirão do ar"
05.09.2007 | 09h18 |

Além dessa militarização burra e ineficiente (leia os comentários abaixo sobre terrorismo de Estado) - e naturalizada pela imprensa - como você analisa os textos abaixo: as corporações de mídia requentaram a notícia ou trata-se de uma nova aquisição da polícia? Se se trata de uma nova aquisição, por que a compra anterior não foi mencionada?

Texto de ontem, publicado num jornalão:

Governo compra helicóptero blindado para a policia

O subsecretário de Coordenação Institucional da Secretaria de Estado de Segurança, Marcio Colmerauer, falou, na última terça-feira, sobre a aquisição de um helicóptero blindado com capacidade para 15 homens e 6 atiradores no valor de R$ 8 milhões. De acordo com ele, a aeronave será comprada para garantir maior proteção ao policial e ao cidadão – uma vez que será utilizada em ações contra o crime.

- Estamos finalizando os processos de aquisição, mas até dezembro ou janeiro, no mais tardar, estaremos recebendo esta aeronave. Ela ainda está em fase de fabricação – disse.

Segundo o subsecretário, o governo do estado pretende desenvolver um programa de aquisição de aeronaves e equipamentos focados na proteção policial e na segurança pública.

- Estivemos no departamento de polícia de Nova Iorque e em Bogotá, onde eles possuem 32 helicópteros deste tipo. Pretendemos, durante os quatro anos de governo, obter mais equipamentos como este – acrescentou.

Colmerauer afirmou que haverá treinamento de policiais para o uso da aeronave. A intenção é que a qualificação ocorra nos Estados Unidos e na Colômbia.

- Pretendemos dar treinamento, possivelmente, nos EUA e vamos ter a cooperação técnica da polícia colombiana para preparar nossa equipe – garantiu.

Abaixo, segue texto de março de 2006, publicado no Jornal da Polícia, órgão oficial do governo do Estado do Rio de Janeiro:

Nas asas do GAM

O novo helicóptero da PM, que possui câmera de observação noturna, foi apresentado à imprensa, no dia 17 de fevereiro, no Aeroporto de Jacarepaguá, pelo secretário de segurança Pública, Marcelo Itagiba, e pelo comandante-geral da PM, coronel Hudson de Aguiar. No dia seguinte, a aeronave foi usada, pela primeira vez, no policiamento do show dos Rolling Stones, que reuniu, na Praia de Copacabana, mais de 1,2 milhão de pessoas.

O helicóptero (AS 350 B2 Esquilo) é um modelo igual aos outros dois já em serviço no Grupamento Aeromarítimo (GAM) da PM, mas, além da câmera, possui tapete balístico à prova de tiros de fuzis calibres 556 e 7.62 e farol de busca. A aeronave tem, também, rádio de comunicação de freqüência múltipla capaz de operar em todas as faixas existentes e um sistema de navegação no qual estão inseridos mapas com as ruas de todo o estado.

Verbas do Estado e da União
O helicóptero custou R$ 7,8 milhões e foi comprado com verbas dos governos Federal e Estadual. A União, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), repassou R$ 6,246 milhões ao estado, que entrou com a contrapartida de R$ 1,561 milhão, ou seja, 20% do custo total.

Na cerimônia, à qual esteve presente o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, também foi mostrado o avião bimotor que era usado por traficantes do Mato Grosso do Sul e, por iniciativa do secretário Marcelo Itagiba, foi acautelado ao GAM pela Justiça daquele estado. A aeronave será empregada no transporte de frações de tropas, de presos capturados em outros estados e em vôos de monitoramento em áreas de desmatamento, em apoio ao Batalhão Florestal e de Meio Ambiente da PM.

Essa matéria está publicada aqui: www.ssp.rj.gov.br/jornal/policia_28.pdf.

Leitura fundamental
05.09.2007 | 01h11 |

"Se a imprensa contribui decisivamente para o aperfeiçoamento da democracia, ao tornar fiscalizável o processo, muitas vezes extrapola com voracidade os limites de sua tarefa fiscalizadora, passando a influenciar a opinião pública de forma descabida. Deixa apenas de relatar fatos e começa a fazer com que estes tomem rumo diverso, ao sabor de interesses inconfessáveis. O papel da imprensa deve pautar-se em consonância com os direitos e garantias individuais, entre os quais se encontra o princípio da presunção de inocência do acusado".

Recebi este livro pelo correio, ontem. Foi-me enviado pelo autor, o Promotor de Justiça do Estado de Pernambuco Diego Pessoa Costa Reis. Fiquei particularmente sensibilizado com a dedicatória, que vem de alguém distante fisicamente, mas muito próximo naquilo que pensamos a respeito do Brasil. Neste livro, Diego Reis examina um caso famoso em que as corporações de mídia agrediram seus próprios manuais de Redação e destruíram reputações: o Caso Escola Base. Além dessa análise central ele passa por alguns outros casos semelhantes e constata: a maior parte dos veredictos dessa mídia não são acompanhados pelas sentenças da Justiça. E, acrescento eu, depois de atacarem a honra das pessoas, quase nunca é oferecido espaço para reparação. Para piorar, as corporações de mídia brasileiras são extremamente concentradas e ideologicamente afinadas, o que amplia seu poder de destruição. Como sublinha João Maurício Adeodato, na abertura: "Este livro é mais um resultado alvissareiro da luta desenvolvida por alguns poucos no Programa de Mestrado e Doutorado em Direito, da Faculdade de Direito do Recife, em prol da pesquisa jurídica séria".

Como duvido que este livro ganhe as prateleiras do mercadão editorial tupiniquim, deixo aqui o telefone do Ministério Público do Estado de Pernambuco. Lá eles devem ter o livro para vender: (87) 3848-1363. É muito bom saber que existem promotores sérios como Diego. Parabéns pelo trabalho, meu caro! Vou ler seu livro com calma e volto ao assunto em outra oportunidade. Enquanto isso, deixo registrado um trecho bastante oportuno se considerarmos o sensacionalismo barato das corporações da mídia carioca, sobretudo no tocante à cobertura policial: "Podemos identificar certos comportamentos de invariável cunho caluniador, difamador e injuriador. Expressões como 'monstro', 'assassino', 'sanguinário', 'alma sebosa', 'meliante', 'assaltante', 'ladrão', 'criminoso', além de injuriosos, pressupõem a certeza da culpabilidade do acusado, o que, repita-se, só poderá ser obtida através do trânsito em julgado de uma sentença condenatória" (Página 113). Para os adeptos do jornalismo "testando hipóteses simultaneamente" meditarem.

PS: Acabo de finalizar este comentário e chega, por emeio, a notícia abaixo:

Plantão | Publicada em 03/09/2007 às 13h43m

CBN

RIO - Terminou no início da tarde desta segunda-feira a operação da Polícia Civil na favela do Fumacê, em Realengo. Sete pessoas morreram, entre estaria um dos líderes do tráfico, identificado apenas como Diego, o Monstro. Ele é suspeito do assassinato do policial civil Antônio Carlos Ferreira. Foram apreendidos dez quilos de cocaína e maconha. A operação, que contou com cem policiais, foi comandada pelos agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), para reprimir o tráfico de entorpecentes.

"Violência sectária"
05.09.2007 | 01h01 |

Ouvi no duopólio que controla as rádios de notícias, a respeito da "visita surpresa" de Bush ao Iraque: "Os EUA já enviaram 30 mil soldados ao Iraque desde o início do ano. O objetivo é combater a violência sectária que se espalha pelo país". Por partes: o termo "visita surpresa" poderia ser substituído por "visita cagona"; seria mais fiel à realidade. Agora, quanto à segunda parte, fico me perguntando se a criatura que leu o texto traduziu a nota que recebeu da Casa Branca ou se ela usou por conta própria o termo "violência sectária". O que a moça quis dizer com isso? Será que ela acha inteligente usar termos como "fundamentalistas", "facções" e "violência sectária" para se referir a grupos iraquianos? Será que a jornalista que leu aquele texto se lembra que o Iraque é um país ocupado militarmente por OUTRO país, o que aconteceu em março de 2003, sem a autorização da ONU e que, portanto, trata-se de uma ação ilegal, que viola todas as normas internacionais? A moça não sabe que os 30 mil soldados não foram enviados para combater nenhuma "violência sectária", mas para garantir a exploração do povo iraquiano? É lamentável termos uma imprensa que apóia o genocídio cometido pelos EUA no Iraque. Uma imprensa como essa jamais seria tolerada numa democracia.

Mais terrorismo no Rio de Janeiro
04.09.2007 | 15h03 |

Nota da Rede de Comunidades Contra a Violência:

Como temos denunciado, desde a semana passada diversas comunidades do Complexo do Lins e da Cachoeirinha (próximo à estrada Grajaú-Jacarepaguá) estão sofrendo e apavoradas com ataques de milicianos, que se agravaram desde ontem à noite, quando a PM chegou à noite no Morro do Gambá atirando muito em direção ao alto do morro. Um carro preto cheio de homens vestido de preto circulava na favela aparentemente em acordo com a polícia, pois essa não fazia nada em relação a eles.

Hoje de manhã, a Polícia Civil fez uma incursão na Cachoeirinha e em consequência uma menina de 10 anos foi baleada na cabeça. Não sabemos do estado dela, somente que se encontra no Hospital da Marinha (Marcílio Dias) ali perto.

Autoridades estaduais, parlamentares e a imprensa já foram alertadas sobre a situação desde a semana passada mas nada efetivo foi feito. A situação tende a piorar e os moradores têm muito medo de se expor temendo represálias.

Comentário meu: ontem a polícia matou 7 pessoas na favela do Fumacê. As corporações de mídia se apressaram em justificar: "eram todos bandidos". As fotos dos policiais carregando os corpos poderiam servir como denúncia, vivêssemos numa democracia. Mas aqui, essa mídia naturaliza o desmonte da cena, uma flagrante ilegalidade. Com a cena desmontada, a perícia não terá como trabalhar no local. A versão única é que as mortes ocorreram durante troca de tiros, memsa coisa que ouvimos sobre as ações no Alemão, no Jacarezinho e em Deodoro, versão contestada pelos moradores das três localidades. Na operação na favela do Fumacê, um jornalão de hoje avisa que junto aos 7 mortos e 2 presos foram apreendidas seis pistolas e um revólver. As corporações de mídia acreditam que seus leitores não aprenderam a somar.

Outra chance perdida
03.09.2007 | 02h57 |

Mais uma vez as corporações de mídia perderam uma boa oportunidade para produzir um material reflexivo, inteligente e que não insultasse a inteligência de seus leitores, como diz Fausto Wolff. Não ia doer, nem provocar uma revolução. A única coisa que iria acontecer é que seus leitores seriam melhor informados sobre a história recente do país em que vivem.

A cobertura sobre o lançamento do livro "Direito à Memória e à Verdade" foi superficial e calcada no sensacionalismo. Além disso, os textos oscilavam entre a versão dos militares e o extremo oposto. Se é verdade que pela primeira vez o Estado brasileiro reconhece as atrocidades da ditadura de 64 (apoiada pelas corporações de mídia), é também verdade que o documento não é completo e ainda é preciso abrir a maior parte dos arquivos daquela época. Como disse Cecília Coimbra, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais: "é apenas um pequeno passo para o esclarecimento do que ocorreu durante o regime militar".

Entretanto, o que realmente faltou a uma cobertura digna de um Jornalismo com "J" maiúsculo foi contextualizar aquela época. Uma imprensa verdadeiramente livre mostraria a pressão das multinacionais, a disputa para controlar o Estado como mostra René Dreifuss em A Conquista do Estado. Seria preciso relembrar todo o trabalho de convencimento do complexo IPES/IBAD sobre os militares brasileiros, um trabalho que durou anos e que foi tão bem realizado que os militares realmente acreditavam que Jango queria implantar uma ditadura comunista no Brasil. Além disso, seria o momento de resgatar as verdadeiras intenções do governo trabalhista, a saber: implementação de uma lei de remessa de lucros, nacionalização de atividades ligadas ao petróleo, cobrança de impostos aos bancos, aumento considerável do salário mínimo, entre outras iniciativas que, embora reformistas, não foram aceitas pelos golpistas de plantão.

Depois as corporações de mídia não sabem porque perdem credibilidade e assinaturas. Aí vem um diretor de televisão se defender em artigo de jornal dizendo bobagens como "somente a grande imprensa é capaz de fazer jornalismo independente porque possui fontes diversificadas de recursos". Se não quiserem continuar perdendo assinaturas, vão ter que usar cada vez mais a capacidade produtiva do reportariado. Nenhuma ilusão: quando mudarem de idéia, voltam à confortável mediocridade.

O declínio do imperador
03.09.2007 | 02h45 |

O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), arriscou artigo na Folha de S. Paulo de ontem. Título: "O governo Lula acabou". O prefeito, que teve sua candidatura financiada por bancos e empreiteiras, conclui de maneira populista ao acusar o governo Lula de populista. "O apagão dos apagões é o apagão de criatividade. O governo Lula acabou. Sua intuição sabe disso. Por isso, as vaias doeram tanto. O eleitor percebeu antes dos analistas". As vaias, não diz, foram orquestradas por gente de César Maia. Que joga para a torcida ao dizer que o eleitor percebeu antes dos analistas.

PS: César Maia é um prefeito de gabinete. Não sai às ruas da cidade e, dependendo de onde for, será esculhambado pelo povo. Na Vila Autódromo, por exemplo, comunidade que ele tentou expulsar durante a década de 1990. E foi abusado. Segundo os mais velhos, o prefeito estava tão cheio de si que prometeu se vestir de baiana e rodopiar pela comunidade caso não conseguisse retirá-la dali. Não conseguiu e não voltou mais. Este ano, no Canal do Anil, a representante de César Maia, Maria Helena Salomão, foi expulsa pelos moradores debaixo de vaias e xingamentos. Enquanto ameaça a moradia do povo, surgem cada vez mais edifícios de luxo pela cidade (com fartos anúncios nas corporações de mídia, que, por sua vez, se calam diante das agressões da Prefeitura contra os mais pobres). O prefeito precisa viver escondido entre suas articulações com banqueiros e empreiteiros; é o preço que paga por ter transformado o Rio de Janeiro numa plutocracia.

"Que está acima de tudo"
03.09.2007 | 01h43 |

Segundo o Dicionário Aurélio que tenho em mãos, o vocábulo "supremo" significa: adj. Que está acima de tudo. Se um tribunal supremo votou com a faca no pescoço, ele não é supremo. É aquilo que o professor Wanderley Guilherme dos Santos vem dizendo há tempos: numa democracia, a imprensa deve ter o direito de tentar influenciar as instituições, mas nunca o poder de determinar seus rumos. E o termo "faca no pescoço" não deixa dúvidas sobre a natureza da pressão exercida sobre o Supremo Tribunal Federal para que aceitasse as denúncias contra Zé Dirceu e seus companheiros. Não estou dizendo que a decisão foi acertada, ou que Dirceu é culpado, ou que ele é inocente. Estou apenas tentando mostrar que, mais uma vez, os fatos evidenciam que estamos muito longe de viver numa democracia - o que só vai acontecer quando os meios de comunicação forem democratizados. Sobre este tema, acabamos de publicar um excelente artigo de Canrobert Costa Neto.

PS: É preciso ter claro que a pressão das corporações de mídia pode não ter sido a única. O livro "Confissões de um assassino econômico", de John Perkins (Editora Cultrix), mostra como atuam funcionários de corporações multinacionais: pressionam, achacam, chantageiam e ameaçam a vida de congressistas, ministros e juízes. Até hoje o livro não foi desmentido. Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, disse em entrevista ao Fazendo Media impresso: "Eu vi os assassinos econômicos em Brasília". Foi durante a votação, também no Supremo, de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que buscava pôr fim aos indecorosos leilões do petróleo brasileiro. Resultado: a ação foi derrotada.

Com a velocidade de uma tartaruga!
03.09.2007 | 01h06 |

Escrito por Diego e lido no Viomundo:

"Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

Internet à brasileira

William Bonner me informa hoje à noite que o governo socialista-revolucionário petista fechou acordo com as empresas de telefonia fixa para facilitar o acesso à internet para as pessoas de baixa renda — popularmente conhecidas como pobres.

Pelo acordo, as telefônicas instaladas no país cobrarão, a partir de julho, R$ 7 de assinatura por 10 horas mensais de acesso discado à rede. O acesso discado é feito a uma velocidade de incríveis 56kbps.Tão incríveis quanto a disposição das teles em investir no país.

Em São Paulo, a mensalidade do Speedy Light é de R$ 60, mais o provedor, que não sai por menos de R$ 20. Ou seja, paga-se 40 U$ para ter em casa uma conexão de 256kbps, apenas cinco vezes mais rápida que o acesso por telefone.

Na Coréia da Sul, onde as teles também foram privatizadas, a conexão média é de 10mbps por U$ 35 mensais (R$ 70). Para se ter uma idéia do benefício que nos é oferecido, lá paga-se mais barato do que aqui por uma conexão 40 vezes mais rápida que a nossa. Isso quase onze anos depois dos tucanos terem vendido as teles estatais.

Afinal, por que então diabos existe essa discrepância toda entre os modelos do Brasil e da Coréia do Sul, que promovem a competição justa entre os agentes de seus respectivos mercados?

Deve ser porque no Brasil não há cartel nem monopólio no setor de telecomunicações."

A ganância que mata
02.09.2007 | 20h26 |

- O único problema do capitalismo são os capitalistas, que são muito gananciosos. Herbert Hoover, presidente dos EUA durante a Grande Depressão (1929).

Na semana passada, dois acidentes no Rio deixaram claro que a ganância capitalista pouco se importa com a vida das pessoas. Um foi bastante divulgado pelas corporações de mídia, outro foi relegado a notas de rodapé - se tanto.

O descarrilamento dos trens administrados pela empresa privada Supervia deixou 8 mortos e dezenas de feridos. Os jornalões deram manchete para a tragédia, mas não ofereceram ao público a chance de refletir sobre a política de privatizações no Rio de Janeiro. Em sua infinita superficialidade, deixaram as críticas sobre a falta de segurança da Supervia em segundo plano. O destaque foi o sensacionalista: o sangue das vítimas e a dor dos parentes. No início do ano registrei aqui neste blog que a privatização dos trilhos foi um desserviço à população: a Supervia simplesmente não aceitou operar determinadas linhas porque não seriam lucrativas. Além disso, não investiu o suficiente em segurança. O poder público não esteve à altura das circunstâncias e aceitou as condições da empresa. Na maior parte do Brasil é assim: os governantes acham que estão fazendo um favor para as corporações e cedem terrenos, aliviam impostos, afrouxam a fiscalização e etc. É o raciocínio do submisso, pra não dizer outra coisa.

O segundo caso aconteceu em Jacarepaguá, Zona Oeste da capital fluminense, quando um ônibus atropelou e matou um ciclista. Conversei com uma passageira deste ônibus e ela relatou que o motorista perdeu o controle enquanto contava o troco, já que os trocadores estão sendo demitidos sistematicamente. É óbvio que a empresa vai alegar que instrui o motorista para trocar o dinheiro com o ônibus parado. Acontece que isto está completamente fora da realidade de uma cidade como o Rio de Janeiro. O empresário não vai dizer que este mesmo motorista é obrigado a fazer um número X de viagens num tempo Y, além de existirem outras dezenas de ônibus forçando para estacionar no ponto, o que simplesmente impede que ele dê a partida após a contagem de todas as tarifas; pior, este contexto atira sobre o funcionário uma terrível carga de estresse - que também vai se refletir na segurança pública de passageiros e pedestres. Mas, como sabemos, o governo Sérgio Cabral não faz muito pela segurança pública...

Os dois exemplos, somados ao acidente causado pela falta de segurança da TAM, deixam claro que sem a presença de um poder público forte e atuante, o cidadão estará cada vez mais desprotegido da ganância capitalista.

Campanha começa hoje
01.09.2007 | 02h47 |

Em 1997, o governo Fernando Henrique Cardoso entregou a Vale do Rio Doce por um preço muito abaixo do de mercado. A empresa, avaliada em R$ 92 bilhões, foi vendida por R$ 3,3 bilhões. Só no primeiro semestre de 2006 o lucro líquido da Vale chegou a R$ 6,6 bilhões, sendo que no primeiro semestre de 2007 saltou para o recorde histórico de R$ 12,6 bilhões. Em três anos (2003 a 2006), o patrimônio da empresa saltou de R$ 22 bilhões para R$ 120 bilhões. A Companhia Vale do Rio Doce opera em diversas áreas e setores como mineração, siderurgia, transportes e energia elétrica e está presente em mais de 30 países. Atualmente, circulam na Justiça nada menos 107 ações questionando a legalidade do leilão. O Tribunal Regional Federal de Brasília pretende apurar se houve vícios no edital de venda e se a empresa foi subavaliada no negócio. Procure a urna mais próxima de sua casa e participe do plebiscito!

Assista aqui ao vídeo sobre o plebiscito. Informações sobre o Comitê do Rio de Janeiro: http://avaleenossa.blogspot.com.

"Em horário nobre na televisão, com a voz da atriz Fernanda Montenegro, a companhia anuncia seu vínculo com o país e com o meio ambiente. Isso apesar de os movimentos sociais denunciarem que os rumos da empresa são decididos, hoje, pelo consórcio Valepar (que tem a presença do banco Bradesco) e pelos acionistas preferenciais (62% deles estrangeiros). A Vale ressalta o seu caráter de preservação do meio ambiente, quando o trabalho de formação para o plebiscito aponta o contrário: a produção da companhia explora a camada vegetal da Amazônia com o objetivo da exportação". Leia mais aqui.

A pressão só funciona porque monopolista
01.09.2007 | 01h30 |

Sobre o muito que já foi dito a respeito da pressão das corporações de mídia em cima do Supremo Tribunal Federal, quero apenas acrescentar: fossem os meios de comunicação de massa democráticos, este problema simplesmente não existiria; se as corporações de mídia não estivessem concentradas em tão poucas mãos, que redigem textos ideologicamente tão afinados, certamente a pressão não seria tanta. Vamos supor que existissem os 252 canais que a tecnologia da televisão digital permite. Nesse caso, enquanto cinco ou seis estivessem pressionando o STF, outros sete poderiam estar analisando o plebiscito pela anulação do leilão da Vale do Rio Doce (que começa hoje, em todo o país); outros 9 poderiam estar discutindo a violência policial nas favelas, resultado da desregulamentação da economia; outra sete poderiam estar se perguntando por que diabos o governo ainda não regulamentou o artigo 153 da Constituição, que determina a cobrança de imposto sobre grandes riquezas; ao passo que umas 10 emissoras estariam debatendo a abertura, há apenas 8 dias, de uma nova rodada de leilão do petróleo brasileiro. E umas três ou quatro poderiam entrevistar algum lingüista para saber o que ele acha do termo "leiloar", assim como outra meia dúzia poderia colocar em debate o descumprimento do artigo 26 da Constituição, aquele que determina a constituição de uma CPMI para realizar uma auditoria na dívida pública do Estado. E é claro que ainda sobrariam muitos canais para as novelas, os filmes violentos e os programas idiotas que certos diretores dizem ser "o que o povo gosta". Não tem problema, viva a democracia! Mas desde que ela seja democrática.

É por isso que considero muito triste que certos grupos estejam cada vez mais capturados pelo sistema. Isso pode ser lido nos discursos e artigos de seus principais articuladores e diretores; enquanto essa média que fazem com a mídia pode resultar em empregos ou estágios - inclusive em empresas que apoiaram a ditadura - imediatos para a minoria atendida por suas ONGs, num plano mais amplo o que acontece é o aprofundamento da desigualdade e o enraizamento da ditadura neoliberal no tecido social. É preciso ter claro: não é possível denunciar o sistema opressor sem denunciar os instrumentos que o legitimam. E isto, senhores, num país como o Brasil, significa lutar pela democratização dos meios de comunicação social.

Do blog do Zé Dirceu
01.09.2007 | 00h37 |

- O jornal O Globo erra de novo. Na matéria "Ex-ministro muda tom", publicada hoje, o jornal carioca diz que condenei a divulgação da troca de e-mais entre ministros do STF por aquele jornal e que agora, "abracei" e me apoiei na divulgação pela "Folha" da conversa telefônica privada do Ministro Lewandowski. Não é verdade. Na entrevista coletiva que dei ontem em São Paulo, publicada parcialmente nos jornais de hoje, deixei claro minha condenação aos dois fatos. Minha condenação clara e direta. Logo, solicito uma correção do jornal. Estranho ou normal, depende do ponto de vista, é o jornal e a TV Globo não terem dado às declarações do ministro Lewandowski, publicadas pela Folha, o mesmo destaque que deram à troca de e-mails entre os ministros, flagradas pelo fotógrafo do Globo. Isso sim é mudar de tom.

Pautas e pautas
01.09.2007 | 00h30 |

"Fazendeiros de Mato Grosso mantiveram jornalistas estrangeiros e ativistas do Greenpeace em cárcere privado na cidade de Juína e ninguém noticiou? Cadê o Repórteres Sem Fronteiras? Nada. O Instituto Prensa y Sociedad, aquele que vigia o Hugo Chávez? Nada. Ah, entendi, proteger ESSES JORNALISTAS não interessa, né? Eles fazem "proteção seletiva" de jornalistas, assim como existe a repercussão seletiva de capas". Leia mais aqui.

Misturar não é refinar
31.08.2007 | 03h30 |

Não sei se nas aulas de química ou de português do ensino médio, mas creio que uma delas explica direitinho a diferença entre "refinar" e "misturar". Chamar aquele casebre de refinaria é o cúmulo da forçação de barra. Todo o discurso das corporações de mídia está preocupado em construir a idéia de que a Rocinha está produzindo cocaína; um blogueiro alinhado chegou a dizer que isto é uma resposta para os que diziam que cocaína não nasce em favela. Embora títulos e subtítulos usassem a palvra "refinaria", cujo significado remete a grandes galpões e milhares de funcionários (como a Reduc, por exemplo), o interior dos mesmos textos colocava em dúvida a aposta dos editores. Lá podemos encontrar que a casa era usada para "misturar" a pasta-base por "uma espécie de químico". Tudo muito rudimentar (as fotos divulgadas mostram isso): ventiladores mal ajambrados sobre bancos de plástico, algo parecido com uma tábua de passar roupa servindo de apoio, tudo muito bagunçado. Uma das matérias diz: "Após ser misturada com fermento, a droga era secada em estufas e com ventiladores. Em seguida, era triturada num liquidificador e misturada novamente com fermento em pó. Após essa nova fase, era prensada, misturada com éter, secada e embalada para distribuição".

"Triturada com liquidificador"? Então é isso? A grande refinaria da Rocinha, essa macabra fábrica de pó que fornece droga para diversas favelas do Rio de Janeiro, utiliza um liquidificador para "produzir" cocaína? LIQUIDIFICADOR??? Só podem estar de sacanagem, com o perdão do termo. E onde é fabricada a pasta-base, senhora mídia colombina? E onde são fabricadas as substâncias químicas que a compõem: anfetamina, a dextroanfetamina e metanfetamina? Você não sabe? Pois o jornalista José Arbex Jr. já publicou na Caros Amigos há alguns anos: são fabricadas em laboratórios que participam da ciranda financeira descrita nos dois comentários abaixo. Mas isso as corporações de mídia jamais divulgarão, porque seria como atacar o sistema que elas defendem e de onde retiram seu sustento.

PS: A Rocinha é mais uma favela controlada pelo Comando Vermelho invadida pela polícia. Depois do Alemão, houve incursões em pelo menos Vigário Geral, Jacarezinho e Muquiço. Não se tem notícia de uma favela do Terceiro Comando atacada pela polícia recentemente. Inclusive, recebi uma denúncia de que a última invasão de Vigário (Comando) por bandidos da vizinha Parada de Lucas (Terceiro), teve apoio da polícia. Seria bom que a corregedoria investigasse.

Terrorismo de Estado - 2
30.08.2007 | 01h18 |

Para continuar o assunto, sirvo-me do excelente livro "Capitalismo Gângster", de Michael Woodiwiss (Ediouro). O autor concorda com as colocações do sociólogo Gilson Caroni, publicadas no comentário abaixo, que deslocam o eixo do senso comum para os verdadeiros responsáveis pelo tráfico de drogas e armas. "Enquanto a criminalidade empresarial e financeira for considerada secundária em relação ao crime organizado do gênero máfia [que aqui no Brasil poderíamos entender como o tráfico varejista de drogas nas favelas] e enquanto a criminalidade política em todo o mundo for defendida em termos de realpolitik, a economia política global estará continuamente vulnerável à atividade criminosa". Eis aí uma das possíveis causas para a crise no "mercado imobiliário" dos EUA, que agora ameaça as economias periféricas. Os caras se organizam de forma criminosa (lembremos das fraudes na Enron, Xerox e WorldCom) e as corporações de mídia arrumam mil desculpas, jamais assumindo a verdadeira razão desses escândalos: a natureza do capitalismo, que assume sua face mais cruel quando desregulamentado. Há dois ou três anos uma "jornalista de economia" foi dar uma palestra para estudantes de jornalismo na UFF. Eu estava na sala. Na época havia uma outra crise dessas e a moça a tentar explicar: "Ah, é porque teve um aumento no valor do trigo". Levantei o dedo e perguntei: "Por quê?" Ela: "Ah, porque teve uma mudança no valor do câmbio da Conchinchina". Eu: "Por quê?". Aí a moça se irritou: "Por que o quê, garoto?". Pois é, pra quem não tem argumentos resta a irritação. Em geral, esses especialistas que freqüentam as corporações de mídia não fazem muita idéia do que acontece. Um interessante livro a respeito é o "Cabeças de planilha", de Luís Nassif. Uma análise bem mais próxima da realidade é oferecida por Woodiwiss, em seu "Capitalismo Gângster": "À medida que os controles se enfraqueciam, a criminalidade empresarial organizada se tornava mais institucionalizada e destruidora". Ou seja, o livre mercado proposto por Wall Street termina na violência cotidiana das grandes cidades. O resultado da privataria do bando FHC é o fuzil na cara do trabalhador desempregado nas favelas do Brasil.

Em "Capitalismo Gângster" há uma referência a outro livro, escrito pelo sociólogo Edward Ross. A reflexão acurada surpreende pela data de sua publicação: 1907. Há um século o problema estava identificado, mas os governos insistem em ser negligentes e a mídia, em ser míope: "O novo criminoso típico da sociedade industrial era alguém que prosperava mediante "práticas [destruidoras] que ainda não chegaram a ser execradas pela opinião pública", afirma Ross. Não mudou nada; a opinião pública de hoje continua acreditando - talvez ainda mais cegamente - que o verdadeiro bandido mora na favela. Woodiwiss continua: "Os criminosos provenientes das classes mais pobres tinham pouca oportunidade de prejudicar a sociedade. Os "criminalóides" das grandes corporações, por outro lado, eram 'animais predadores' capazes de - citando Ross - 'bater milhares de carteiras, envenenar milhares de enfermos, poluir milhares de mentes ou pôr em perigo milhares de vidas' (...). E continua, novamente citando o sociólogo: "O homem que rouba dos demais ao receber propina, que mata com substâncias adulterantes em vez de um porrete, assalta com lucros ilícitos em vez de uma gazua (...) não sente na fronte a marca do malfeito (...) Como um gigante envergonhado e impotente, o público reconhece o pequeno contraventor ostensivo mais do que o grande bandido oculto". Em vez de propostas efetivas, os governantes insistem em implementar políticas repressivas. Compram Caveirões da Ford para aterrorizar o proletariado enquanto permitem a livre movimentação do capital que sustenta o ciclo da cocaína e as fábricas de fuzis.

Terrorismo de Estado continua no RJ
29.08.2007 | 02h57 |

Dois trechos do livro "O medo no Rio de Janeiro" (Editora Revan), escrito por Vera Malaguti em 2003:

"O discurso que animaliza o mal recorre a duas figuras: extermínio ou limpeza, mas tanto uma quanto a outra têm o mesmo sentido, eliminação"

"Cada vez que se designa um fenômeno social como doença, está sendo utilizada inconscientemente a idéia central do nazismo"

Infelizmente, a descrição da socióloga ainda se aplica ao nosso estado. O governo Sérgio Cabral se aproveita do discurso fascista das corporações de mídia e mantém a política de extermínio da pobreza. Ao mesmo tempo em que essa parte da população é violentamente agredida pela polícia, essa mídia diz ao povo que são eles, os pobres, que devem ser temidos. E a coisa vira um círculo vicioso; como a própria Vera Malaguti explica, o medo é sempre usado para que se possa desencadear políticas repressivas. É o caso de perguntar: quem lucra com esse estado de coisas? As empresas de segurança e consultorias de seguro, com certeza. E os veículos de comunicação onde elas anunciam também. Se é verdade que na atual sociedade a cidadania só se realiza no consumo, então a proposta é eliminar quem não consome. Consuma ou te devoro! Só nos quatro primeiros meses deste ano, essa política de segurança matou 449 pessoas, 120 a mais que no mesmo período do ano passado. Isso sem que tenha sido registrada queda no número de homicídios, roubos e furtos ou aumento na apreensão de armas e drogas. De maio a junho, só no Complexo do Alemão foram cerca de 50 mortos (incluindo os 19 da Chacina do Alemão). Depois dos Jogos Pan-Americanos, mais uns 30.

Como explicou o sociólogo Gilson Caroni Filho, ao agir dessa forma a polícia não faz nada além de enxugar gelo. Pior, enxuga uma ferida que não cicatriza e nem desaparece. Porque são os sintomas que estão sendo atacados, não as causas. Como disse o historiador e deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), o tráfico atende a uma lógica internacional. Na matéria sobre o Complexo do Alemão que está na revista Caros Amigos deste mês, ele declara: "As armas e as drogas atendem a uma lógica internacional, não são produziadas nas favelas. A circulação dessas mercadorias gera um lucro absurdo. Esse dinheiro não está nas favelas ou com alguém que mora nas favelas ou alguém preso em Bangu". Gilson Caroni radicaliza: "Para combater o crime só combatendo o capital". Para o sociólogo, o enfraquecimento do Estado e a desregulamentação do mercado permitem que o capital procure as atividades mais rentáveis, pouco importando se elas são ilícitas. Jean Ziegler já mostrou em "A Suíça lava mais branco" que os grandes bancos são os principais parceiros desse dinheiro sujo. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o chamado crime organizado movimenta, por ano, 750 bilhões de dólares, sendo que 500 bilhões de dólares são gerados pelo "narcotráfico" ("Acionistas do nada - quem são os traficantes de drogas", tese de mestrado do delegado Orlando Zaccone, a ser publicada pela Editora Revan).

Gilson retoma: "Então você vai ter morro cercado, gente inocente morrendo e a classe média batendo palma. O grande traficante fica incólume. Esse aí tá olhando os números da bolsa. O grande traficante está na Viera Souto, não está no Alemão, não está na Rocinha".

Já passou da hora de o governador Sérgio Cabral encarar essa realidade de frente. Sob pena de seu governo ficar marcado pelo sangue de milhares de pessoas enquanto os dólares continuam regendo este ritual macabro.

Comentário constitucional
29.08.2007 | 01h24 |

Há 19 anos os governos não cumprem os seguintes artigos da Constituição Federal:

220 - proíbe monopólio e oligopólio nos meios de comunicação social

54 - proíbe que políticos sejam concessionários de serviços públicos

223 - estabelece um sistema público de comunicação

26 - determina constituição de CPMI para investigar e promover uma auditoria na dívida pública

153 - determina a cobrança de imposto sobre grandes fortunas

Além disso, o país segue leiloando as reservas de petróleo, não fez a Reforma Agrária, não controla o fluxo de capitais e não possui uma lei clara de remessa de lucros. Nenhum desses escândalos desperta a atenção das corporações de mídia, que acreditam que o país se resume a José Dirceu, Renan Calheiros e Campeonato Brasileiro.


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"Entre os melhores sites jornalísticos encontra-se o Fazendo Media, de Marcelo Salles" - Fausto Wolff, no Jornal do Brasil (27/07/06)

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Leituras indicadas:

> Programa Setorial de Comunicação e Democracia do Governo.

> "É preciso incentivar a mídia alternativa", entrevista com Ciro Gomes.

> Abaixo-assinado frustrado da TV Globo.

> TV Globo, o delegado e outros assuntos capitais.

> Um espectro ronda a democracia.

> O direito de criticar a imprensa.

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Vídeos recomendados:

> Muito Além do Cidadão Kane.

> Brizola responde aos ataques da Globo.

> Roberto Requião enfrenta a Globo.

> Midiatrix - Homer encontra Bonner.

> Subcomandante Marcos fala sobre a democratização da mídia


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