......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



FORMAÇÃO EM COMUNICAÇÃO x DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA
Raquel Junia, 07.02.2006

"Ah, mas o povo gosta!" Essa afirmativa é comum quando o assunto é a existência de programas de TV, rádio e impressos considerados de baixo nível e alienantes. Esse argumento é falho. O "povo" desde pequenino cresceu vendo aquilo, aprendeu a "engolir" o que vê pela frente, não foi mostrada a ele uma outra opção.

Da mesma forma é demais exigir que "o povo" tenha consciência da comunicação monopolizada, transmissora de um pensamento único, e se organize de alguma forma para exigir, por exemplo, um sistema brasileiro de TV digital que garanta a democratização da comunicação. Se os próprios comunicadores sociais não são formados de maneira crítica, com vistas a uma outra comunicação, quem dirá o "povo"! Resta mesmo a ele o pão e o circo dos grandes conglomerados de mídia.

A luta pela democratização da comunicação é intrínseca à qualidade de formação do comunicador. Essa foi uma das conclusões a qual chegaram os participantes do XIII Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação, realizado de 21 a 28 de janeiro, em Recife. A análise da grade curricular dos cursos revela uma formação cada vez mais tecnicista e reprodutora da comunicação que aí está.

No ano passado, os encontros dos estudantes de comunicação a nível regional e nacional, organizados pela Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos), reservaram uma parte do tempo para a troca de impressões sobre a grade curricular dos cursos. A atividade foi chamada de Mosquemom (sigla criada a partir da criativa frase "Mostre o seu que eu mostro o meu"). A análise espantou pelo absurdo de algumas disciplinas. Uma universidade carioca oferece a disciplina Jornalismo Radical. Engana o leitor que pensa em um aprendizado sobre como noticiar esportes radicais ou alguma coisa do gênero. Jornalismo radical é a disciplina que ensina os futuros comunicólogos a abordarem os movimentos sociais. Se o nome é emblemático, o conteúdo da disciplina deve, no mínimo, pregar a visão hegemônica de desconstrução desses movimentos.

A necessidade de criação de veículos alternativos e independentes para a materialização da luta pela democratização foi outro ponto discutido nas resoluções do congresso. O alastramento dessa produção universitária crítica e diferenciada também está relacionada com o que o estudante aprende em sala de aula, embora esse conhecimento não seja o único meio e não basta para que essa comunicação se estruture.

Duelo injusto
Hoje um leitor foi flagrado com um dilema: em uma das mãos estava o Fazendo Media impresso, apanhado em um banca de jornais, na outra, a revista Veja. O leitor fez a escolha "normal" entre o "povo" - a leitura da Veja era mais importante... Ele não atendeu o pedido implícito na manchete de capa do primeiro Fazendo Media impresso de 2006: "Adeus mídia velha".


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