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A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



ÓDIO ACRESCIDO DE DESINFORMAÇÃO E PRECONCEITO
Por Mário Augusto Jakobskind, 06.12.2006

A edição do JB de terça-feira, 5 de dezembro, se superou em matéria de reacionarismo.

No editorial "O triunfo do autoritarismo", o jornal de Nelson Tanure faz duras críticas ao Presidente Hugo Chávez, não por eventuais erros, mas sobretudo pelos acertos do inconteste líder venezuelano.

Além do mais, que moral tem o JB em catalogar Chávez como alguém que "protagoniza uma história de perigos para a Venezuela, a América Latina e boa parte do planeta"? Da onde o articulista tirou o "internacionalismo" gênero opus dei, repetido por portais da extrema direita, alguns deles articulados diretamente de Richmond, na Virgínia?

Que autoridade moral tem o JB para afirmar que "o resultado das urnas configura o triunfo de uma revolução autoritária"? Será que o senhor Tanure quer algum tipo de aproximação com o magnata da comunicação venezuelano Gustavo Cisneros? Afinal, ao assumir mais compromissos midiáticos, agora com a TV CNT, o empresário Tanure pode até encontrar dificuldades para saldá-los.

Que história é essa de considerar Chávez como um "neoditador"? Chávez é um "desses tumores malignos que a América Latina costuma produzir"? Para responder este tipo de pergunta sem eira nem beira formulada pelo JB, vale, sim, uma contra-pergunta: quem inspirou o articulista a utilizar tal linguajar que tem o aplauso entusiasta do Departamento de Estado dos EUA?

Mas se vocês pensam que o JB ficou nisso em matéria de ódio ao pronunciamento popular, ou seja, à voz rouca das ruas ou a qualquer tipo de manifestação do movimento social, enganam-se. Na página 2, em "Coisas da Política", o notório Augusto Nunes desanca sobre o MST, misturando as bolas.

Num exemplo concreto de desinformação, resta saber se consciente ou não, Nunes não distingue MST de MLST e vomita o ódio da mesma forma. MST e MLST são movimentos que atuam de forma distinta, embora lutem por uma mesma causa, a reforma agrária.

O articulista revela também total desconhecimento sobre de que forma o movimento dos sem-terra é visto no exterior. Afirmar que "em outros países, alguns chefes dos sem-terra estariam na cadeia ou no circo" é também uma demonstração concreta de preconceito, além de, como já foi dito, desconhecimento sobre como são vistos no exterior os lutadores sociais brasileiros.

Se o senhor Nunes desconhece, o MST, uma marca genuinamente brasileira, deve ser motivo de satisfação para todos os que querem um país mais justo socialmente. No exterior, o MST é considerado como um dos mais importantes movimentos sociais hoje no mundo.

Odiado pela elite, do qual o senhor Nunes tão bem representa, as pesquisas demonstram que o povo brasileiro, apesar da criminalização da mídia conservadora, apóia a luta dos sem-terra pela reforma agrária, algo que o país está atrasado há mais de 200 anos.

O ódio de Nunes, e de outros colunistas da mídia conservadora, se deve neste caso à mobilização vitoriosa dos sem-terra para a desapropriação de 20 mil hectares de uma usina no interior do Estado de Alagoas. Podem estar certos de uma coisa: à medida em que a revolução bolivariana avançar e as mobilizações dos sem-terra se intensificarem, mais os colunistas de sempre vão ser escalados para criminalizar o movimento social.

Na hora em que a sociedade brasileira reage, exigindo, por exemplo, a democratização da mídia, para que todos os setores sociais tenham vez e voz em pé de igualdade, mais a grita conservadora vai aumentar. Faz parte do jogo do reacionarismo.

Vocês imaginaram um jornal diário com um editorial nesta linha? Com a democratização da mídia e das verbas públicas neste setor, uma imprensa livre será possível. Apesar da oposição conservadora.


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