......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



DIA DO CAPITALISMO
Marcelo Salles, 01.05.2006

O homem se humilha se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida e vida é o trabalho
E sem o seu trabalho, o homem não tem honra
E sem a sua honra, se morre, se mata

(Luiz Gonzaga Jr.)

Hoje é feriado internacional. Apresentado como Dia do Trabalho, a história nos remete a 1886, quando em primeiro de maio daquele ano grevistas entraram em choque com a polícia, em Chicago. Com a explosão de uma bomba, morreram quatro manifestantes e sete policiais. No ano seguinte, líderes grevistas foram presos e executados. Aqui, a data só foi institucionalizada durante o Estado Novo, em 1938, e declarado feriado nacional pelo governo Dutra com a Lei 662, publicada em 6 de abril de 1949.

A opção pelo título "Dia do Trabalho" não parece casual; não é o mesmo que "Dia do Trabalhador". Naquele, o centro das atenções é a função, a produção, tendo como horizonte o lucro de outrem. Neste, as preocupações estão voltadas para o ser humano, aquele que produz a riqueza, mesmo com todos os seus defeitos e qualidades e, por isso mesmo, humanismo.

Segundo o Dieese, São Paulo registrou no ano passado 16,9% de desempregados. Em Salvador, a taxa chegou a 24,4%; no Recife, 22,3%; Distrito Federal, 19%; Belo Horizonte, 16,7%; Porto Alegre, 14,5%. Vale ressaltar que apenas entram nas estatísticas aquelas pessoas que procuraram emprego na semana anterior à pesquisa. Outro número do Dieese mostra que em dez anos, entre 1995 e 2005, o salário médio do trabalhador brasileiro caiu 31%, passado de aproximadamente R$ 1.500,00 para R$ 1,000,00.

Ou seja, a situação do emprego no Brasil é catastrófica. Em Salvador, uma em cada quatro pessoas não possui emprego formal, sendo que essa realidade se agrava quando consideramos o crescimento avassalador do trabalho informal, que não oferece ao cidadão as garantias consagradas pela Constituição. Nas ruas, trabalhando debaixo de sol e chuva, além de os camelôs não serem beneficiados pelas leis trabalhistas, eles ficam à mercê do preconceito social e da violência da polícia, que age de acordo com os interesses políticos e econômicos de cada região.

O Brasil de hoje parece muito mais preocupado em tratar o problema do desemprego do que em tentar resolver a questão do desempregado. Economistas com grande espaço nos meios de comunicação de massa falam em faixas, níveis e números, notadamente interessados em extrair de suas planilhas um valor que diga quanto o tal mercado poderá pressionar os salários - em razão da fila de desempregados, homens e mulheres cada vez mais dispostos a trabalhar em condições precárias. E insatisfeitos, pois geralmente trabalham com o que não gostam, como evidencia a alegria nos finais de semana ou feriados. Numa sociedade harmônica, o trabalho seria encarado como um prazer a ser desvendado todos os dias.

Nesse dia, que homenageia a luta dos trabalhadores, muitos discursarão e outros tantos usarão o espaço da imprensa grande para redigir belas cartas contra o desemprego. Vamos aplaudir aqueles que lembrarem que o sistema capitalista precisa do desemprego para sobreviver e que não será debaixo do capitalismo que teremos emprego e, como cantou Gonzaguinha, honra para todos os seres humanos.


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