
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Entre nessa campanha!
Editorial da edição 55 do Fazendo Media impresso, agosto de 2007.
Claro que a realidade em que vivemos jamais será compreendida a partir do que divulgam os meios de comunicação de massa. Estes estão comprometidos com a manutenção desse estado de coisas que gera miséria, injustiças, violência, desemprego e morte.
Há muito as corporações de mídia abandonaram o jornalismo para se tornarem servis ao poder. Pegue o caso da Chacina no Complexo do Alemão, por exemplo. Qual a legitimidade de um jornalão noticiar a matança se seus repórteres estão proibidos de entrar na favela? Se, quando entram, o editor trata de arrumar o texto para agradar aqueles que lucram com o morticínio? Onde está a credibilidade de um veículo que divulga apenas a versão da polícia? Nos dias seguintes à chacina, os leitores do jornal O Globo foram brindados com aproximadamente 90% do espaço referente ao tema dedicado a sustentar o massacre, numa das campanhas mais fascistas de toda a história da imprensa brasileira.
Existem outros exemplos, muitos outros. Esse tipo de cobertura se torna ainda mais grave se consideramos que a mídia, hoje, é o setor com maior poder de produzir subjetividades, ou seja, de determinar as formas de sentir, pensar, agir e viver dos indivíduos, das instituições e, por extensão, de toda a sociedade.
No Brasil essa situação ganha contornos mais dramáticos devido ao cinismo das corporações de mídia, que não assumem suas posições políticas e se dizem imparciais - numa atitude covarde típica das elites brasileiras.
Por isso, diversas organizações da sociedade civil convidam todos aqueles preocupados com o futuro do país a se engajarem na campanha contra a renovação das concessões de radiodifusão, que tem como objetivo pressionar os parlamentares para que votem contra a renovação das concessões controladas pelas corporações de mídia no próximo dia 5 de outubro. Saiba mais em nossa página na internet (www.fazendomedia.com).