Arquivos do autor: Fábio Nogueira

Para que serve a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir)?

Diante de tantos erros que a polícia em geral comete, e em especial a polícia do Estado do Rio de Janeiro, fico me perguntando se ser preto e morador de favela é crime.

Basta ser um bom observador para notar quem são os alvos letais da polícia do Estado do Rio de Janeiro. No espaço de um mês, acompanhamos dois momentos que evidenciaram como a Polícia Militar (PM) trata quem mora nas favelas.

Dois jovens moradores da favela Bateau Mouche, no bairro da Praça Seca, zona oeste carioca, foram assassinados por PMs. Os policiais alegaram que os dois suspeitos carregavam armas e reagiram à abordagem. A desculpa é sempre a mesma, o famoso auto de resistência. Implantaram o famoso Kit-ladrão: Maconha, revólver e cocaína.

Os moradores reagiram como puderam, afinal de contas, os dois rapazes foram acusados de bandidos pela polícia. Os moradores rechaçam esta mentira, e a perícia desmontou a farsa. Um dos rapazes era canhoto, e a arma foi colocada na mão direita.

O caso mais recente foi da moradora do Morro da Congonhas, em Madureira, Claudia da Silva Ferreira. Ela foi morta a tiros e colocada na caçamba de um camburão da PM, sendo arrastada por 250 metros nas ruas do subúrbio. Graças a uma pessoa que filmou por celular o fato, os policias foram denunciados. Se não fosse essa gravação, Claudia levaria consigo o nome de marginal.

É bom lembrarmos que a Casa Grande ainda persiste em nossos sangues, pensamentos e corações. O mesmo vale para o senhor de engenho, que circula em nosso dia a dia.

O artigo 5º da Constituição Federal nos diz que todos são iguais perante a lei. Mas quem mora em favela não vê esse direto ser respeitado. O Estado armado (a polícia) desconhece a lei. O tratamento sempre é e será desigual. A favela tem que reagir, e não pode mais ficar de cabeça baixa.

Como cidadãos, queremos ouvir o que diz a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial). Para que serve a Seppir, numa ocasião tão delicada como esta? Houve algum pronunciamento da ministra Luiza Bairros, da Igualdade racial?

A criação da Seppir foi sem dúvida um avanço nas políticas de combate ao racismo. A crítica é que não há o confronto concreto e real da secretaria, ou simplesmente esta secretaria é para inglês ver.

O papel da Seppir precisa ser revisto. Perguntamos: Para que veio? O que está fazendo? Qual o papel da Seppir no combate contra o extermínio da juventude negra?

Não há como tapar o sol com a peneira, pôr a cabeça no buraco do chão e dizer que isto não está acontecendo: está sim! É o momento da parcela negra e consciente colocar seus rostos nas ruas e pedir mudanças. Queremos uma Seppir mais atuante, engajada com os movimentos negros comprometidos com a causa e independentes dos laços partidários ideológicos, em especial com a esquerda, porque por muitos anos fomos esquecidos.

A esquerda dizia que o problema negro não era racismo, era a luta de classes. Hoje, alguns daqueles ex-esquerdistas beijam os pés das classes dominantes reacionárias e compactuam seus interesses contra o povo.

A Seppir sem dúvida foi e é um avanço. Mas não dá para conter as críticas, no sentido de buscar avanços e não a sua queda.

Termino com pequeno texto do poema Navio negreiro, de Castro Alves.

“Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças… mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.
E ri-se a orquestra, irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…
Se o velho arqueja… se no chão resvala,
Ouvem-se gritos… o chicote estala.
E voam mais e mais…
Presa dos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia
E chora e dança ali!”

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