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16.04.2009
MANIFESTAÇÃO EM DEFESA DA PAZ E DA VIDA NA MINEIRA

Por Eduardo Sá, da redação.

Moradores da comunidade da Mineira, no Rio de Janeiro, estão organizando a “Manifestação em defesa da paz e da vida”, no dia 17 de abril, às 9 da manhã, no Catumbi. O protesto está sendo organizado junto a entidades de direitos humanos.

O ato será em memória das vítimas das comunidades da região e pelas mortes ocorridas numa ação policial do 1º Batalhão da Polícia Militar na Mineira, no dia 17 de março. Na ação ocorrida às 7 da manhã, duas pessoas morreram, e três foram feridas por balas de fuzis, na entrada da favela. Francisco Fabrício, de 6 anos, foi atingido na cabeça, sentado no sofá de casa. A tia do garoto se feriu com estilhaços e um senhor teve uma das mãos fraturada.

José de Souza estava no momento, quando tomou um tiro em sua mão, e conta que homens fardados de preto surgiram rapidamente na rua atirando em direção a um rapaz supostamente envolvido com o tráfico. Segundo o relato de José, eles não tinham identificação nas fardas. Os moradores afirmam que o rapaz não estava armado quando foi morto e pouco depois a cena do crime foi desfeita e os corpos recolhidos.

O menino Francisco Fabrício tirou os pontos da cabeça nessa semana e não está podendo ir à escola nem recebendo qualquer assistência. Aloísio da Costa, aos 38 anos, morreu na hora, era trabalhador e querido pelos moradores.

Na semana seguinte ao incidente cerca de 200 pessoas foram às ruas e pararam o trânsito em direção ao túnel Santa Bárbara. Os moradores da região estão indignados com as mortes que há anos ocorrem na região.

Segundo o presidente da Associação de Moradores da Mineira, Ricardo Barros, a comunidade viveu 25 anos em guerra por causa de rivalidades de facções da região e continua enfrentando dificuldades devido às operações policiais. Ele afirma que o índice de criminalidade e mortandade baixou nos últimos tempos no Catumbi e acredita que essa ação tenha sido uma represália dos policiais devido à morte de um agente do 1º Batalhão no bairro, antes do carnaval.

O ponto de encontro do protesto será em frente à Light, na rua Carolina Reidner, próximo ao complexo penitenciário da Frei Caneca, antes da Apoteose. De lá sairá uma marcha pelo bairro. Alguns têm medo de se identificar e não vão participar, pois dizem que os policiais têm tirado fotos das pessoas nas manifestações e temem vingança. Outras não podem comparecer por causa das diferenças entre as facções das comunidades da área, como é o caso de familiares de vítimas no morro da Providência, próximo à Mineira.


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