
13.01.2009
MOVIMENTOS REALIZAM ATO EM SOLIDARIEDADE À PALESTINA NO RIO
Por Eduardo Sá, da redação. Fotos: Rafael Duarte/Agência Petroleira de Notícias (APN)

Do alto do carro de som cada manifestante teve três minutos para expressar sua indignação ao massacre palestino. Foto: Rafael Duarte/Agência Petroleira de Notícias (APN)
Desde o dia 27 de dezembro a Palestina vem sendo destroçada não só militarmente como também vitalmente pelas tropas israelenses. Os moradores da região se encontram privados de todos os recursos básicos para sobreviverem: falta água, comida, energia elétrica, remédio, gás, dentre outros fatores necessários que lhes são negados desde muito antes do conflito, que tornou a situação pior do que já era – subumana.
Estima-se que essa guerra tenha gerado até agora mais de 800 mortos, em sua maioria crianças e mulheres, mais milhares de feridos. Os israelenses alegam que a Palestina defende o terrorismo; querem eliminar o Hamas, grupo considerado radical, mas democraticamente eleito. Os mais prejudicados são os civis.
As informações não são precisas, pois a imprensa foi proibida de entrar na Faixa de Gaza, centro do conflito. Aliás, as pressões internacionais conseguiram nessa semana a autorização de Israel para poucos da imprensa fazerem a cobertura, mas junto às tropas invasoras. As notícias espelham as limitações impostas, os jornalistas ocidentais vão até onde podem ir e escrevem o que podem escrever. Situação semelhante à guerra do Iraque, irradiam a manipulação mundo afora.
A infra-estrutura palestina está devastada. Escolas foram bombardeadas, hospitais encontram-se em estado de calamidade pública sem condições de atender a tantas pessoas. Ajudas humanitárias não conseguem trabalhar devido aos ataques, a alimentação é escassa. São questões que dentro do contexto retratam o genocídio de uma população, toda uma geração de crianças e jovens está irreparavelmente abalada, não só materialmente mas também psico e espiritualmente.
A imprensa aborda sistematicamente as questões históricas étnico-religiosas escamoteando os interesses econômicos envolvidos. Não levantam o simbolismo da localização geográfica do território que constitui um ponto estratégico para as potências ocidentais aliadas aos sionistas em direção ao oriente; sem contar o petróleo em abundância nos arredores.
Grande mídia mostra protestos contra a invasão em vários países, mas aqui não
Foi pela indignação a esta matança, a toda crueldade que o povo palestino está submetido, que no dia 8 de dezembro às 17 horas a sociedade se organizou e realizou um ato de solidariedade aos palestinos no centro do Rio de Janeiro.
A concentração começou na Cinelândia e contou com a participação de diversos movimentos sociais, partidos políticos, sindicalistas, estudantes, dentre outros solidários à causa. A entrada da Câmara Municipal ficou pequena, estavam presentes cerca de 800 manifestantes, todos atentos aos protestos feitos por representantes em cima do carro de som no meio da praça.
Foram muitas as falas, inclusive de representantes de entidades muçulmanas aqui no Brasil; fizeram muitas críticas a beligerância imperialista de Israel, a omissão e conivência da mídia brasileira na manipulação das informações que nos chegam. Em coro cantaram várias vezes “Israel fascista, chega de chacina! Viva a heróica resistência palestina!”
Polícia a serviço do imperialismo
Para dar continuidade ao ato, seguiram andando para o consulado norte-americano, já que é nesse país que se encontra a principal força econômica dos sionistas e seu governo é claramente influente e afinado aos propósitos de Israel. No local estavam muitos policiais, além de um micro-ônibus lotado de soldados da tropa de choque, guardas municipais, várias viaturas e motos com alguns agentes à frente do edifício.

Cerca de 800 pessoas foram ao consulado norte-americano. Foto: Rafael Duarte/Agência Petroleira de Notícias (APN)
Do alto do carro mais protestos em repúdio a atuação dos Estados Unidos no conflito. Mesmo com todo seu poderio mundial, o país não vem fazendo nenhum esforço pelo cessar-fogo, pelo contrário, o justifica, numa alternativa bélica sem perspectiva.
Os manifestantes atearam fogo em bandeiras de Israel e dos EUA. Muitos levaram sapatos velhos para satirizar de maneira solidária a atitude do jornalista iraquiano que tentou acertar o presidente Bush em coletiva recentemente. Alguns integrantes lançaram tênis e sapatos velhos no consulado, mas os organizadores pediram para os participantes se conterem, pois os policiais ameaçaram reprimir com a tropa. Aliás, que estava muito bem preparada para possíveis confrontos, inclusive com armas letais além das usuais.

Muitos policiais na porta do consulado e muito bem preparados para possíveis confrontos. Foto: Rafael Duarte/Agência Petroleira de Notícias (APN)
Alvo adiado, mas cumprido
Na retirada pela Rua México foi uma enxurrada de sapatos, o alvo: a bandeira norte-americana do consulado. Um tiro ao alvo repleto de protestos, criticando o caráter armamentista dos Estados Unidos e a sua prepotência expansionista, em detrimento da soberania e necessidades das nações.
Na volta o carro parou na Rua México e a organização divulgou informações diretamente de Gaza, via telefone, por um familiar de palestinos residente no Brasil. O telefonema retratou um cenário dramático: bombardeios sem parar há mais de 24 horas, pessoas soterradas nos escombros, ambulâncias sendo atacadas e pessoas metralhadas por terra em meio ao confronto.
A mídia foi tema na maioria das falas dada sua omissão e ou conivência ao processo. Um dos oradores perguntou nessa hora onde estavam a Globo, Record e Bandeirantes: em todo a realização do protesto apenas estavam à vista a CNT e a mídia alternativa em peso. No impresso do dia seguinte só o JB e O DIA noticiaram a mobilização, superficialmente.

Várias bandeiras norte-americanas e israelenses foram queimadas durante a manifestação, além da imagem do presidente Bush. Foto: Rafael Duarte/Agência Petroleira de Notícias (APN)
Manifestação de solidariedade inédita no Brasil
De volta a Cinelândia todos se concentraram novamente em frente a Câmara Municipal, muitos deram suas palavras finais em solidariedade aos palestinos e elogiaram a realização do ato de maneira pacífica e a preocupação de tantas pessoas pela causa de um país desamparado e trucidado aos olhos do mundo.
“Os manifestantes reivindicam que o Brasil rompa diplomaticamente com o Estado terrorista de Israel, propõem o cancelamento do Tratado Comercial entre Brasil e Israel e estão dispostos a mover uma campanha internacional de boicote aos produtos e corporações sionistas”, informou Rafael Duarte, da Agência Petroleira de Notícias.
Para a coordenadora que estava à frente do ato, Stela dos Santos, representante do Comitê de Solidariedade à Resistência Palestina, a realização “foi um sucesso, uma demonstração de solidariedade inédita no Brasil que conseguiu reunir diversas correntes da esquerda pela causa palestina”.
O comitê do qual participa Stela tem uma barraca armada na Cinelândia desde 1998, evidenciando que o sofrimento dos palestinos não é de hoje. Ela também destacou a articulação feita para além do estado do Rio. Em várias capitais ocorreram protestos, como em Florianópolis e Manaus. Em Curitiba, foi realizada uma manifestação ao mesmo tempo que a organizada na capital carioca. No dia 9 de janeiro, foi a vez de São Paulo, é lá também que está previsto outro protesto para o dia 11. Após o ato, o Comitê se reuniu para avaliar os desdobramentos da realização e planejar novos passos em solidariedade aos palestinos.
No encerramento, por volta das 19 horas, todos deram as mãos e cantaram algumas músicas em favor dos palestinos, a última delas ao ritmo de Raul Seixas:
Viva! Viva! Viva a resistência palestina!