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SERES OU RESES
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15.05.2009
A visita de Mahmoud Ahmadinejad à América Latina
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As pressões sobre o governo brasileiro começaram na reunião do G-20. O presidente dos Estados Unidos Barak Obama fez saber diretamente a Lula, na conversa entre os dois, que a visita do presidente do Irã não agradava ao seu país e poderia vir a criar atritos dificultando as iniciativas norte-americanas de retomar políticas de colaboração com a América Latina.
Obama falou de seus projetos para essa parte do mundo, criticou o governo Bush por ter deixado a América Latina de lado e fez duras críticas ao Irã. No estilo lobo mau travestido de vovozinha disse a Lula que iria dar uma oportunidade ao Irã de “reintegrar-se” à comunidade internacional.
O negro de olhos azuis que preside os EUA só não disse a Lula que estava colocando à mesa as cartas das negociações políticas que fez – várias – para ser eleito presidente em 2008, entre elas com os poderosos grupos sionistas que controlam o seu país. Naquele instante Obama foi porta-voz desses grupos e do governo do estado terrorista de Israel.
É sempre bom lembrar que nos momentos iniciais da campanha presidencial, quando Obama ainda disputava a indicação pelo Partido Democrata com a atual secretária de Estado Hilary Clinton, republicanos e a própria Hilary lançaram suspeitas sobre sua origem muçulmana.
O que leva a uma conclusão óbvia. As concessões ao terrorismo sionista devem ter sido bem maiores que as corriqueiras, levando em conta que era preciso neutralizar o que fosse, talvez, o maior ponto negativo para o eleitorado norte-americano no candidato democrata. E eram dois esses pontos. O de ser negro e sua origem.
Avigdor Lieberman é o ministro das relações exteriores da organização terrorista Tel Aviv. Fez declarações à imprensa que Israel vai “tomar atitudes” e “executar algumas ações contra o Irã”, caso aquele país não abandone o seu projeto de pesquisas com energia nuclear. O temor dos terroristas de Tel Aviv é que o Irã esteja projetando uma bomba atômica. No Oriente Médio só eles, os terroristas sionistas, podem dispor dos chamados artefatos nucleares.
Quando conversou com Lula na reunião do G-20 Obama sabia que a visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil teria uma repercussão muito maior que sua presença na Venezuela e na Bolívia, países cujos governos apóiam o Irã e o programa nuclear iraniano.
O que antes da conversa de Lula com Obama vinha se manifestando de forma discreta, mas incisiva e algumas vezes agressivas, escancarou em seguida. No Brasil os principais grupos de extrema-direita ligados ao terrorismo sionista iniciaram uma forte campanha contra a visita do presidente iraniano.
Nos bastidores foi lembrado a Lula o peso de Israel na economia brasileira, por si, ou através dos Estados Unidos e países da Comunidade Européia e o que uma atitude hostil – a visita de Ahmadinejad era vista dessa forma – poderia desencadear.
E a isso somaram as reações negativas de países e empresas em vários cantos do mundo.
O que Obama disse a Lula sobre a política de seu governo em relação a América Latina tem o sentido claro das tradicionais políticas de presidentes democratas para esta parte do mundo. Foi um governo democrata que montou, financiou e comandou o golpe de militares brasileiros – ou supostamente brasileiros é mais preciso – em 1964 contra o governo do presidente constitucional do Brasil, João Goulart.
E foi agora, no governo de Fernando Henrique Cardoso, um dos principais funcionários da Fundação Ford para a América Latina, que se consolidou o processo de transformação do Brasil em Roça de Cana e dos brasileiros em bagaços diante do que chamam “comunidade internacional.”
A pura e simples transformação do Brasil em província dos EUA. A consumação do projeto desenvolvido desde o governo de Bush pai, a ALCA, a partir de estudos que remontam a chamada Comissão Tri-lateral (África, América e Ásia), na visão e na ótica dos EUA que foram explicitadas por James Monroe na frase “a América para os americanos”. Theodore Roosevelt traduziu de maneira mais explícita a frase de Monroe – big stick ou o grande porrete –.
Obama é a versão de toda essa gente no que Berlusconi afirma ser “um pouco mais moreno que eu, mas branco”. E a ALCA só não consumou por conta da eleição de Lula. José Serra já está discutindo o assunto com empresas norte-americanas e canadenses no pressuposto que será o próximo presidente da República e Obama já falou em ALCA pelo menos duas ou três vezes.
O peso da economia do estado terrorista de Israel no Brasil? Estranho isso?
Veja só. Há uns quarenta anos atrás um trabalhador contemplava um relógio numa vitrine de uma loja de jóias e se funcionário de uma das fábricas de aparelhos que tais identificava a peça e descrevia o que estava ali dentro como produto de seu trabalho.
A segmentação determinada pela história do livre comércio, neoliberalismo, “globalitarização”, fez desaparecer esse tipo de identidade. É parafuso na Índia e porca na Indonésia.
Os principais componentes de alguns dos sistemas dos carros da marca CITROEN montados no Brasil são fabricados em Israel. É só um exemplo. Toda a linha de café e derivados da marca TRÊS CORAÇÕES é de uma empresa de Israel. Outro exemplo.
E assim um monte de peças, equipamentos, serviços, etc, espalhados sem cor, cheiro ou passíveis de identificação. Muitos desses elementos, digamos assim, são produto de mão de obra escrava. A dos palestinos.
É a tal determinação bíblica de “povo eleito”, “povo superior”. Deve ser por isso que a ONU quer que Israel indenize os palestinos de Gaza pelos prejuízos causados na barbárie do final do ano passado ou identifique o uso que faz de prédios escondidos e disfarçados para câmaras de tortura e estupros contra palestinos e palestinas.
Isso não está na “bíblia” deles, mas está no manual de terrorismo de Tel Aviv. O que faz e distribui camisetas com uma palestina grávida e a inscrição “com um tiro mate dois inimigos”.
No meio dessa confusão toda, nada confusa, apenas a lógica perversa dos donos do mundo, Lula fez o que sempre faz quando a coisa aperta. Senta em cima. Joga um jogo para fora e outro para dentro.
Dá uma no cravo e outra na ferradura. Nem uma palavra sobre o cancelamento que chamaram de adiamento da visita do presidente do Irã ao Brasil. A sensação que fica é que Lula pegou os jornais com as declarações de Obama sobre ele ser “o cara”, mandou colocar numa moldura e entronizou no Planalto – as reformas devem ser para isso, um altar para o culto a Obama – e reza três, quatro, dez, vinte vezes diante da imagem do “cara”.
A desculpa que o presidente do Irã enfrenta dificuldades eleitorais no seu país é desculpa mesmo. Ahmadinejad enfrenta os partidos de oposição, comuns numa democracia e às vésperas de um pleito nacional. A visita a América Latina antes de enfraquecê-lo teria fortalecido-o.
Não foi necessariamente uma vitória das forças de extrema-direita do sionismo/nazista no Brasil. O cancelamento, ou se preferirem o adiamento, foi uma recuada do presidente brasileiro encantado e fascinado com o presidente dos EUA. E consigo próprio. Efeito do espelho mágico de FHC.
Sem perceber a importância das relações Brasil/Irã. Basta ver quanto o Brasil exportou para aquele país no ano passado. Ou analisar as pressões sobre o programa nuclear do Brasil. Sem atinar que Obama deixou escorrer a baba e entrou de sola no esquema vaselina que é a característica dos Democratas em contraponto à areia dos Republicanos.
A decisão trôpega do presidente brasileiro não vai mudar o Irã e nem o caráter da revolução islâmica e popular naquele país. Não importa que o presidente seja o professor universitário Mahmoud Ahmadinejad ou qualquer outro.
Importa que o governo do Irã não esticou uma corda para exercícios de equilibrismo. Corda que ora pende para a direita, ora pende para a esquerda. Existe um projeto Irã ao contrário da ausência de um projeto Brasil. Pelo menos que seja para o Brasil e os brasileiros.
O nazi/sionismo é presença ativa para além da economia. Agentes do MOSSAD deitam e rolam no Brasil à “procura” de Osama bin Laden, os pretextos que sempre arranjam, enquanto vão controlando e determinando os seus interesses por aqui. E espalhando seu terrorismo mundo afora.
Não duvido nada que um deles apareça por aí dizendo que Hitler está vivo, fez plástica e mora no sul do Brasil, na região de Foz do Iguaçu. Estão de olho na água brasileira por lá. É só prestar atenção que vão encontrá-lo, o fuher em Santa Catarina, remoçado e com as mesmas idéias. Herr Jorge Bornhausen.
A diferença é que hoje são aliados. Aprenderam nos campos de concentração onde judeus, negros, homossexuais, adversários do Reich eram exterminados como fazer para exterminar palestinos e tomar conta dos “negócios”.
A verdadeira “bíblia” deles. Os “negócios".
Ia me esquecendo. Uma investigação feita por especialistas designados pelo próprio Obama concluiu que um ataque da aviação dos EUA no Afeganistão matou dezenas de civis. Obama e a turma admitem o erro, mas...
É isso aí, chamam de “exagero” o nível de reações à barbárie. O que terá sido então a invasão do Iraque? Ou a do próprio Afeganistão? Ou Guantánamo? E ou um monte de coisas estúpidas típicas de norte-americanos?
No caso do Brasil esse lero lero em torno de Lula tem um objetivo simples. Sabe que o brasileiro está em fim de mandato e apostam todas as fichas em José Serra. Se perceberem algum contratempo voam para Aécio Neves. O que não querem, agora, a essa altura do campeonato, em que jogaram pelo empate e estão conseguindo empatar, é tomar um gol no último minuto como o Barcelona fez com o Chelsee.
Vai que de repente aparece um Ronaldo gordo e desanda a maionese feita nos laboratórios de Tel Aviv/Wall Street/Washington. Londres nesse jogo é adereço. Museu.
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Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora,
trabalhou no Estado de Minas e no Diário
Mercantil.
Ilustração:
Táia Rocha
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