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  O MUNDO AO SEU ALCANCE
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16.04.2009
Coréia do Norte provoca histeria da mídia hegemônica |  |
As editorias internacionais da mídia hegemônica estão fazendo um verdadeiro carnaval manipulativo em relação ao lançamento de um satélite de comunicação da Coréia do Norte, um país que até bem pouco tempo era considerado falido e com o povo passando fome. Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos estão com suas baterias voltadas contra Pyongiang em função do perigo que representou o lançamento de um míssil para colocar o satélite em órbita.
Na verdade, desde que em 1994 lançou o seu primeiro satélite, a Coréia do Norte nunca escondeu a pretensão de oportunamente lançar um segundo, o que aconteceu neste último fim de semana, para desespero do Ocidente. No afã de condenar o regime norte-coreano, a mídia Ocidental praticamente ignorou um fato importante, ou seja, que o atrasado país que faz fronteira com a China e teoricamente continua em guerra com os Estados Unidos e Coréia do Sul desenvolveu uma moderna rede de telecomunicações, inclusive de telefonia móvel e com tecnologia própria.
E é por aí que se pode entender o motivo pelo qual Pyongiang decidiu lançar o novo satélite, que em verdade não ameaça país algum, apenas ousa desafiar as transnacionais detentoras da tecnologia da área de comunicações. Afinal, pode-se imaginar a contrariedade desse poderoso setor ao ver um paiseco como a Coréia do Norte desenvolver tecnologia própria, que eventualmente poderá ser exportada para outros países que assim o desejarem?
É importante se conhecer tais detalhes, para assim estar em melhores condições de analisar a histeria midiática contra a Coréia do Norte, um paiseco que há anos tenta não depender da tecnologia de potências estrangeiras.
O povo japonês, sul-coreano e estadunidense pode ficar despreocupado, pois o satélite de comunicação não afetará em nada as suas respectivas seguranças. Tampouco, em princípio, o tal míssil, que tem um raio de ação que pode chegar ao Alasca, não representa perigo, pois não tem fim bélico, até porque os norte-coreanos não ignoram que o poder militar dos países mencionados é avassalador. A recíproca é verdadeira, ou seja, em caso de ofensiva militar dos três países mencionados contra a Coréia do Norte, Pyongiang teria condições de alguma forma se defender com seus mísseis de longo alcance.
Em suma: de agora em diante o carnaval da mídia hegemônica vai se intensificar, inclusive com a convocação do Conselho de Segurança das Nações Unidas para examinar o lançamento do satélite norte-coreano. Resta saber se os analistas de sempre lembrarão que não há nenhuma proibição de os países lançarem satélites para fins não militares.
Então, qual o motivo real da gritaria? Uma conjugação de fatores, inclusive a batalha pela hegemonia daquela região asiática, pode explicar a reinvestida contra a Coréia do Norte.
FHC morre de inveja
Mudando de um pólo a outro, os reflexos da reunião do G-20 continuam. Aqui no Brasil é visível a ciumeira da direita representada pelo PSDB e o Dem(o) por ter o Presidente Lula sido reconhecido publicamente por Barack Obama (este é o cara...) O expresidente Cardoso passou oito anos bajulando as principais lideranças dos países ricos, sobretudo o então presidente estadunidense Jimmy Carter está se remoendo, porque no seu apogeu não teve o mesmo tratamento que está sendo dispensado ao atual dirigente brasileiro. O príncipe sociólogo, um deslumbrado por excelência, vai atacar furiosamente nas páginas da mídia hegemônica, que lhe dedica um grande espaço.
Por sua vez, Lula demonstrou deslumbramento, sobretudo ao afirmar o orgulho de agora o Brasil emprestar ao Fundo Monetário Internacional. A injeção que os países vão dar será para que a referida instituição retome o esquema econômico-financeiro que sempre a norteou, responsável pelo atual estado de coisas com reflexos em todo o mundo. Ou seja, vislumbra-se o mais do mesmo, com algumas novas roupagens, pois como estava não dava para continuar.
Cabral-Paes aprontam contra o Rio
Enquanto isso, numa cidade próxima, o Rio de Janeiro, vigora o esquema Cabral-Paes. De um lado, o governador anunciando a construção de um muro em algumas favelas da zona Sul sob o falso argumento de conter a sua expansão, mas na prática adotando o apartheid, do outro, o prefeito , além do choque de ordem, quando na prática prevalece a ordem do choque, tentando privatizar as áreas de Saúde e Educação e com o apoio integral da mídia hegemônica.
E pensar que no segundo turno setores da esquerda, do PT ao PC do B apoiarem o voto em Paes sob o argumento que o outro candidato, Fernando Gabeira, armaria o palanque para o candidato presidencial tucano José Serra. Três meses depois de empossado, Eduardo Paes está colocando em prática exatamente o que prega o PSDB. Na área da educação, por exemplo, nomeou como secretaria uma tal de Claudia Costin, que prestou relevantes serviços à causa neoliberal no trágico governo de FHC. A diferença é que agora Costin tem como colegas de governo a secretaria de Cultura Jandira Feghali (PC do B) e Jorge Bittar (PT) na Habitação.
O Rio, sem dúvida, merecia coisa melhor, até pelo passado de uma cidade que durante muitos em muitos anos representou a vanguarda da resistência contra a ditadura.
Ilustração:
Táia Rocha
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Mário Augusto Jakobskind é jornalista e escritor.
Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus,
repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente
da Rádio Centenária de Montevideo,
além de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989
a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988
a 1989). Atualmente é correspondente do semanário
uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato.
É autor, entre outros, dos livros América
Que Não Está na Mídia (Adia,
2006), Dossiê Tim Lopes -
Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora
do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América
Latina - Histórias de Dominação e
Libertação (Papirus, 1985) e Cuba
- apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba
(Ato Editorial, 1986).
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