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18.04.2007
OCUPAÇÕES DO MST EM TODO PAÍS EXIGEM JUSTIÇA QUANTO À MORTE DE SEM-TERRAS E OUTRO MODELO DE SOCIEDADE
Por Raquel Junia, da redação
De acordo com o balanço divulgado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no dia 14 de abril, só no estado de Pernambuco estão em curso 27 ocupações de terras desde o dia 12 de abril. Outras oito ocupações em áreas rurais também estão sendo realizadas nos estados de Alagoas, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Bahia, São Paulo, Goiás, Paraná, Roraima e Ceará. O Movimento realizou também seis protestos em bancos, um trancamento de estrada e estão em curso dois acampamentos.
O balanço relata com detalhes as atividades do Movimento no mês de abril. Por exemplo, no estado de Santa Catarina “1600 assentados do MST fizeram manifestações em seis municípios em defesa da criação de uma linha de crédito específica para a produção agrícola e para habitação em áreas de assentamentos, nesta segunda-feira (14/4). Os protestos aconteceram na frente do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal nos municípios de Rio Negrinho, com 150 pessoas; em Canoinhas com 300 pessoas; Curitibanos, com 150 pessoas; Caçador, com 400 pessoas e Lebon Régis, com 150 pessoas. Em Xanxerê, 500 assentados fazem marcha de Xanxere a Chapecó até dia 17”, relata o Movimento.
Já no interior de São Paulo, na região de Bauru, “600 famílias ocupam o latifúndio Águas do Pilintra, no município de Agudos, de 5,4 mil hectares, desde sábado (dia 12). A área utilizada pela Ambev (Companhia de Bebidas das Américas) para o plantio de eucalipto e cana-de-açúcar está no centro de uma região com 10 mil hectares de terras reconhecidas oficialmente como devolutas. Além disso, 15 mil hectares são improdutivos no município. As famílias reivindicam que as áreas se transformem em assentamentos. Atualmente, 1600 famílias estão acampadas no estado”, continua o balanço.
Atividade ainda mais intensa no mês de abril
O MST intensifica as atividades no mês de abril, apesar de realizar ocupações e protestos durante todo o ano com o objetivo de pressionar pela reforma agrária e também por outras bandeiras, como a anulação da privatização da Companhia Vale do Rio Doce. No ano passado, o MST construiu junto a outros movimentos sociais um Plebiscito Popular com o objetivo de esclarecer e consultar a população sobre a reestatização da Vale. O processo de privatização da empresa foi contestado no poder judiciário e ainda não há desfecho para o caso.
Em entrevista à edição impressa do Fazendo Media nº 63, no mês de março (edição sendo distribuída), o membro da Direção Nacional do MST, Léo Haua, explica porque o mês de abril, chamado de “Abril Vermelho” e, mais especialmente o dia 17, é considerado um marco para o Movimento.
“No dia 17 de abril, como todos sabem, foi o massacre de Eldorado dos Carajás, onde 19 companheiros foram assassinados pelo governo do Pará e se tornou o dia da luta camponesa. Então com certeza, como em todos os anos, haverá uma grande jornada de lutas por todos os municípios e regiões do país cobrando do governo brasileiro que avance com a reforma agrária, buscando mobilizar a sociedade brasileira nessa luta”, antecipa.
Apesar do massacre de Eldorado dos Carajás, largamente noticiado no Brasil e no mundo, os Trabalhadores Rurais Sem Terra seguem tendo que lidar com a violência, tanto institucional, por meio da polícia militar, quanto a praticada por milícias armadas contratadas por latifundiários e empresas.
Exemplos dessa situação são os assassinatos de Valmir Mota de Oliveira, conhecido como Keno, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná, e há menos de um mês, em 30 de março, de Eli Dallemole, no mesmo estado. Ambos eram lideranças do MST.
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