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A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



13.03.2007
8 DE MARÇO: POR UM MUNDO SEM OPRESSÕES

Por Gilka Resende, da redação

“Ô abre alas que eu quero passar. Sou feminista não posso negar!”
“Ô abre alas que eu quero passar. Sou feminista não posso negar!" Foto: Raquel Júnia

Gritos de reivindicação pelo fim das violências física, psicológica e moral contra a mulher, pela equiparação salarial, pela conquista de creches públicas e, principalmente, em favor da legalização do aborto, estiveram nas bocas de mulheres e homens em ato público (7/3) pelo Dia Internacional da Mulher, Centro do Rio. Cerca de 500 pessoas participaram da atividade organizada pelo Comitê Estadual de Luta pela Legalização do Aborto, composto por diversos movimentos sociais, entidades de classe e partidos políticos de esquerda.

A concentração começou às 15h na Candelária. Com microfone aberto, mulheres contaram suas histórias, denunciaram as opressões sofridas no dia-a-dia e, ao relembrarem a importância histórica da data, não deixaram de criticar o tom mercadológico que o 8 de março adquiriu: “Flores e presentes caros não vão nos enganar”, pronunciou uma jovem.

A luta contra a maior das opressões: a desigualdade socialA “Legalização do Aborto” foi o eixo central da manifestação. Elisa Monteiro, uma das organizadoras, explicou que o Comitê Estadual começou a se estruturar em setembro de 2007, depois de atividade realizada no Buraco do Lume. “Vimos a importância de levarmos esse debate para o 8 de março. E conseguimos fazer um ato forte, unificado. A legalização do aborto está na agenda política e conseguiu agregar várias entidades para uma discussão que precisa ser feita na sociedade”, explicou. [Imagem: A luta contra a maior das opressões: a desigualdade social. Foto de Raquel Júnia]

Na opinião de Elisa, o principal enfrentamento para a conquista da legalização da prática está em Brasília “Nosso Congresso é extremamente conservador, um congresso que se deixa influenciar pela Igreja. Não podemos deixar a lei retroceder. A Igreja, por exemplo, é contra até os casos previstos em lei. Temos que conquistar a legalização do aborto, pois a vida da mulher não tem sido levada em conta”, destacou.

Cilda Sales é professora de 1ª a 4ª série. Ela contou que o cotidiano da escola é complicado, não só para as professoras “Dou aula em Campos Elíseos, Caxias. Lá não são raras as mães de alunos que apanham de seus maridos. As mulheres são 80% da minha categoria. Nossa realidade salarial é de R$ 490. No magistério, que já é desvalorizado, as mulheres são as mais prejudicadas”, destacou.

Em um mundo patriarcal, que tal a conscientização desde cedo? Meninos apóiam a luta de suas mães
Em um mundo patriarcal, que tal a conscientização desde cedo? Meninos apóiam a luta de suas mães. Foto: Raquel Júnia

Cilda diferenciou a defesa da legalização do aborto feita por setores reacionários. “Esse ato do Dia das Mulheres é uma denúncia contra esse sistema machista, homofônico e branco que temos. Sérgio Cabral falou que é a favor da legalização do aborto para reduzir a produção de marginais na favela. Não é isso! Estamos em defesa das mulheres. Queremos o aborto legal para que elas não morram”, refutou a visão do governador, que considerou preconceituosa.

A manifestação seguiu pela Avenida Rio Branco. Em meio às mensagens em faixas e cartazes, “quero o direito de decidir” estava em batom vermelho na barriga de Camila Ribeiro, 29 anos, no sétimo mês de gestação do primeiro filho.“A intenção é mostrar que ser a favor da legalização do aborto não é ser contra a maternidade. Pintei a barriga por isso! O Estado não pode criminalizar a mulher que decide fazer o aborto. Ela deve ter o direito de escolher a melhor hora de ser mãe. A mulher pobre, por exemplo, deve ter direito de ser atendida no SUS”, explicou.

Descontração em meio à luta“Mudar o mundo para mudar a vida das mulheres. Mudar a vida das mulheres para mudar o mundo”, uma militante exibiu a camiseta. Outras amarraram fitas e flores de cor lilás nos cabelos e batucaram com garra “feminismo pra frente, machismo pra trás”. As mulheres da Via Campesina, com chapéus de palha e lenços de chita florida nos rostos, engrossaram o coro, unindo campo e cidade na busca pela igualdade entre os gêneros. [Na imagem: Descontração em meio à luta. Foto: Raquel Júnia]

Por volta das 19h, já na Cinelândia, todos e todas formaram uma grande roda e dançaram a ciranda. “Ô abre alas que eu quero passar, ô abre alas que eu quero passar. Sou feminista não posso negar, sou feminista não posso negar”, cantaram.


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