......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS



SERES OU RESES

17.06.2008
A violência como regra oficial

Em 25 de janeiro na sede do Clube Militar do Rio o coronel da reserva remunerada do Exército Carlos Alberto Brilhante Ulstra foi homenageado com um almoço pelos “brilhantes serviços prestados ao País”. Brilhante Ulstra foi um dos mais estúpidos torturadores do regime militar. Ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna do 2º Exército (DOI-Codi), em São Paulo, nos anos 70, Ustra é alvo de ação cível declaratória na Justiça paulista que tem a intenção de classificá-lo como "torturador".

A ação é movida por Maria Amélia de Almeida Teles, integrante da Comissão de Familiares Mortos e Desaparecidos, ela própria prisioneira nas câmaras de tortura da ditadura e sob a “guarda” do carrasco Ulstra.

Junho de 2008, um tenente do Exército entregou três jovens de um morro do Rio de Janeiro a uma quadrilha rival para que aplicassem um “corretivo no tráfico”. Os três jovens são assassinados pelos traficantes de outro grupo. O Exército executa uma operação “social” numa das favelas do Rio, mero pretexto para dar apoio à política de extermínio do governo Sérgio Cabral.

Os primeiros levantamentos mostram que a ação do tenente é bem mais complicada que um “simples corretivo”. Traficante, o tenente cumpriu não uma operação “social”, mas a prisão de três jovens sob as ordens dos traficantes do outro lado.

Moradores das favelas do Rio de Janeiro denunciam toda a sorte de violência e barbárie contra trabalhadores, homens e mulheres, crianças e idosos, tudo no pretexto de combater o tráfico que continua como sempre esteve, intocável, mas ganhou o prêmio da boçalidade no festival de Cannes com o filme BOPE.

A falência da instituição policial no Rio de Janeiro.

A propaganda de uma sociedade anestesiada e controlada pelos meios de comunicação a serviço das elites.

A luta de classes numa de suas muitas feições.

O general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia vocifera contra a demarcação de terras indígenas no estado de Roraima em nome da integridade do território e da soberania nacionais e ganha o apoio do general Lessa, tudo nos moldes do reino FIESP/DASLU presidido pelo líder sionista no Brasil Paulo Stak.

Defendem os interesses de grupos internacionais como a VALE, privatizada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Intentam garantir a soberania nacional, no caso a Amazônia, transformando-a numa grande fazenda de eucaliptos e futuramente num grande deserto.

Empresas como a VALE e a ARACRUZ já se transformaram em repúblicas autônomas dentro do Brasil. Ocupam e controlam estados como o Espírito Santo, parte da Amazônia brasileira e financiam golpes militares contra governos legítimos da Venezuela, do Equador e da Bolívia. Os generais Heleno e Lessa são nacionalistas mas segundo as ordens de Washington.

Os índios são os culpados na velhíssima conversa golpista de culpar os mais fracos.

Os favelados são os culpados na mesma velhíssima história.

O processo contra o carrasco Brilhante Ulstra tramita na esfera cível, e não na penal. A ação contra o coronel acabou aceita pelo juiz da 23ª Vara Cível de São Paulo, Gustavo Santini Teodoro, sob a alegação de que não é limitada pela Lei da Anistia.

O governo Lula tem comportamento dúbio em relação aos militares. É servil quando os quartéis gritam e é severo quando os interesses políticos do presidente e seu grupo estão em jogo, mesmo assim até um certo limite. Para além desse limite faz de conta que não é com ele.

É fundamental que os documentos secretos da ditadura sejam liberados. Há necessidade que as novas gerações conheçam o horror e a barbárie de um regime instalado a partir de um golpe contra as instituições e um presidente constitucional, João Goulart.

Como acontece em países como a Argentina e o Chile, onde carrascos como Brilhante Ulstra cumprem penas por crimes contra a humanidade.

Figuras como Ulstra e esse tipo de ação de chefes militares, o tenente é apenas o reflexo de uma formação deformada, não cabem fora da cadeia numa democracia.

São criminosos e criminosos não podem ser homenageados por instituição alguma.

A violência que se perpetra diariamente no Rio contra moradores de favela só tem paralelo no horror sionista contra o povo palestino.

Não é acaso, acaso não existe e nem é coincidência. É deliberação de uma nova ordem política vigente no mundo. E o Brasil é apenas um país periférico dessa nova ordem, mero produtor de cana e transgênicos.

As instituições estão falidas, o modelo é excludente e os brasileiros são instrumentos de banqueiros, latifundiários e empresários padrão FIESP/DASLU. O governador Sérgio Cabral, o tenente/traficante são produtos desse modelo que começa no nacionalismo canhestro porque entreguista e a soldo de potência estrangeira do general Heleno e outros.

Lula é só alguém que, malgrado algumas conquistas, mínimas, pensa que é presidente de alguma coisa. É sim, até a linha que traçaram com giz e que ele sabe que não pode ultrapassar. Mas deveria, tinha esse compromisso. Faltou e falta estatura política para tanto.

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> Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.

Ilustração: Táia Rocha

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