......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS



SERES OU RESES

13.06.2008
O Estado falido - uma Assembléia Nacional Constituinte

A construção de um País justo e soberano não passa pelo modelo institucional vigente e nem se resolve com uma simples reforma política. Há que ser resultado de ampla participação popular tal e qual se faz na Venezuela, na Bolívia, se começa no Equador e toma como modelo a revolução cubana de 1959.

A eleição de Lula significou a perspectiva de mudanças profundas no processo político, econômico e social brasileiros. Resultou num governo tímido, preso a alianças com um Congresso envolvido em corrupção e controlado por representantes dos principais acionistas do Estado privatizado (bancos, grandes empresas, corporações, latifúndio) e por isso mesmo, enredado em seus próprios erros e equívocos que acabaram por custar-lhe a espinha dorsal no curso dos primeiros quatro anos do atual presidente.

“Você me abre seus braços e a gente faz um País”. Estava numa faixa estampada no Planalto no dia da posse de Lula, a primeira. Versos de uma canção cantada por Marina Lima.

Os braços estão abertos desde o primeiro momento. O que se espera agora é que o presidente busque os compromissos deixados fora do Palácio quando da posse e possamos fazer um País. Não vai ser com Renan Calheiros. Como não será com José Serra e não foi com FHC. Essa turma já fala em CANSEI e incentiva a produção de liteiras.

Quem quer que se debruce em cinco minutos de reflexões desde o momento que um desvairado sem norte, Itamar Franco, caiu no conto de Fernando Henrique Cardoso, buscar o pré e o pós (como costuma dizer Millôr Fernandes), vai perceber que todo o período tucano foi preparado em Washington, foi formatado na esteira da nova ordem política econômica e que o presidente era, como foi, apenas um governador geral, um gerente, executor de um projeto único que se pretende impor a todo o mundo.

O “american way life”. O vender borracha e comprar pneus, ou chicletes.

A lei de patentes foi votada pelo Congresso Nacional, nos primeiros momentos do governo FHC com o texto original em inglês. Foi traduzida depois. A manada votou em troca de concessões várias. Canais de rádio, tevê, verbas para fundações suspeitas, o de sempre. Não foram suficientes as denúncias de deputados e senadores (minoria) íntegros. Chico Alencar, para citar um.

A entrega do espaço aéreo amazônico, o SIVAM, foi a primeira grande fraude pública do governo FHC. Franceses ganharam a concorrência, o dono (Ex-EUA) não concorda e os então norte-americanos, hoje texanos, chegam e tomam conta. A EMBRAER, conquista do povo brasileiro é deles.

De lá para cá o que se faz é acentuar o processo de recolonização do Brasil. As privatizações, o controle da bolsa de valores pelo capital internacional, o acesso controlado às tecnologias indispensáveis a um Estado soberano e forte. O esvaziamento das forças armadas (o caso dos submarinos movidos a energia nuclear é um exemplo definitivo, ou a compra de aviões russos para reequipar a FAB).

E a mídia, principal instrumento de dominação, à medida que vende a mentira do JORNAL NACIONAL, entre uma ilusão e outra, a novela das sete e a das oito. Ou o FANTÁSTICO ou as bizarras tardes de domingo com Faustão, Gugu, os tempos de Ratinho, os programas de Cicarelli, Sílvio Santos conservado em formol, enfim, o espetáculo que transforma o ser humano em extra na grande produção do capitalismo internacional.

Em índio/índia no faroeste que subjuga o Iraque, o Afeganistão, a Colômbia. Ameaça a Venezuela, bloqueia Cuba, monta golpes contra Evo Morales, financia ditaduras como a do Paquistão e gasta fábulas em armas enquanto tortura, seqüestra e estupra mundo afora para distribuir democracia, a deles.

A luta é de sobrevivência. Até da própria espécie. Ameaçada em si, em seu âmago e na destruição do ambiente, da natureza e da vida.

Não passa por discussões histérico/estéreis se um político corrupto como Renan Calheiros deve ou não ser cassado, ou se Mônica Veloso fez bem ou fez mal em posar nua para a PLAYBOY tentando protestar, dessa forma, contra a corrupção, preservando seu filho (sic).

É como se estivéssemos assentados à mesa de um jantar onde toda a comida está estragada e intoxica. Joga-se a comida fora, ou aceita-se a intoxicação.

Se formos observar as regras do jogo e as condições objetivas nos fazem prisioneiros numa determinada medida dessas regras, mas nem tanto, podemos subvertê-las, a saída está nas ruas, no movimento popular.

No enfrentar as votações secretas. Nas idas e vindas de tipos titubeantes como Aluísio Mercadante, ou corruptos, como Tasso Jereissati, Eduardo Azeredo, Artur Virgílio, FHC, José Serra, Aécio Neves, vai por aí afora.

Ou esperarmos que a biografia do bispo Edir Macedo nos conduza aos céus. Ou que os tais carismáticos, inventados para tentar conter a débâcle da Igreja Romana, acordem e percebam-se como são, massa de manobra de um esquema fascista e que descaracteriza o ser humano como tal. É tudo questão de aleluia.

Como se isso fosse possível.

“Eu engulo todos os sapos e porcarias do mundo esperando a recompensa da paz”. Que paz cara pálida? Quero é o seu escalpo. Eu volto da porta do restaurante para que meu dia não seja perturbado por figuras desagradáveis e vou comer noutro lugar. Onde?

Ô meu! O minha! Putz, acorda Mane/Maria, os caras tão fazendo você de índio/índia da tribo deles. Transformam você que nem tatu em bola e jogam dentro da caçapa/pasta e saem felizes, lépidos e fagueiros na ordem institucional, no tal mundo real, que é irreal e você acha que está tudo em cima, ou é preciso recolocar o que não está e corre atrás de um personal trainner?

Pô! Boninho, exemplo de virtudes e benfeitorias das elites, prodígio do pai Boni, injeta éter nos ovos, centenas, milhares e depois fica pela janela jogando em vagabundas/vagabundos. Ou Narcisa, que quando está de bom humor joga rosas e quando está furibunda com a vida, joga ovos.

Cuidado quando passar na porta de um condomínio fechado. Se você for trabalhador os filhos das elites vão encher você de porrada, roubar setenta pratas para comprar droga, seu celular para render mais uma carreirinha e depois vão chorar de arrependimento, pois afinal freqüentam faculdades.

Nem travesseiro capaz de suportar todas as lágrimas (inventaram um anti ronco) é capaz de segurar essa barra. Tudo bem, está feliz? A felicidade vendida em conta gotas e no medo de enfrentar a realidade ou olhar o distinto público em volta? As regras e as ordens emanadas das pastas e dos tacos a cutucarem as bolas?

O movimento pelas reformas políticas prescinde de políticos e dos partidos e passa pelo movimento popular, pelas ruas, por puxar a toalha da mesa, jogar fora a comida podre e refazer até a própria mesa, pois os pés estão comidos por cupins.

É a sobrevivência da classe trabalhadora, do ser, da espécie, a perspectiva de um mundo de fato democrático porque não vai, com certeza, gerar vacas/touros mágicos como os de Renan Calheiros.

Vai permitir um mundo de gente.

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> Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, trabalhou no Estado de Minas e no Diário Mercantil.

Ilustração: Táia Rocha

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