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SERES OU RESES
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14.05.2008
O Ornitorrinco, o progresso e CFT
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A BBC (British Broadcasting), estatal inglesa de comunicação, revelou que a última edição da revista científica NATURE, publicou um estudo que sequenciou o genoma do ornitorrinco, uma das mais estranhas espécies de habitantes do planeta.
Mais de cem pesquisadores trabalharam no projeto. As características do ornitorrinco são únicas. Tem tudo para ser um mamífero e o é. Tem pelos e produz leite. Mas, põe ovos como os répteis e aves.
O que tem isso de importância? Com certeza bem mais que o copo de “coca cola” e o sanduíche do McDonalds, ou toda a indústria automobilística junta.
É que o ornitorrinco é originário de um “ramo inicial da família dos mamíferos” e sua seqüência genômica pode dar pistas “sobre a evolução dos seres humanos e de outros mamíferos”. Complica por aí.
Antônio Ermírio e a ARACRUZ? São mamíferos ou répteis?
O general Heleno e os caras da “supranacional” VALE?
Outros códigos genéticos decifrados seguem nessa mesma linha. O dos camundongos por exemplo. Você pode imaginar Mickey Mouse no casa não casa com Minie enquanto decifra mistérios de João Bafo de Onça e segura as trapalhadas de Pateta, ou um rato como Paulo Maluf, outro como Fernando Henrique Cardoso. José Serra e Alckmin, na mala da ALSTON. Milhões de dólares despejados nas obras do metrô de São Paulo por baixo dos panos.
O código genético das ovelhas. Não se importam de beber a água que os lobos tornam turva, à medida que o mundo assim se torna real na lógica da dominação e aí entra o que faz e o que deixa fazer. Depois, à hora do almoço é só dividir a mesa e achar que a vida é assim.
“O animal é tão estranho que foi considerado uma farsa quando enviado no século 19 por cientistas da Austrália, onde era originalmente encontrado, para a Europa. Ele tem uma aparência muito estranha porque é uma mistura com bico de pato, olhos de toupeira, ovos de lagarto e o rabo de um castor”. Foi o que disse o professor Pontig à BBC, um dos integrantes da equipe.
Uma espécie assim de senador Agripino Maia.
A perda de produtividade, aos olhos do capitalismo, por conta do trânsito em cidades grandes, metrópoles como São Paulo e cidades de porte médio, chega a cinco por cento.
Produtividade é a relação entre o quanto se produz, o quanto se gasta e em que tempo. Um motoboy que normalmente levaria vinte minutos para entregar uma determinada encomenda leva quarenta minutos em momentos de piques no congestionamento de veículos, isso em São Paulo, onde foram feitas partes do estudo.
O prejuízo, a despeito das disparidades de critérios para cálculos seria da ordem de 35 bilhões de reais anos.
O crescimento da produção e da venda de automóveis no Brasil é espantoso. A relação entre esse crescimento e o número de empregos não. O automatismo na produção não permite que esse dito avanço tenha a mesma correspondência em termos de emprego.
E sempre do ponto de vista do capitalismo, não se fala nem de longe no bem estar de cada um e da coletividade, progresso aqui é o privilégio das elites. O resto é o resto.
O que essa complexidade científica, digamos assim, tem a ver com uma geleira que desaparece na Cordilheira Blanca no Peru é total. A indústria automobilística, favorecida em todos os sentidos pelos sucessivos governos brasileiros desde JK, não tem a menor preocupação com isso, mas tão somente com a noiva chegar atrasada ao casamento. O concorrente joga o carro do outro no rio enquanto um jovem salva a moça em perigo e conduz a dita ao altar provocando a ira e a reação dos presentes.
Tem um que desperta uma cidade inteira, até o que dorme mais.
Perfeita a associação, já que os presentes estão vestidos como ingleses em solenidade da rainha e o rapaz é apenas uma jovem da classe média que comprou o carro em quase cem parcelas mensais. Só que com uma potência única e segurança máxima.
E poluição total.
E desemprego crescente.
A geleira que desapareceu tinha o nome de Broggi e uma superfície de 1,8 quilômetros. A informação é do diretor da Unidade de Glaciologia do Instituto Nacional de Recursos Naturais do Peru, que, curiosamente tem o sobrenome Zapata.
O mesmo Zapata que, aparentemente só por coincidência (ou não?) tem o sobrenome do líder revolucionário do extinto México (estado norte-americano) informa que a geleira Pastoruri está retrocedendo rapidamente e não é mais “considerada um nevado (montanha com neves permanentes), mas uma simples cobertura de gelo por causa da perda de 700 quilômetros quadrados de geleira”.
O cidadão leva uma fechada no trânsito de uma cidade como o Rio de Janeiro, sai em disparada, alcança o outro, fecha o dito, desce do carro, saca de um revólver e mata o igual. Espécie igual.
Quando a “coca cola” chegou ao Peru nos lugares mais distantes do País, as pessoas substituíram o leite pelo refrigerante. Os índices de desnutrição em crianças com menos de quatro anos assumiram proporções alarmantes. A revelação foi feita pela ONU e o fato aconteceu na primeira metade da década de 70.
Os caras chamam isso de progresso, de mundo real. Vai ser preciso redecifrar o que já se conhece sobre o código genético do ser humano para entender o conceito de progresso e o de mundo real.
E vai ser difícil convencer os caras a concordarem com essa nova pesquisa. Estão reduzindo a área de floresta Amazônica para poder plantar mais eucalipto, matando índios em nome do mesmo progresso, absolvendo assassinos pelas mesmas razões e contam com um general de nome Heleno (coincidência, ou de Tróia?) Para por as tropas na rua, gritar nacionalismo alto e bom som, enquanto vira o carro à direita e presta continência em Washington, depois em Wall Street enquanto conversa com o juiz Lalau em mais de duzentas ligações.
O ornitorrinco não é e nem deixa de ser. Ou é e não deixa de ser um não ser.
Mas é, Chico Oliveira, um desses patrimônios do pensamento e que sobrevive íntegro como ser humano denominou o progresso de nosso País como ornitorrinco. A evolução incompleta.
Já o humano, dito assim, no desvario do progresso, senta divide a mesa, depois estende-se noutra mesa, onde tacadas encaçapam as verdadeiras realidades (por mais estranho que possa parecer) em montagens da vida rumo ao precipício de tijolos furados.
É que, à mesma época da “coca cola” chegando ao Peru, aos lugares mais longínquos do país, chegou também o rádio transistorizado. Quem não podia comprar, pois o negócio era o parecer ser, o status, levava as pessoas a envernizarem tijolos e colocarem arames a guisa de antenas enquanto ficavam de longe com ditos “ornitorrincos” colados à orelha, fazendo crer que ouviam rádio.
O que se cola hoje é uma realidade que não existe mas é brutal por isso mesmo e as pessoas colam ignorando as roseiras quando abrem a janela.
A GLOBO comprou os direitos de exibição do Big Brother no Brasil até 2011, descobriu o engana ovelhas.
É só olhar para o céu e enxergar CFT. Está lá.
E desligue o botão de uma realidade que é irreal. Ligue o de uma “irrealidade” que é a própria vida.
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Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora,
trabalhou no Estado de Minas e no Diário
Mercantil.
Ilustração:
Táia Rocha
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