É ridículo imaginar que as FARCs ou o ELN irão depor armas e integrar-se a um processo político corrupto e controlado pelo narcotráfico na Colômbia. Álvaro Uribe foi eleito presidente duas vezes com apoio das elites e do tráfico, o próprio FBI (Federal Bureau of Investigation) reconheceu o fato em vários relatórios.
É fazer como o avestruz, enfiar a cabeça num buraco para ignorar a realidade, acreditar que as intenções de Bush em relação à Colômbia sejam de paz e “instauração de uma democracia plena”. É só olhar para o Iraque, o Afeganistão e os regimes ditatoriais dos aliados de norte-americanos tanto no Oriente Médio, como no caso do Paquistão.
Ao classificar, à sua maneira fascista de ser, a situação da Colômbia como de combate a grupos “terroristas”, as duas forças guerrilheiras, o presidente dos EUA estava apenas tentando legitimar ações de ocupação militar daquele país, controle do governo Uribe e base para ações as mais variadas contra a Venezuela, Equador e Bolívia.
A presunção que o seu “deus” mandou fazer assim para dominar o mundo e criar o reino dos céus à imagem e semelhança da cadeia de lojas McDonalds e das bombas despejadas por aviões da força aérea americana contra eventuais resistentes.
Esse discurso vem desde as Cruzadas quando reis da Europa por interesses políticos e econômicos se juntaram para “libertar” o santo sepulcro. Religiões e modelos políticos moldados em função de interesses imperiais têm servido ao longo da história para justificar a barbárie e a boçalidade dos grandes.
FARCs e ELN são forças insurgentes que se constituíram e se rebelaram contra o governo central da Colômbia. Lutam há décadas e controlam mais de 51% do território colombiano. Nenhum dos presos de guerra, como a ex-senadora Ingrid Betancourt foi arrancada de casa e seqüestrada como pretende a mídia ao divulgar um lado da moeda, pois que representante desse lado.
Foram presos e estão mantidos prisioneiros em zona de combate. É dramática a situação da ex-senadora e dos demais prisioneiros? Claro que sim. Em qualquer situação de guerra a situação de prisioneiros é dramática.
Os norte-americanos mantêm dois campos de concentração conhecidos e outros tantos não conhecidos e seqüestram, isso sim seqüestram, cidadãos em qualquer parte do mundo se julgam que tais cidadãos ameaçam os interesses dos EUA. Existe uma lei que autoriza esse tipo de prática, como permite a tortura.
Agentes da CIA respondem a processos na Alemanha e na Itália sobre situações assim. Seqüestro puro e simples. Um cidadão arrancado de sua casa, de sua cidade e levado a Guantánamo, a parte ocupada de Cuba, onde funciona o maior campo de concentração desde o fim da IIª Grande Guerra.
Quem já viu, leu ou ouviu na GLOBO e nas redes e jornais e revistas a serviço desses interesses notícias sobre esses fatos? Basta dar uma olhada no noticiário das tevês européias, a indignação das pessoas contra a barbárie seqüestradora das hordas fascistas de Bush.
Não há saída militar para a Colômbia, nem que os norte-americanos despejem ali contingentes de centenas de milhares de homens como fizeram no Vietnã e sofreram a mais humilhante derrota militar e política de sua história.
E a saída política não implica em desarmar as FARCs e o ELN e realizar as tais eleições livres, diretas e democráticas controladas pelos EUA, ou pela OEA (Organização dos Estados Americanos).
A ação do presidente da Venezuela Hugo Chávez mostra a real possibilidade de paz. Um diálogo amplo entre as forças combatentes. Os obstáculos à negociação não estão na guerrilha, mas no governo da Colômbia e nos EUA.
Cada prisioneiro de guerra solto pelas FARCs (O ELN tem liberado alguns também) como resultado do trabalho de Chávez contraria interesses de Uribe, de Bush e todo o discurso pacifista é mera fachada para encobrir os verdadeiros objetivos e o que representam.
A cumplicidade entre o narcotráfico (Uribe) e o complexo militar-industrial que governa o governo Bush e os Estados Unidos.
É compreensível que William Bonner fique histérico quando se refere às FARCs como “terroristas”. É pago para isso, mentir para aqueles que considera idiotas e dóceis (Homer Simpson).
A paz na Colômbia não passa pelas propostas (são interesses) norte-americanos e nem por essa conversa fiada de democracia imposta pelas elites nacionais e internacionais.
Passa pela disposição de negociar e pelo conjunto de propostas que permitam a Colômbia e aos colombianos encontrar o seu caminho livres do jugo e da tutela dos narcotraficantes e dos norte-americanos.
O estado de saúde de Ingrid Betancourt (afirmam estar com hepatite crônica) sugere gravidade. As condições na selva, evidente, não serão as adequadas a um tratamento e à recuperação da ex-senadora.
Há notícias que os norte-americanos que são prisioneiros de guerra das FARCs insultam e hostilizam a ex-senadora por considerá-la responsável por estarem ali. Ora, os caras estão num país que não é deles, em missão de ocupar e controlar o governo do país. Betancourt é culpada de que? Pode ser de outras coisas, desse fato não.
Betancourt foi seqüestrada quando num lance de marketing eleitoral, era candidata a presidente, entrou em território controlado pela guerrilha e tentou usar o fato em proveito de sua candidatura. Sabia os riscos que corria. Correu-os, pagou para ver e perdeu.
Isso não invalida o sentimento de solidariedade a um ser humano. Mas invalida todo esse noticiário falso e mentiroso em torno do assunto imputando à guerrilha ações “terroristas”.
Terrorismo é outra historia, tem outra definição e ações como as que a CIA faz na Europa, essas sim, são ações terroristas.
O caminho para a paz passa pelo presidente da Venezuela Hugo Chávez. O que não interessa também ao governo da Colômbia e aos Estados Unidos. O problema deles, Uribe e Bush não é paz, é “controle dos negócios”.
É como a situação na Palestina. A ocupação da Faixa de Gaza. É puro ato de terrorismo do estado fascista de Israel, mas que a mídia vende como sendo ato de defesa contra terroristas.
Essa luta tem dimensão maior, transcende a Colômbia, à Palestina.
É a luta dos povos oprimidos contra os opressores. Está na Colômbia e na Palestina. Mas está no Brasil, no Paquistão, no Afeganistão. A luta de classes numa dimensão maior e num contexto em que uma única potência tenta impor sua vontade terrorista ao mundo.