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  O MUNDO AO SEU ALCANCE
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10.12.2008
Uma vitória que a mídia transformou em derrota |  |
Na área midiática, prossegue o esquema de linchamento do presidente venezuelano Hugo Chávez. De manhã cedo, logo no primeiro noticiário da TV Globo depois de conhecidos os resultados das urnas, a décima quarta eleição desde a ascensão do atual presidente venezuelano, a TV Globo destacava a mentira segundo a qual o Partido Socialista Unificado da Venezuela, capitaneado por Chávez, tinha sido derrotado.
Ao contrário, os seguidores do bolivarianismo obtiveram cinco milhões e 600 mil votos, ou seja, mais de um milhão e meio do que a oposição. O partido de Chávez ganhou 17 dos 22 governos de Estado, quase todos por ampla margem e ainda conquistou 80% das prefeituras. A mídia hegemônica, repetindo o seu exercício constante de manipulação da informação, no caso em questão de forma muito primária, andou “informando” que os pobres da Venezuela não votam mais em Chávez etc.
Apesar de não ter conseguido ficar com prefeitura metropolitana de Caracas por causas especialícissimas onde moram também setores de baixo poder aquisitivo, este caso foi apenas a exceção a regra, mas virou manchetona da TV Globo e outras de menor índice de audiência. Esqueceram (?) de dizer, por exemplo, que os bolivarianos ganharam de forma fragorosa a prefeitura do município Libertador e assim sucessivamente.
Do jeito que a eleição venezuelana foi noticiada a manipulação editorial fez com que parecesse que a eleição tivesse se limitado ao governo do Estado de Zulia, Táchira, Carababo, Miranda e a prefeitura de Caracas onde a oposição ganhou. Mas por aquelas bandas também o PSUV recuperou oito prefeituras e continuou hegemônico em outras cinco, dominando agora 14 dos 19 executivos municipais.
Em suma, os apoiadores de Chávez ficaram com 226 prefeituras, um crescimento maior do que em 2004, quando ganharam em 226 prefeituras.
As urnas não mentem
Em número total exato de votos, os chavistas ficaram com 5.504.902 votos, enquanto no plebiscito do ano passado tiveram 4.379.392 votos. Já a oposição ficou com cerca de 4.280.000 votos e no plebiscito do ano passado obteve 4.504.354 votos.
Mas apesar de tudo isso, veio a TV Globo e demais decretar que o “ditador”, da Venezuela foi derrotado.
O noticiário em torno da Equador na questão da Oldebrecht seguiu o mesmo caminho da manipulação, chegando ao cúmulo de colocar juntos um tal de Heráclito Fortes, do Demo, e Aloísio Mercadante, do PT, para esculhambar o presidente Rafael Correa pelo “crime” de defender os interesses do país que governa.
Claro, como Correa acabou de apresentar concretamente o que foi feito em matéria de auditoria da dívida externa equatoriana, confirmando falcatruas empresariais com a colaboração de maus governantes, a TV Globo ficou preocupada. Kamel, o autocensor da emissora de maior audiência do país ordenou aos editores para botarem as barbas de molho contra o “caudilho” equatoriano. De quebra ainda continuam chamando algumas figuras subservientes da área acadêmica para confirmarem o que interessa a Globo e ao Departamento de Estado norte-americano. Os colunistas de sempre fazem o resto.
Ah, sim: espiões benignos informam que Ali Kamel, diretor executivo de jornalismo da Vênus Platinada é quem dá a última palavra sobre o noticiário em torno do Governador de São Paulo, José Serra. A Casa dos Marinhos está desde agora apostando no tucano para suceder Lula. Por isso, Kamel foi destacado para cuidar da matéria. Prestem a atenção do que vem por aí daqui para frente até outubro de 2010.
Ilustração:
Táia Rocha
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Mário Augusto Jakobskind é jornalista e escritor.
Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus,
repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente
da Rádio Centenária de Montevideo,
além de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989
a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988
a 1989). Atualmente é correspondente do semanário
uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato.
É autor, entre outros, dos livros América
Que Não Está na Mídia (Adia,
2006), Dossiê Tim Lopes -
Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora
do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América
Latina - Histórias de Dominação e
Libertação (Papirus, 1985) e Cuba
- apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba
(Ato Editorial, 1986).
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