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  O MUNDO AO SEU ALCANCE
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28.05.2008
Baixo nível midiático abre o jogo sujo |  |
A Europa, que a elite brasileira cultua junto com os Estados Unidos, atravessa um mau momento. Há quem diga que o velho continente não tem mais volta em matéria de mudanças e transformações. São os reflexos italianos, com Silvio Berlusconi e os fascistas que hoje controlam a prefeitura de Roma e a presidência da Câmara dos Deputados. É a França de Nicolas Sarkosy, que já conta com a oposição de uma parte ponderável dos seus próprios apoiadores e assim sucessivamente.
Berlusconi, um produto do baixo nível midiático, apresentou o tal “pacote de segurança", ou seja, as novas medidas que criminalizam a imigração de um modo geral. Tais fatos preocupam sobremaneira o organismo da ONU para os Refugiados, ACNUR. O ACNUR entende que "apesar de entendermos que os países enfrentam dificuldades consideráveis para lidar com a imigração ilegal, estamos preocupados com o potencial impacto prejudicial destas novas medidas sobre o refúgio na Itália".
Segundo o ACNUR, com este novo pacote, solicitantes de refúgio que tiveram o pedido negado podem se ver obrigados a deixar o país sem terem seus apelos ouvidos, e solicitantes de refúgio que chegam ao país sem ter outra opção além de entrar irregularmente no país, podem ser acusados de cometer crime.
Dois tchecos fazem greve de fome contra os mísseis dos EUA
Também da Europa, mais precisamente da República Tcheca, vem a informação de que dois humanistas iniciaram uma greve de fome em protesto contra a instalação do sistema de mísseis de defesa por parte do Estados Unidos. Essa manifestação não violenta tem sensibilizado pessoas no mundo todo.
Noam Chomsky, o lingüista estadunidense que dispensa apresentação, uma das figuras mais lúcidas da atualidade, já manifestou seu apoio incondicional e grande admiração pelos “dois valentes humanistas tchecos, Jan Tamas e Jan Bednar”.
Eles não querem os mísseis de defesa, que Chomsky prefere colocar entre aspas, porque é sabido por analistas de estratégia, que mesmo com todos os cuidados são armas ofensivas. Segundo ainda Chomsky, nas palavras da principal agência de investigação afiliada ao Pentágono, a corporação Rand, este não é simplesmente um escudo, senão um facilitador de ação para os EUA.
Ou seja, os Estados Unidos, como assinala o analista de estratégia Lawrence Kaplan, têm habilidade em exercer o seu poder no exterior, não se tratando, pois de defesa, mas de ofensiva.
Na verdade, o alvo é a Rússia, mesmo este país tendo feito a sua opção pelo mercado. E, como mais uma vez assinala Noam Chomsky, “este desenvolvimento perfeitamente previsível incrementaria significativamente a ameaça de uma guerra nuclear terminal”.
No entender de muitos analistas, a maioria do povo tcheco seria contrária a estes mísseis e apóia a greve de fome de Jan Tamas e Jan Bednar. Espera-se agora que seja realizado um referendo sobre a questão, para que o povo tcheco dê a última palavra sobre tão grave questão.
É bem possível que a mídia conservadora dos mais variados rincões silencie totalmente sobre a greve de fome ou tente de alguma forma desmoralizar o movimento dos dois humanistas tchecos. Não seria propriamente nenhuma surpresa.
Ato simbólico de grande importância
Enquanto tudo isso acontecia na Europa velha de guerra, no Paraguai uma placa de bronze inaugurada pelos então ditadores Juan Maria Bordabery e Alfred Stroessner - duas figuras sinistras responsáveis também pela Operação Condor, que uniu os sistemas de segurança das ditaduras do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia – foram removidas do local onde se encontravam no Solar de Artigas, localizado no Jardim Botânico do bairro de Trinidad, em Assunção.
Trata-se, claro, de um ato simbólico, mas o fato é que a tal placa de bronze, da mesma forma que Bordabery e Stroessner, ocupam hoje um lugar no lixo da história.
É importante lembrar estes fatos e informar até mesmo sobre atos simbólicos, pois, apesar de tudo que se passou em matéria de violação dos direitos humanos nos países em que a Operação Condor esteve vigente, ainda há hoje quem esteja empenhado no retorno destes tempos hediondos por não se conformar com as transformações que estão ocorrendo neste continente que se cansou de ser um pátio traseiro ou quintal da potência hegemônica Estados Unidos.
Ilustração:
Táia Rocha
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Mário Augusto Jakobskind é jornalista e escritor.
Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus,
repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente
da Rádio Centenária de Montevideo,
além de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989
a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988
a 1989). Atualmente é correspondente do semanário
uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato.
É autor, entre outros, dos livros América
Que Não Está na Mídia (Adia,
2006), Dossiê Tim Lopes -
Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora
do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América
Latina - Histórias de Dominação e
Libertação (Papirus, 1985) e Cuba
- apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba
(Ato Editorial, 1986).
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