......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS



O MUNDO AO SEU ALCANCE

27.04.2008
Prefeito on-line bota as mangas de fora

O prefeito on-line César Maia nos últimos dias está botando as mangas, gênero Democratas (Demo), de fora. Desde quando se confirmou a vitória de Fernando Lugo, Maia, execrado na zona Oeste por causa da epidemia de dengue, embora os analistas de sempre digam ao contrário, não se conteve e deitou falação sob o título “Ex-bispo Lugo vence no Paraguai! Ampliam-se as incertezas”.

Nos dias seguintes o prefeito não fez por menos insurgindo-se contra Cristina Kirchner, Evo Morales e, como não poderia deixar de ser, Hugo Chávez. César, convencido que sabe de tudo, se propõe a informar (o certo é entre aspas mesmo), mas utiliza como fonte o esquema midiático conservador. Deve ler os jornalões co-irmãos de O Globo, de O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo que pululam pela América Latina e se agrupam na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

A vitória estrondosa de Fernando Lugo deixou o conservadorismo latino-americano em polvorosa. Os Estados Unidos também, sobretudo pelo fato de o governo George W. Bush estar preocupado com o fato de o ex-Bispo ter de cumprir a promessa de campanha segundo a qual não continuará cedendo espaço para a manutenção de uma base de comunicação na região do Chaco, próxima à Tríplice Fronteira.

Perda de espaço na América Latina deixa Washington em polvorosa
Como a base de Manta, no Equador, terá de ser devolvida até 2009, perdendo o espaço no Paraguai – espaço este que segundo denúncias serve para monitorar todo o sistema de comunicação de países sul-americanos – o esquema militar de Washington ficará desfalcado de mais uma área estratégica.

Aí o que acontece? São convocados os colunistas de sempre, e agora até o prefeito on-line, para jogar na divisão, ou seja, fazer a cabeça das pessoas no sentido de incutir a idéia de que governantes como Lugo, Chávez, Correa, Morales e Ortega são figuras perigosas. Visivelmente o esquema conservador faz esta divisão com mentiras e adotando o estilo Goebbels, ou seja, de que mentiras repetidas acabam virando verdades.

É por aí que se explica a campanha orquestrada contra Lugo. Muitos inocentes embarcam nesta canoa furada fabricada nas planilhas de comunicação de Washington. Enquanto isso acontece, o governo Bush, em um primeiro momento, se apresenta como cordeiro saudando até a vitória de Lugo. Mas por detrás do pano...

Como parte desta estratégia, Lugo vem sendo apresentado até como antibrasileiro, simplesmente pelo fato de defender interesses paraguaios na questão de Itaipu. Agora querem vender o peixe segundo o qual se o brasileiro tiver que pagar mais por tarifas de energia o culpado será Lugo.

Mas a matéria Itaipu é apenas uma parte do contexto vitorioso do candidato que desbancou o Partido Colorado, o mesmo que esteve a serviço do sanguinário ditador Alfredo Stroessner, pois na campanha eleitoral Lugo colocou em pauta reformas importantes, como a agrária, que o conservadorismo abomina e por isso criminaliza o MST.

Desafios serão enfrentados
É claro que o Presidente eleito do Paraguai terá grandes desafios pela frente. Pode ter problemas no Congresso, onde a estrutura colorada continua forte, e assim sucessivamente.

Por estas e muitas outras, podem crer, a mídia conservadora capitaneada pelas Organizações Globo não vai dar folga a Lugo. Se a candidata colorada tivesse ganho, podem crer que o discurso editorial seria totalmente outro. O Globo até que tentou puxar a brasa para o lado de Blanca Alvear, apresentando-a em várias ocasiões como favorita nas pesquisas, quando se sabia que Lugo estava sempre em primeiro lugar.

Mas, em suma, a vitória de Lugo demonstra concretamente que os latino-americanos querem em definitivo virar a página da história onde predominavam os desrespeitos flagrantes aos direitos humanos, como acontecia sempre durante o período de hegemonia colorada no Paraguai, e o esquema neoliberal. O conservadorismo teme também a unidade latino-americana e usa como estratégia a divisão, jogando um país contra o outro.

É por aí também que se explica tanta preocupação do esquema conservador. César on-line Maia é apenas uma peça desta engrenagem que dá sinais de apodrecimento, como a própria gestão da prefeitura carioca.

É isso aí, e mais algumas coisas que ficam para uma próxima oportunidade.

Ilustração: Táia Rocha
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> Mário Augusto Jakobskind é jornalista e escritor. Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus, repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente da Rádio Centenária de Montevideo, além de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989 a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988 a 1989). Atualmente é correspondente do semanário uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato. É autor, entre outros, dos livros América Que Não Está na Mídia (Adia, 2006), Dossiê Tim Lopes - Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América Latina - Histórias de Dominação e Libertação (Papirus, 1985) e Cuba - apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba (Ato Editorial, 1986).

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