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O MUNDO AO SEU ALCANCE
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30.03.2008
De Jabor a Fernanda Montenegro
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O panfletário a favor, Arnaldo Jabor, em um de seus comentários (?) no Jornal da Globo, o noticiário que vai ao ar geralmente no início da madrugada, se posicionou de uma forma bastante sintomática. Quem observou percebeu perfeitamente a falta de honestidade do referido e da própria Globo. Comentando o descaso das autoridades em relação à questão da epidemia de dengue no Estado do Rio de Janeiro, Jabor desancou sobre os governos federal e municipal. Estranha e sintomaticamente, o panfletário retirou do comentário o governo estadual.
Se você comenta o descaso das autoridades na área de saúde pública, o que é confirmado pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, porque deixar de fora o governo estadual? É tão responsável pelo agravamento do surto da dengue que os demais governos. Só mesmo Jabor e a Globo para omitir este fato. Sérgio Cabral certamente agradecerá $obremaneira esta omi$$ão.
Em suma: assim caminha a mídia con$ervadora, revelando a cada instante que tipo de liberdade de imprensa defende. E quem mostra as contradições é até mal visto e acusado de se voltar contra a liberdade de imprensa. Claro, para este setor, imprensa quer dizer empresa.
Por falar em teatro
Já que se tenta mostrar o que se esconde por detrás de alguns fatos, às vezes até óbvios, mas sempre escamoteados, vale lembrar que na área teatral acontece no momento uma tremenda contradição. Fernanda Montenegro, considerada a primeira dama do teatro brasileiro, está inconformada com um fato: o pagamento de meia entrada nos teatros por estudantes e o pessoal da chamada terceira idade. Fernanda Montenegro e outros atores e atrizes, entre elas Marília Pêra, que insistem nesta inconformidade, se esquecem de uma coisa, que geralmente é silenciada.
A produção teatral corre atrás dos incentivos culturais, as tais leis que dão direito a que o Estado brasileiro, seja municipal, estadual ou federal, aproveite o beneplácito para a realização de suas produções. Mas esquecem de algo fundamental: no fundo, com o desconto de impostos das empresas para possibilitar o incentivo, quem na verdade subsidia é o cidadão contribuinte, que vê o Estado deixando de receber o imposto que seria destinado à população. E tem mais, os incentivos geralmente são dados a colunáveis teatrais que estão montados na grana, ou seja, que não precisavam de incentivos.
Mais gritante ainda é que esta onda contra a meia entrada ocorre no momento em que o teatro brasileiro vive uma de suas maiores crises. Se não houvesse a meia entrada, os teatros estariam às moscas e mosquitos. Vale assinalar a pertinente observação do jornalista Antonio Castigliola no site Casa da Gávea (http://www.casadagavea.org.br/site/colunas.php): a escassez de público nas salas de teatro exige a formação de nova geração de espectadores.
Ou seja, em vez de se voltarem contra a meia entrada, os atores e produtores teatrais deveriam, isto sim, criar alternativas para atrair um novo público, levando os espetáculos em portas de fábricas, ruas, praias e praças. Afinal, se a praça é do povo como o céu é do condor, o teatro também o é. Ou será que é só para a elite como querem Fernanda Montenegro e Marília Pêra?
Ah, sim: dia destes a primeira dama do teatro brasileiro Fernanda Montenegro chegou a afirmar que se os Estados Unidos não ocupassem o Texas (retirado do México a força), a região não teria se desenvolvido como se desenvolveu. Na verdade, como excelente atriz que é, Fernanda Montenegro representou o papel de algum personagem desencavado do lixo da história de qualquer potência colonial do século XIX. Resta saber quando Fernanda voltará para o real. Acorda, dona Fernanda.
A propósito de teatro: Augusto Boal, uma figura que dispensa apresentação pelo que tem feito nesta área com o Teatro do Oprimido, ao completar 77 anos, foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz. Nada mais justo que os jurados de Oslo decidam em favor de Boal, uma personalidade mundial na área da cultura que é um orgulho para o Brasil.
Aliás, o Teatro do Oprimido é a antítese do que defendem Fernanda Montenegro e Marília Pêra.
Ilustração:
Táia Rocha
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Mário Augusto Jakobskind é jornalista e escritor.
Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus,
repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente
da Rádio Centenária de Montevideo,
além de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989
a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988
a 1989). Atualmente é correspondente do semanário
uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato.
É autor, entre outros, dos livros América
Que Não Está na Mídia (Adia,
2006), Dossiê Tim Lopes -
Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora
do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América
Latina - Histórias de Dominação e
Libertação (Papirus, 1985) e Cuba
- apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba
(Ato Editorial, 1986).
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