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O MUNDO AO SEU ALCANCE

28.11.2007
Jornalistas sofrem ameaças na Colômbia. SIP e RSF silenciam

Depois da atitude subserviente do presidente colombiano Álvaro Uribe, possivelmente por pressão estadunidense, rompendo o acordo com o presidente Hugo Chávez para negociar com as Farc a libertação de mais de 40 seqüestrados, a Telesul denunciou a perseguição que vem sofrendo o colaborador William Parra, pelo jornalista ter feito uma entrevista com um oficial preso pela guerrilha. E isso sem nenhum protesto de entidades midiáticas, que volta e meia denunciam o governo venezuelano por desrespeitar a liberdade de imprensa.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e a suspeita entidade Repórteres Sem Fronteira nunca se pronunciaram contra as pressões exercidas pelo governo colombiano, não só contra Parra como também contra Freddy Muñoz e Hollman Morris, jornalistas colaboradores da Telesul. As referidas entidades praticamente silenciaram sobre um fato: a Colômbia lidera as listas de países com maior quantidade de jornalistas assassinados no mundo e com maiores dificuldades entre os países da América Latina para o exercício profissional.

O diretor da Polícia colombiana, general Oscar Naranjo, protestou contra a entrevista feita por Parra ao capitão Guillermo Solórzano em poder da guerrilha. O general simplesmente ignorou que a reportagem, realizada no mês passado, estava pautada e fazia parte das gestões para o acordo humanitário objetivando a libertação de prisioneiros em poder das Farc.

O governo colombiano, bastante antenado com Washington, inventou um pretexto para impedir que as gestões de Chávez saíssem vitoriosas, o que, para os Estados Unidos e para Uribe, reforçariam o prestígio do presidente venezuelano. Quer dizer, Bush e Uribe fazem politicalha. Para eles, pouca importa que a vida de muita gente, inclusive de uma ex-candidata à Presidência colombiana, Ingrid Bettancourt, esteja correndo perigo, já que ela poderia ser libertada.

Chefe de polícia não gostou

O chefe da polícia colombiana é uma figura perigosa. Nesse sentido, o colaborador da Telesul, William Parra, corre riscos, porque não dança conforme a música que deseja o general. E a partir de agora qualquer coisa que aconteça com o jornalista será culpa do Estado colombiano. O outro jornalista ameaçado, Hollman Morris, acabou tendo de abandonar a Colômbia porque estava sendo ameaçado. Como não confiava nos que deveriam dar-lhe proteção para preservar sua vida, deixou o território colombiano.

Mas a mídia conservadora na América Latina silencia sobre estes fatos e prefere diariamente investir furiosamente contra a “ditadura chavista”, onde não tem jornalista preso, ninguém foi ameaçado como na Colômbia e assim sucessivamente.

O que terão a dizer sobre isso os parlamentares do Partido dos Democratas (os Demos), que fizeram um show de reacionarismo explícito em ocasião da votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, favorável ao ingresso da República Bolivariana da Venezuela no Mercosul?

Candidato protesta contra Forte Benning, ex-Escola das Américas

Por fim, na Geórgia 20 mil pessoas se reuniram outra vez em frente à entrada do Forte Benning para exigir o fechamento do Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica, nome atual da Escola das Américas, também conhecida como Escola de Assassinos. Onze pessoas foram presas e acusadas de invadir a propriedade privada. As Forças Armadas estadunidenses utilizam esta escola hoje com o objetivo de treinar soldados latino-americanos para o combate à contra-insurgência e ao narcotráfico.

Vale assinalar ainda, já que a mídia conservadora omite fatos desta natureza, que da manifestação contra esta Escola onde vários oficiais latino-americanos aprenderam a torturar participou o candidato presidencial democrata Dennis Kucinich. O referido pode até não ter chance de sair candidato a Presidente, mas o simples fato de estar presente a uma manifestação desta natureza já é notícia - não para a mídia conservadora, que prefere apenas badalar Hillary Clinton, por sinal a candidata que está tendo o maior apoio da indústria de armamentos.

Ilustração: Táia Rocha
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> Mário Augusto Jakobskind é jornalista e escritor. Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus, repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente da Rádio Centenária de Montevideo, além de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989 a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988 a 1989). Atualmente é correspondente do semanário uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato. É autor, entre outros, dos livros América Que Não Está na Mídia (Adia, 2006), Dossiê Tim Lopes - Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América Latina - Histórias de Dominação e Libertação (Papirus, 1985) e Cuba - apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba (Ato Editorial, 1986).


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