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26.03.2008
SÉRGIO DE SOUZA: UMA VIDA PELO JORNALISMO

Por Luciana Chagas (*)

Sérgio de Souza, o SerjãoFoi na manhã dessa terça-feira, dia 25 de março, que recebi a notícia da morte do jornalista Sérgio de Souza. Um email inesperado chegou na minha caixa de entrada. O remetente é Vinicius Souto, assistente de redação da revista Caros Amigos. Ele me pede cópia de uma entrevista que fiz com Sérgio em fevereiro último, além de relatar o acontecido. O jornalista já estava internado há duas semanas no Hospital Oswaldo Cruz em São Paulo. Havia passado por uma intervenção cirúrgica, em conseqüência de problemas no duodeno. Sérgio não suportou as complicações e faleceu na manhã da terça 25.

A entrevista que fiz com o editor-chefe da revista Caros Amigos é parte da pesquisa que estou fazendo para a minha dissertação de mestrado, intitulada: “Caros Amigos: new journalism e o resgate da cidadania”. Sérgio é o personagem principal. Nesse momento escrevo sua história, junto com a história do jornalismo alternativo para então chegar à história de Caros Amigos. Sérgio faz parte da história do jornalismo brasileiro. Passou pela grande imprensa e por diversos veículos de comunicação. E desde a criação de Bondinho em 1971 – após sua saída da revista Realidade, da Editora Abril – escolheu como modo de vida o jornalismo independente, alternativo. Alternativo segundo ele mesmo são “veículos não ligados a empresas grandes, veículos de linha editorial ditada por jornalistas e não por empresários”. Assim como na definição de Ziraldo “imprensa pela imprensa e não pela empresa”.

Sem dúvida esse fato mudará a minha forma de escrever. Escrevo sobre um jornalista que lutou durante toda a sua vida pelo jornalismo. Jornalismo de verdade, aquele que tem como característica primordial informar – sem rabo preso com os órgãos do governo e com a publicidade - e fazer com que a sociedade possa refletir sobre a informação e a realidade vivida.

Nessa entrevista perguntei a Sérgio se a forma de fazer jornalismo da revista Caros Amigos poderia contribuir para uma outra sociedade - mais justa - e recebi como resposta que “é dessa pretensão que vivemos, nós jornalistas. Se não houver tal ambição, é melhor cuidar de outro trabalho. É evidente, pelo menos pra mim, que se a imprensa, os meios de comunicação, se preocupassem com a informação mais aprofundada do que a que se vê hoje, a sociedade seria outra. Qualquer pessoa pode imaginar como a sociedade seria mais consciente se a Globo, por exemplo, que chega em todas as casas todo santo dia, dia e noite, se por acaso se dedicasse a mostrar e discutir o que é importante para a educação de uma população, além do entretenimento”.

Agora só nos resta aprender com sua história e com os ensinamentos deixados por esse grande jornalista. E torcer para que a revista Caros Amigos não perca o seu brilho.

(*) Luciana Chagas é Jornalista e Mestranda em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Contato: lua.chagas@uol.com.br


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