......................................................... POR UMA CPI NA MÍDIA
A CAIXA-PRETA DAS CAIXAS-PRETAS

 



13.02.2008
BRASIL, O PAÍS DO FINGIMENTO!

Por Flávio Sueth Nunes (*)

Após ouvir entrevista do Ex-Comandante Geral da Polícia Militar do Rio (Cel. Ubiratan Ângelo) concedida ao jornalista Ricardo Boechat da rádio Band News FM, cheguei à seguinte conclusão: O Brasil é o país do fingimento. Todo mundo finge, em maior ou menor grau, que não existe uma situação de colapso social imensurável e, talvez, esse fato contribua para a perpetuação do status quo vigente.

Vou explicar: As autoridades públicas que “representam” o Estado produzem diariamente um verdadeiro show teatral perante a opinião pública através dos grandes meios de comunicação, a medida que teimam, permanentemente, em desmentir ou descrever uma realidade fictícia, senão vejamos:

O jornalista mencionado questiona ao Ex- Comandante (exonerado recentemente de seu cargo em virtude de mais um escândalo de corrupção de PM’s em serviço) acerca da divulgação da estatística que demonstrara, nesse período, sobre o aumento considerável no número de mortos, seja em confronto com a polícia ou por balas “perdidas”, fora as execuções freqüentes.

Eis que responde o Coronel afirmando que os números mostram, na verdade, a resposta do Estado perante o tráfico, o que haveria feito este recuar em suas investidas contra a sociedade.

No entanto, o que a sociedade vem percebendo é que a violência real nos leva a uma constatação oposta ao que insistem em reafirmar nossas autoridades. A cada dia novas pessoas são incorporadas à mão-de-obra barata do tráfico e, mesmo com todos os confrontos realizados, não se ouve notícia de que a criminalidade tenha diminuído após as incursões policiais nas favelas, pelo contrário, cada vez se fortalece mais, não obstante aumento do número de traficantes mortos cotidianamente.

O Governador Sérgio Cabral costuma prestar total apoio às “políticas de segurança pública” engendradas por seus Secretários e Coronéis. Tais medidas, que se baseiam no “combate firme” contra a “criminalidade”, têm se tornado, na prática, na criminalização e na execução de pretos, pobres e favelados sem que nenhuma mudança estrutural tenha ocorrido, muito menos na diminuição da violência. Tudo isso com a cumplicidade da grande mídia.

Olha a contradição evidente do Estado que tem por base os desrespeitos aos Direitos Humanos: Há poucos meses foi aberto concurso público para professor da rede Estadual de Educação. Vencimentos: R$ 562,28. É assim, o fingimento continua. O Estado finge oferecer segurança e educação e aqueles pobres, que serão potencialmente apontados como os responsáveis pela criminalidade de amanhã, fingem que estão sendo educados e, por conseqüência, o ciclo da violência é reabastecido.

Vai vivendo o povo brasileiro, ou melhor, dissimulando! Os políticos fingindo honestidade e compromisso com a população. A polícia e a justiça fingindo realmente combater a criminalidade. O Estado fingindo prestar serviços públicos como a educação. E, por fim, a mídia fingindo ser livre e democrática. E eu, caros leitores, juro estar sendo sincero!

(*) Flávio Sueth Nunes jura também que é bacharel em Direito pela UFF.


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